Shadowside: "todos nós temos um pouco de insano dentro de nós"

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Por Juliana Lorencini, Fonte: RocksOff
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Em 2006, fui pela primeira vez em um show do Helloween e lembro de ter ficado mais impressionado com a banda de abertura do que com a principal. A SHADOWSIDE, na época divulgando o seu primeiro trabalho, fez um ótimo show e conquistou a atenção deste escriba. De lá pra cá, muita coisa aconteceu. A banda excursionou o mundo, tocou ao lado de alguns de seus ídolos como IRON MAIDEN e WASP e lançou dois discos de estúdio, o último deles o excelente “Inner Monster Out”.

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Em bate-papo com a equipe do Rocks Off, a vocalista Dani Nolden e o baterista Fábio Buitvidas falaram sobre o sucesso que a banda tem alcançado mundo afora, sobre as expectativas com relação a turnê com o Gamma Ray e Helloween, sobre as gravações do disco “Inner Monster Out” e vários outros assuntos.

Rocks Off – Vocês ficaram em primeiro lugar em diversas rádios nos EUA recentemente com o novo single à frente de nomes conhecidos como Nightwish, Evanescence e Lamb of God. Este ano também fez um grande sucesso no Japão. Ter esse tipo de exposição aqui no Brasil é imaginável. Esse fato os deixa tristes ou apenas com mais vontade de fazer seu trabalho ser reconhecido nacionalmente?

Fabio Buitvidas: Existe aquele estigma de que para fazer sucesso aqui tem que fazer sucesso lá fora… isso parecia ser regra antigamente. Mas nós temos uma incrível base de fãs no Brasil, nossos álbuns vendem muito bem aqui, mas não há um chart especializado como nos Estados Unidos, lá é uma indústria profissional, aqui ainda é uma coisa muito underground, talvez seja sempre assim… isso não quer dizer que é bom ou ruim, é uma característica do mercado nacional. Nós sofremos um pouco no início com comentários negativos de pessoas que sequer conheciam a banda, sequer haviam ido a um show ou escutado uma música. Nós ganhamos nossos fãs principalmente pelo show ao vivo… ainda tem gente que pensa que a Shadowside é uma cópia de Nightwish ou essas bandas com vocais líricos só porque temos uma menina cantando. As pessoas comentam, sem ao menos ter escutado. A Dani tem um vocal forte, poderoso, que foge completamente desse fato. Hoje vejo bandas começando e é a mesma coisa, comentários maldosos, críticas nada construtivas…. ninguém é obrigado a gostar de algo mas não é por isso que você tem que denegrir… eu não gosto de centenas de bandas de Heavy Metal, mas não comento sobre isso porque o que importa? se não gosto apenas não ouço…todos têm o direito de ouvir e gostar do que querem. Acho que há muita gente com inveja, não de nós, mas de qualquer banda… veja o Sepultura… até eles são demonizados por certas pessoas… o mínimo que se espera é respeito. Ocorre que uma banda precisa de tempo para amadurecer, evoluir… se você ouvir o primeiro EP do Shadowside e comparar com o Inner Monster Out vai perceber o que estou dizendo. Certamente temos bandas aqui fantásticas, produções excelentes, músicos de gabarito e hoje há um mercado enorme para as bandas daqui, no Brasil e no exterior. Nossos shows estão sempre cheios, o público curte, compra o CD, apoia… não tenho motivo algum para ficar triste nesse estágio em que estamos, porque sabemos que temos de continuar trabalhando, nos aprimorando, o reconhecimento virá se você tiver qualidade.

Rocks Off – Sabemos das dificuldades que as bandas enfrentam hoje em dia (principalmente financeiras), ainda mais no Brasil, onde o heavy metal não tem apelo da grande mídia, apesar de vocês estarem em evidência sempre em todos os tipos de meio de comunicação. Por isso gostaria de perguntar: é possível viver de música no país se não fizer parte do mainstream?

Dani Nolden: Sim, é possível. Não necessariamente apenas da sua banda, mas é possível. Porém para viver do heavy metal, não se pode depender só do Brasil, mas enquanto você está construindo seu nome pelo mundo você pode dar aulas, tocar na noite, tem inúmeros trabalhos paralelos dentro da música. Todos vivemos de música na banda, não daria certo de outra forma. Não teríamos como avisar o chefe que vamos ficar fora do Brasil por 4, 5 meses para fazer turnê e depois gravar (risos). A banda está crescendo bastante, mas não dependemos somente dela financeiramente, Fabio é agente da Fafá de Belém, Raphael toca na noite, eu tenho meu trabalho com consultoria musical e estou estudando técnica vocal na Berklee para depois dar aulas… o que nós dá uma certa liberdade para fazermos o que tivermos vontade com a Shadowside. Claro que se não precisarmos fazer outra coisa além de tocar com a banda, vamos adorar… mas eu acho que teríamos que ficar ricos pra poder largar completamente sem riscos todas as nossas atividades paralelas. Uma banda é algo inconstante, hoje você tem um material excelente que vende muito bem, amanhã você pode não ser capaz de compor uma linha que preste e ninguém mais aparecer no seu show. É um risco, a menos que você venda milhões e milhões de cópias. Ser 100% músico é possível, mas tem que ter os pés no chão.

Confira a entrevista completa em:
http://www.rocksoff.com.br/shadowside-todos-nos-temos-um-pou...

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