Six Feet Under: Chris Barnes fala sobre novo álbum

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Por César Enéas Guerreiro, Fonte: MetalSucks, Tradução
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Estava combinado que o vocalista do SIX FEET UNDER, Chris Barnes, ligaria para meu celular para dar uma entrevista e discutir o novo álbum, “Undead”. Eu achei que seria legal se eu mudasse meu toque de celular para “Hammer Smashed Face.” Assim, quando o Barnes ligar, eu teria uma pequena amostra de seu trabalho. Então a ligação chega, mas não é Barnes; é um funcionário da gravadora Metal Blade fazendo a ligação. Meu plano tinha falhado.

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3 de maio de 2012
Entrevista para Justin M. Norton.
Tradução de César Enéas Guerreiro.
Originalmente publicada no site Metal Sucks.


Barnes e eu conversamos sobre como é estranho que até uma banda como o CANNIBAL CORPSE tenha um toque de celular. Caras, os tempos mudaram: Não era o Barnes que era alvo dos ataques do ex-senador Bob Dole antigamente? Agora ele tem um toque de celular no iTunes. Mas o que é ainda mais inesperado é que Barnes é mais conhecido em Tampa, onde ele escolheu morar, por causa de um comercial de televisão em que ele fala sobre o test-drive de um Porsche Boxster com uma conversa de vendedor em tom de Death-Metal. Quando as pessoas o param na rua, eles geralmente perguntam se ele é o cara do anúncio do Park Auto Mall e não se ele é um dos primeiros vocalistas guturais do Death Metal. Quando menciono o anúncio, ele ri por uns trinta segundos e diz: “Oh, Deus”.

Barnes mostrou-se muito empolgado e animado enquanto conversava sobre o novo álbum, “Undead”, e a nova formação da banda, que inclui o guitarrista Rob Arnold (CHIMAIRA), o baterista Kevin Talley (DAATH, MISERY INDEX, CHIMAIRA) e o baixista Jeff Hughell (BRAIN DRILL). Da mesma forma que Ed Gein [N.: Assassino que roubava cadáveres de cemitérios] cortava pedaços de cadáveres para fazer esculturas, Barnes colocou e retirou músicos para fazer a sua banda de Death Metal ideal. Talvez ele estivesse contente por eu não ter feito a pergunta que ele deve ouvir umas vinte vezes por dia: Cara, quando você vai voltar pro CANNIBAL CORPSE? Barnes conversou com o MetalSucks sobre a última parte da jornada musical que começou em Buffalo, Nova Iorque e sobre como muitas de suas músicas falam mais de enfrentar a morte e do desejo de viver do que de carnificinas. E, depois de comer vidro quebrado, fui assassinado no porão.

Você sente que esse é um novo começo para você, com essa nova formação?

Eu espero pelo melhor e me preparo pro pior, sempre [risos]. Mas, falando sério, eu adoro o novo álbum [“Undead”]. Tenho grandes músicos tocando e compondo comigo agora. Isso é algo que eu queria fazer há um bom tempo. Eu gostaria de ter conseguido fazer algo assim nos últimos quinze ou dezesseis anos, mas agora as estrelas estão alinhadas. Sinto que estou pronto pra arrebentar.

Você parou de gostar de música? Já faz quase quatro anos desde “Death Rituals”. Você precisou simplesmente dar um tempo e se afastar de tudo?

Eu nunca parei de gostar de música. Ela é a base do que eu sou. Nunca me canso dela. Só que aconteceram muitas coisas em diferentes aspectos da minha vida, coisas pessoais com as quais eu tive que lidar. Eu estava em uma banda com dois caras que pareciam não querer estar na banda havia muito tempo e não pareciam motivados. Aquilo definitivamente me fez refletir um pouco. Eu só queria que as coisas seguissem a direção correta e tive que me concentrar e pensar sobre o que eu queria fazer. Eu precisei aceitar a idéia de que se não fizesse algo agora, provavelmente seria muito tarde. Eu precisava seguir em frente com essa idéia por um longo tempo, mas eu também senti que não estava progredindo. Então eu não estava infeliz. Mas também não estava satisfeito.

Quando você decidiu se separar de boa parte da formação antiga, isso foi feito de forma amigável? Como você encontrou os novos membros?

Terry [Butler, baixo] e Greg [Gall, bateria] estavam descontentes e achavam que não seriam capazes de realizar as coisas que eu planejava para este álbum. Terry estava muito satisfeito trabalhando com o OBITUARY. Então, quando Greg saiu, Terry apenas quis seguir em frente. Eu adoro esses caras até a morte e passamos ótimos momentos juntos, mas as coisas precisam seguir em frente. Para esta banda, era realmente necessário entrar em contato com novos compositores. Isso era algo que eu estava fazendo antes deles saírem; eu estava trabalhando com Rob Arnold, compondo três ou quatro músicas. Ele foi a minha primeira escolha real como parceiro de composição.

Durante uma turnê em 2005 [com o CHIMAIRA], eu fiquei muito amigo de Rob. Certa vez estávamos sentados e conversamos sobre [formar] um projeto paralelo, mas uns sete anos se passaram. Isso ficou guardado na minha memória; Rob sempre esteve entusiasmado em relação a isso e suas composições são excelentes. Aí eu liguei para ele uma noite e ele realmente estava disposto. Durante praticamente uns dezesseis meses nós trabalhamos no álbum.

O seu trabalho no início de sua carreira – os clássicos álbuns do SFU – foram compostos da mesma maneira. Eles foram projetos paralelos. Para esses caras, o SFU também era inicialmente um projeto paralelo. A possibilidade de simplesmente se divertir permitiu que você se concentrasse no que estava fazendo?

Eu não penso dessa maneira. Você mencionou o fato do SFU ter começado com outro compositor quando eu estava no CANNIBAL CORPSE. É interessante; sempre que um cara novo ou novos compositores chegam, parece que os álbuns são diferentes. Quando Rob Barrett entrou pro Cannibal, “The Bleeding” tinha certo ar especial. A mesma coisa aconteceu quando eu estava trabalhando com Allen West em “Haunted”. E a mesma coisa aconteceu com Steve Swanson em “Maximum Violence”. E está acontecendo também neste álbum. Parece que, quando estou trabalhando com alguém e sinto que a química funciona, isso me leva ao ponto onde preciso ser imaginativo e me sinto inspirado.

É isso o que o Rob Arnold fez por aqui. Ele me inspirou. Eu já havia trabalhado com compositores que tinham excelentes técnicas e estilos. Ben Savage, da WHITECHAPEL [N.: Banda norte-americana de deathcore] também compôs seis músicas comigo. Ele é outro cara que é incrível e sabe o que funciona. Ele sabe como compor de modo que as partes vocais e os riffs combinem. Quando componho dessa forma, as coisas saem facilmente, porque as outras pessoas estão pensando da mesma forma que eu. Todas as músicas do Rob estão neste álbum e algumas das outras músicas das sessões estarão no próximo álbum. Ter esses grandes compositores por perto foi uma experiência muito empolgante. Eu sabia o que precisava fazer para compor um álbum com o qual eu ficasse totalmente surpreendido. E espero que os fãs também pensem assim.

Greg sempre foi um com baterista, mas Kevin tem uma energia e técnica que ainda faltava na carreira do SFU.

É verdade. Greg é um baterista muito, muito bom, mas o que Kevin trouxe para a banda são coisas que queríamos ter muito antes. Steve e eu conversamos muito sobre como gostaríamos de poder compor outras coisas, mas tínhamos de compor de acordo com as habilidades de Greg. Vou te dizer uma coisa – eu sentia uma falta enorme de cantar acompanhando um blast beat. Essa é a essência de um vocal Death Metal.

Esta é a primeira vez em um álbum do SFU em que eu notei bastante o trabalho da bateria e o quanto isso acrescenta à música.

O que Kevin está tocando tem muita coisa a ver com a dinâmica de nosso trabalho. Isso pra mim é insano. Eu sei o quanto ele me surpreende e o quanto ele é consistente. Ele é uma máquina de tocar bateria infernal, com tecido vivo envolvendo a sua estrutura [risos]. Ele deve ser um ciborgue. Ainda não consegui descobrir.

Eu acho que o mais interessante em “Undead” é o equilíbrio entre a música poderosa e direta dos anos 90 e aquele algo a mais. Isso faz sentido pra você?

Faz sim. Isso com certeza me deixa contente. Acho que o álbum toca em alguns temas importantes. Eu odeio fazer afirmações sobre álbuns, porque acho que seria detonado por metade das pessoas por aí. Mas isso me faz lembrar o “The Bleeding” – certos elementos, como os riffs em “18 Days.” O som não é exatamente igual, mas há algo no novo álbum que soa como “The Bleeding”. Não quero ser um pé-frio, mas me sinto satisfeito com ele. Trata-se de um álbum importante para mim. Se este fosse o último álbum que eu fizesse, Deus me livre que nada aconteça comigo, eu ficaria tranqüilo e satisfeito.

Glen Benton [N.: Vocalista do DEICIDE] disse a mesma coisa sobre “The Stench Of Redemption”, e ele já fez dois álbuns desde então.

[Risos] Eu não disse que eu iria parar; eu disse o que aconteceria caso eu morresse! Ele deveria estar morto por volta dos 33 anos.

Na época da Guerra do Iraque , você estava se tornando mais politizado, com músicas como “Amerika The Brutal” [N.: Do álbum “Bringer of Blood”, de 2003]. Você se restringiu um pouco nesse tema? Você acha que o seu melhor trabalho acontece quando você é inspirado por temas políticos?

Bem, eu acho que, se eu comentasse sobre isso, as pessoas pensariam “Será que ele odeia tudo o que ele fez antes deste álbum”? [Risos]. Quando alguma coisa me inspira, vejo que dá um bom riff e soa bem, eu sigo em frente. Não acho que essas idéias ou assuntos vêm à minha mente quando ouço essa música. Eu tento não me preocupar tanto sobre essas coisas. O que faço é tentar fazer o meu melhor e o que está relacionado às minhas melhores habilidades, além de não tentar lidar com muitas coisas ao mesmo tempo. Isso não foi algo que fiz conscientemente.

Acho que ser simples e direto sempre funcionou melhor com o SIX FEET UNDER. O que as pessoas não comentam muito são certas músicas em “Alive and Dead”, como “Insect” e “Drowning.” Elas são bem minimalistas, mas estou sempre com elas na cabeça.

Eu realmente gosto dessas músicas. Há alguns elementos nos quais eu me concentrei para o próximo algum; bem, não quero dar muitas dicas, mas muita coisa dessas duas músicas aparece no próximo álbum.

Muita gente comenta sobre as coisas doidas que você fez quando era mais jovem, mas o que mais me inspira no trabalho de Chris Barnes são músicas como essas ou “The Enemy Inside.” Elas falam sobre coisas bem humanas, como isolamento e solidão.

Quando você lê as letras de “Undead”, percebe que elas realmente tocam em muitos desses assuntos. O ritmo mais rápido torna mais difícil que esse tipo de música seja fácil de ser lembrada. Mas eu gosto de dar a todos um pouco de tudo. Então o que faço é compor umas vinte músicas e vejo o que dá certo. Só que todas deram certo desta vez, então decidimos separá-las!

Muitas de suas músicas falam sobre ser preso em sua própria consciência.

É, a condição humana e a tragédia por trás dela. Esse sentimento é ao mesmo tempo incompreensível e compreensível. Então alguma coisa acontece e você vê a morte de perto e então começa a entendê-lo um pouco mais. Muitas pessoas interpretam o que faço ao pé da letra, mas um cara disse recentemente para mim: “Todas as suas canções falam sobre a vida”? Então finalmente alguém entendeu, vinte e três anos depois.

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Sobre César Enéas Guerreiro

Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".

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