Nympho: entrevista com o frontman Criss Sexx

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Por Otávio Augusto Juliano
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Criss Sexx dispensa apresentações. Principalmente se você é fã de Hard Rock e é daqueles que acompanha a cena nacional. Ex-vocalista do grupo paulista BASTARDZ, Criss já teve banda cover do POISON no Rio de Janeiro, foi alvo de fortes críticas no início da carreira por cantar em português e por seu visual Glam Rock, e agora se firma ao lado de Olavo Barroka (baixo), Eric Prouvot (guitarra) e Pablo Pinheiro (bateria), com a banda NYMPHO.

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A verdade é que Criss não esconde suas influências e preferências pelo Hard Rock e pelo Glam dos anos 80, mas não se resume a somente mais um vocalista que usa maquiagem e roupas coloridas. Criss vai muito além disso e está prestes a lançar na Europa o segundo álbum da NYMPHO, chamado "Alone In The Dark".

O Whiplash.net teve a oportunidade de ouvir o CD novo e bater um papo com Criss, para saber um pouco mais sobre sua história, dos primórdios com a banda Bang Bang Rock nos idos da década de 90, passando pelas dificuldades de se manter uma banda de Rock no Brasil e da sua batalha para finalizar o novo álbum, até definir a formação atual da banda NYMPHO. De quebra, ainda conversamos sobre sua coleção de CDs e itens das bandas que gosta e sobre sua paixão por encontrar seus ídolos. A entrevista pode ser conferida abaixo.

Olavo (baixo), Eric (guitarra), Criss (vocal, guitarra), Pablo (bateria)
Olavo (baixo), Eric (guitarra), Criss (vocal, guitarra), Pablo (bateria)

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Whiplash.net: Criss, primeiramente obrigado pela entrevista. Faça um breve relato de quem é você para quem não o conhece, contando um pouco das suas bandas anteriores e projetos, até chegar à atual banda NYMPHO.

Criss Sexx: Eu é que tenho que agradecer, Otávio. Bem, para quem não me conhece, eu fui um dos primeiros músicos do Brasil a ter uma imagem assumidamente glam rock. Fui o fundador da Bang Bang Rock, ainda na minha cidade natal, em 1994, antes de mudar para o Rio de Janeiro, em 1997. Gravei alguns CDs demo como artista solo no final dos anos 90, em português, com uma levada totalmente pop (criticados por muitos por terem sido feitos em português, e copiados por vários daqueles que os criticaram) - tanto a Bang Bang Rock quanto um de meus CDs demos receberam críticas na revista Rock Brigade, no mínimo, hilárias... As conotações de ambas eram totalmente negativas, mas para mim soaram bastante positivas, já que compararam os trabalhos com POISON, RATT e BON JOVI. Graças a essas resenhas me tornei meio que uma figura falada no meio underground... Depois disso, fui o primeiro vocalista da banda paulista BASTARDZ, e ao mesmo tempo, mantinha também uma banda cover de POISON aqui no Rio. Quando as bandas acabaram, eu fui o vocalista da banda Snow por algum tempo, e depois que essa experiência não deu certo, veio a NYMPHO. Antes da Bang Bang Rock eu já fazia parte de bandas menores, e entre esses projetos que citei também tentei iniciar ou fazer parte de outros, que também não deram muito certo. Mas agora, com a NYMPHO, parece que chegou de verdade a hora de mostrar não só o meu trabalho, mas também dos grandes músicos que fazem parte da banda.

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"Whiplash.net: "Alone In The Dark" é o segundo álbum da banda NYMPHO e está prestes a ser lançado agora em junho. Como foi o processo de gravação deste disco e quanto tempo durou? A formação da banda é a mesma do primeiro álbum "V.I.P. - Very Indecent People"?"

Criss Sexx: Desde o primeiro dia de gravações até a finalização da arte gráfica, posso dizer que tudo pareceu um grande pesadelo. Levamos um ano e meio para fazer o disco ficar pronto, sempre o considerarei o "Chinese Democracy" da minha carreira. Fizemos o primeiro álbum em praticamente seis meses e o lançamos facilmente lá fora. Enfrentamos todos os tipos de problemas - com o cara do estúdio em que começamos a gravar, falta de grana, diferença de opiniões, mudanças de formação. Depois que o guitarrista solo original da banda resolveu sair, testamos alguns outros e achamos então termos encontrado "o cara" para a banda. Mas desde o primeiro dia de gravações, ele e o cara do estúdio não foram um com a cara do outro. Resolvi gravar o álbum todo, e deixar as partes principais de guitarra para o final, e sempre soube que eu tinha tomado a decisão certa. Quando fomos gravar as partes do guitarrista, a tensão era tamanha devido a várias circunstâncias, que chegou um ponto em que tivemos que optar entre o estúdio e o guitarrista. Escolhemos o segundo, mas alguns meses depois ele simplesmente mandou uma mensagem de texto para o Pablo (Pinheiro, baterista) dizendo que estava fora. Depois de mais esse problema, já com o disco praticamente pronto, meio que voltamos à estaca zero, precisávamos de um novo guitarrista. Testamos alguns, mas parecia que era realmente o fim de tudo. Foi quando o Olavo (Barroka, baixista) mencionou um cara com quem ele tinha tocado há alguns anos atrás. Eles tiveram uma banda juntos, chamada Ursinho Zezé (que tenho curiosidade em ouvir até hoje, principalmente por causa do nome...rs). Já no primeiro ensaio, a banda e eu pudemos sentir que ele realmente era o cara certo para a NYMPHO. Eric Prouvot mostrou ser não apenas um grande guitarrista, mas também alguém muito fácil de se trabalhar, o que é primordial. Ele é um guitarrista sem qualquer tipo de ego, e isso ajuda bastante. Depois que o Eric entrou na banda, ainda tivemos muitas dificuldades em terminar o disco, mas ficou exatamente do jeito que eu queria. Como produtor do trabalho, eu quis fazer uma "super produção" com o orçamento que tínhamos, e isso não foi fácil. A mixagem e masterização de "Alone In The Dark" deram muito trabalho, para que soasse do jeito que ficou. Tenho muito orgulho desse novo álbum, pois é bem diferente do primeiro, nem tanto em estilo, mas muito em termos de composição, arranjos e produção.

Capa do novo álbum da NYMPHO
Capa do novo álbum da NYMPHO

Whiplash.net: Já tive oportunidade de resenhar o primeiro trabalho da banda e agora ouvi "Alone In The Dark". É nítida a evolução da sonoridade da banda e são muitos os destaques, como a faixa título, "Hollywood Heroes", com linhas de guitarra mais pesadas, além de "Rock Me Hard", candidata a primeiro single. Fale um pouco para nós de como se deu a composição das canções do disco.

Criss Sexx: Sim, a evolução começou quando comecei a escrever as músicas para o álbum. Sempre tive em mente que eu não queria fazer outro disco exatamente como o primeiro, e isso é bastante difícil para mim, já que não tenho um leque grande de influências de diferentes estilos musicais. "X-Rated", a faixa que abre o novo CD, foi a primeira a ser composta, e também a primeira a ser trabalhada com toda a banda. Faixas como "Treat Me Like An Animal" e "I'll Come Running" já estavam escritas há muito tempo, mas eu nunca tinha achado ou o arranjo certo, ou a letra certa, ou a melodia certa para elas. Deu muito trabalho incluí-las no álbum. Há faixas mais pesadas, como "I Am Hate" (todos sabem que sou um grande fã de Kiss, e nessa faixa tentei soar como as músicas do Gene Simmons) e "Hollywood Heroes", que é uma música mais puxada para o Heavy Metal. Faixas como a já citada "Treat Me Like An Animal", "Here Comes Trouble" e "Sexual Something" (outra calcada no Kiss, mas no estilo Paul Stanley de compor), remetem a banda de volta ao primeiro álbum. As grandes novidades são mesmo as duas faixas AOR do CD, "I'll Come Running" e "Don't Walk Out On Love", onde finalmente pude mostrar que também posso compor nesse estilo, que também curto muito - toda e qualquer semelhança com qualquer coisa que o BON JOVI antigo tenha feito é inteiramente intencional! Dessa vez trazemos apenas uma balada, "Dreams Are Not Enough", uma das minhas favoritas de todo o álbum. Difícil não soar como POISON ao compor uma balada... rs... você citou duas de nossas faixas preferidas também. "Rock Me Hard" é, com certeza, até o momento, a faixa definitiva da NYMPHO. Tentei fazer com que soasse como "Still Of The Night" do WHITESNAKE. É uma música que tem peso, melodia, teclados. Nossa nova música de trabalho. Faremos um vídeo para ela em breve. E também a faixa título, "Alone In The Dark". Quando a compus eu soube qual seria a direção que o novo disco tomaria, em termos de visual, capa e conceito. Uma das faixas mais difíceis de gravar, arranjar e mixar (só de teclados, tivemos que gravar e usar umas doze faixas diferentes, para atingir a atmosfera que eu queria). Talvez a faixa mais diferente que eu já tenha composto. Tenho muito orgulho dela, e ter feito com que ela fosse a faixa título do novo disco.

Whiplash.net: Falando sobre divulgar trabalho e tocar no país, em sua opinião quais são as principais dificuldades de ser músico de Hard Rock no Brasil? Você consegue viver da música hoje em dia?

Criss Sexx: É praticamente impossível viver de música no Brasil, se você já não tem grana para investir em si mesmo, ou alguém que faça isso por você. Divulgar o trabalho de uma banda nacional aqui no Brasil é quase uma batalha. Só de saberem que a banda é daqui, a maioria das pessoas já perdem o interesse. Isso é realmente triste, dentro do estilo que fazemos. Uma prova disso é ver poder ver a página da banda no Facebook - a grande maioria das pessoas que apoiam a NYMPHO é lá de fora. Muitos me perguntam o porquê de tão poucos brasileiros "curtindo" a nossa página e, muitas vezes, tenho até vergonha de explicar. Sempre digo que eu tinha que fazer parte de uma banda de heavy metal, pois nesse estilo, as bandas se ajudam. Quando você tem uma banda de hard rock (odeio esse termo), as coisas são totalmente diferentes. Se você é visto como "hard rock" sempre haverá bandas e pessoas que ouvem o seu trabalho e simplesmente o ignoram. Já ouvi muitas vezes de terceiros: "Ah, o Criss Sexx? Não gosto dele. O cabelo dele brilha mais do que o meu... ele posa melhor nas fotos do que a minha banda..." não dá para entender. Essas pessoas e bandas dão realmente mais valor ao visual do que à música. O visual é realmente importante para mim, sempre foi, e sempre será. Mas acho que se você não tem boa música para "complementar o pacote", você não pode se achar realmente uma banda. Por isso odeio o termo "hard rock". Não considero a NYMPHO uma banda de hard rock. A NYMPHO é uma banda de Rock. Podemos tocar Rock N' Roll, Hard Rock, AOR, Heavy Metal... odeio quando dizem que somos uma banda de hard rock, ou uma banda glam. Podem dizer sim que a NYMPHO é uma banda de Rock N' Roll com um vocalista glam, daí não me importo. Fora isso, a falta de apoio e investimento aqui no Brasil é brutal. Antes de lançar o "Alone In The Dark" eu tentei buscar parceiros e patrocinadores para o projeto, e a lista de "nãos" é imensa. É incrível como consegui o endorsement da In Tune, empresa americana que faz palhetas para grandes artistas como ALICE COOPER, TWISTED SISTER, MÖTLEY CRÜE e KISS, e no meu próprio país todos viraram as costas para a banda.

Whiplash.net: O primeiro disco da banda NYMPHO foi lançado pela Perris Records, um importante selo americano voltado para o Sleaze, Glam e Hard Rock. Existe alguma chance deste segundo álbum ser lançado pela Perris também ou por algum outro selo tão importante? Como está o trabalho de divulgação fora do Brasil e o contato com gravadoras?

Criss Sexx: O lance com a Perris Records aconteceu de forma bem natural e fácil, quando estávamos procurando um selo para lançar o primeiro disco. Mas assim que o mesmo foi colocado no mercado, o dono do selo estava mais preocupado em divulgar o seu novo fanzine e site da internet do que os artistas de seu próprio selo. Lançamos o CD pelo selo certo, na hora errada. A Perris Records lançou CDs de bandas como PRETTY BOY FLOYD, GILBY CLARKE e L.A. GUNS. A divulgação do CD lá fora foi péssima, e eles deveriam ter cuidado melhor dessa parte. Mesmo assim, você pode ainda encontrar o disco em sites como Amazon e outros, em diversas partes do mundo. Não vejo a NYMPHO trabalhando novamente com a Perris Records no futuro. Quanto à divulgação, estou eu mesmo cuidando dela para o novo álbum. "Alone In The Dark" sai o dia 15 de junho na Europa, e será distribuído pela Music Buy Mail, outra fonte importante e conhecida por todos aqueles que conhecem o estilo. Aprendi que não basta ter um selo, ou uma distribuidora, para que as pessoas saibam que a sua banda existe. Estou pegando pesado na divulgação do disco lá fora, e o trabalho aumentará quando ele já estiver no mercado. A divulgação e os contatos que fiz nesses últimos quatro meses, mesmo antes do disco sair, mostraram que estou no caminho certo. Um contato que fiz, e que posso dizer que tenha virado um amigo meu, mesmo ainda não nos conhecendo pessoalmente, foi o grande produtor Jack Ponti, que já trabalhou com ALICE COOPER, BATON ROUGE, DORO PESCH, SKID ROW e até o BON JOVI. Ele me deu muitas dicas de como fazer, e do que fazer. Quase assinamos com uma grande gravadora da Europa, mas graças ao nosso bom senso e também aos seus conselhos, não o fizemos. O contrato era simplesmente ridículo. Pelo deslumbre de assinar com um grande selo é que muitas bandas acabam, pois se tornam escravas dele. Era um contrato de sete anos em que teríamos que entregar outro disco pronto dentro de 14 meses, o que seria impossível na nossa atual situação. Gastamos muito dinheiro fazendo o "Alone In The Dark", e realmente não sei quando teremos condições de entrar em estúdio novamente. Já tenho umas seis ou sete músicas novas para um terceiro álbum da NYMPHO, mas se não pintar nenhuma "ajuda de custos", não vejo a banda gravando, pelo menos, nos próximos dois anos. Focaremos agora em shows para divulgar o novo CD. Quem sabe fazer shows fora do Brasil também. Tenho alguns contatos, tudo é possível. Mas só saberemos ao certo depois que o disco sair e depois de vermos como será a repercussão dele.

Primeiro disco da banda NYMPHO
Primeiro disco da banda NYMPHO
Whiplash.net: O BASTARDZ, banda da qual você foi integrante, fez muito sucesso na cena underground de São Paulo, carregando a bandeira do Glam Rock por bastante tempo. Você teve um importante papel nas composições da banda e depois acabou optando por sair. Conte-nos porque, de fato, você saiu da banda e o que ocorreu?

Criss Sexx: Quando fui convidado para integrar o BASTARDZ a proposta era "formar uma banda mais glam do que o PRETTY BOY FLOYD e o TIGERTAILZ juntos", nunca esquecerei dessas palavras. Realmente, foi uma experiência muito legal fazer parte da primeira banda realmente Glam Rock que o Brasil já teve, tenho muito orgulho de ter feito parte disso. No começo era tudo muito divertido - as viagens para São Paulo, as sessões de fotos, os ensaios, os shows. Ainda lembro do primeiro show da banda, completamente lotado, e ainda tinha pessoas do lado de fora da casa de shows, para ver uma banda glam de verdade. Mal sabíamos tocar as músicas corretamente, mas a proporção que o BASTARDZ atingiu nessa época, para uma banda underground, foi incrível. Fizemos alguns shows fora de São Paulo também. Embora eu gostasse muito de fazer parte da banda, todo o processo de ensaios e shows, com a banda em São Paulo e eu no Rio, me deixava exausto às vezes. Na época eu também tinha o POISON Cover aqui no Rio. Tive muitos problemas pessoais também, e nesse meio tempo, os outros membros da banda estavam forçando a barra para que o BASTARDZ se tornasse "não mais uma banda mais glam do que o PRETTY BOY FLOYD e o TIGERTAILZ juntos", mas sim que embarcássemos na onda do "new glam", que estava surgindo na época. Eu simplesmente me recusava a fazer isso, pois sempre detestei bandas como o HARDCORE SUPERSTAR, por exemplo, que para mim não passa de uma banda punk a cores. Nossas diferenças musicais começaram a se tornar então diferenças pessoais. Lembro-me de ter conversado com eles dizendo que dessa forma não daria para continuar, mas aí eles decidiram gravar. Eu fui contra, pois não tínhamos músicas o suficiente para lançar um CD com dez faixas! No final, acabei concordando em fazer um EP, desde que eu o produzisse. Eles queriam um som mais cru, mais moderno, e eu queria fazer algo baseado ainda nas minhas influências, e no que a banda tinha apostado quando começamos. Isso gerou muitos, muitos, muitos, muitos problemas, mas acabamos finalizando o EP. Quando ele finalmente ia sair, tivemos alguns problemas pessoais, que se tornaram impossíveis de resolver. Acabei deixando a banda, pois eu já não estava mais feliz com eles. Eu sabia também que eles não ficaram satisfeitos com o resultado do EP, devido à minha produção. Não tinha porque continuar. Chegamos a um acordo, de que eles poderiam regravar as minhas partes de voz com outro cantor, e que eu poderia usar o material que fizemos como eu bem entendesse, e quando eu quisesse. Afinal, as composições eram de praticamente toda a banda. Eles acabaram lançando essas músicas com outro vocalista e eu lancei as gravações originais como o meu primeiro CD solo, com um título mais do que apropriado, "Bastard Barbie", pelo selo americano Retrospect Records, em 2009, com quatro faixas a mais, dois meses antes do primeiro disco da NYMPHO sair. Hoje em dia, os membros originais e eu temos pouco contato, nos vemos raramente nas poucas vezes que vou a São Paulo, mas acho que não somos inimigos...rs Pelo que sei, a banda acabou e cada um tomou o seu próprio rumo. Desejo a todos eles toda a sorte em seus novos projetos.

Álbum solo com o sugestivo nome de "Bastard Barbie"
Álbum solo com o sugestivo nome de "Bastard Barbie"

Whiplash.net: Agora falando um pouco de seus gostos pessoais. Quem te conhece sabe que você possui fotos com incontáveis artistas do mundo do Hard Rock em geral. Eu mesmo o conheci na porta do Hotel onde o Vince Neil (vocalista do MÖTLEY CRÜE) se hospedou em 2010, quando tocou em São Paulo com sua banda solo. Conte-nos qual (ou quais) foi (foram) a(s) experiência(s) mais legal(is) e emocionante(s) ao encontrar um ídolo. E quais as mais frustrantes?

Criss Sexx: São muitas boas lembranças... posso dizer que as vezes em que mais me emocionei ao encontrar meus ídolos foram quando encontrei o Bret Michaels (POISON), o Gene Simmons (KISS), o próprio Vince Neil (MÖTLEY CRÜE) e o David Coverdale (WHITESNAKE), pois são as quatro bandas que mais gosto. Acampei três semanas para conhecer o Axl Rose, e quando isso aconteceu, também foi emocionante. O ALICE COOPER, muitos artistas um pouco menores e a banda pop ROXETTE também foram fenomenais. OZZY OSBOURNE - inesquecível. E tive o grande privilégio de encontrar grandes ídolos meus na Inglaterra, como o KANE ROBERTS (que já foi guitarrista do ALICE COOPER), Mitch Malloy, Marcie Free (a maior voz de todos os tempos, na minha opinião), a banda STRANGEWAYS, Jesse Damon e Mark Hawkins do SILENT RAGE.... JIMI JAMISON.... os figuraços Ted Poley e Jimi Jamison.... todos seres humanos incríveis... Simon Daniels, ex-vocalista da banda JAILHOUSE, e agora vocalista da banda FLOOD... Ainda na Inglaterra, não só conheci mas também mantenho contato até hoje com dois grandes ídolos de infância, que se tornaram amigos - Gerry Laffy, da extinta banda GIRL (de onde vieram Philip Lewis do L.A. GUNS e Phil Collen do DEF LEPPARD) e o vocalista original do TIGERTAILZ, Steevi Jaimz. As experiências mais frustrantes foram, sem dúvidas, com o Jon BON JOVI (que tirou a foto comigo em 1997, mas me deu o autógrafo de cabeça para baixo no CD), e o Blackie Lawless (W.A.S.P.), Paul Stanley (KISS) e com o MÖTLEY CRÜE, que nem ao menos deixou que chegasse perto... exceto o Mick Mars (guitarrista) que foi super atencioso e simpático comigo.

Criss e Vince Neil, do MÖTLEY CRÜE
Criss e Vince Neil, do MÖTLEY CRÜE

Whiplash.net: Sobre isso, uma das suas fotos mais curiosas é aquela ao lado do Axl Rose. Imagino que tenha sido uma das fotos mais difíceis de conseguir, por se tratar de umas das personalidades mais inacessíveis do Rock. Como você conseguiu tal proeza? Axl foi simpático contigo?

Criss Sexx: Como eu disse, foi realmente emocionante encontrar o Axl Rose. Costumo dizer que o Axl é como o Papai Noel e o Coelho da Páscoa - todos já ouviram falar, mas ninguém viu de perto. Depois de três semanas tentando, dois grandes amigos e eu conseguimos encontrá-lo. Eu, particularmente, não tenho o que reclamar dele. Ele sorriu, cumprimentou, assinou o CD, tirou a foto (onde ele fez cara feia, para não perder a pose de rock star... hahaha!), Realmente, é uma das fotos que tenho das quais sinto mais orgulho.

Criss e Axl Rose
Criss e Axl Rose

Whiplash.net: Além de ir ao encontro de seus ídolos, você possui uma vasta coleção de CDs, DVDs e itens das bandas que gosta. Qual banda você tem mais itens? Qual o item mais raro e como o conseguiu?

Criss Sexx: Acho que as bandas que tenho mais itens devem ser o KISS, o MÖTLEY CRÜE, o POISON, o WHITESNAKE (as quatro bandas que mais gosto), além do BON JOVI. Tenho muito material raro deles também. ALICE COOPER, L.A. GUNS, KEEL... são muitas as bandas do coração! Talvez os itens mais raros sejam o primeiro compacto do MÖTLEY CRÜE, versão original, autografado pelo Vince Neil e pelo Mick Mars, os dois primeiros compactos do TWISTED SISTER, também autografados por todos os membros da banda (o guitarrista e fundador Jay Jay French chegou a pedir que eu os desse de presente para ele... rs...), além de alguns bootlegs em CD e LP, Picture discs e vinis coloridos de edições super limitadas.

Whiplash.net: Quais são os vocalistas que mais o inspiraram (e o inspiram) a cantar?

Criss Sexx: Há duas categorias - os que eu mais gosto e os que mais me inspiraram. Acaba sendo um pouco difícil separá-los. Em minha opinião, as maiores vozes de todos os tempos, nessa ordem, são a Marcie Free (KING KOBRA / SIGNAL / UNRULY CHILD), David Coverdale (WHITESNAKE), Michael Bolton, Jon BON JOVI, e outros, que tendem a ser mais "suaves", ou mais "técnicos". Em termos de influência, com certeza, a leva do glam rock dos anos 80, como Vince Neil, Bret Michaels, Taime Downe (FASTER PUSSYCAT), Stevie Rachelle (TUFF), Zinny Zan (SHOTGUN MESSIAH / ZAN CLAN), ALICE COOPER, OZZY... tem também as vozes femininas, como Robin Beck, Joanna Dean e as incomparáveis Fiona e Marie Friedriksen (ROXETTE).

Whiplash.net: Embora já tenha cantado em português e lançado diversos trabalhos, a sua praia é o Hard Rock calcado nos anos 80. Como seria a banda de Hard Rock ideal para você? Cite os nomes dos músicos que fariam parte dela.

Criss Sexx: A banda perfeita? Vocal: Marcie Free; Guitarra: Tracii Guns (do L.A. GUNS, o meu guitarrista favorito); Baixo: Nikki Sixx (mesmo o cara sendo um total idiota, ainda é o meu baixista e compositor favorito); Bateria: Blas Elias (ex-SLAUGHTER)... pode ter teclados também???? Rs.... Jonathan Cain (JOURNEY). Dá para sentir que é uma combinação IMPOSSÍVEL! Rs.

Whiplash.net: Obrigado pela entrevista e boa sorte com o ótimo disco novo, "Alone In The Dark". Deixe uma mensagem final com informações aos leitores de como te encontrar, como entrar em contato, como ouvir as músicas da banda NYMPHO etc. Este espaço é seu.

Criss Sexx: Gostaria de agradecer a você, Otávio, pela oportunidade da entrevista, e a todos da Whiplash.net (redação e leitores). Importante também agradecer a toda a banda NYMPHO: Pablo Pinheiro, Olavo Barroka e Eric Prouvot, pela performance magistral no novo CD "Alone In The Dark", e a todos que compraram o nosso primeiro CD. A mensagem que deixo é que, primeiramente, todos nós, músicos e fãs que moramos no Brasil, devemos mostrar mais respeito aos nossos artistas, se os mesmos apresentam um trabalho de qualidade. A NYMPHO sempre colocará a qualidade e o profissionalismo na frente de tudo. Por favor, comprem o CD novo, ele está muito bom! Rs... Quem quiser entrar em contato com a NYMPHO pode me achar facilmente no Facebook, assim também como o guitarrista Eric Prouvot.

"Rock Me Hard", música de trabalho do novo álbum "Alone In The Dark"




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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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