Megadeth: nunca estivemos em São Luís, estamos ansiosos
Por Fernanda Lira
Postado em 18 de abril de 2012
Os americanos da lendária banda de thrash Megadeth estão a alguns dias de desembarcarem no Brasil, para apresentação única no festival Metal Open Air, que acontece nos dias 20, 21 e 22, em São Luís, no Maranhão. Porém, antes disso, o baterista do grupo, Shawn Drover achou um tempinho para bater um papo com a jornalista Fernanda Lira, através da assessoria de imprensa do festival e da Warner Music. Confira abaixo a entrevista na íntegra, onde o membro do Megadeth comenta sobre seus primórdios na banda, sobre Dave Ellefson, e também sobre o último álbum "Thirteen" e, é claro, sobre o M.O.A..
Quão grande foi a responsabilidade de substituir um baterista tão emblemático quanto Nick Menza, antes da turnê "Blackmail the Universe" em 2004?
Shawn: Bem, sem dúvida alguma, substituir qualquer pessoa que tenha tocado no Megadeth é uma tarefa difícil. Muitos fãs sentirem muito a falta de Nick, por isso não foi fácil lidar com isso no começo, mas eu preferi não pensar muito sobre essa coisa de "substituir". Apenas encarei o fato de que eu era o cara novo na banda e por isso, me empenhei em tocar da melhor maneira, em ser uma boa pessoa e ser o mais profissional possível. Em poucos momentos fiquei pensando nesse fardo de substituir alguém tão marcante para a banda. No começo foi difícil para os fãs aceitarem, mas não me preocupei, e sempre fui muito aberto ao que os fãs pensariam sobre mim. Acima de tudo, tenho muito respeito pelo Nick.
O guitarrista Chris Broderick foi indicado ao Dave Mustaine por você. De onde veio a idéia de pensar nele como um possível futuro guitarrista do Megadeth na época? Como é tocar com ele hoje em dia?
Shawn: Assim que o meu irmão deixou a banda, decidimos que seria legal já aparecer com algum nome para o Mustaine. Ambos já conhecíamos o Chris, por causa de seus trabalhos com o Nevermore e Jag Panzer, sem contar com outras bandas menores. pensamos de imediato que ele seria uma boa possível substituição como guitarrista. Então fui atrás do contato dele, e em apenas alguns dias, ele já estava conversando com o Mustaine. Ele é um ótimo músico e nos damos muito bem na banda!
Você participou dos três últimos álbuns de estúdio do Megadeth. Como você compararia o United Abominations, com Endgame e Thirteen, em termos de composições e entrosamento da banda?
Shawn: Todos os discos são diferentes entre si. Em cada álbum, tínhamos membros diferentes, pois passaram por esses discos James Lomenzo, Chris Lomenzo, Dave Ellefson, Chris Broderick, eram ambientes e entrosamentos diferentes, e, portanto, foram experiências diferentes. Eu gosto muito de todos os três, todos são muito metal! Mas nós músicos temos uma visão diferente dos fãs em relação aos discos. É difícil estipular um favorito, já que não temos um apego emocional tão grande quanto os fãs, é em um nível diferente. Por isso é tão difícil responder uma pergunta em relação a qual seria o favorito, por exemplo, porque eu amo todos de uma maneira especial. Seria o mesmo que você ter três filhos e alguém te perguntar "Qual o seu favorito?" (risos). Enfim, tenho muito orgulho dos três, pois me trouxeram boas experiências e boas lembranças!
Eu imagino que o nome "Thirteen" seja porque este é o décimo terceiro álbum da banda. Mas há algum outro tipo de mensagem por trás desse nome, talvez implícito nas letras, por exemplo?
Shawn: Olha, aconteceram algumas coincidências esquisitas, em relação ao número 13 durante as gravações, mas nada que tenha realmente nos levado a usar este nome por algum motivo específico. Como era nosso décimo terceiro álbum, pensamos "por quê não chamar-se 13?". Não há nenhum significado especial por trás, nenhum mistério ou segredos, mas nunca tínhamos usado um número para intitular um álbum antes, então, por quê não? Não que o próxima vai se chamar 14 (risos), mas achei uma idéia interessante!
Legal! Só perguntei mesmo, porque cheguei a ler algo sobre o Mustaine ter falado sobre coincidências esquisitas relacionadas ao número 13…
Shawn: Bem, nada de realmente estranho aconteceu. Mas não sei ao certo também, porque ele gravou toda a sua parte antes que todo mundo, e depois voltou para casa com sua família. Então pode até ser que algo tenha acontecido. mas só me lembro dele falando algo do tipo que, depois que decidimos chamar o álbum de "Thirteen", ele via o número em tudo quanto era lugar! Em lojas, na rua, aé quando ele assistis TV, o número simplesmente aparecia em muitas coisas, mas viu só, nada demais?
Este é o último álbum da banda com a gravadora Roadrunner Records. Vocês já tem planos de reassinar com eles e manter o trabalho ou já estão planejando partir para outra gravadora?
Shawn: Nós definitivamente nem paramos para pensar nisso ainda, pois o "Thirteen" saiu em novembro e eles vêm fazendo um ótimo trabalho conosco. Mas, sendo sincero, não tivemos nenhuma conversa sobre isso ainda, pois é muito cedo. Em algum momento isso vai acontecer, mas ainda é cedo! Em dado momento tomaremos uma decisão e falaremos à imprensa!
Este foi o primeiro álbum desde "The World Needs a Hero" em que Dave Ellefson tocou. Como veio a decisão de tê-lo na banda novamente? E quão importante ele foi para o processo de composição das novas músicas?
Shawn: Quando o James saiu, precisávamos de alguma outra pessoa urgentemente. Olhe, eu sou fã do Megadeth desde 1985, então, sob uma perspectiva de fã, eu pensei que, assim como muita gente pensa, se fosse para colocar alguém nesse cargo, seria maravilhoso se fosse o Dave novamente, e eu disse isso ao Mustaine. Ele concordou, então ligou para ele, e em pouco tempo, ele já tinha virado um membro oficial do Megadeth novamente. Têm sido maravilhoso trabalhar com ele, estou muito feliz. Mas, a entrada dele não afetou muito no direcionamento do "Thirteen", pois trabalhamos da mesma maneira que sempre fazemos: todos deram idéias, todos trabalharam em cima das idéias, então escolhemos as melhores músicas, e exatamente por conhecer bem a musicalidade do Megadeth, ele soube exatamente o que fazer e então gravou o disco.
As músicas Sudden Death e Public Enemy No 1 receberam indicações ao Grammy. Em sua opinião, quais elementos contribuíram para esse resultado tão positivo?
Shawn: É sempre legal receber indicações ao Grammy. Tudo bem que já fomos indicados 10 vezes, e não ganhamos uma sequer, o que é chato… Mas nunca fazemos nada esperando sermos indicados a um Grammy. Desta vez, tudo o que fizemos, foi compor heavy metal, novamente. De qualquer maneira, foi ótimo ter recebido duas indicações em dois anos, Quem sabe no próximo não levamos?
Para finalizar, vocês virão ao Brasil mais uma vez, desta vez, tocando em São Luís, no Maranhão, no Metal Open Air. Quais as expectativas do show?
Shawn: Nunca estivemos nesse lugar e por isso estamos muito ansiosos, as expectativas são as melhores. É sempre bom visitar novos lugares, especialmente se for para um país onde temos tantos fãs loucos por heavy metal. Sempre amamos tocar no Brasil, e, desta vez, tocar em um lugar novo, nos anima bastante! Temos certeza de que o Metal Open Air será extremamente bem sucedido. Mal podemos esperar!
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