John Petrucci: "parece que toco com o Mangini há 20 anos"
Por Nathália Plá e JR Camargo
Fonte: Blabbermouth.net
Postado em 07 de setembro de 2011
Peter Hodgson, do I Heart Guitar Blog, entrevistou o guitarrista John Petrucci do DREAM THEATER. Seguem alguns trechos da conversa.
I Heart Guitar Blog: O "A Dramatic Turn Of Events" é um álbum muito colorido. Como produtor, como foi sua abordagem?
Petrucci: É a primeira vez que produzi sozinho. Eu tinha uma idéia na cabeça de todos os elementos trabalhando juntos. Ter o Northfield de engenheiro e o Andy Wallace na mixagem, isso contribuiu muito para a meta. Eu queria que esse álbum fosse grande e que tivesse um impacto sônico poderoso mas que fosse realmente hi-fi e polido, e com muita fidelidade onde você pode ouvir todos os instrumentos mas ter muito equilíbrio onde você pode ouvir não só cada instrumentista mas as canções e as letras também. As músicas precisam ser fortes. A composição, os riffs, as temáticas, as passagens melódicas, os refrões, as progressões de acordes, tudo precisa ser pensado e afinado da melhor forma possível. Era isso o que eu tinha em mente como produtor.
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I Heart Guitar Blog: Uma coisa que realmente me bateu nesse álbum foi que houve algumas melodias em particular que realmente ficaram na minha cabeça após a primeira vez que ouvi.
Petrucci: Ah, que legal! Isso é ótimo! Quero dizer, eu sou um grande fã de melodia e de significado na composição e nas letras. Obviamente isso é algo em que eu me empenho como compositor e quando terminamos, estávamos ouvindo e dizendo "Uau!" Se você consegue ser objetivo e se afastar e dizer, "Isso é muito legal, eu realmente gostei como ficou", ou "Tem algo nessa melodia que eu não consigo tirar da minha cabeça", você tem de confiar nos seus instintos. E quando as pessoas te dão um feedback, como você deu agora, por exemplo, isso meio que assegura vocÊ de que você tomou a decisão certa e que funcionou. É uma questão de estar focado e também ter muita confiança em saber quanddo está certo.
I Heart Guitar Blog: Eu soube que dessa vez você teve um grande papel na composição das partes da bateria. Como foi isso para você?
Petrucci: Bem, o que eu fiz foi, quando estávamos compondo a música todos estávamos prontos no estúdio e compúnhamos uma parte da música, fosse um riff ou uma sequencia de acordes ou o que quer que fosse, e eu queria poder aprentar isso de uma forma que – o Mike Mangini não estava disponível quando estávamos compondo – e eu queria poder apresentar as idéias de uma forma que, ao invés de apenas dar a ele um toque com as guitarras e com os teclados, eu achei que seria melhor dar a ele mais como uma planta básica do que tínhamos em mente com a sensação e o groove das sessões. Eu não fui à loucura programando a bateria. Eu a fiz num nível básico. Eu não queria perder muito tempo fazendo papel de nerd com a bateria. Seria perda de tempo! Sabe, eu não sou baterista, eu sou guitarrista! Mas quando tudo estava pronto, as músicas existiam como um demo completo com bateria. Eu usei o programa de bateria Superior, que ficou com um som ótimo. Então pudemos mandar aquilo pro Mangini, e ele pode ter uma idéia muito boa do que queríamos. E é claro ele sendo realmente criativo e um mestre da bateria, ele pode cuidar daquilo da sua própria maneira e acrescentar coisas incríveis. Ele pegava coisas que as pessoas tocavam e fazia muito mais interessantes do que minha programação de bateria. É importante que as pessoas percebam o quão criativo ele é.
I Heart Guitar Blog: Bem, parece haver uma impressão muito boa do álbum. Não parece que vocês ficaram na lama com a saída do Mike Portnoy.
Petrucci: Bem, sabe, a coisa que talvez seja importante para as pessoas perceberem é que nós somos uma banda. Não somos uma banda que está focada numa só pessoa. É a coisa coletiva, é a sinergia, é a gente juntos que faz a coisa especial. É claro, ter um membro saindo ou mudança de membros é definitivamente uma coisa importante, mas é algo que, da minha perspectiva, eu comecei desde o início e tenho feito isso por uns 26 anos mais ou menos, então não tenho a menor dúvida. Isso é o que eu quero fazer, o que eu amo fazer, e é o tipo de música que eu nasci para compor e tocar. Então, se não há dúvida quanto a isso, então você pode seguir em frente e reagir de uma forma positiva. Certamente não significa que foi difícil para nós, certamente não quer dizer que foi emocional e que foi de partir o coração, pois foi, mas chega naquele ponto onde você percebe que as coisas mudam na vida, você encara essa mudança e segue em frente e tem certeza de focar na sua força e ter aquela auto-confiança de que falei antes.
I Heart Guitar Blog: Vendo os vídeos no YouTube dos shows na Europa, o Mangini se encaixa tão bem que mal posso esperar para ouvir de primeira mão.
Petrucci: Sim, ele realmente se encaixa. É complicado quando um membro da banda sai. É tipo, tudo pode acontecer. Há tantas bandas no mundo e tantos músicos tentando ficar juntos e fazer as coisas darem certo, e a química é uma parte tão grande disso. O fato de termos encontrado o Mike Mangini depois disso e dele ter se encaixado tão bem, não só como pessoa mas como um instrumentista no disco e como um membro de banda em turnê, isso meio que me espanta. Eu sou realmente muito grato por isso. Eu sinto como se tocasse com o cara há vinte anos. De novo, tudo podia ter acontecido, e quando você traz alguém novo, também há tantas variáveis. Somos muito, muito afortunados por tê-lo como um membro do DREAM THEATER. Ele está muito feliz de estar aqui e a banda soa ótima com ele. Eu estou realmente ansioso para que o álbum saia, mas tocando ao vivo quero que as pessoas o vejam e o escutem e que escutem a banda com ele. É muito divertido.
Leia a entrevista na íntegra no I Heart Guitar Blog.
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