Hibria: a primeira banda brasileira a tocar na China

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Por Ben Ami Scopinho
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O Hibria lançou há alguns meses seu terceiro álbum, "Blind Ride", e já saiu em excursão pelos palcos da Ásia, inclusive sendo a primeira banda brasileira a tocar na China. Aproveitando que os gaúchos estão novamente no Brasil, o Whiplash! conduziu uma entrevista com o vocalista Iuri Sanson, que deu uma geral na atual fase da banda.

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Whiplash!: Olá pessoal. O reconhecimento que o Hibria alcançou em território gringo é bastante considerável. Qual era a expectativa de vocês na época da demo "Metal Heart" (97)?

Iuri Sanson: Primeiramente, obrigado pela oportunidade de entrar em contato novamente com os leitores do Whiplash!. Nossa demo tape "Metal Heart" tinha o objetivo de divulgar ao máximo o nome HIBRIA e nossa característica musical na época. O trabalho feito com essa demo acabou nos dando uma base para os planos futuros. Primeiro queríamos ver como seria a repercussão do nosso trabalho em Porto Alegre (RS), nossa cidade natal. A partir daí, começamos a pensar na divulgação do Hibria em outras terras nacionais e internacionais.

Iuri: Não posso dizer que em 97 pensávamos em reconhecimento internacional, mas como toda a banda que inicia, tínhamos o sonho que sustentamos até hoje, com objetivos e ações sólidas e concretas. Hoje, estamos começando a colher uma parte deste sonho.

Whiplash!: O Power Metal é um estilo tão tradicional que pode se tornar arriscado querer oferecer alguma inovação. Como compositores, qual o diferencial para que o Hibria tenha atraído tantas atenções, em especial pela Ásia?

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Iuri: Procuramos manter nossas raízes em termos de composição e até mesmo sonoridade, mas sem copiar nada. Do primeiro para o segundo álbum tivemos uma abordagem mais tradicional, mas no terceiro nos sentimos muito mais a vontade para que as novas influências fossem percebidas nas composições. Por conta disso, o "Blind Ride" é o melhor álbum já composto pelo Hibria. Nele colocamos todos os ingredientes que estavam prontos para 'explodir' há um bom tempo. É um álbum pesado, com dinâmica, contraste entre as músicas, direto e que vai fazer muita gente ficar com dor no pescoço quando comparecer ao nosso show.


Iuri: Também é o álbum de estréia do nosso novo baixista Benhur Lima, que contribuiu muito com sua linha de composição e isto é notório do início ao fim do CD. Quanto ao reconhecimento do Japão e da Ásia, ele vem desde o lançamento do "Defying The Rules". Nossa música foi muito bem recebida por lá tanto pela mídia especializada quanto pelo público. Acreditamos que esse sucesso se deva pelo fato de explorarmos bastante o lado técnico dos nossos instrumentos e pela velocidade dos andamentos das músicas, já que isso é muito valorizado por lá. Sendo territórios tão distantes, isso serve como uma enorme motivação para a continuidade do nosso trabalho.

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Whiplash!: "Defying The Rules" e "Skull Collectors" se caracterizaram por serem álbuns conceituais. Já o novo disco, "Blind Ride", mesmo tendo como inspiração o livro "Ensaio Sobre a Cegueira" (José Saramago), segue com uma linha distinta. Em que pontos vocês acham que o público pode se identificar com essa proposta?


Iuri: O livro realmente chamou muito a nossa atenção pelo seu lado sombrio e serviu como um bom ponto de partida para várias letras. No entanto, dessa vez não quisemos nos prender a apenas um tema. Assim como nossa música está cada vez mais mostrando diferentes influências e cada vez mais contraste entre as composições, acreditamos que seria interessante também ter esse contraste entre as letras. Todas tem alguma conexão com o livro, mas isso foi feito de uma forma bastante livre e aberta. O público pode se identificar mais com essa proposta, pois estamos falando de sentimentos e situações que estão próximas às vidas das pessoas. Além disso, não é necessário ler o livro para entender as letras, e isso também pode aproximá-las do público.


Whiplash!: Musicalmente, "Blind Ride" oferece um repertório bastante diversificado. Mas, Iuri, percebe-se que desta vez você optou por fazer um menor uso de seus agudos, algo que boa parte do público tanto valorizava. O que motivou essa decisão?


Iuri: Eu acredito que um vocal tem que ser versátil e mostrar que não é só bom em fazer uma coisa. Nós tínhamos a idéia de colocar climas com vocais diferentes já há um bom tempo. Como o "Blind Ride" veio com mais liberdade de composição, novas influências e climas mais pesados, achamos que era o momento certo para isso. Acredito que todo esse conjunto contribuiu bastante para que o "Blind Ride" ganhasse esses novos climas, porém sem perdermos a característica de composição do Hibria.


Whiplash!: Outro ponto que achei relevante é o áudio de "Blind Ride", consideravelmente moderno em relação aos discos anteriores. Era isso o que vocês almejavam, e até onde os serviços de Wiliam Putney, responsável pela mixagem e masterização no estúdio nova-iorquino Machine Shop, influenciou neste aspecto?

Iuri: Sempre procuramos nomes que se relacionem com o tipo de composição/sonoridade para o álbum que foi gravado. Desta forma esperamos que o ouvinte 'entre' nas músicas e perceba da melhor maneira possível a nossa proposta em cada som. Pesamos muito a mão no "Blind Ride" e buscamos alguém que deixasse o som bem na cara do ouvinte. Foi então que chegamos ao nome do Will, após escutar algumas boas referências do trabalho dele, e o que ele realizou vestiu como uma luva àquilo que tínhamos em mente.

Whiplash!: O novo baixista Benhur Lima fez um excelente trabalho ao cantar no Ynis Vitrin e Darkest Seed. Além do baixo, seus talentos vocais também puderam ser utilizados na proposta do Hibria, e até que ponto ele se envolveu no processo de criação de "Blind Ride"?

Iuri: Quando o Benhur se juntou ao Hibria, os trabalhos de composição já estavam em andamento e as músicas já tinham um 'corpo'. Depois que as estruturas estavam fechadas ele contribuiu muito com as linhas de baixo. Além de um baixista fora do comum, o Benhur tem grande potência e extensão vocal, e isso vai aparecer cada vez mais nas novas composições.

Whiplash!: Em maio vocês iniciaram sua turnê asiática e, inclusive, tocaram no Midi Festival em Xangai, na China. Considerando que esta nação ainda possui um forte contraste social e uma liberdade de expressão um tanto quanto limitada, quais suas impressões sobre a organização e reação dos chineses diante de uma apresentação de Heavy Metal?

Iuri: A melhor possível. O festival era open air e o público total no dia que tocamos foi em torno de 10 mil pessoas. O público de lá é muito maluco, cara! A galera agitou muito durante o show e ficamos surpresos com a receptividade que tivemos dos fãs depois do show. A organização estava perfeita, fomos muito bem tratados em todos os lugares que fomos.

Whiplash!: Que resultados concretos excursões como as que vocês vêm realizando nos últimos anos oferecem a uma banda brasileira como o Hibria?

Iuri: Ter os nossos CDs reconhecidos em outros países é algo espetacular para nós. Esse reconhecimento nos deu a oportunidade de ir para a Ásia três vezes, tocando em países diferentes. Isso é um enorme fator de motivação para o nosso trabalho e procuramos cada vez mais elevar o nível para termos outras chances de retornar para mostrar ao vivo nossos trabalhos mais recentes. Acredito que esse é o principal resultado direto no nosso som. O que mais gostamos de fazer é tocar ao vivo e ver o pessoal na frente do palco curtindo o show. Quanto mais oportunidades tivermos para fazer isso, melhor, seja aqui dentro ou fora do Brasil.

Whiplash!: Apesar de o Brasil ter ótimas bandas, nossa cena musical é muito deficitária. Com sua experiência, o que poderia ser feito para contornar esses problemas?

Iuri: O Brasil tem exemplos de bandas e músicos que se igualam ou superam os gringos em talento, mas vivemos uma crise no setor fonográfico que é mundial. A internet ajuda muito na questão da distribuição do áudio para todo o canto, mas ainda é difícil fazer as pessoas chegarem a esse material se a banda não está associada a uma gravadora ou produtora que possa trabalhar em parceria para divulgar essas músicas. Além da crise pela queda vertiginosa nas vendas dos CDs desde a era Napster, aqui no Brasil as coisas são ainda mais difíceis pela ausência total de música pesada nas mídias de massa. O rock e o metal têm o seu público fiel, mas infelizmente a maior parte desse público sai de casa apenas para ver bandas de fora em grandes shows, na maior parte das vezes por até desconhecer as boas bandas nacionais.

Iuri: A única maneira de as coisas melhorarem por aqui está na mão do público, em valorizar ou pelo menos conhecer as bandas nacionais, comprar CDs originais, divulgar o estilo entre as pessoas que estão ao seu alcance e, principalmente, comparecer aos shows.

Whiplash!: Ok, pessoal, o Whiplash! agradece pela entrevista e deseja boa na divulgação de seu novo disco. O espaço é de vocês para as considerações finais, ok?

Iuri: Nós que agradecemos por mais este espaço no Whiplash! Convidamos os leitores a escutarem nossa discografia, comparecerem aos shows e a interagirem com a banda por meio do nosso site oficial (HIBRIA.COM), pelo twitter, Facebook, Myspace, etc. Logo teremos novidades sobre o lançamento nacional do DVD gravado ao vivo em Tóquio este ano.

Iuri: Além disso, o Hibria também vai participar do Porão do Rock que será agora nos dias 29 e 30 de Julho em Brasília (DF) e vai abrir para o Machine Head e Sepultura no dia 16 de outubro em Porto Alegre. Nos vemos em breve!




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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