Drunk Vision: Experimentamos até onde a criatividade deixar

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Por Ben Ami Scopinho
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Na ativa desde 2009, o Drunk Vision é um trio que conta com integrandes de Capão da Canoa (RS) e Floriánópolis (SC), e que vem fazendo maciço uso das possibilidades da internet para divulgar sua música. Segundo a própria banda, seu MySpace atingiu a marca de mais de um milhão de acessos... Nada mal mesmo! E, aproveitando que o pessoal está agora debutando com o excelente "Day After", o Whiplash! foi conhecer os detalhes de seu curioso Heavy Metal, progressivo e que beira o extremo.

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Whiplash!: Olá pessoal, como estão? Comecemos do começo: vocês estão há pouquíssimo tempo na ativa... Que tal vocês contarem um pouco da história do Drunk Vision?

Diego: Na verdade, estamos juntos há pouco mais de dois anos. Eu tocava na Hermit Age desde 1997, e tínhamos sofrido umas baixas na formação, paralisando a banda. A Drunk Vision surgiu de uma brincadeira minha e do guitarrista Cayo. Era uma noite de verão, 04/01/09, chovia, não podíamos sair e estávamos aqui no estúdio. Foi inevitável surgir a idéia de '... vamos gravar uma música?...'. O Cayo tinha um instrumental composto em Guitar Pro, só trabalhamos em cima, gravamos as guitarras e baixos, editamos as baterias e encaixamos os vocais (e letra!) na hora. Em umas três ou quatro horas surgia a música "Drunk Vision", de uma banda que ainda não tinha nome. Fizemos um Myspace, com o nome da música mesmo, só pra poder passá-la aos amigos, mas o número de plays começou a ultrapassar o nosso número de amigos. Então resolvemos gravar mais músicas, uma por semana.

Diego: Quando gravamos a quarta música, "Yellow Light", começamos a divulgar em sites especializados. E foi aí que a coisa saiu do controle, chegando a alguns milhares de plays por dia e alcançando a marca de mais de um milhão! A brincadeira tinha potencial para ser mais do que isso, e músicas novas saíam a todo momento. Nesse período, não contávamos com baterista, programávamos tudo; e tínhamos mais um guitarrista, Luke Benetti, que participou da gravação de algumas dessas demos. Foi então que começou uma peregrinação atrás de um baterista. Daí, a dúvida: 'Quem vai tocar isso?'. Eram baterias programadas complicadíssimas, feitas sem a menor pretensão de que um dia um humano as tocasse.

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Diego: Convidamos alguns bateristas, que disseram que seria impossível, mas um dia apareceu o Rafa Dachary, que nos surpreendeu. O teste dele foi feito online, mandamos três músicas sem bateria e ele sumiu por aproximadamente um mês. Já o dávamos como caso perdido, como muitos outros bateristas que tinham sumido antes, mas ele retornou, com três músicas gravadas apenas com microfones 'overs', sem edição nenhuma, mas EXATAS e ainda mais trabalhadas! Antes mesmo de o conhecermos pessoalmente, ele já estava aprovado e dentro da banda.

Diego: Foi quando pensamos: Temos 12 músicas lançadas no Myspace em versão demo. Vamos regravá-las e montar um CD?...'. Daí saiu "Day After", que atualmente estamos divulgando e tendo ótimos resultados!

Whiplash!: Então, o processo de composição fluiu rápida e facilmente... "Day After" possui suas raízes no Heavy Metal extremo, mas 'quebra' muito e experimenta tanto que resultou em algo bastante atualizado. Até onde vocês se permitem experimentar?

Diego: Eu diria que as raízes de "Day After" não estão no extremo, ouvimos muita coisa diferente (minha banda favorita é o Type O Negative, só pra ter uma ideia). O lado extremo saiu naturalmente, afinal, ouvimos bastante coisa do estilo também. Experimentamos até onde a criatividade deixar. Não existe limite, não vejo limites. Soando bem, acho que está valendo. Não nos prendemos a fazer um trabalho dentro de 'um estilo', deixamos a coisa fluir e depois vemos o que saiu. Uma música que mostra um 'outro lado' da Drunk Vision é a versão acústica da faixa-título do CD, que tem a participação da Ana Wentzel nos vocais, e que não tem bateria, só percussão.

Whiplash!: Pergunto essa questão de limites, pois o repertório consegue manter uma linha que o mantém coeso...

Diego: As músicas serem compostas em Guitar Pro, e depois tiradas, ajudam bastante nisso. Você já tem uma ideia de como a música vai ser antes mesmo de gravá-la ou ensaiá-la. Chega um momento em que se compõe acima dos limites, ampliando-os na hora de aprendê-las nos instrumentos. Acho que temos uma 'regrinha' inconsciente na hora de compôr: as músicas devem ser pesadas, trabalhadas, quebradas, sim... Mas explorando algumas melodias e trechos 'tocantes'. Não me imagino fazendo algo só brutal, quebrado e técnico. Tem que ter feeling no meio disso.

Whiplash!: Mas as canções do disco estão em nova versão, certo? Ficaram diferentes dos singles virtuais?

Diego: Bastante. Nos singles elas eram praticamente improvisos. Como eu disse, a parte das vozes era feita praticamente no improviso, e depois de um ano as ouvindo daquela maneira, novas ideias (tira isso, põe aquilo) surgiram naturalmente. O mesmo aconteceu às partes instrumentais, o Cayo e o Rafa são uns monstros em seus instrumentos! As músicas cresceram muito com isso. No fim, as demos serviram como uma 'pré-produção', um rascunho do que o álbum veio a ser. Aconselho todas as bandas a fazerem isso!

Cayo: Uma das melhores maneiras de se evoluir é se ouvir. Não adianta o cara só ensaiar, uma gravação sempre vai trazer novas possibilidades, então, grave rascunhos. Ouça sua própria banda como se não fosse sua própria banda, e assim ideias e evoluções vão surgir.

Rafa: As músicas estavam prontas quando entrei na banda, mas mudei e acrescentei partes novas nas bateria, para deixar um pouco mais com a minha cara. Algumas delas tinham ritmos que poderiam ser melhor encaixados de outra maneira, e alterei principalmente as viradas, pois a maioria delas soavam muito estranhas por terem sido inicialmente programadas, nos rascunhos. Se tivesse sido feito por um baterista, talvez soasse melhor. Não estou subestimando o trabalho do Cayo na criação das bateras (haha). É que como ele não toca bateria de verdade, eu tive que mudar muitas partes para deixar a coisa mais humana, mas ele está de parabéns, pois, além de ter composto ótimas partes, aprendi muito tocando levadas que eu achava impossível no começo.

Whiplash!: O nome Drunk Vision dá a entender que vocês possuem forte relação com o álcool... Suas letras refletem essa percepção?

Diego: Grande parte das letras foi inspirada em noites históricas. Algumas foram inspiradas em noites MUITO bizarras. Frases eram anotadas no celular para serem inseridas na letra no 'dia seguinte', quando gravaríamos cada uma. Talvez o nome da banda ser Drunk Vision dê a entender isso à primeira vista, e passe uma imagem de 'beberrões', mas, na verdade, esse nome pode (e deve) ser interpretado como uma 'visão errada' de qualquer situação.

Diego: Vemos visões erradas o tempo todo! Pessoas seguem, louvam e matam em nome de um ser imaginário ("What Would You Do?" é sobre isso), deixam de fazer coisas que as fariam se sentir bem (como o citado em "Why Not?"), se baseando em histórias fantasiosas escritas na bíblia, valores de um livro que foi escrito num tempo onde tudo era diferente, e que tem como 'autor' esse mesmo ser imaginário. Na realidade, várias de nossas letras refletem nosso cotidiano e está aberta à interpretação do ouvinte. Confiram as letras vocês mesmos e tenham sua própria visão! Ficaríamos orgulhosos de estimular o raciocínio !

Whiplash!: Sobre experimentalismos... O lance do butijão de gás em "Why Not" foi inusitado (mas duvido que alguém vá se dar conta nisso ao escutar essa canção!). Há mais arranjos do tipo, e que estejam meio escondidos pelo repertório?

Caio: Hum... Na canção "Drunk Vision", no pré-solo, há alguns diálogos. Inclusive cantamos músicas aleatórias.

Diego: Tem MUITAS falas subliminares em várias músicas, inclusive diálogos escondidos. O que eles dizem? Bom, boa sorte ao tentar entender! A "Homecoming" tem um sintetizador na intro que, na verdade, é feito na guitarra. Efeitos sobre efeitos sobre efeitos... Nos divertimos procurando essas sonoridades. E o botijão de gás, um dia, ainda vai fazer parte do set de bateria do Rafa, espero! Tem mais vários detalhes escondidos, mas não vou ficar entregando o ouro assim. Procurá-los faz parte da diversão.

Whiplash!: Certo, mas, e ao vivo, como fica isso tudo?

Diego: Mergulha-se a pedaleira de guitarra em Absinto antes de cada show, aí não tem erro! Hehe...Mas sério, o efeito é o mesmo ao vivo. Talvez perca-se um pouco nos pan (estéreo), mas dá o mesmo resultado. Quanto aos subliminares... Bem, são artifícios legais de se ter em estúdio, mas não necessariamente obrigatórios ao vivo.

Whiplash!: Vocês estão liberando "Day After" em disco físico. Muitos ainda adoram os discos, mas quais as vantagens em ainda apostar no formato nesta era do download?


Diego: Fizemos uma tiragem limitada, que talvez venha a ser ampliada. Estamos cientes de que o CD está morrendo. O mundo da música hoje depende muito mais de apresentações ao vivo do que de venda de álbuns, afinal, quem vende números consideráveis de CDs hoje em dia? Outrora, 'grandes sucessos' vendiam milhões de cópias, mas, hoje, apenas alguns milhares. As coisas estão mudando e tanto a indústria quanto o underground, tem que se adaptar a essa realidade.


Diego: Se quisermos, podemos ter material novo semanalmente disponível online, e no fim de um ano, mais de 30 músicas. Um disco por ano limita muito. Qual banda 'existe' mais? Uma banda com um CD de 10 faixas ou uma banda com 30 músicas disponíveis online?


Cayo: Ainda sou mais de lançar singles online sempre que possível, pois o cara que gosta da banda e ouve, pode SEMPRE esperar por algo novo. Ele sabe que, se a banda lançou um CD em 2009, não vai lançar mais nada novo neste ano (a não ser que seja um Devin Townsend).

Rafa: De certo modo, isso é verdade. Mas todos nós passamos pela fase das fitas VHS, depois veio o CD, fiquei vários anos comprando discos das minhas bandas favoritas, tenho toda discografia do Metallica, do Dream Theater. E depois que a gente monta uma banda, a primeira coisa que queremos é gravar um disco nosso, com músicas nossas, e o principal, colocar nosso CD junto aos outros das bandas que curtimos, isso tudo para nos sentir como uma banda de verdade.

Whiplash!: "Day After" saiu há poucos meses... Como está rolando sua divulgação? Estão conseguindo tocar aí pela região?


Diego: Não fazemos muitos shows devido à distância que moramos um do outro, e também devido aos nossos trabalhos. Mas quando fazemos, são especiais. Procuramos fazer com que cada show da Drunk Vision seja inesquecível para nós e para o público. E, em minha opinião, estamos conseguindo cumprir isso. Poucos shows, mas especiais.

Rafa: Não dá pra deixar de falar do segundo show da Drunk, que na última música, o público enlouqueceu e subiu ao palco para bater cabeça junto com a banda. Foi surreal... Isso foi em Capão da Canoa.

Cayo: Fiquei com medo do público no segundo show. E foi do CAR!*[email protected]#¨*

Diego: O povo começou a subir no palco e eu pensei '... Por mim tudo bem, mas a organização vai chiar quanto a isso!...'. Quando vejo, o apresentador do evento está lá em cima agitando também (o palco tinha uma passarela na frente, rolam uns strips naquele lugar) e devia ter umas 20 pessoas pulando em cima daquilo

Whiplash!: Pois é, o Drunk Vision foi formado em Capão da Canoa (RS), mas encontrou seu baterista em Florianópolis. Como essa distância toda está funcionando para vocês?

Cayo: Isso reflete muito na maneira como ensaiamos, geralmente um ou dois dias antes dos shows!

Diego: Ah, os ensaios são raros, mas funcionais. Quando nos juntamos, é maratona. O Rafa fica uns dias aqui, e repassamos o repertório várias vezes, além de alguns improvisos para estimular o entrosamento. Acho que dá pra contar nos dedos o número total de ensaios que já fizemos até hoje... Mas tudo bem, o resultado ao vivo está ótimo!

Rafa: Periodicamente eu vou para lá ensaiar, e quando precisa fazer algo que seja importante, como tirar fotos, e agora recentemente gravamos nosso primeiro video clipe, e assim vai... Quando temos show, vou alguns dias antes para ensaiar o repertório do show.

Whiplash!: Aliás, ainda sobre o Rafa Dachary... Como rolou esse concurso do Hangar que ele levou o primeiro prêmio? (nota do editor: leitor, guarde o nome desse baterista aí, que esse rapaz tem potencial para dar muito que falar!).

Rafa: Eu sempre curti as bandas do metal nacional, e o Aquiles sempre foi uma grande influência pra mim. Quando surgiu o concurso não pensei duas vezes em participar. Eu caí de cabeça nisso, estudei muito a música para fazer um vídeo que chamasse a atenção da banda, fui a um estúdio profissional de vídeo para gravar. Caso não ganhasse eu já teria um trabalho bacana para apresentar à galera. Fui selecionado e no dia do 'Hangar Day' em São Paulo, o público escolheu a melhor performance ao vivo dos dois bateras que foram para lá participar. Foi muito legal, uma puta experiência para qualquer baterista fã de Heavy Metal.

Rafa: Mas rolou, fui selecionado, e no dia do 'Hangar Day' em São Paulo o público escolheria a melhor performance ao vivo dos dois bateras que foram lá participar. O prêmio foi um um 'Ride da Paiste Signature Aquiles Priester'.

Whiplash!: Há algumas semanas o Drunk Vision ia abrir para o Hangar em Santo Angelo (RS). Mas cortaram a sua apresentação e vocês se sentiram prejudicados. Quer falar sobre o assunto?

Diego: Essa situação foi lamentável. Eu preferia ter ficado em casa assistindo 'Family Guy', do que ter ido até lá me decepcionar daquele jeito. Achei um desrespeito e uma falta de consideração absurda. Mas já falei o que tinha que falar sobre isso, em http://www.drunkvision.net/pronunciamento_dv_sa.html. Aí tem tudo explicado detalhadamente.


Whiplash!: Ok, pessoal, o Whiplash! agradece pela entrevista e deseja boa sorte a todos! O espaço é de vocês se quiserem acrescentar algo...

Caio: Gostaria de agradecer ao Francisco da Ledur Music, e ao casal Márcia e Bruno da Rotsen por tudo o que eles vêm fazendo por mim e pela Drunk Vision. Vocês são demais! E pelo UFO Audio Studio por aguentar a gente nas gravações!

Diego: Agradeço a oportunidade que o Ben Ami nos proporcionou, o Whiplash! é, sem dúvida, o maior veículo de divulgação de Heavy Metal no país. Ao público, o que eu tenho a dizer é: Divirtam-se, música é entretenimento acima de tudo! Como já dissemos em "Why Not?": '...Play with destiny, be your destiny...'. Acessem nosso site - www.drunkvision.net e ouçam o álbum na íntegra em streaming. Aí, se agradarem e quiserem adquirir, é só clicar no menu 'loja', lá tem várias maneiras de adquirir nosso material.

Rafa: Agradecer ao Ben Ami e ao Whiplash! pela oportunidade. Valeu galera, e até a próxima!




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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