Desolate Ways: a melancolia como expressão artística

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Por Ben Ami Scopinho
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Ao longo de uma trajetória que ultrapassou sua primeira década, o gaúcho Desolate Ways conquistou a simpatia do público amante do Gothic Doom Metal, cujo melhor registro é, sem sombra de dúvidas, "Last Moon", liberado há alguns meses pelo selo Die Hard Records.

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Tendo em sua formação Max Lima (voz e guitarra), Elizeu Hainzenreder (guitarra), o novato Ulisses Orix (baixo) e Igo Menegaz (bateria), o Desolate Ways contou um pouco do atual estágio em que a banda se encontra e os planos para o futuro.





Whiplash!: Olá Elizeu! Considerando que o Desolate Ways iniciou sua trajetória em 1998, qual o saldo que você faz destes anos? O que te marcou mais nesse período?

Elizeu Hainzenreder: Primeiramente, olá a todos os leitores do Whiplash!. Acho que cada lançamento que a banda faz acaba marcando, pois é um capítulo a mais em nossa história. História essa que sempre foi escrita com muito esforço, sacrifício e dedicação. É muito difícil manter uma banda de Heavy Metal nos dias atuais, e tendo como cenário o nosso país e o momento atual da indústria fonográfica, a dificuldade é muito maior. Mas mesmo assim, dentro desta realidade, acho que o saldo de nossa carreira tem sido muito positivo.

Whiplash!: "Last Moons" chegou ao mercado há alguns meses, e é nítida a evolução na sonoridade em relação a seus antecessores. Que espécie de aproximação vocês escolheram para criar esse álbum, ele pode oferecer algo que talvez os registros anteriores não possuíssem?

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Elizeu: Foi muito cansativo trabalhar no "Last Moons", mas ao mesmo tempo foi muito bom. Nós queríamos nos superar e acho que alcançamos este objetivo. Conseguimos colocar ao máximo nossas emoções neste trabalho. Com certeza é nosso melhor álbum e está muito a frente do "Eternal Dreams" e do "Tearful". Tanto no aspecto musical, como nos aspectos de produção e arte. Estamos muito satisfeitos e realizados com ele.

Whiplash!: Por motivos óbvios, o Desolate Ways já foi muito comparado à fase clássica do inglês Paradise Lost. Isso, certamente, gera alguma pressão sobre vocês... Com "Last Moons" estas comparações poderão terminar?

Elizeu: Pra ser bem sincero, isso nunca gerou nenhuma pressão sobre nós. Somos uma banda que tem um som próprio. Temos nossas influências no rock gótico, e sabe-se lá porque, às vezes, soa parecido com Paradise Lost. Nunca escrevemos uma nota sequer inspirados neles. Se as comparações vão terminar? Não sei. Acredito que aqui no Brasil, não. Mas isso pouco importa pra nós, afinal quem realmente gosta da banda está se lixando para comparações.

Elizeu: Temos consciência de que alguns momentos em nossa música lembram o Paradise Lost, assim como lembram outras bandas como Sentenced, Darkseed e Metallica. Mas aqui no Brasil, isso é visto de forma pejorativa. Como se nós estivéssemos plagiando essas bandas. No exterior, nosso trabalho é visto com muito bons olhos. E tais comparações para os gringos são atrativos em nosso trabalho e não motivos de ataques por fãs radicais das bandas citadas acima. O mais hilariante nisso tudo é que, na maioria das vezes, uma banda cover de qualquer uma das que mencionei, é muito mais bem vista pelo público brasileiro do que uma banda com trabalho próprio como o nosso.

Whiplash!: Com certeza... Assim como o título "Last Moons", a imagem que ilustra sua capa também é bastante exótica. Afinal, com que temas vocês optaram por trabalhar na concepção deste disco?

Elizeu: O título "Last Moons" é uma metáfora para os últimos dias de vida de uma pessoa. Nele falamos sobre as mágoas e arrependimentos de coisas que fizemos ou que deixamos de fazer. Também fizemos alguns questionamentos a respeito da religiosidade e a existência de deus em faixas como "Immaculate" e "Your Hope Dies". Já a arte, foi inspirada na capa do álbum "Staring At The Sea", do The Cure. Acho que devia ter uns 12 anos de idade quando comprei esse disco e ele foi minha porta de entrada pro cenário gótico.

Whiplash!: "Last Moons" vem sendo considerado como seu melhor álbum até então. Com tantas críticas positivas, o que levou o baixista Rodrigo Fernandes a abandonar seu posto? Já encontraram um substituto?

Elizeu: O Rodrigo deixou a banda porque resolveu dar outro rumo pra vida dele. Na verdade ele cansou da música como estilo de vida. Todas as obrigações que envolvem uma banda, como ensaios, shows e gravações não tinham mais espaço no dia a dia dele, e muito menos lhe proporcionavam alguma satisfação. Por isso ele decidiu deixar a banda. Somos muito amigos ainda, afinal nos conhecemos muito antes de formarmos a banda. Nosso novo baixista se chama Ulisses Orix, tem 21 anos e sempre foi fã da banda. Estamos muito satisfeitos com sua entrada no time, pois além de ser um excelente músico, ele nos trouxe um novo gás.

Whiplash!: O áudio de "Last Moons" está excelente, muito denso. Que contribuições Roger 'Earth' Fingle (Blood Tears, Seduced by Suicide) ofereceu à sonoridade final do disco? Particularmente, sempre achei o Earth um músico muito refinado, mas como é trabalhar com ele enquanto produtor?

Elizeu: O Roger é um excelente profissional. Ele domina totalmente o que faz. Com certeza nos tornamos músicos muito melhores por termos trabalhado juntos. Ele é muito exigente, e isso acaba sendo positivo, pois à medida que você é obrigado a superar seus limites, você acaba aprendendo cada vez mais. Foi muito tranqüilo trabalhar com ele. Lógico que, em uma gravação, às vezes rolam discussões e desentendimentos, mas quando isso acontecia, nós saíamos para tomar um café, e tudo ficava bem novamente.

Elizeu: Eu particularmente sou suspeito pra falar a respeito dele, pois somos amigos há vários anos. Já tínhamos fechado a masterização e mixagem do álbum com Simon Efemy. Iríamos apenas gravar com o Roger, mas ele me convenceu a fazermos tudo no Estúdio Nitro. Segundo ele, o resultado final teria a mesma qualidade se fosse feito lá fora. E ele estava certo!!! (risos)

Whiplash!: Vocês estão trabalhando na produção de seu terceiro vídeo clipe, e já com planos para o quarto, que provavelmente sairá no ano que vem. Que benefícios este tipo de mídia oferece a uma banda do porte do Desolate Ways?

Elizeu: Sim, já estamos trabalhando no vídeo para a faixa "Regret". Ele será filmado e lançado agora em outubro. Iremos trabalhar com o produtor Luís Mário, que já realizou trabalhos para outras bandas gaúchas como Scelerata e Magician. Acho muito válido este tipo de mídia, pois as pessoas podem conhecer a banda de uma maneira mais completa. Não só com a música, e sim também com todo o contexto visual da mesma. Sobre um possível quarto vídeo, ainda estamos no aguardo da confirmação de alguns acordos a serem fechados. E a chance disso acontecer é muito grande.

Whiplash!: E como estão rolando os shows para divulgação do novo álbum? Vocês acham que ser uma banda do Rio Grande do Sul atrapalha a divulgação de sua música para as outras regiões do resto de um país com as dimensões do Brasil?

Elizeu: Este ano as coisas estão bem complicadas e lentas. Realizamos até agora seis shows para promoção do novo álbum, o que na verdade é muito pouco se formos comparar com os anos anteriores. Já temos algumas novas datas em fase de fechamento. Mas, mesmo assim, este ano está bem devagar. Já troquei uma idéia com amigos que tocam em outras bandas e este cenário está sendo o mesmo para todos. Com relação à distância do Rio Grande do Sul para as outras regiões do país, o que atrapalha são os custos para se levar a banda e equipe. Isso realmente acaba dificultando nossa ida para outros estados, principalmente na região norte do país, onde temos muitos fãs.

Whiplash!: O Desolate Ways está sendo sondado para uma turnê pela Europa. Considerando que todos vocês tem trabalhos fixos, como poderão conciliarão tudo isso?

Elizeu: Na verdade o trabalho nunca foi um obstáculo para nós. Todos na banda têm condições de viajar por até um mês sem gerar maiores problemas em seus respectivos trabalhos. E esta turnê será muito importante para nós. Além de ser a primeira vez em que estaremos pisando em solo europeu, ainda existe a possibilidade de estarmos abrindo shows para uma grande banda do cenário gothic metal mundial. Vamos aguardar.


Whiplash!: O Desolate Ways conquistou sua cota de admiradores por outros países... Que tipo de divulgação está rolando para que "Last Moons" alcance alguma projeção internacional?

Elizeu: Na verdade a divulgação do "Last Moons" no exterior vai ter início apenas no próximo mês. Estávamos em contato com algumas gravadoras e por isso travamos a divulgação do álbum antes de termos uma posição final dessas negociações. Só que, como ainda não obtivemos uma resposta definitiva, vamos iniciar imediatamente este trabalho. Por enquanto a única divulgação que tivemos foi o single e algumas outras faixas disponíveis na nossa página do MySpace. E é claro, o 'vazamento' do álbum na internet, principalmente na Rússia.

Whiplash!: Pois é... Há alguns anos vocês acionaram a Justiça para ver o que poderia ser feito contra alguns sites russos que estavam vendendo ilegalmente suas músicas pela internet. Essa história desagradável já teve um fim?

Elizeu: Na verdade essa história não teve nem início. Infelizmente não temos uma grande estrutura com pessoas que possam correr atrás disso para nós. Mas o tal site que estava vendendo nossas músicas foi tirado do ar. Isso fez que com que a gente ficasse um pouco mais tranqüilo. Hoje, tentamos ver isso como uma forma de divulgação. Pra você ter uma idéia, o "Last Moons" chegou nas lojas aqui do Brasil em 06 de janeiro deste ano. No dia 13 do mesmo mês, ele já estava figurando em sites russos (novamente) para download. Temos um amigo que fez um levantamento pra nós dos downloads feitos por lá, e eles chegam à marca de 51 mil downloads. Nem todo mundo que baixa compraria o álbum, é verdade. Mas imagine se metade dessas pessoas tivessem comprado. Seria bom, não? Recebemos muitos e-mails de lá, inclusive já temos convite para nos apresentarmos lá no ano que vem. Vamos esperar e ver o que acontece.

Whiplash!: Uma curiosidade final... Pode parecer meio cedo, mas como um processo de criação geralmente não pára... Vocês já têm em mente algo para o próximo álbum?

Elizeu: Concordo com você... é meio cedo mesmo (risos). Mas eu já tenho alguns novos riffs e melodias. Inclusive as mostrei para o restante da banda na semana passada, mas com certeza um novo álbum do Desolate Ways só no final de 2011 ou início de 2012.

Whiplash!: Ok, pessoal, o Whiplash! agradece pela entrevista desejando boa sorte ao Desolate Ways. O espaço é de vocês para os comentários finais...

Elizeu: Gostaria de agradecer ao Whiplash! pelo espaço e a todas as pessoas que são fãs do nosso trabalho. A todas as outras fica um recado: valorizem mais as bandas nacionais, elas são tão boas quanto as internacionais.

Contato:
http://www.desolateways.com
http://www.myspace.com/des0lateways




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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