Phil Anselmo: "eu não compro roupas há 28 anos"

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Por Gabriel Costa, Fonte: Invisible Oranges, Tradução
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O Invisible Oranges conduziu recentemente uma entrevista com Phil Anselmo (PANTERA, DOWN, SUPERJOINT RITUAL, ARSON ANTHEM, entre outras bandas). Confira alguns trechos da conversa abaixo.

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Invisible Oranges: Parece estranho que alguém tão interessado em boxe quanto você tenha se envolvido com drogas pesadas.

Phil Anselmo: "É estranho? A vida é estranha, cara. A vida é maluca. Você tem pessoas nos esportes profissionais e coisas do gênero, no auge da carreira, como aconteceu comigo, que sofrem uma lesão fodida que interfere no seu jogo - e não só no seu jogo, na sua qualidade de vida inteira -, você vai lidar com aquela dor através da ignorância e através do que outras pessoas dizem para você. Você entra no consultório de um médico e diz, 'Ei, cara, eu estou com dor. As minhas costas doem para caralho'. Você diz algo assim, os médicos olham para você e dizem 'Bem, e qual é a novidade?' Dor na parte inferior das costas é a segunda coisa mais comum, logo depois da porra da gripe, que os médicos ouvem."

"Se você está fazendo quase, porra, 200, 300 shows por ano naquela porra de palco, ouça minhas palavras, você vai começar a tomar remédios para a dor. Você vai tomar aquelas porras de analgésicos antes de dizer, 'Não, eu não vou fazer essa porra desse show. Especialmente quando você tem 25, 26, 27 anos - foda-se essa merda, sabe. Você vai fazer os shows. De qualquer forma, a vida acontece, meu jovem, e não desconte ou tire a porra do crédito de qualquer porra que vá acontecer com você, porque você não sabe de porra nenhuma. Sob as circunstâncias certas, qualquer um faz qualquer coisa."

O que você faz para manter a forma hoje em dia?

Anselmo: "Trabalho de fortalecimento dos músculos. Tenho que me manter forte. Eu ainda faço todas as minhas flexões, toda essa merda, alongamentos. Faço muito trabalho de fortalecimento e algum exercício cardiovascular, andar na praia, merdas assim. Todo esse tipo de merda, cara, suar."

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Como está Nova Orleans com o vazamento de óleo (o estado americano de Louisiana é um dos cinco afetados pelo vazamento de petróleo no Golfo do México, ao lado de Alabama, Mississippi, Flórida e Texas)?

Anselmo: "Nós não vimos nem a porra do começo da repercussão. Eu acho que a porra da ponta do iceberg está aparecendo agora, mas como poderia ser diferente? A porra do óleo cru está vazando enquanto estamos falando nessa porra de telefone [Nota: o vazamento foi contido na última quinta-feira, dia 15, embora ainda haja riscos]. O que eu posso fazer a respeito? O que qualquer um pode realmente fazer a respeito? Ir até a porra da água e limpar animais e pássaros? Isso não está resolvendo a porra do problema."

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"Isso bem aqui, essa faca na Mãe Terra, é uma porra de ferimento sangrando no nosso planeta, que, pra mim, é Deus, de todas as formas. Deus foi apunhalado na porra do coração. E está sangrando. Porra, nós nem começamos a ver as miseráveis ramificações dessa porra de desastre em particular ainda. Merda, a temporada dos furacões nem chegou ainda."

"A propósito, quando o próximo ano chegar, tudo na Costa do Golfo - não apenas Nova Orleans, mas toda... não é nem a área dos três estados, você mete o Texas e tudo o mais nessa porra, qualquer coisa que possa ser afetada pelo Golfo - e você sopra a porra do óleo em cima de todas as porras de estruturas... deixa um grande furacão passar e soprar óleo por cima de cada árvore, casa, carro, as porras dos animais, oh, meu deus - e deixa secar por uma porra de uma semana. Aí acende uma porra de cigarro. Olha só o que acontece, com a porra do óleo em cima de tudo. Esse lugar vai queimar mais rápido que uma porra de uma caixa de fósforos e gasolina."

O que você tem escutado atualmente?

Anselmo: "Cara, eu vou ser honesto com você. Eu estou tão enrolado com as bandas da Housecore, o meu selo. Eu estou constantemente ouvindo HAARP - que é, caso você não saiba, tudo em minúsculas, sem caixa alta. HAARP, WARBEAST, todas as minhas bandas, cara, THE SURSIKS. Mas merda, você sabe, eu escuto um monte de coisas. A maior parte é velharia. Não há dúvidas disso."


"Eu tenho escrito umas coisas novas. Na verdade, o DOWN vai se reunir amanhã. Nós vamos começar a escrever algumas coisas novas. Você é o primeiro a receber essa notícia aí mesmo. Então o DOWN vai se juntar amanhã. Como eu disse, cara. eu estou escrevendo umas coisas novas agora, então estou tentando me concentrar nisso, e talvez não me 'diluir' demais. O Fenriz [Gylve Nagell, baterista] acaba de me enviar o novo do DARKTHRONE, então eu o ouvi. Não estou dizendo que estou escutando, mas dei uma ouvida. É uma pergunta difícil. O que VOCÊ está ouvindo atualmente?"

Um...

Anselmo: "OHHHH! Te dei um susto. Eu estava brincando, cara. Estava de sacanagem com você."

Eu tenho duas recomendações para você. Elas meio que se encaixam no que você disse. A primeira é essa banda de crossover thrash de Austin chamada BIRTH A.D. dois dos caras estão no AVERSE SEFIRA, a banda de black metal.

Anselmo: "Como é o nome da banda de black metal?

AVERSE SEFIRA.

Anselmo: "Meh. Hoje há bandas americanas de black metal demais. É muito uma tendência. É bobo - todas são bandas de um homem só. Cara, eu fiz essa merda com o VIKING CROWN, o quê, 12 anos atrás, porra? Bateria programada, guitarra, baixo, sabe? Eu ouvi isso antes. Porra, mas eu não estou cuspindo nas porras das merdas novas. Eu realmente não estou. Eu espero que os moleques enlouqueçam nessa porra. Quanto mais criatividade, melhor."

A segunda banda - você vai achar isso engraçado - é uma banda francesa chamada EIBON [Anselmo fez parte, por um curto período, de um supergrupo chamado EIBON com Fenriz, Satyr, do SATYRICON; Killjoy, do NECROPHAGIA e, por algum tempo, Maniac, do MAYHEM, você pode ouvir a única canção que eles gravaram aqui].

Anselmo: "Sério? Hã, bem, eles podem ficar com o nome. Porra, nós caímos aos pedaços. Fenriz saiu da banda [risos]. Não deu certo. Mas sério, eles se chamam EIBON? Você disse que o BIRTH A.D. é tipo crossover. Crossover como? Hardcore e metal?

Sim, é uma coisa meio D.R.I.

Anselmo: "Thrashcore, yeah. Cross. Over. Ótima expressão cunhada pelo D.R.I., essa. Disco decente. Yeah, bem, o EVIL ARMY [mais uma banda da Housecore] era uma banda de crossover também, há muito tempo. eles gravaram aquele primeiro disco há muito tempo. É difícil para mim ficar convencido com essas coisas. Eu sei que o WARBEAST meio que fica no seu próprio nicho. Mas o que diferencia o WARBEAST para mim é a habilidade dos guitarristas. Eu acho que eles são bons para caralho. Mas o Bruce [Corbitt, vocal], cara - é a porra do vocal do Bruce, cara. Totalmente original. Sem tentar ser o Quorthon, do BATHORY, sem tentar ser [Paul] Baloff [EXODUS], sem tentar ser [Rob] Halford [JUDAS PRIEST, HALFORD], sem tentar ser ninguém. Ele soa como ele mesmo. É disso que eu gosto neles. Mas BIRTH A.D., hein? Vou dar uma ouvida neles. E no velho EIBON, da França."

EIBON, da esquerda para a direita: Killjoy, Satyr, Fenriz e Anselmo
EIBON, da esquerda para a direita: Killjoy, Satyr, Fenriz e Anselmo

Você teve bastante sucesso com várias bandas na sua vida. As vezes pode ser estranho andar com amigos seus que são muito mais pobres que você?

Anselmo: "Não, porque eu nunca, nunca, nunca, nunca, vivi nesse estilo de vida do tipo 'me arrume uma porra de uma limusine, eu estou indo para uma porra de bar de strip'. Eu nunca fiz isso, cara. Eu sou bastante humilde. Eu não compro roupas há, porra, 28 anos, cara. [Risos] Eu visto as mesmas merdas desde que eu tinha, porra, 20 anos. Não que eu seja frugal, mas eu não vejo coisas grandes e caras e digo, 'Ah, meu deus, eu preciso daquilo!' Eu não sou um cara muito de carros, eu sou bastante esperto com o meu dinheiro, porra. Eu não saio. Eu não sou uma porra de um grande gastador".

"Então, com a maioria dos meus amigos, é esquisito? Não, porra, de jeito nenhum. Todos os meus amigos sabem, e os meus bons amigos sabem, e as pessoas que estiveram na minha casa, e as pessoas que me conheceram - eles sabem que quando vêm aqui, a minha casa é a porra da casa deles. Não me peça pelas coisas - vá até a porra da geladeira e pegue a porra da sua cerveja. Vá até a porra da geladeira e pegue alguma coisa para comer, porra. Não peça duas vezes; eu vou chutar a porra da sua bunda. Se você quiser dormir aqui, só me avise, me dê um toque. Capota aí, eu estou pouco me fodendo. Essa é a porra do meu jeito, cara."

Você parece estar em um lugar melhor hoje em dia do que quando você estava lutando contra as drogas e controvérsias relacionadas ao PANTERA. O que mudou as coisas para você?

Anselmo: "Cirurgia nas costas. Qualquer um que não entenda dor física não pode nem andar no meu barco. Todo mundo aponta para as drogas. Esse é o caminho fácil, cara. Eu te digo isso agora mesmo. Isso é como garotinhos zombando de garotos 'especiais' - 'retardados' e merdas assim. Você ri e aponta. Seus pais te dizem 'Não, não, não, não, não faça isso, você não entende'".

"Sim, eu aprendi algumas lições fodidamente insanas com a dor. Com a dor vêm as drogas. Com as drogas vêm mais drogas, se você não vigiar o seu rabo. Com mais drogas vem a morte se você não vigiar realmente o seu rabo. Eu atingi todas essas porras de platôs. (Risos) Ou ralos, como quer que você queira chamá-los. Mas com cada um, você aprende uma lição. E se você decorar essas lições, como eu fiz, aí você sai dessa."

Leia a entrevista na íntegra, em inglês, no Invisible Oranges.




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Sobre Gabriel Costa

Carioca, jornalista por profissão e roqueiro de nascença, Gabriel teve o primeiro contato direto com o rock and roll ao ouvir o álbum de estreia do Black Sabbath em um velho vinil de seu pai. Garoto do século 20, nascido em 1984, é absolutamente fascinado por tudo o que envolve o estilo, da música à mitologia. Canta na banda Six Pack Wonder, escuta de Backyard Babies a Strapping Young Lad, ama The Wildhearts e segue fielmente os ensinamentos de Lemmy e Danko Jones. Escreve no Twitter em http://twitter.com/gabrielccosta.

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