Krow: novo fruto do Triângulo Satânico Mineiro

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Por Ben Ami Scopinho
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Creio ser desnecessário citar os importantíssimos nomes que o fértil Triângulo Mineiro já proporcionou ao mundo... Oriundo de Uberlândia, o Krow está estreando com "Before The Ashes", álbum que honra com folgas a tradição de Heavy Metal extremo que tornou essa região tão conhecida.

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Aproveitando que o grupo voltou da bem sucedida "Chilean Fuckin Tour 2009", onde tocou ao lado do Undercroft (Chile) e Extermínio (Argentina), o Whiplash! foi conversar com o Krow, onde Guilherme Miranda (voz e guitarra), Mark Sanchez (guitarra), Raphael Sapão (baixo) e Jhoka Ribeiro (bateria) deram mais detalhes sobre sua história.

Whiplash!: Saudações! O Krow foi formado efetivamente em 2006, para logo liberarem o EP "Contempt For You". Mas, no ano seguinte, o vocalista e guitarrista Guilherme tocou com o Crust Division pela Europa, e o guitarrista Mark tocou com o Tributo ao Sarcófago no Chile. Como estava a situação interna do Krow nesta época?

Krow: A situação estava um pouco diferente da de hoje, a gente era um pouco mais 'porra louca' e menos focados. E o fato do nosso batera, o Jhoka, estar morando em São Paulo e a gente estar fazendo shows com outro (baterista) também contribuía para que fizéssemos as correrias, mas com um entusiasmo um pouco menor. E ainda pintou esse lance de eu ir tocar fora e o Mark também, mas que no final das contas eu creio que tenha sido o fator preponderante para que o Krow continuasse.

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Whiplash!: Inclusive, parece que a história da própria canção "Before The Ashes" foi fundamental para o Krow seguir adiante, certo?

Krow: Foi sim. Eu a fiz na van, na Europa, e quando voltei ao Brasil o Jhoka tinha voltado para Uberlândia e fomos ensaiar. Quando a tocamos, o clima geral da banda ficou excelente e pensamos: 'vamos botar pra fuder com isso aqui!!!'

Whiplash!: Como foi o trabalho em estúdio, houve alguma dificuldade na hora de gravar?

Krow: Olha, vou ser bem sincero, gravamos o nosso primeiro disco, e as dificuldades aparecem devido à falta de traquejo em estúdio. Mas nosso produtor foi muito bom e fez a gente tocar a parada mesmo, dando um som bem orgânico, eu creio que ganhamos muita experiência com a gravação de "Before The Ashes".

Whiplash!: Alan Douches construiu sua reputação ao trabalhar com feras do porte de Cannibal Corpse, Aborted, Kataklism e Nile. Como rolou o contato com o homem, e o quanto sua masterização influenciou na sonoridade final de "Before The Ashes"?


Krow: Se deu através do Gustavo Vasquez, que tinha o contato dele. Dessa forma o Alan pediu a mix final para ver se faria o trampo. Mandamos, ele aceitou e a negociação foi bem tranqüila. Em estúdio tudo influencia na sonoridade de um disco, desde a forma como você pega na palheta até a masterização. E o Alan foi a nossa escolha, pois queríamos soar como um bloco, e a master dele dá essa noção, pois soaria como uma banda mais 'América', com aquela pegada médio grave que ele coloca.

Whiplash!: A Free Mind Records, Parabelum Records, Two Beers Or Not Two Beers e Valvulado Discos se uniram em para o lançamento do CD "Before The Ashes". Quais os atrativos de uma parceria deste tipo para o Krow?

Krow: Os atrativos são a distribuição, circulação, divulgação e viabilidade financeira. Com a atual situação do mercado eu acredito que essa é a realidade com a qual as bandas irão conviver, principalmente em casos como o Krow, que está no primeiro disco.

Whiplash!: Musicalmente, existem diferenças entre "Contempt For You" e "Before The Ashes"?

Krow: Sim, muitas. "Before The Ashes" é mais maduro e pretensioso. Em "Contempt For You", entramos em estúdio e gravamos do jeito que estava na mente e, naquela onda, deixa sair do jeito que der e está tudo bem. Fomos nós mesmos que produzimos e tudo mais. Já em "Before The Ashes" rolou uma coisa muito mais trabalhada e profissional, as composições estão bem mais interessantes.

Whiplash!: Seu debut possui canções realmente incríveis, como "Conspiracy Of Hate", "Abominations", "Living In The Dark" e "Hate, Disgrace And Wrath". Como tem sido a resposta do público diante do repertório?

Krow: Opa, muito obrigado pelos elogios!!! Cara, até o presente momento, nos shows a resposta tem sido muito positiva, fizemos shows pelo Brasil e uma tour no Chile com Undercroft e Exterminio, e temos obtido resultados excelentes! Como eu já falei, as composições estão mais interessantes e o público responde bem a isso, tanto que em Santiago o show foi insano, um cara subiu no palco e ficou pulando e arrebentou o cabo do baixo, heahaehahaha. Em Uberlândia tocamos com o Sepultura para lançar o disco e foi uma loucura total também, estamos trilhando nosso caminho passo a passo, e sempre agradeço ao público que nos apóia!!!

Whiplash!: E o que mais te marcou nessa "Chilean Fuckin Tour 2009", afinal?

Krow: O que mais marcou, além da amizade, contatos e zoeira, foi o fato de as pessoas nos encararem como uma banda de verdade, o que é muito bom, porém as responsabilidades e cobranças aumentam e está sendo legal aprender a lidar com isso. Foi a primeira experiência do Krow fora do Brasil e agora a gente já sabe como se comportar, como agir e tudo mais.


Whiplash!: Vocês tocaram com o Possessed no ano passado, em Belo Horizonte. Cara, o que você acha que motiva Jeff Becerra ainda nos dias de hoje, com a saúde tão debilitada, mas ainda caindo na estrada para urrar sobre uma cadeira de rodas?

Krow: Velho, o Jeff é uma pessoa muito massa!!! Ele ficou o tempo todo andando com a gente lá em BH, e percebi claramente que ele faz isso porque é um ideal de vida, é amor mesmo, é algo que movimenta a vida dele. A gente estava lá em BH enchendo a cara e tocando, ele tocou com camiseta do Krow, mandou e-mail pra gente, pegou MSN. Ele é Metal, a vida dele é Metal e esse é o motivo.

Whiplash!: Já é notório o antiprofissionalismo de boa parte dos envolvidos na realização de shows. Como é a situação no Triângulo Mineiro, cujo cenário possui tradição em se tratando de boas bandas?

Krow: No Triângulo a cena é legal, tem muitas bandas e um público louco!!! Mas, esse lance de profissionalismo aqui é bem relativo, há festivais e shows bem profissionais e legais, e tem shows onde é tudo desorganizado e tosco. Então depende muito de como e com quem as coisas funcionam.

Whiplash!: Ainda sobre esses problemas tão enraizados... Muitos produtores insistem em fornecer apenas a passagem e alimentação, se recusando a pagar a banda pelo seu trabalho, sob a alegação de que '... Se eles não tocarem, há dezenas de outras bandas na fila, querendo uma chance...'. O que você acha deste panorama? Há algo que poderia ser feito para tornar a situação mais justa e profissional?

Krow: Acho esse panorama muito complicado. Porém, depende também do que a banda se propõe a fazer. Se você quer ser encarado de forma profissional, tem que agir profissionalmente e fazer por merecer um cachê. Obviamente uma banda que esta lançando a primeira demo e tal, e quer galgar um espaço e ainda não tem muita experiência em palco, não costuma cobrar e etc. Mas, a partir do momento em que você consegue fazer um show que agrega qualidade musical e público, o correto é receber por isso.

Whiplash!: Ok, pessoal. O Whiplash! agradece pela entrevista. O espaço é do Krow para as considerações finais...

Krow: Muito obrigado pelo espaço e apoio sempre dado às bandas nacionais. Esperamos tocar essa tour de "Before The Ashes" em todos os lugares possíveis!!!

Contato: www.myspace.com/krowmetal




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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