Creature Creature: entrevista após os shows de retorno

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Por Emanuel Seagal, Fonte: JaMe Brasil
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Após um silêncio de quase dois anos e meio, o vocalista e líder do Creature Creature, MORRIE, surpreendeu a cena musical japonesa com um retorno incluindo dois shows. Novamente, ele reuniu um número de músicos impressionantes ao seu redor; HIRO (Libraian, ex-La'cryma Christi), Shinobu (ex-Guy's Family), HITOKI (ROBO+S, ex-Kuroyume) e Sakura (SONS OF ALL PUSSYS, ex-L'Arc~en~Ciel).

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Um dia depois de sua apresentação em Tóquio, nós tivemos a chance de realizar uma entrevista com a banda. Infelizmente, HITOKI não pôde estar presente na entrevista.

Por favor, vocês poderiam se apresentar?

MORRIE: Eu sou o vocalista, MORRIE.

HIRO: Eu sou o guitarrista, HIRO.

Shinobu: Eu sou o guitarrista, Shinobu.

Sakura: Eu sou o baterista, Sakura.

MORRIE, você formou o DEAD END em 1984 e começou uma carreira solo em 1990, então você tem uma carreira musical bem longa. Por que você decidiu usar o nome Creature Creature ao invés de reativar sua carreira solo?

MORRIE: Antes de começar o Creature Creature em 2006, eu tinha tocado na banda DEAD END. Quando segui para minhas atividades solo após isso, eu basicamente compunha sozinho usando um computador, mas ainda tinha o desejo de tocar ao vivo em uma banda. Eu queria tocar com o nome de uma banda em vez do meu, então três anos atrás eu criei o nome Creature Creature e aqui estamos hoje.

Você queria separar as atividades da banda de sua antiga atividade solo, correto?

MORRIE: Sim, eu quis.

Qual o significado do nome da banda?

MORRIE: Não significa nada em especial, é apenas minha inspiração. As palavras "Creature Creature" apareceram na minha mente de repente, eu não as traduzi do japonês ou algo assim. Soa legal também. (risos)

Por acaso o lançamento do álbum ∞(INFINITY) do DEAD END e sua coletânea solo; ECTOPLASM em 2005 ajudaram sua decisão de retornar à cena musical?

MORRIE: Bem, sobre o lançamento de ∞(INFINITY), os fãs pressionaram a gravadora para que ele fosse lançado. Imagino que a gravadora achou que minha compilação solo também venderia bem. (risos)

Você lançou três singles - Kaze no tou, RED e Paradise- em 2006 simultaneamente e seu primeiro álbum Light & Lust em agosto do mesmo ano. Light & Lust contou com performances de todos os seus ex-companheiros do DEAD END como convidados, como foi trabalhar com eles novamente?

MORRIE: Bem, nós não chegamos a tocar juntos em um estúdio, nós gravamos separadamente. Mas mesmo assim, eu achei que eles foram ótimos. Você sabe, nós não tocávamos juntos há 16 anos. Ouvi-los tocar foi muito emocional para mim.

O que levou você a se reunir com tetsu (L'Arc~en~Ciel) e Minoru (ex-THE MAD CAPSULE MARKETS) quando você começou o Creature Creature?

MORRIE: Eles me foram apresentados quando eu estava procurando por membros.

Você se apresentou no DANGER IV, que foi um evento de fim de ano em 2005, como artista secreto. Como foi isso? Você chocou o público?

MORRIE: Foi chocante? Eu acho que foi mais como, "quem são eles?" (risos)

Então foi como uma estréia para o Creature Creature?

MORRIE: O evento aconteceu na época do Natal, então já faziam 13 anos desde a última vez que tinha pisado em um palco. Eu acho que tocamos apenas duas canções aquele dia.

Você co-produziu seu álbum com Hajime Okano. Ele foi uma parte importante do processo de gravação, como na época de DEAD END, ou você já tinha uma visão clara de como o álbum deveria soar antes de encontrar-se com ele no estúdio?

MORRIE: Na maioria das vezes, eu faço as estruturas básicas das músicas, incluindo os vocais, em Nova York. Eu trago os dados para o Japão, e então gravo. tetsu e Minoru também escreveram duas canções cada, criando-as no Japão, então nós trocamos fitas demo entre nós antes de eu viajar e trabalhamos juntos nos arranjos aqui.

Desta vez, você tocou dois shows em Osaka e Tóquio, e você apresentou várias músicas novas. Você as fez depois de lançar o álbum?

MORRIE: Sim, eu fiz.

Como você compôs estas novas canções?

MORRIE: Eu fiz as músicas e mandei as informações para os membros através da internet. Eles escutaram as músicas e tocaram algumas partes do jeito que eu queria que eles tocassem e outras mais livremente, do jeito que queriam.

Sua performance pareceu bem complicada, com muita técnica, o que me impressionou, foi quase como se estivesse assistindo uma sessão de jazz. Vocês acharam difícil tocar as novas canções?

Sakura: Mais da metade das músicas que tocamos nesses dois shows foram canções novas que não estão no álbum e eu acho que elas pareciam complicadas quando as escutei pela primeira vez. Nós temos várias canções que são difíceis em diferentes maneiras. Quando os dois shows foram decididos, me disseram: "Nós vamos tocar algumas músicas novas" e trocamos informações. Eu pude escutá-las várias e várias vezes durante muito tempo, então minha primeira impressão de que elas eram difíceis desapareceram com o tempo, já que elas se tornaram parte de mim.

Durante os shows, você tocou exatamente como na demo que MORRIE fez? Ou você colocou seu próprio toque?

Sakura: Eu fiz as duas coisas. Há várias partes onde é melhor tocar exatamente como MORRIE fez na demo e existem partes onde eu sou melhor colocando meu próprio estilo. MORRIE me contou no Japão que eu não tenho que tocar exatamente como na demo, também.

HIRO: Para mim pediram para fazer um solo de guitarra, mas a demo já soava sólida e completa, e não tinha um solo de guitarra na música, então tive que colocar um. Então houve algumas partes em que eu pude tocar livremente, nas quais pude colocar meu próprio toque na música.

MORRIE, então você deixa HIRO tocar solos de guitarra.

MORRIE: Nas partes onde o riff de guitarra já estava determinado, eu lhe disse para tocá-las como elas estavam, mas havia partes livres também, então pensei que apenas deveria deixá-lo fazer o que ele achasse melhor.

Por que você escolheu HIRO como guitarrista?

MORRIE: Quando eu fiz o álbum em 2005 e nós íamos fazer um show, eu escutei o álbum do La'cryma Christi, ZEUS, e eu realmente adorei ele. (risos)

HIRO, fiquei impressionada com seu uso de efeitos no show e os vários sons de guitarra que você fez que combinaram muito bem com as músicas.

HIRO: Você acha? (risos) Eu fiz o que pude, mas MORRIE pediu por qualidade sonora também, então fizemos nossos sons enquanto discutíamos os pontos-chave da música.

Shinobu, você é o mais jovem entre os membros. Como você se sentiu quando foi escolhido?

Shinobu: Eu apenas pensei: "Tenho que trabalhar duro!" As canções são difíceis, mas eu tive tempo suficiente para trabalhar nelas, então me concentrei em trabalhar o máximo possível.

Você recebeu algum conselho?

Shinobu: Primeiro eu pensei: "Vou decorar todas as canções completamente!" Depois que eu pude fazer isso, pedi por conselhos, pois era uma meta pessoal minha.

Quando vocês começaram a ensaiar e quantas vezes vocês realmente tocaram juntos?

MORRIE: Nós começamos em 8 de junho e tocamos juntos cerca de seis vezes.

As músicas originais mudaram gradualmente enquanto vocês tocavam juntos?

MORRIE: Algumas canções mudaram, mas basicamente as estruturas das canções não mudaram muito. Entretanto, as combinações e vibrações de cada instrumento ficaram melhores enquanto tocávamos juntos cada vez mais, então tocamos o máximo possível dentro destas seis ocasiões.

Nos seus shows, vocês improvisaram muito?

Sakura: No meu caso, sim, eu acho que sim. Eu senti um tipo de clima vindo de MORRIE: "Adicione algo aqui." E em outras vezes: "Se esforce mais!" (risos)

Você sentiu isso enquanto vocês estavam tocando?

Sakura: Sim, senti. Apesar de nós termos tocado apenas dois shows.

E a guitarra?

HIRO: Eu não improvisei completamente meu solo de guitarra, mas me baseei naquilo que tínhamos decidido anteriormente e adicionei mais coisas.

MORRIE, quando escuto seus vocais, você nunca desafina, mesmo com um som tão complicado. Fiquei surpresa com o modo como você conseguiu manter-se afinado em tal ambiente.

MORRIE: Oh não, eu desafinei várias vezes. (risos) Eu não estou acostumado a cantar músicas tão barulhentas. Quando pratiquei em casa, cantei ouvindo minha própria voz. Mas quando cantei com todo o acompanhamento ao meu redor, tive que mudar totalmente o modo como usava meu corpo, então foi complicado preencher esta lacuna.

Existem grandes contrastes em suas canções. Há partes violentas e partes quietas. Vocês prestam atenção nestes contrastes entre 'violência' e 'silêncio' quando fazem as músicas?

MORRIE: Sim. O título do show, Simone and the Wrath (Simone e a Fúria) mostra isso, eu tinha um conceito claro que tocaríamos estes dois tipos de canções, músicas quietas como "Simone" (inspirado na filósofa francesa Simone Weil) e músicas agitadas como "Fúria."

Nos anos 80, o selo americano Metal Blade lançou alguns álbuns do DEAD END nos Estados Unidos, vocês receberam alguma oferta para tocar fora do Japão naquela época?

MORRIE: Eu não sei. Talvez, mas às vezes eu não escuto sobre essas coisas.

Você quer tocar no exterior com o Creature Creature?

MORRIE: Sim, eu quero. Mas não é tão fácil, com todos os requisitos que precisam ser respeitados e assim por diante. Mas eu adoraria.

Quando eu assisti a seu show ontem, senti como é realmente um grande show, com todos os instrumentos, tão diferente do som que você escuta nos CDs. Nós queremos ver mais shows assim, mesmo no Japão.

MORRIE: Sim, eu quero tocar mais.

Podemos esperar mais shows daqui para frente?

MORRIE: Nós estamos conversando sobre isso, então, por favor, continuem insistindo. (risos)

O que vocês aprenderam com estes shows?

Shinobu: Eu senti como se tivesse me libertado de todas as minhas antigas experiências, porque o que achei que funcionaria, não funcionou.

Então você cresceu?

Shinobu: Não foi como se eu tivesse crescido, mas sinto como se tivesse renascido. (risos) Foi um grande desafio para mim e estou muito feliz de poder tocar esta música com estes membros. Eu quero continuar tocando músicas boas e verdadeiras daqui para frente.

Sakura: Eu realmente respeitava a banda DEAD END. Eu amava tanto a banda que fui parte do staff do DEAD END por um período. Desde então, eu pude conhecer MORRIE e foi como um sonho poder tocar com ele. Desta vez, meu sonho se tornou realidade. Eu quero canalizar esta energia e fazer uso dela no futuro. Eu estou orgulhoso de poder ser um membro criando e tocando a música do Creature Creature. Não é apenas um sonho; eu compreendi que sou um membro e quero contribuir com o Creature Creature o máximo possível daqui para frente.

HIRO: Eu senti a mesma coisa que Sakura disse. Eu realmente senti o calor dos fãs que estavam esperando por MORRIE do palco. Eu realmente adorei tocar guitarra; eu estava tão feliz. Se possível, quero tocar em mais shows. (risos) Da última vez, eu refleti sobre o que queria melhorar, mas desta vez, tentei tocar como um membro da banda e acho que gradualmente estou me aproximando deste ideal.

Estas experiências influenciaram no modo como você toca guitarra?

HIRO: Bem, sim, é claro. (risos) Eu aprendi muitas coisas novas, como acordes de guitarra que eu nunca tinha visto antes.

MORRIE: Desta vez, quando decidi os membros da banda, eu não escolhi como: "Eu quero este baterista," "eu quero este baixista" ou "eu quero este guitarrista." Eu queria fazer um grupo que poderia trabalhar como uma banda. Eu imaginei a química que nasceria em uma banda. Eu não queria terminar apenas com uma banda contratada. Desta vez, tudo se encaixou perfeitamente. Então, como HIRO disse, eu quero ver como nós seremos tocando mais do que apenas dois shows. Eu sei que o potencial de cada integrante é enorme, mas acho que o potencial que temos como uma banda é ainda maior. Acho que alcançaremos isso quando tivermos mais tempo para ensaiar e tocar juntos em shows ao vivo.

Como foi o baixista HITOKI, apesar dele não estar aqui nesta entrevista?

MORRIE: Bem, ele é um baixista, bem rock.

Fiquei impressionada que HITOKI e Shinobu olharam um para o outro para ter o tempo certo de começar a última canção, Haru no kikai. Vocês conseguiram este tipo de harmonia com os ensaios?

MORRIE: Não apenas tocamos juntos como músicos, mas nossa personalidade é uma parte muito importante da banda. Então eu acho que isso é parte do que você está descrevendo. Eu conheço algumas bandas em que os membros se odeiam, mas fazem um som incrível. (risos) Eu acho que o potencial desta banda é ainda maior quando você considera isso, então estou ansioso para ver como a banda crescerá.

Existem tantos músicos que te respeitam e são influenciados por você, agora eu entendo melhor o porque disso depois de ver você no palco. MORRIE, eu acho que você é realmente o responsável pela corrente atual de vocalistas na cena musical de hoje. Por favor, deixe sua mensagem para os fãs de todas as partes do mundo.

MORRIE: Eu quero tocar no exterior em breve. Convide-nos!




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Sobre Emanuel Seagal

Descobriu o metal com clássicos como Iron Maiden e Black Sabbath. Hoje em dia, entre outros gêneros musicais, e sem se limitar a rótulos, ouve principalmente doom, viking e folk metal. Sempre que possível está em busca de novas bandas que tenham algo a transmitir alem de clichês, e mesmo em meio a tantas novidades não dispensa pérolas como o bom e velho Candlemass. Acompanha o Whiplash! desde os primórdios, tendo iniciado sua vida de internauta no mesmo ano de criação do site (1996). Há algum tempo está envolvido com metal, seja trabalhando com eventos, bandas, gravadoras ou imprensa, na tentativa de contribuir de alguma forma para o crescimento desse que é um dos segmentos mais apaixonantes da música, o metal.

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