Aerosmith: "Steven nunca recebeu os créditos que merece"
Por Karina Detrigiachi
Fonte: Toronto Sun
Postado em 07 de setembro de 2009
O baterista do AEROSMITH, Joey Kramer, concedeu recentemente uma entrevista na qual falou sobre sua biografia intitulada "Hit Hard", a longevidade do AEROSMITH e o futuro da banda. Abaixo podem ser conferidos alguns trechos da conversa:
"Hit Hard" é muito profunda e revela umas histórias bem pessoais. Você teve alguma restrição em contar sua história?
Kramer: "Na verdade, não. O meu compromisso com o livro foi fixado desde o início e parte do meu compromisso foi ser o mais honesto que eu poderia ser, porque eu decidi que queria estar a serviço das pessoas. Se as pessoas forem capazes de se identificar e se relacionar com o que escrevi, então consegui o que queria".
Por que acha que essa era a hora certa de escrever o livro?
Kramer: "Bem, simplesmente aconteceu de eu terminar nesse momento. Levei quatro anos para escrevê-lo. Mas essa foi uma hora oportuna, porque a banda estava excursionando e eu pude assinar alguns livros nas seções de autógrafos. Então funcionou muito bem".
Para quem o livro foi escrito?
Kramer: "Para todos que estiverem sofrendo ou lidando com alcoolismo, vício em drogas, depressão, ansiedade; se eles lerem sobre as coisas que eu passei na jornada da minha vida e isso ajudá-los, então essas são as pessoas que eu espero alcançar".
Até a turnê ser cancelada, você estava encontrando os fãs. Qual é a reação quando as pessoas te encontram pessoalmente?
Kramer: "O livro permitiu que as pessoas se relacionassem comigo em um nível diferente. Faz elas perceberem que não é preciso ser um astro do rock para se destruir. Nós todos estamos sujeitos a essas coisas na vida e se livrar das drogas é só metade da batalha. Tudo o que isso faz é abrir as portas para você trabalhar nos reais problemas da vida, porque realmente trata-se de uma jornada sem fim".
Você cortou muitas histórias?
Kramer: "Havia histórias que talvez não valessem a pena entrar no livro, então nós as cortamos. Quando transcrevemos o livro pela primeira vez, havia mais de mil páginas e o produto final possui menos de trezentas. Mas o que eu fiz foi manter o tópico que eu queria que as pessoas lessem, que é a confusão entre amor e mal-trato. É um assunto oportuno com o qual muitas pessoas se relacionam e podem identificar no livro".
Como os seus colegas de banda reagiram quando souberam que você estava escrevendo "Hit Hard"?
Kramer: "Eles apoiaram. Eles disseram: 'Contanto que tudo seja honesto, Joey, então haverá problema'. E tudo lá é tão honesto quanto o dia é longo. Eles todos estão bem orgulhosos do resultado final e todos eles leram".
"Hit Hard" é mais do que fofoca. Como você encontrou o equilíbrio entre querer contar a sua historia pessoal e a história da banda?
Kramer: "Acho que não há um equilíbrio. Ou você faz ou não faz. Encontrar um equilíbrio é como dizer 'Bom, eu vou escrever mais ou menos sobre isso, não de fato' e eu não sou esse tipo de pessoa. Ou eu faço tudo direito ou não faço. Então não tem nada a ver com equilíbrio, é a merda real".
O Aerosmith sobreviveu a todas as tendências musicais que existiram. Por qual motivo?
Kramer: "Porque a nossa mensagem não é sobre nada em particular. Não é política e não segue nenhuma tendência; é sobre os jovens, é sobre a vida, é sobre o que você faz, é sobre garotos e garotas juntos, homens e mulheres juntos e acho que Steven nunca recebeu o crédito que merece por ser um compositor tão inteligente. Isso é o que nós diferencia de várias outras bandas".
Considerando as lesões do Steven e o cancelamento da turnê, quando que vocês voltarão para a estrada?
Kramer: "Não faço idéia, cara. Tudo está no limbo agora".
Por quanto tempo você se vê fazendo shows e álbuns?
Kramer: "Indefinidamente. Eu não vejo nenhum fim. Tem muita energia nessa banda pra ela acabar".
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