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Chaos Synopsis: Cultuando a Demência

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Por Ben Ami Scopinho
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Música extrema da mais alta qualidade. Isso define muito bem o Chaos Synopsis. Paulista de São José dos Campos, o grupo começou suas atividades em 2005 e atualmente tem em sua formação Jairo (voz e baixo), JP (guitarra) e Vitor (bateria), trio que proporciona uma fusão de Thrash e Death Metal realmente impressionante.

Sua estréia, "Kvlt Ov Dementia", é tão matadora que eleva o grupo ao patamar de uma das gratas revelações para este ano. Nas linhas a seguir, o leitor saberá mais sobre o Chaos Synopsis através do próprio Jairo, que contou muitos detalhes sobre o álbum, que está chegando ao mercado via Free Mind Media.

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Whiplash!: Olá pessoal! O Chaos Synopsis está há pouco tempo atuando no cenário nacional. Que tal começarmos com uma breve história da banda?

Jairo: Olá pessoal do Whiplash! Iniciamos em 2005, onde fazíamos alguns shows e compúnhamos músicas que fariam parte da demo "Garden Of Forgotten Shadows" lançada em 2006. Este primeiro trabalho foi bem divulgado no Brasil, sendo lançado por vários selos undergrounds dentro e fora do país. Em 2007 participamos de várias coletâneas com a música "Behind The Mask"; já 2008 foi marcado pela quantidade e o porte dos shows realizados, pois chegamos a tocar ao lado de ícones como Dismember, Mayhem, Sinister, entre outros nomes do Metal mundial. Agora a banda está divulgando o seu primeiro álbum, realizando e agendando shows pelo Brasil e América do Sul.



Whiplash!: Até onde a saída do vocalista Daniel proporcionou mudanças na linha de atuação do Chaos Synopsis?

Jairo: O Daniel tinha um jeito peculiar de cantar, mais voltado ao Black Metal. Na época de sua saída o som já estava amadurecendo, estávamos deixando o som cada vez mais extremo em relação às primeiras composições. Como o meu vocal é mais voltado ao Death Metal, pude encaixar mais facilmente os vocais e acertar algumas coisas que não me deixavam feliz com a forma de cantar do Daniel. Essa troca aconteceu no momento certo para a banda.

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Whiplash!: Comparando sua primeira demo, "Garden Of Forgotten Shadows" (06), com o debut "Kvlt Ov Dementia", percebe-se o quanto a fusão de seu Thrash / Death amadureceu em tão pouco tempo, e creio que a faixa "Expired Faith" mostra isso de forma muito clara. Atualmente, como funciona a dinâmica da criação de suas composições?

Jairo: Normalmente algum integrante aparece com um riff no ensaio e, a partir dele, sentamos os três e ficamos brincando, testando coisas novas. Vamos tocando e normalmente o resto da música acaba fluindo no meio do ensaio mesmo. Após isso escrevemos a música no Guitar Pró, vemos a letra que mais se encaixa no som e eu vou esquematizando a forma de cantar.

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Jairo: A experiência do Vitor como guitarrista também ajuda, não só criando riffs, mas como no entendimento entre os integrantes na hora de compor, além de riffs surgidos a partir de grooves de bateria.

Whiplash!: Então, quem acabou gravando as guitarras de "Kvlt Ov Dementia" foi o próprio baterista Vitor. Afinal, o que aconteceu com seu guitarrista oficial?

Jairo: Na ocasião o Marloni (guitarrista) machucou o braço e, após a recuperação, demorou para voltar à sua velha forma. E como isso já tinha atrasado as gravações, decidimos que era a melhor coisa a se fazer. No final o Vitor não ficou devendo em nada, pelo contrário, já que é dono de uma pegada limpa, precisa e pesada na guitarra.

Whiplash!: "Kvlt Ov Dementia" mostra que não é tão mais necessário investir em uma produção fora do Brasil. Fábio Zperandio (Ophiolatry) extraiu uma sonoridade sem decorações e totalmente sintonizada com o que se espera de uma banda underground. Como foi a experiência em estúdio, e o que acharam do resultado?

Jairo: A experiência foi ótima, o Fabião é um grande amigo e passamos todos os finais de semana, durante três meses no estúdio, experimentando bastante cada som, timbre e formas de fazer tudo. Aprendemos muito durante esse tempo, e nos divertimos bastante também. Acredito que o clima entre nós, dentro (e fora) do estúdio, contribuiu para as músicas soarem de forma natural.

Whiplash!: Jairo, suas linhas de voz são muito fortes, marcantes mesmo. Quais são suas influências?

Jairo: Me inspiro muito na forma de cantar do Maurizio Iacono (Kataklysm), principalmente no álbum "The Prophecy (Stigmata Of The Immaculate)", acho as linhas vocais dele excepcionais. Outros dois que me inspiram muito são o Nergal (Behemoth), e o ATF Sinner (Hate), donos de uma voz potentíssima.

Whiplash!: Suas letras mostram que o homem caminha a passos largos para a destruição. Vocês acham mesmo que não há esperança de um futuro justo e pacífico para a humanidade?

Jairo: Acho que esse tipo de coisa, de justiça e paz, são utopias. Desde que ouvimos falar do mundo, é a lei da selva quem manda, sempre o forte comandando o mais fraco. Não devemos correr atrás da justiça, e sim aprender a viver o mundo como ele realmente é, caótico e sem tolerância, ao invés de sempre correr atrás dessa utopia. Aprender a gostar de tudo isso, talvez essa seja a paz real da coisa.

Jairo: Na verdade, nem acho que caminhamos para a destruição, a vida apenas continua como sempre foi. A diferença é que a mídia de hoje, e diferente de épocas antigas, nos mostra a real face do ser humano, e toda a devastação proveniente de sua natureza viral. Mas na real, eu acho lindo ver toda essa merda e saber que isso tudo é bem HUMANO.

Whiplash!: Aquele maltratado garoto da capa do disco será alguma espécie de ‘mascote’ do Chaos Synopsis? Ele até já foi batizado... Johnny Deadman, certo?

Jairo: O Johnny é praticamente o nosso Eddie. Nessa capa ele representa tudo que a religião faz à mente das pessoas desde pequenos, e o estupro que causam às suas vidas. A capa representa também algumas músicas do CD. "Blinding Chains": A corrente religiosa invisível que cega as pessoas (representada pelas correntes nos olhos do Johnny). "Sarcastic Devotion": A devoção sarcástica que as pessoas teem para com sua religião, mesmo sabendo o quão podre são estas instituições (representada pelo Johnny em si e seu ‘amigo’ padre). "LXXXVI": Fala sobre insanidade (representada pelo quarto acolchoado de manicômio em que os dois se encontram). "Spiritual Câncer": Sobre como a religião se torna um câncer, tomando cada vez mais malignamente a alma das pessoas (representada por todas as correntes agarrando e esmagando Johnny).

Whiplash!: "Garden Of Forgotten Shadows" atingiu os mercados da América Latina, Europa e Japão. Existem negociações para também exportar "Kvlt Ov Dementia"? E a agenda de shows?

Jairo: O "GoFS", mesmo sendo um material demo, conseguiu ter o seu espaço no mercado. Agora, com o "Kvlt Ov Dementia", prevemos, sim, o lançamento a nível mundial. Estamos fazendo algumas negociações pra fora do país, no Brasil o trabalho já está sendo muito bem feito em parceria com a Free Mind Records.

Jairo: E temos alguns shows marcados na região sudeste, centro-oeste e no Paraguai.

Whiplash!: Como você vê o cenário do Heavy Metal extremo hoje em dia no Brasil? O que poderia ser feito para contornar ou minimizar tantas dificuldades que as bandas encontram para mostrar sua música?

Jairo: Temos muitas bandas excelentes, mas cada uma acaba ficando apenas em sua região. Apesar de a internet facilitar bastante, o que é massa mesmo para divulgar são os shows. E é isso que fica difícil fazer no Brasil. Aqui é tudo muito longe e, para viajar, caro demais. Acho que falta conseguir fazer roteiros de shows, em que as bandas poderiam excursionar mais facilmente, assim como rola na Europa, pra assim poder divulgar melhor. Falta também um pouco de seriedade de alguns produtores, que continuam achando que underground pode ser feito de qualquer jeito.

Whiplash!: Ok, pessoal! Agradeço pela entrevista, desejando boa sorte ao Chaos Synopsis. Fiquem à vontade para adicionar alguma mensagem final ao leitor do Whiplash!...

Jairo: Eu que agradeço, Ben. Espero que o pessoal ouça e curta o nosso Culto à Demência e esperamos ver todos vocês em shows, que é o lugar onde realmente gostamos de estar, tocando nosso som e bebendo cerveja com novos amigos.

Contato:
http://www.myspace.com/chaossynopsisbr


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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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