Dynahead: Thrash Metal que abraça o Progressivo

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Por Ben Ami Scopinho
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Passaram-se aproximadamente quatro anos desde o início da formação do Dynahead até que o primeiro álbum visse a luz do dia... Descrever de maneira definitiva a proposta de "Antigen" é uma tarefa ingrata, mas, para o leitor ter uma idéia, é uma espécie de Thrash Metal que abraça o Progressivo, e de forma tão especial que a banda pode vir a ser a próxima grande revelação de nosso país.

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Caio Duarte (voz), Diogo Mafra (guitarra), Pablo Vilela (guitarra), Diego Teixeira (baixo) e Rafael Dantas (bateria) mostram o nível absurdo de maturidade musical que o Brasil vem apresentando nos últimos anos. Numa conversa franca, Caio falou sobre o Dynahead, planos e a situação da cena underground de nosso país.





Whiplash!: Olá! Caio, desde a demo "Unknown", de 2005, o Dynahead já mostrava uma sonoridade distinta do que o cenário nacional geralmente proporciona, o que me leva a perguntar como foi o seu primeiro contato com a música. Quais as bandas e artistas que primeiramente te chamaram a atenção e o influenciaram?

Caio Duarte: Olá Ben, obrigado pelo comentário! Tive o primeiro contato com a música muito novo, pois sempre fui rodeado de pessoas envolvidas com música brasileira. Me envolvi com o rock quando era garoto, época daquela transição dos anos 80 para os 90, da última onda Hard até os primeiros expoentes do grunge. Daí para o Metal mais tradicional foi um pulo, e depois que ouvi o "Chaos A.D." nada mais foi como era antes.

Whiplash!: Vamos falar sobre "Antigen". Sua gama de influências é considerável, mas vocês a torceram de forma a criar um estilo um tanto quanto pessoal, complexo e muitas vezes inusitado. Como foi o processo de construção destas composições? Tudo foi planejado e ensaiado antes, ou acontece de muita coisa surgir no momento da gravação?

Caio Duarte: Todos na banda são muito ecléticos e gostamos de valorizar isso. Quando compomos geralmente trabalhamos a partir da idéia básica de um integrante, e depois todos começam a jogar elementos na salada. Algumas músicas eram mais antigas e já estavam prontinhas, mas tiveram umas duas que gravamos sem nunca ter ensaiado inteiras, o que era um pouco assustador, pois não sabíamos tão bem como ia sair. Mas não tem jeito, na gravação sempre surgem milhares de idéias novas, e o que era uma música acaba virando outra... Tentamos manter a espontaneidade, não ter medo de inserir uma idéia que às vezes parece absurda, mas que no final fica muito legal.

Whiplash!: O título "Antigen" e a arte gráfica estão perfeitamente entrelaçados. Qual a idéia por trás deste nome de batismo?

Caio Duarte: Este título representa o antígeno, o antídoto contra a humanidade. Poderia ser uma vingança da natureza, como foi muito bem representada na capa pelo Gustavo Sazes, mas também pode ser interpretada de uma forma mais construtiva. Um exemplo é a música em si, uma arte que pode ser um remédio poderoso contra os males da arrogância humana. De certa forma, esse disco também é um tributo à música, que tem força o bastante para mudar vidas.

Whiplash!: A inspiração das letras de suas músicas veio de livros como em "Clockwork I", "Tactile Haven", entre outros. Afinal, existe algum conceito que ligue as letras do repertório de "Antigen"?

Caio Duarte: Na verdade não, mas certos temas são bem recorrentes ao longo do álbum. Temas como o homem vítima das próprias vaidades, a exploração dos indefesos, e também coisas mais positivas como na "Tactile Haven" e "The Starry Messenger", que trazem visões humanistas e esperançosas sobre a nossa condição. E, claro, as inspirações dos livros têm uma bela importância, tanto que nas letras existem algumas dicas de que elementos de cada livro foram utilizados para conduzir determinada idéia.

Whiplash!: O fato de você produzir o disco foi um passo natural. Mas como rolou a escolha do guitarrista James Murphy (Death, Obituary, Testament) para ser o responsável pela masterização de seu debut? Suponho que ele tenha apreciado sua música, não?

Caio Duarte: Caio Duarte: Produzir o disco da sua própria banda é bem diferente do que de outras pessoas, e eu senti que precisava da perspectiva de alguém de fora em algum ponto, para ter mais objetividade e não fazer besteira (risos). Enquanto pensava em alguém para opinar na mixagem e cuidar da masterização lembrei do James, que é um cara que tem um gosto musical bem parecido com o nosso. Ele elogiou muito a produção e as músicas, o que foi incrível, principalmente por que ele é acostumado a trabalhar com os melhores. E, naturalmente, o trabalho dele ficou excelente!

Whiplash!: Além de vocalista do Dynahead, você também é um produtor requisitado em sua região. Qual a importância de gravar e lançar álbuns nestes tempos em que a indústria musical vem passando por transformações tão profundas?

Caio Duarte: Gravar e lançar um disco hoje pode ser muito frustrante, pois é um processo longo e árduo para colocar um produto em um mercado que dificilmente vai dar a devida atenção ao seu trabalho. No entanto, é importante que as bandas brazucas não desistam e continuem investindo no que acreditam, pois a produção nacional de música, especialmente o Metal, precisa dessa revolução que está acontecendo. Hoje é possível fazer um grande disco totalmente sozinho, com recursos mínimos. Com isso, uma nova forma de pensar está surgindo, onde a prioridade são os músicos que tem talento, e não dinheiro. O mercado brasileiro precisa se adaptar a isso, e só com discos bons de artistas corajosos e inovadores que conseguiremos mudar a mentalidade das pessoas mais conservadoras.

Whiplash!: Muitos artistas vêem o futuro com certa insegurança. O público headbanger, que geralmente se acha tão conectado com sua música, vem deixando de comprar discos. Argumentos como 'CDs são caros!' ou 'os músicos devem ganhar seu dinheiro com os shows!' deixam de ter muito fundamento quando as bandas independentes vendem seus trabalhos por R$ 10,00 ou R$ 15,00... E o público praticamente não dá a devida atenção às apresentações das bandas iniciantes do Brasil. Uma zona! Caio, qual a solução que você vê para minimizar todo esse estrago?

Caio Duarte: É uma questão cultural, e a solução mais imediata para isto é que as pessoas deixem seus preconceitos de lado e voltem a apoiar e investir na cena nacional, como era há décadas atrás. Isso está acontecendo em alguns estados, em cenas de determinados gêneros, mas ainda é algo muito isolado e descoordenado. O pensamento retrógrado e mesquinho tinha que deixar de ser regra e virar exceção. Somos todos interdependentes, estamos ligados e precisamos apoiar uns aos outros para a coisa acontecer, a cena girar, criando condições para as bandas trabalharem, e para os fãs poderem usufruir de lançamentos e shows cada vez melhores.

Whiplash!: Quem vem prestando atenção aos lançamentos das bandas brasileiras percebe que nossa cena vem, há tempos, passando por uma fase muito especial. São muitos grupos, com propostas das mais diversificadas e com trabalhos que superam em muito os lançamentos gringos. O que falta para que nossos promotores e público comecem a ser menos subservientes ao que vem do exterior?

Caio Duarte: O Brasil tem uma das melhores cenas do mundo, só não sabe disso. A mídia condicionou o público a só reconhecer o trabalho de um punhadinho de bandas nacionais e a idolatrar o que vem de fora, mas no país temos dezenas de grupos com qualidade internacional, reconhecidos na gringa, mas ignorados aqui dentro. Para isso mudar, é só o pensamento do público e principalmente da mídia sair um pouco do lugar-comum. Só entrar no MySpace, pesquisar, correr atrás do trabalho de bandas brasileiras, que você vai ficar chocado com a qualidade do que é feito aqui, em todas as regiões e gêneros. Esse é o primeiro passo, e se transformamos isso numa tradição, o resto vai acontecendo por si só.

Whiplash!: Seu disco conquistou resenhas extremamente positivas em inúmeros veículos especializados do globo. Com isso, conseguiram alguma parceria concreta para a distribuição de "Antigen" em outros países?

Caio Duarte: A repercussão está sendo mesmo surpreendente! Estamos com nosso material sendo distribuído digitalmente nos principais portais lá fora (iTunes, Amazon e etc.) por um selo estadunidense, e com distribuição nacional de CDs pela Free Mind. Somos 100% independentes, mas essas parcerias são fundamentais para dar aquele empurrãozinho extra para nosso álbum, que já está com a primeira prensagem quase esgotada. O próximo passo é licenciar o disco lá fora, selos de vários países demonstraram interesse, mas devido à crise e ao fato de ser nosso primeiro álbum, as coisas ficam bem mais difíceis. Mas continuaremos tentando!


Whiplash!: Hoje, qual o maior desafio para uma banda que está lançando seu primeiro disco, mesmo que seja tão forte como "Antigen"?

Caio Duarte: Manter-se unida e acreditar em si, pois não é nada fácil. Gravar e lançar um disco é caro, trabalhoso e você precisa lidar com bastante desinteresse vindo de todos os lados. Nós ainda temos um agravante, pois o nosso som confunde algumas pessoas, especialmente no Brasil. Entretanto, aos poucos as portas vão se abrindo e às vezes você se depara com pessoas que realmente gostaram e entenderam sua música. Isso faz tudo valer a pena, e estamos muito empolgados e cheio de idéias para o próximo!

Whiplash!: Ok, Caio! Agradeço pela entrevista e seria ótimo vê-los tocando aqui pela região sul. O espaço é do Dynahead para alguma mensagem final aos leitores do Whiplash!...

Caio Duarte: Muito obrigado pelo espaço e pela entrevista! Estamos loucos para tocar por aí, vamos torcer para que surja a oportunidade o quanto antes... Para quem quiser conhecer nosso trabalho, ou já conhece e quer nosso álbum ou simplesmente entrar em contato, é só acessar o site - www.dynahead.com.br – onde tem todos os canais para encontrar a gente e nosso material. Muita força a todos!




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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