Scar For Life: As melodias modernas de Portugal

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Por Ben Ami Scopinho
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Vindo de Portugal, o Scar For Life foi formado em 2008, mas, mesmo com tão pouco tempo de estrada, já está liberando seu primeiro trabalho. Homônimo, suas composições são de um Heavy Metal com grandes melodias e bem moderno, conseguindo fugir das atuais sonoridades das bandas européias.

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Para conhecer um pouco mais sobre a banda, o Whiplash! conduziu uma entrevista com o idealizador do projeto, Alex S, e teve ainda a oportunidade de conhecer um pouco mais a fundo o atual cenário underground lusitano, que, como era de se esperar, apresenta algumas similaridades com o nosso Brasil.




Whiplash!: Olá Alex! O que acha de começarmos com você contando um pouco de sua história ao público brasileiro?

Alex S: Oi Ben, antes de mais, obrigado pelo contato. Sou o guitarrista e compositor do novo projeto Scar For Life. Sou de terras lusas e toco em bandas desde 1996, mas só agora é que tive a oportunidade de me debruçar a 100% num projeto muito pessoal.

Whiplash!: Como é a cena metálica de Portugal? Há espaço para as bandas tocarem, gravadoras dispostas a lançar seus discos, etc?

Alex S: O panorama em Portugal é mais ou menos como nos outros países, mas com a agravante de sermos um país pequeno e com poucos recursos. Há pouco investimento por parte das gravadoras, o que torna difícil uma promoção adequada para uma banda nacional expor-se no estrangeiro. Há bares onde as bandas vão tocar, mas quase sempre são mal pagas, e quando pagam, mal dá para pagar as bebidas no fim da atuação! É pena que assim seja porque o público português gosta de ouvir rock e metal, mas com a pouca ou quase nenhuma promoção e apoio às novas bandas, este entusiasmo acaba por dissipar-se.

Whiplash!: Há algumas similaridades com a atual cena brasileira...

Alex S: Mas nem tudo é tão negro. Posso dizer que em relação à promoção deste disco, tenho tido alguns apoios. Pensei criar o vídeo para o single "My Last Words" e entrei em contacto com diversas instituições / universidades que tinham o curso de vídeo. Tive a sorte de ter a UAL (Universidade Autônoma de Lisboa) interessada nesta idéia e conseguimos trabalhar em parceria. Expliquei o conceito da letra ao professor e coordenador do curso e foi então que os alunos fizeram vários roteiros que acabamos por juntar num só. O vídeo está neste momento em pós-produção, mas não tarda a passar nos canais televisivos nacionais (de Portugal) bem como na internet. Tenho ficado surpreendido com o resultado e só me resta agradecer a todos que participaram desta aventura.

Whiplash!: Aqui no Brasil, entre tantos problemas, uma das frustrações para as bandas é que boa parte do nosso público simplesmente não lhes dá o devido valor. O headbanger português também costuma subestimar os conjuntos de seu país?

Alex S: Bem, em Portugal o metal sempre foi um estilo ‘demasiado’ underground com a agravante de não se dar o devido valor aos músicos. O problema é que isso não só acontece na música, mas como em tudo em geral: artistas, investigadores, médicos, recém-licenciados, etc... Portugal não dá valor às pessoas que marcam a diferença e há uma tendência para desvalorizá-las. ‘Diferença’ é uma palavra que o português teme muito e é por isso continuamos a ser um povo muito ‘saudosista’ e incapaz de olhar para o futuro. O português gosta de jogar muito pelo seguro e em geral gosta de copiar o que já está feito. É por isso que muitos se cansam desta realidade e vão para o estrangeiro apostar no que querem fazer, e só depois é que são reconhecidos. Acho que quando estas pessoas saem de Portugal, já estão habituadas a lidar com estes problemas. Daí, quando vão para o estrangeiro facilmente se adaptam e rapidamente conseguem superar tudo, uma vez que há muitas portas que se abrem.

Alex S: Em relação à música, temos o exemplo do Moonspell. Quando começaram, em Portugal ninguém lhes deu valor, mas foi necessário deslocarem-se para a Alemanha, fazerem o que mais gostam e depois... Como se costuma dizer, é história! Dez anos depois, Portugal já os conhece. É triste, mas geralmente é assim...

Whiplash!: Ainda que com apenas um EP, o Redstains estava conseguindo alguma repercussão em sua região. Por que a decisão de encerrar esse projeto e dar início ao Scar For Life?

Alex S: Redstains foi uma idéia que nasceu entre mim e Bruno A. Somos amigos desde o tempo de escola, temos alguns gostos em comum e sempre quisemos ter uma banda fixa juntos. O problema é que estivemos por dois anos sempre com músicos diferentes, o que acabou por nos desgastar a nível psicológico. A falta de empenho, profissionalismo e a necessidade de protagonismo entre alguns elementos fizeram com que puséssemos um ponto final neste capítulo. Tanto eu como o Bruno A criamos cada um o seu projeto. Eu com Scar For Life e ele com o Vertigo Steps, porque para nós a música vem sempre primeiro. Já falamos em gravar um disco no futuro, mas por enquanto as prioridades são outras.


Alex S: Scar For Life foi um processo natural. Assim que Redstains acabou, rapidamente comecei a fazer o que mais gosto de fazer, que é compor... E foi o que fiz por dois meses. Compus 10 temas (nove acabaram por sair no álbum) e rapidamente arranjei elementos para gravar. Resumindo, em cinco meses, adiantei muito mais trabalho do que no Redstains, onde estive dois anos e que resultou em um EP com apenas cinco músicas.

Whiplash!: O Scar For Life está estreando com um trabalho auto-intitulado bastante moderno e emocional, relativamente distinto do que vem sendo apresentado pelas bandas européias atualmente. Como você definiria sua musicalidade, afinal?

Alex S: Isso é sempre complicado responder. A base é sem dúvida o Heavy Metal, mas como cresci a ouvir diversos estilos, é normal encontrar muitos subgêneros misturados que surgem inconscientemente. Para mim, a melodia é o ponto mais importante neste projeto, mas sempre aliado à espontaneidade e ao ‘groove’... As músicas teem de ter ‘atitude’, teem de ser marcantes e neste disco tentei exteriorizar tudo o que sentia naqueles meses. A guitarra acústica também tem um papel fundamental porque consigo transmitir melhor o que sinto em determinados momentos do que numa guitarra elétrica com efeitos.

Whiplash!: Além de a abrangência de estilos abordados em Scar For Life funcionar muito bem, também chama muito a atenção suas incríveis melodias vocais. Como se deu a escolha de Rez? E Dinho, participa como convidado ou também é um integrante fixo na banda?

Alex S: Quando estava a gravar as demos, coloquei um anúncio no Myspace e fui contatado por Rez logo de imediato. Experimentamos gravar uns temas e eu fiquei espantado. Considero-o um dos melhores vocalistas com que já trabalhei e sinto que neste primeiro disco ele ainda não consegue provar todo o seu potencial. Optei por colocar Dinho (ex-Redstains) nas partes mais agressivas porque sempre fui um grande apreciador do seu estilo. Ele irá entrar no segundo disco, mas não posso dizer que seja parte integrante da banda. Ele anda muito ocupado com o New Mecanica, mas sempre que houver concertos que não interfiram com o seu calendário, sei que poderei contar com ele.

Whiplash!: As canções e todo o projeto gráfico de "Scar For Life" estão disponíveis em www.scarforlife.com. Como está sendo a recepção do público?

Alex S: Tenho ficado espantado com a reação. Tanto o público como os críticos teem abraçado este projeto. Tenho recebido e-mails de toda a parte do globo e felizmente as reações têm sido muito positivas. Isto tudo é ótimo porque dá-nos forças para continuarmos a fazer aquilo que mais gostamos. Já agora, incentivo os leitores de Whiplash! a deixarem os seus comentários no ‘guestbook’ do site. Decidi colocar este primeiro álbum gratuitamente para dar a conhecer o nosso trabalho. Quem quiser pode doar algum dinheiro no site que servirá para qualquer tipo de investimento que se faça na banda. Estou neste momento a ponderar se iremos fazer 1000 cópias do disco para venda no site com o vídeo promocional e uma t-shirt com a capa do disco. Vamos ver...

Whiplash!: Fiquei sabendo que você já está preparando o material visando um segundo disco. Considerando a forma como você explora tantos dos subgêneros do Heavy Metal, como estão soando as novas composições?

Alex S: Está soando mais pesado e mais melódico! Acho que este primeiro disco foi ótimo para conhecer os músicos. Agora as composições estão mais direcionadas para os elementos da banda. Rez tem trabalhado muito a voz e tem conseguido exprimir-se de formas diferentes, mais agressivas ou calmas. Acho que vão gostar.

Alex S: Agora não sei quando irei gravar o segundo disco. Tudo depende. Se tivermos uma gravadora que aposte no Scar For Life, entrarei em estúdio ainda este ano.

Whiplash!: Alex, seja lá de qual nação seja, é notório as dificuldades que as bandas iniciantes enfrentam para liberar seus discos. Neste sentido, quais são suas expectativas quanto ao Scar For Life?

Alex S: Desde o momento que possa colocar a minha música cá fora, já me dou por satisfeito. Faço o possível e impossível para que Scar For Life chegue ao maior número de pessoas. Seria gratificante ter uma gravadora que apostasse em nós para gravarmos mais discos e que nos pusesse na estrada para concertos. Mas, por enquanto, vamos fazendo o que nos compete. Como se costuma dizer: expectativas: zero. Assim, qualquer coisa que advenha do nosso trabalho já é um bônus!

Whiplash!: As bandas portuguesas mais conhecidas aqui no Brasil são o Moonspell e, em menor grau, o lendário Tarântula. Há outros nomes em seu país que você pudesse indicar para o leitor do Whiplash?

Alex S: Há algumas bandas de metal em Portugal, mas aquelas que me despertam mais a atenção são: Vertigo Steps (de Bruno A), New Mecanica (de Dinho) e Oblique Rain.

Whiplash!: Realmente, tive a oportunidade de adquirir um CD do Vertigo Steps e gostei bastante! Bom, Alex, agradeço pela entrevista desejando boa sorte à carreira do Scar For Life. Fique à vontade para as considerações finais.

Alex S: Um grande abraço aos nossos irmãos! Aproveitem muito o sol, vão a www.scarforlife.com, baixem o disco, gravem num CD e metem-no no rádio do carro, ponham ALTO e vão para a praia ouvir Scar For Life! Espalhem a palavra!!! Muito obrigado pelo feedback e quem sabe no futuro... Uns concertos aí no Brasil...! Seria um sonho tornado realidade...




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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