Madame Saatan: rock paraense para exorcizar os demônios

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Por Fabricio Moura, Fonte: House Of Mafia
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Despontando da pouco conhecida cena rock paraense, o Madame Saatan parece ser uma daquelas boas surpresas que de tempo em tempo aparecem para sacudir o meio musical. A banda de Sammliz (voz), Edinho Guerreiro (guitarra) Ícaro Suzuki (baixo) e Ivan Vanzar (bateria) com poucos anos de formação esbanja profissionalismo e união.

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Fazendo um som único e sem rótulos, tem o heavy metal como base de uma mistura que mescla estilos como o punk, blues, e um tempero regional. Mas a banda segue uma fórmula exata e por isso não pode ser rotulada: "Fórmula pode ser escravidão e gostamos de acreditar que nós somos livres. Queremos estar à vontade para soar pesado, rápido e de repente até... minimalista." Dessa forma Sammiliz se afasta de possíveis rótulos.

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O Madame, se já me permite a intimidade, vem trazendo um som novo que será um sopro de ar fresco neste meio já saturado e dominado por modismos teen. E se me permitem a previsão, vem chumbo grosso por aí.

"Homens joguem suas armas ao chão; Barrem a entrada da escória capital; Mãos ao alto!; Pátria amada"
Sim. Eles são daqui e cantam em português. Um conjunto poderoso de voz, baixo, guitarra e bateria. Uma formação clássica e sem frescuras, como pede o manual da boa música.

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Sammliz pode se dizer tímida. Mas quando pisa no palco junto de seus companheiros de guerra exorciza todos os demônios. Se joga e sente a música. No palco a banda exerce um efeito hipnótico e sedutor. A voz forte e marcante da vocal emana energia que penetra nos poros dos presentes. Quando o show começa não há quem não se entregue a esta viagem que só acaba quando a banda sai do palco. Uma experiência que antes ficava restrita apenas ao norte do país, mas que agora será de todos.

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O Madame Saatan se prepara para alçar vôos mais longos. Eles estão de mudança para São Paulo. Vindo de alguns anos vitoriosos e com uma grande massa de fãs conquistados no norte do país. Colecionando admiradores e participações em festivais, o que chamou a atenção da imprensa de circulação nacional.

Desde 2003 a banda já se envolveu em muitos projetos, como a parceria com a Orquestra Mirim de Violoncelistas da Amazônia, em um projeto unindo o clássico com o metal executado no imponente Teatro da Paz em Belém.

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Como toda banda independente, o Madame já percorreu caminhos esburacados até conseguir lançar o primeiro trabalho. O álbum de estréia chegou no ano passado pelo circuito independente por um pool formado por meios independentes. Gravado em apenas sete dias, o trabalho traz em 10 faixas, temas que fazem um passeio da miséria ao amor. Do blues ao Heavy Metal. Da gloria a derrota.

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Bem vindo ao Madame Saatan e que fique para sempre!!!

ENTREVISTA COM SAMMLIZ DO MADAME SAATAN

Porque o nome Madame Saatan? Alguma ligação com o Madame Satan do cineasta americano Cecil deMille?

Sammliz: Sim, e também há a óbvia referência ao mítico malandro carioca que passou a usar o nome depois de ter assitido ao filme de Cecil. Resolvemos aproveitar essas referências porque fomos convidados para fazer e executar ao vivo a trilha sonora de um espetáculo baseado no Ubu Rei de Alfred Jarry, que é considerado o pai do teatro do absurdo.A banda surgiu dessa experiência e achamos que o nome ideal para acompanhar o espetáculo teria que ser no mínimo contraditório. A temporada acabou e nós que já havíamos nos acostumado ao singelo nome seguimos com ele.

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Quais são as influências diretas da banda?

Sammliz: Não vou citar nomes e sim estilos como: thrash, hard core, heavy metal, ritmos regionais, música brasileira, blues.

O que vocês tem ouvido atualmente?

Sammliz: Eu estou em uma fase black-soul por causa de um projeto que eu e Ícaro, nosso baixista, nos metemos a convite da Dançun se Rasgun Produciones e que uniu músicos de diferentes bandas para tocar as músicas da fase Racional do Tim Maia. Ainda estamos em temporada com o projeto intitulado, Irracional. Ivan sempre em suas pesquisas de ritmos locais já que dá aulas de bateria e o Edinho enlouquecido com fusion. Tá direto ouvindo Tribal Tech.

Vocês estão de mudança para São Paulo. Como encaram este desafio?

Sammliz: Mudanças são sempre bem vindas e sabíamos que chegaria o dia que teríamos que largar a barra da saia do nosso Estado muito querido. É difícil sair daqui para tocar em outros lugares, sai muito caro por causa da distância e como tivemos imenso trabalho para produzir nosso primeiro cd achamos que devíamos nos jogar no mundo pra trabalhá-lo melhor. Vamos em busca de oportunidades, a fim de tocar muito e com boas expectativas.

A banda se sente preparada para ganhar o reconhecimento nacional?

Sammliz: Não estamos saindo daqui com planos de dominação nacional.Estamos com um trabalho pronto e querendo mostrar isso a mais pessoas e querendo adquirir experiência e trocas musicais. Não pensamos em nada que não seja fazer música, tocar muito e, claro, aproveitar as oportunidades que forem aparecendo na tranquilidade.Estamos preparados pra dureza que é fazer a estrada do independente e que nem por isso deixa de ser uma bela aventura.

Sammliz, como você reage com a possibilidade de vir a se tornar a nova musa do rock nacional?

Sammliz: Não penso nisso sinceramente. Penso em possibilidades para nós e outras bandas em situação semelhante, penso em meios de poder viver só de música e todos esses sonhos loucos que perseguimos. Ter a possibilidade de vir a ser mais conhecida é legal, doidice minha seria não admitir isso, mas penso que seria muito melhor ter muitas musas e musos do rock nacional.Há muita gente talentosa que vejo arrebentando por aí.

Este primeiro álbum é marcado pelo metal poderoso, voz forte e uso de sons regionais. É esta a linha que o Madame Saatan pretende seguir nos próximos trabalhos? Ou não há uma fórmula?

Sammliz: Não tem fórmula porque fórmula pode ser escravidão e gostamos de acreditar que nós somos livres. Queremos estar a vontade para soar pesado, rápido e de repente até... minimalista. Quem sabe né?

Sammliz: Só sei que gostamos de soar pesados e de brincar com coisas novas, clichês e batucadas.

Hoje existe uma cena rock em Belém, o que para muitas pessoas é surpreendente. Como foi fazer metal em um estado que é conhecido por outros ritmos?

Sammliz: Mas aí é que tá. Belém é o berço do metal no Brasil praticamente já que a primeira banda de heavy metal foi parida aqui, que é o Stress. Aqui a cena metal é forte como acho que é em praticamente todo o país, mas além dessa cena tradicional, há aquela em que bandas que não obedecem um certo padrão atuam e com muita atenção por parte do público. Tem de tudo que é estilo e acho que sempre fomos bem servidos em matéria de rock no Pará.

Quais outras bandas de rock paraense merecem ser observadas com mais atenção?

Sammliz: Ihh... Aí vc me pega de jeito porque gosto de várias. Mas vou mencionar algumas e que aqueles que não forem citados que me perdoem.hehe

Sammliz: Delinquentes, que para mim é a melhor banda de hardcore desse país, Cravo Carbono, A Euterpia, La Pupunã,Filhos de Empregada, ION,Jonhy Rockstar, Suzana FLag, Norman Bates,Álibi de Orfeu, Telaviv,Retaliatory e muitas outras que estão na batalha tentando gravar seus cds.

O download de músicas hoje em dia é algo inevitável e impossível de ser impedido. O Madame Saatan incentiva isso. Como vocês chegaram a esta decisão?

Sammliz: A industria musical está em surto e é impossível frear os downloads. Bandas em nossa situação podem e devem recorrer a esse tipo de distribuição e isso não atrapalha, pelo contrário. Mais pessoas nos conhecem e mais convites pra shows rolam. Quando assistem, se gostam, acabam sempre levando o cd que vem todo bonitinho e com encarte e então todos saem felizes.

Sammliz no palco é explosiva. Sente a música e se joga nela. Quais são suas maiores paixões além da música?

Sammliz: Gatos, livros, cinema, tattoos,vinho bom, "meus meninos" companheiros de banda e muitas outras paixões. Tenho uma nova paixão por semana.

É verídica a história de que o Ivan além de baterista é o contador de piadas oficial da banda?

Sammliz: haha... Ivan é o contador de causos oficial sim, além de jogador de baralho, dominó, damas... Com ele nos sentimos em Las Vegas com direito a show de comédia.

Vocês tocaram com uma orquestra de violoncelistas. Como foi para vocês unir o clássico com o rock?

Sammliz: Foi maravilhosa a experiência porque foi com jovens violoncelistas e os moleques são feras mesmo. O maestro Àureo Freitas é um cara ousado e foi quem que deu a idéia. O arranjo que fizeram para Prometeu nos deixou emocionados e o mais surpreendente foi ter feito essa "jam" no palco do todo poderoso Teatro da Paz, onde nunca antes havia pisado uma banda de rock. Foi uma loucura o final com a molecada indo para frente bater cabeça e o público do teatro, normalmente blasé, gritando a plenos pulmões.Clássico e rock é uma grande dupla quando se encontram.

Você ensaiam com freqüência? Como é esta rotina?

Sammliz: Já ensaiamos tanto nesses 4 quase 5 anos de banda, mas tanto, que nesse momento até demos uma tranquilizada na rotina para poder cuidar dos detalhes da temporada em SP. Estamos trabalhando em coisas novas já que está todo mundo com a cabeça fervilhando de idéias.

Sammliz assina todas as letras. Caos, deterioração, miséria e amor são temas freqüentes nas composições. De onde vem a inspiração? Do dia a dia?

Sammliz: Do dia a dia, de coisas vividas, lidas, ouvidas e inventadas. A dualidade e as contradiçõs humanas de cada dia são sempre um prato apetitoso para se tirar lasquinhas.

Que mensagem você mandam para o publico aqui do Sudeste?

Sammliz: Meus queridos, nos recebam com carinho já que estamos saindo daqui cheios de amor pra dar. Prometemos distorção no talo, calor, diversão, total entrega e bombons de cupuaçu para quem nos der um sorriso de verdade. Até breve!

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