Hargos: englobando vários elementos do Heavy Metal

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Por Ben Ami Scopinho
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Natural de Minas Gerais e na ativa desde 2004, o Hargos é mais um dos inúmeros novos nomes que está debutando com todo o jeitão de veterano. Sua formação atual conta com Breno Lorenzo (voz), André Hasane (guitarra), Vinicius Ligano (baixo), Victor Munhoz (teclado) e Helder Nenem (bateria), que esbanjaram criatividade em "Shadows Of Violence", trabalho contemporâneo e que consegue fugir do lugar-comum em se tratando de Heavy Metal brasileiro.

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Produzido por ninguém menos que Stanley Soares (Motörhead, Sepultura) e Alan Wallace (Eminence), o álbum já possibilitou que o ‘Prêmio Mineiro de Música’, evento realizado pela Secretária de Cultura do Estado de Minas Gerais, indicasse o Hargos como a melhor banda na categoria Rock Pesado para a edição de 2007. Como se fosse pouco, seu contrato com a Die Hard Records possibilitou que... Bom, que tal o leitor partir direto para e entrevista?

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Whiplash!: Olá pessoal! Primeiramente gostaria de saber qual o significado do curioso nome ‘Hargos’. Ele soa muito bem...

Hargos: Valeu!!! O nome foi tirado originalmente de Argos Panoptes, que de acordo com a mitologia grega era um gigante que tinha cem olhos. Esse gigante dos 100 olhos tem tudo a ver com a banda, pois nossos olhos estão atentos o tempo todo aos "acontecimentos" do mercado fonográfico, às diversidades musicais e novidades. Seria como as várias influências que a banda apresenta em sua música, sejam nas melodias ou nas variações de andamento. A letra H veio da harpa, e é um símbolo de encanto, e queremos encantar a todos com nossa música.

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Whiplash!: O início das atividades do Hargos foi marcado por várias e merecidas conquistas, mesmo sem nenhuma demo ou álbum em mãos. Como foi este período?

Hargos: Foi um período muito bom. Fomos conquistando as pessoas que começaram a escutar as primeiras composições da banda. Lembro-me quando, em nossos ensaios, sempre aparecia uma turma de fãs e ficavam assistindo e batendo cabeça. Era muito louco. E sempre focamos desde o início em fazer boas músicas e boas letras, e gravá-las assim que fosse possível com um bom produtor.

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Whiplash!: "Shadows Of Violence" causa ótima impressão. Sua sonoridade, mesmo tendo como base o Thrash Metal, é bastante atualizada, diversificada e consegue se distinguir do que é apresentado por aí. Como vocês descreveriam sua arte?

Hargos: Cada membro tem sua influência e estilo específico que mais gosta. Temos influências do thrash, do rock progressivo, do heavy clássico e de bandas mais novas também. Não acho que temos um estilo definido, tocamos Metal. Ponto. Acho que por isso conseguimos fazer músicas tão diferentes do que se tem no mercado, que por vezes apresenta um grande número de trabalhos bem similares. Nós também escutamos vários estilos, temos uma cabeça mais aberta para a música, sem medo de tentar experimentar outros elementos. Acho que conseguimos fazer isso neste disco, e no próximo tentaremos ir além.

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Whiplash!: E como funciona o processo criativo e de composição do Hargos?

Hargos: Tudo foi e é composto pela banda de forma natural. Encontramos, e começamos a ter idéias. Às vezes um está brincando com seu instrumento, e outro já enxerga ali um pedaço de uma música, e aí começamos a trabalhar naquele instante. Todos são músicos. O batera inventa alguns riffs de guitarra, o baixista dá uns toques de como o vocal deveria ser naquela parte, o vocal fala com o tecladista sobre determinada parte da música. Enfim, todos se ajudam na hora de compor. E essa filosofia de trabalho continuará no próximo disco.

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Whiplash!: Vocês investiram pesado na produção de seu debut, com o trabalho de Alan Wallace e Stanley Soares tendo ficado irretocável. Como foi trabalhar com este pessoal? O quanto eles influenciaram no resultado final das canções?

Hargos: Poxa, foi uma honra trabalhar com todos eles. Stanley realmente é um dos melhores engenheiros de som e produtores de Metal do mundo. Alan Wallace tem uma boa experiência em gravações de sua banda. Stanley é bem tranqüilo, tirou o máximo de cada músico na hora de apertar o REC, e na mixagem fez um trabalho magnífico. Não é à toa que trabalha com o Sepultura e com o Motörhead. O processo foi longo e trabalhoso, pois fixamos dois meses na pré-produção, ensaiando com o click, para que a banda soasse bem fincada quando gravasse o disco. O que demorou, foi que Stanley tem uma agenda bem extensa, e tivemos que parar as gravações algumas vezes para que ele pudesse viajar com o Sepultura. Mas taí o resultado. Estamos muito felizes com a sonoridade que o disco possui.

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Whiplash!: Alguns convidados que participam do CD chamam a atenção. Quais os critérios para se contatar Marcus Viana e Isabela Santos?

Hargos: Queríamos alguém tocando violino elétrico, principalmente na música "Baghdad". E ninguém mais perfeito do que um dos maiores músicos do Brasil, e um grande violinista. Somos fãs das bandas em que Marcus Viana toca, tanto o Seacula Seaculurum quanto o Sagrado Coração da Terra. Temos tudo deles. E juntar nosso ídolo em nosso disco foi um momento mágico. Quando compomos "Silent Angel", sempre tínhamos a idéia da participação de uma voz feminina junto com o Breno. Fizemos alguns testes com várias vocalistas, e quando Isabela chegou ao estúdio, pegou as linhas vocais da música e mandou ver, ela simplesmente detonou. Ela tem uma voz maravilhosa, e ficou muito legal esse dueto.

Whiplash!: Sim. Com certeza "Silent Angel" é um dos destaques do disco. "Shadows Of Violence" tem Minas Gerais como tema em quatro faixas. O que, especificamente, estas canções abordam?

Hargos: No disco temos quatro músicas que resgatam a história mineira. Numa trilogia falamos de Belo Horizonte: "The Beggining" é sobre o surgimento de nossa cidade, como BH nasceu; "In Metal Town (Wake Up The Mountains)" é sobre um cara que sai de casa para ir a um show de metal na cidade, e ele vai passando pelos principais pontos marcantes de BH. Quem saca de inglês e mora aqui se imagina indo a esse show ao escutar a música; e em "Chaotic City" imaginamos BH daqui a 100 anos, destacando a preocupação com a situação que a cidade deverá estar em relação ao caos da violência, da insegurança em que vivemos. E "Hero Betrayed" é uma homenagem ao nosso herói da Inconfidência Mineira, Tiradentes. Um verdadeiro lutador pelos nossos ideais de liberdade.

Whiplash!: Vocês conseguiram o que todas as bandas ambicionam: uma empresa atuante (Die Hard Records) para distribuir seus discos pelo Brasil. E o mercado externo, houve algumas propostas que resultaram em algo frutífero neste sentido?

Hargos: Sim, nosso disco está rodando por vários países da América Latina, como Argentina, México, Colômbia, Chile, Costa Rica, etc, e acabamos de assinar com a gravadora alemã Musicbuymail, onde o disco será distribuído na Europa de forma digital. Isso é uma novidade em primeira mão, onde a Die Hard fechou esse contrato. Estamos bem felizes, porque hoje no mundo todo as pessoas fazem downloads de discos e DVDs. E lá fora ainda se tem a consciência do público em comprar as músicas via net. Então acreditamos que isso irá aumentar a repercussão do disco ao redor do mundo.

Whiplash!: Mas isso é ótimo! Bom, já faz algum tempo que "Shadows Of Violence" foi liberado. Há algo preparado para o segundo álbum? Poderiam adiantar algo a respeito?

Hargos: Sim, já estamos compondo material para o novo disco. Haverá algumas mudanças, mas com certeza queremos fazer um disco melhor do que "Shadows Of Violence". Iremos repetir algumas pessoas que participaram da produção do primeiro disco. A intenção é gravar o disco no segundo semestre e lançá-lo no começo de 2009.

Whiplash!: Pessoal, agradeço pela entrevista e fico na expectativa (mesmo!) do segundo álbum. O espaço é de vocês para a mensagem final:

Hargos: Cara, muito obrigado pela oportunidade. Espero que todos gostem do disco, quem não conhece, procure escutá-lo. Escutem nosso trabalho no www.myspace.com/hargosband, entrem em nossa comunidade no Orkut e visitem nosso site www.hargos.net

Hargos: ABRAÇOS, E WELCOME TO THE STRONGEST METAL SOUND!

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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