Helloween: uma banda atual que pensa no futuro
Por Carlos Rafael Braun
Fonte: Blabbermouth
Postado em 11 de abril de 2008
Justin Donnely, da revista australiana Metal Forge, recentemente entrevistou o guitarrista do HELLOWEEN, Michael Weikath, que deixou clara a intenção da banda de não ficar presa ao passado.
Sobre o novo álbum, "Gambling With The Devil":
"A direção que tomamos em 'Gambling With The Devil' representa um passo bem diferente para nós. Quando você observa o 'Keeper Of The Seven Keys - The Legacy', ele é, essencialmente, um álbum compatível com nosso passado. Tudo, desde o título até a música em si, estava ligado ao nosso passado, mas também mostrava nosso direcionamente a um som mais moderno. O disco foi realmente uma ligação entre o nosso passado para onde estamos no presente. 'Keeper Of The Seven Keys - The Legacy' foi um trabalho duro e muito intenso para nós, mas foi bastante gratificante. Estamos muito felizes com o álbum. Mas depois de fazer um disco como esse e fazer uma turnê pelo mundo inteiro para divulgá-lo, decidimos fazer algo diferente".
"'Gambling With The Devil' representa a gente dizendo: 'Ok, vocês viram a banda fazer algo como o 'Keeper Of The Seven Keys - The Legacy' onde tínhamos um novo baterista e um jovem guitarrista novo. Agora, veja o que esta formação pode propiciar!'. Antes de entrarmos em estúdio, já tínhamos o título do álbum pronto. Isso nos deu uma direção na composição das música e algo para considerar na hora de compor. Diferentemente de 'Keeper Of The Seven Keys - The Legacy', trabalhar com o tema 'Gambling With The Devil' nos deu mais liberdade, e eu acho que isso transparece o tempo todo. Esse álbum é bem diferente de 'Keeper Of The Seven Keys - The Legacy'. 'Gambling With The Devil' é um álbum moderno para o HELLOWEEN. Não tem nada a ver com 'Keeper Of The Seven Keys - The Legacy', ou qualquer outro. Esse álbum é como o HELLOWEEN soa em 2007. Estamos felizes com o resultado, e, até agora, não há o que reclamar (risos)!"
Sobre o processo de composição e gravação de "Gambling With The Devil":
"Foi um processo rápido. Tínhamos uma meta a cumprir. A gravadora disse que queria um 'tiro curto'. Eu chamo de 'tiro curto' porque a composição e gravação desse álbum foram realizadas em um curto espaço de tempo. Não foi curtíssimo, mas tudo foi feito 'vapt-vupt'. Nossa gravadora (SPV Records) disse ao nosso empresário que havia sido estabelecida uma atmosfera com o lançamento de 'Keeper Of The Seven Keys - The Legacy', e eles queriam aproveitar o momento, especialmente depois do sucesso da última turnê. Eles deixaram bem claro que se quiséssemos vender bem, teríamos que aproveitar aquele instante. Então nossos empresários concordaram com a idéia de gravar um disco para aproveitar o momento. Se o plano desse certo, significava que poderíamos fazer outras coisas a nosso favor no futuro".
"Quando explicam as coisas para você dessa maneira, você se dá conta que existem várias outras pessoas trabalhando para o desenvolvimento da sua carreira. Eles lhe passam a sensação de que querem fazer algo realmente bom para você. Qualquer um na banda poderia ter reclamado e pedido mais alguns meses de folga, ou dizer que não seria possível com o que planejavam. Isso seria tolice. Ao invés disso, todos concordamos em seguir o conselho deles e, imediatamente, entramos em processo de composição, ao invés de ficar descansando em casa".
Sobre "Gambling With The Devil" trazer de volta a agressividade e o peso, que deixaram o álbum "The Dark Ride", de 2000, tão peculiar às características básicas do HELLOWEEN:
"O peso de 'Gambling With The Devil' é algo que levamos em conta enquanto o produziamos. Mas, como disso antes, não há nada do velho HELLOWEEN nesse disco. Temos o guitarrista Sascha Gerstner que quer fazer a banda evoluir, junto com Dani Löble na bateria, que quer provar que é um baterista da classe mais alta e quer mostar ao mundo o jeito que ele toca bateria. Temos também Andi Deris, que quer escrever canções mais modernas, para agradar a seu filho. Então, tem a mim na outra guitarra, e eu também não quero parecer velho. Então, tem o Markus Grosskopf, que é um mestre do baixo. Como conjunto, não queremos ser uma banda primitiva de metal que tenta agradar o vovô na metade final de sua carreira. Você pode se enterrar se você não evolui. Não queremos que isso aconteca. Mas você não pode forçar as mudanças. Tem que acontecer naturalmente. As vezes, tudo que você precisa é de um jovem guitarrista. É mais fácil da desgraça acontecer com dois guitarristas vovôs como eu na banda (risos)!. Sou o último a sair do estúdio, para tentar criar algo que se compare às contribuições dos outros membros da banda, e isso ajuda na evolução da nossa música. Eu não quero ser alguém que diz: 'Quando éramos jovens, a gente tocava pra caralho!'. É por isso que o HELLOWEEN muda a cada álbum. Queremos ser uma banda do hoje, e também do amanhã."
Leia a entrevista na íntegra (em inglês) no themetalforge.com.
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