W.A.S.P.: "downloads ilegais acabarão com a música"
Por Luis Pavão
Fonte: Metal Express Radio
Postado em 22 de março de 2008
Torgeir P. Krokfjord, da rádio Metal Express norueguesa, recentemente conduziu uma longa entrevista com Blackie Lawless, do W.A.S.P., que falou sobre diversos assuntos, incluindo a questão dos direitos autorais e o futuro da música.
O que o motiva:
"Existem duas coisas que me motivam hoje em dia, a vontade de criar a melhor música possível, e a vontade de entregar o meu melhor nos palcos. Pessoas tentam me convencer a fazer essas coisas ridículas como falar coisas que eu não quero dizer, estar em lugares que eu não quero estar, fazer entrevistas que eu não quero fazer. Minha resposta para tudo isso é que eu realmente não ligo pra essa merda; Eu não ligo se fazer isso ou aquilo vai me fazer ganhar dinheiro, você sabe."
Sobre o papel da imprensa no mercado musical hoje em dia:
"A imprensa se transformou num tablóide, tão desesperadamente obcecada com merdas. Como conseqüência disso, hoje eu realizo 2-300 entrevistas por ano, diferentemente das 5-600 que eu costumava a realizar. Eu não preciso de maneira alguma me transformar numa piranha da imprensa. Se minha música não fala por mim hoje, depois de 25 anos no mercado, então não há muito que eu possa fazer. Se as pessoas não conseguem se empolgar ouvindo 'The Crimson Idol' ou 'The Headless Children' sem ter que ver minha cara numa revista, então toda a esperança está perdida".
Sobre tocar ao vivo:
"Tocar ao vivo é trabalho duro, assim como gravar um álbum é trabalho duro. Independentemente se a platéia reage diferentemente de música para música isso não importa para mim, meu objetivo é fazer cada segundo no palco tão extraordinário quanto o segundo anterior e o segundo seguinte. Se as pessoas gostam mais de uma música do que de outras, então isso significa que não fizemos bem o suficiente no geral. Mas, eu não vejo ou ouço muito a platéia de qualquer modo. Quando fazemos shows, tudo fica como em câmera lenta, e eu realmente não consigo absorver impressões visuais ou sonoras. Eu sei que as pessoas estão lá, mas eu não consigo ouvir ou vê-las. Por isso eu não me identifico com os artistas que clamam sobre o tesão e pressão de estar no palco. Eu vejo isso como meu emprego, e é isso que é. Mas, eu não tenho do que reclamar. Essas são as cartas que me deram, como eles dizem, e para ser honesto, realmente não são cartas ruins".
Sobre direitos autorais e o futuro da música:
"O que as pessoas não percebem é que existe uma, e apenas uma, razão pela qual nunca mais teremos bandas do porte do AC/DC ou PINK FLOYD. Essas foram bandas as quais foram permitidas tentar e falhar, crescer, seguir seu próprio jeito e se desenvolver sem gravadoras ou outras fatores de pressão. Você acha que o AC/DC seria capaz de fazer um álbum como 'Highway To Hell' se eles não pudessem fazer as coisas de seu próprio jeito? Eu acho que não. A música precisa de suporte, bandas precisam de suporte, e roubar um trabalho de um artista nunca foi conhecido como 'apoiar'. Downloads ilegais não ajudam os artistas; download ilegal é uma das maiores razões pela qual passou o auge da música popular. A maioria das bandas não consegue tocar, elas não conseguem escrever músicas decentes, e serão esquecidas antes dessa entrevista acabar; e a razão para isso é exatamente o que eu falei agora. Não foi oferecido a elas a oportunidade de tentar e falhar, levar o tempo para aprender seu caminho, e os downloads ilegais são a maior razão disso".
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