Anneke Van Giersbergen: "Existem similaridades com a música do The Gathering!"

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Por Rodrigo Simas, Fonte: Agua de Annique
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Sempre muita atenciosa e carismática, a ex-vocalista do The Gathering, Anneke Van Giersbergen, contou um pouco dos seus planos para o futuro, sua nova carreira solo (com o projeto Agua de Annique) e suas impressões do último e único show no Brasil, em São Paulo. Anneke pareceu muito confiante, feliz e pronta para superar os desafios que estão por vir. O primeiro CD do Agua de Annique, AIR, já saiu no Brasil pela Overload Records.

WHIPLASH: Agua de Annique é uma nova banda ou sua carreira solo com nome de banda?

Anneke: A última.

WHIPLASH: AIR é diferente dos seus CDs com o The Gathering, mas ao mesmo tempo ele poderia ser uma perfeita evolução para Home (ultimo disco de estúdio lançado pelo The Gathering). Você acha que AIR segue esse caminho?

Anneke: Talvez... com certeza existem similaridades com a música do The Gathering. Eu trouxe meu estilo de voz e também acho que a música carrega o mesmo clima romântico e sombrio. Com certeza nós compartilhamos do mesmo gênero musical.

WHIPLASH: Eu pessoalmente achei que você viria com um estilo completamente diferente do que nós estávamos acostumados, já que você começou cantando Jazz, Blues e Folk. Mas, apesar de AIR ter 100% da sua personalidade, ele não consegue escapar para muitos estilos musicais. Você ainda tem essa influência de outros gêneros e acha que eles podem ser sentidos em sua música?

Anneke: Bem... essa música é exatamente o que saiu da minha cabeça e do meu coração. Eu nunca penso sobre um estilo. Mesmo com o The Gathering eu sempre usei meu próprio estilo de voz e letra nas músicas. É por isso que você sente as similaridades tão bem. Mas com esse som eu posso ser 100% eu mesma e eu nunca penso duas vezes sobre uma letra ou melodia. Assim como era no The Gathering, claro. Mas lá eram 5 pessoas escrevendo música e elas acabavam se tornando mais ricas e elaboradas. Como cantora eu era apenas a voz dessas 5 pessoas. O que era um grande trabalho por sinal! Mas agora chegou a hora de ter um som mais direto, uma forma mais direta de se aproximar do público... e até um som mais feminino.

WHIPLASH: O conceito visual de AIR e do site é todo sobre a aeromoça. A dualidade da vida que ela representa e que é em parte explicada no encarte pode ser sentida nas letras também. O que você pode dizer sobre isso?

Anneke: Sim! Eu amo a aeromoça! Sou fascinada por ela desde que comecei a viajar de avião. Eu a amo porque ela é uma luz em dias tristes e sempre conforta a gente com bebidas e um sorriso. Além disso, ela sempre parece perfeita no sentido clássico da palavra. Mas mesmo as aeromoças são pessoas e têm lados negros também, como você e eu. E eu quis mostrar com esse conceito e fotos que nós devemos abraçar nosso lado bom e ruim igualmente... porque é da natureza humana... mantém a gente em equilíbrio... ao invés de... por exemplo o que fazemos aqui em alguns lugares da Europa, onde ensinamos nossas crianças a não chorar ou não mostrar seu lado infantil. Isso sim é infantil.

WHIPLASH: É fácil para você expressar todos os seus mais íntimos sentimentos nas letras? Você sente algum tipo de liberdade depois de conseguir tirar tudo isso da sua cabeça?

Anneke: Sim, eu gosto de jogar pra fora meus sentimentos pela música porque posso fazê-la para libertar minha mente e meu coração de emoções, sentimentos e pensamentos. Além disso, consigo me conectar com outras pessoas que gostam dessas músicas e sentem as mesmas coisas que eu. Isso é o que torna a música e a arte uma força muito poderosa.

WHIPLASH: A música "You Are Nice" é a única com um riff pesado de guitarra e ela funciona muito bem no meio de faixas mais calmas. Já era planejado ter uma composição mais pesada no álbum para seus fãs que gostam do seu lado mais rock? Você mesmo a compôs?

Anneke: Sim, eu mesmo escrevi a música. Eu adoro que ela seja pesada e direta também. Até as letras são bem claras e diretas. Ela tem uma energia que funciona muito bem ao vivo. Eu gostei como ela se encaixou no disco e já estou trabalhando em mais músicas pesadas porque eu senti que elas me passam muita energia no palco e as pessoas realmente gostam delas.

WHIPLASH: Como foi o processo de gravação já que agora você é a líder de um projeto? O que mudou já que você é a quem dita as regras agora?

Anneke: É realmente um processo bem diferente. As músicas estavam todas prontas e com 90% dos arranjos decididos quando eu mostrei pros músicos. Nós finalizamos tudo realmente rápido em estúdio porque eu já tinha uma idéia muito clara do som e da atmosfera que eu queria. Eles adicionaram uma nova pegada nas partes instrumentais simplesmente porque são melhores instrumentistas do que eu... então eles realmente melhoraram um pouco as músicas. Mas não houve discussão sobre as idéias em geral.

WHIPLASH: Os shows para promover Air já começaram. O que os fãs e o público em geral podem esperar e como está sendo a reação até agora?

Anneke: Sim, estamos tocando bastante aqui na Holanda e está indo super bem. O público está reagindo positivamente e estamos com um show bem legal de som e luzes.

WHIPLASH: O que você lembra do show de São Paulo? Tem algum plano pra vir novamente para a América do Sul promovendo o Air?

Anneke: Eu tenho grandes memórias daquele show. Nós tocamos em uma casa bem grande e o público foi fantástico... fomos mimados com tanto calor e entusiasmo. Eu realmente espero poder voltar e tocar novamente para os fãs brasileiros. Logicamente eu tenho antes que fortalecer meu nome novamente e trabalhar duro para merecer seu apoio e entusiasmo.

WHIPLASH: O que você pensa sobre o futuro da música e os downloads ilegais? O que você achou da estratégia de vendas do Radiohead para o novo "In Rainbows" (o Radiohead vendeu o novo CD pelo seu site oficial de maneira que o fã poderia pagar o valor que quisesse para fazer o download, até mesmo não pagando nada)?

Anneke: Eu acho que os tempos estão mudando e nossa perspectiva também tem que mudar. Eu acho que a mudança é boa, mas todos temos que pensar como fazer e receber nossa parte nessa nova estrutura. Os músicos têm que aprender e descobrir novas maneiras de se conectar com o público e esse público tem que aprender a comprar CDs nas lojas ou baixar músicas de forma honesta. Se todos continuarem baixando música sem pagar... é lógico que cada vez vamos ter menos e menos música por aí. Mas acho que podemos dar a volta por cima e achar novos caminhos. Eu gosto do conceito do Radiohead. É bom nos encontrarmos no meio do caminho, entre o que é bom para o artista e para o público.

Por Rodrigo Simas
Por Rodrigo Simas

WHIPLASH: Na música "Yalin" você diz que tem 34 anos e está apenas começando a entender sobre o que é tudo isso. É uma letra bem forte, ainda mais cantada de forma tão verdadeira... dificilmente alguém não vai acreditar em você. Já que você começou a entender, pode nos dar uma pista?

Anneke: Obrigado! Eu acho que estamos aprendendo sobre nós todos os dias das nossas vidas. E vou cantar essa música ajustando a idade, então quando tiver 50 anos, vou cantar "50 and I am only beginning to understand what this is all about" (50 e apenas começando a entender sobre o que é tudo isso). Nos sentirmos incertos sobre nós mesmos é bastante natural. É importante trabalhar com esse sentimento e abraçar nossas qualidades. Isso nos torna completos.

WHIPLASH: O que você pode nos dizer sobre o DVD "A Noise Severe" (novo DVD do The Gathering, gravado na última turnê da banda com Anneke nos vocais)? Você participou da produção ou somente fez o show?

Anneke: Fiz somente o show. O The Gathering cuidou da produção. Eu tenho que dizer que estou orgulhosa do resultado... da imagem, do som... acho que todos deveriam assistir.

WHIPLASH: Anneke, obrigado pela entrevista... pode deixar um recado para os fãs brasileiros.

Anneke: Eu realmente espero voltar para seu lindo Brasil. Tenho muita vontade de voltar aí e para outros países na América do Sul. Eu amo sua cultura, suas pessoas e sua comida. Espero que vocês me ajudem a voltar.



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Sobre Rodrigo Simas

Designer, carioca e tricolor. Começou a ouvir música aos 11 anos, com Iron Maiden, Metallica e Rush. Tem como hobby quase profissional, a música. Além de produzir shows e eventos, trabalhou por 5 anos em loja especializada em Heavy Metal, e já escreveu para alguns sites e revistas de música. Hoje escuta de tudo um pouco, e cada vez mais descobre que existem apenas dois tipos de música: a boa e a ruim, independente do estilo. Bandas e artistas favoritos: Dave Matthews Band, Peter Gabriel, Rush, Iron Maiden, Led Zeppelin, Ben Harper, Radiohead, System of a Down... e a lista continua...

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