Carcass: Jeff Walker abre o jogo sobre a reunião

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Por Marco Néo, Fonte: Brave Words, Tradução
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Sem maiores formalidades, a revista BW&BK traz uma entrevista com Jeff Walker, vocalista e baixista do CARCASS, realizada por Dom Lawson. "Divirta-se..."

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Depois que Ken Owen (baterista) ficou doente, parecia improvável que o CARCASS voltasse. Como Ken se sente sobre essa situação, agora que vocês decidiram reunir a banda para shows em 2008?

Jeff Walker: "Não é estranho, mas ele está tão 'laissez faire' [Nota do editor: conforme o Wikipedia, expressão em francês que significa "deixar passar"] sobre a coisa toda. Se eu estivesse na posição dele, provavelmente estaria muito chateado, mas ele é um cara muito amigável. Ele só não está nos empurrando para fazer isso. Basicamente eu tive que ligar pra ele há algumas semanas para dizer que iríamos tocar no Wacken no próximo verão (do hemisfério Norte), e ele disse 'Ótimo! Vão em frente!' Fizemos uma entrevista quando Michael Amott (ARCH ENEMY) estava conosco, para o relançamento do 'Heartwork', e acabou que eu era a única pessoa na sala dizendo não".

Por que você era contra a idéia?

Jeff Walker: "Eu simplesmente tinha perdido a esperança de que algum dia isso acontecesse. Eu estive aberto para a idéia pelos últimos anos. Eu sempre senti que se o Ken não pudesse participar, não havia jeito de nós nos reunirmos de forma viável, mas começaram a nos oferecer quantias estúpidas de dinheiro, então acabou que nós pudemos nos reunir e dar a Ken uma parte do dinheiro. Então é por uma boa causa e há uma justificativa mais moral para que nós façamos isso, pra ser honesto. Podemos ganhar uma quantia enorme de dinheiro e ainda ajudar o Ken. Nós nunca realmente fizemos nada por ele na época em que ficou doente. Não fizemos shows beneficentes ou o ajudamos financeiramente".

Como você se sente com Daniel Erlandsson na banda em vez de Ken?

Jeff Walker: "Bill tinha ido para a Suécia e estava ensaiando com Mike, e o Daniel mora a uma hora do local de ensaios, então foi conveniente. Eu vou ser brutalmente honesto - ficou entalado na minha garganta um pouco, a idéia de ter dois caras do ARCH ENEMY envolvidos, mas eu tive que abrir mão. Havia outros bateristas interessados em participar, mas os outros já estavam tão avançados nos ensaios que seria ridículo chegar e começar a fazer exigências. No final das contas, Daniel é um ótimo baterista e ele arrebenta. Tudo é executado perfeitamente. Ele está aprendendo as partes do Ken e vai a partir daí".

Vocês sempre foram uma banda que teve muita integridade, como esta reunião se encaixa com seus ideais da juventude?

Jeff Walker: "Bom, essa é a outra razão pela qual eu nunca quis fazer isso. Todas as bandas que eu adoro nunca fizeram uma reunião, e quando fizeram foi terrível. O problema é, eu venho tocando e viajando durante os últimos anos e, em todo lugar que eu vou, as pessoas ficam insistindo para que eu volte com o CARCASS. Chegou a um ponto em que eu percebi que era a única pessoa colocando obstáculos para que isso acontecesse. O Bill também sentiu parte disso. No final, nós tivemos que nos curvar à exigência popular. É somente a porra da música, não é? Nós é que estávamos sendo preciosistas sobre isso, e o público tem um entusiasmo genuíno de ouvir o nosso material sendo tocado ao vivo. Qualquer coisa que eu sinta que possa tirar a credibilidade do negócio, como o Ken não tocar conosco: a maioria das pessoas não está nem aí! É por isso que o David Coverdale consegue continuar com o WHITESNAKE com músicos contratados, sabe?"

Por que você acha que o CARCASS ainda é considerado uma banda tão importante?

Jeff Walker: "Eu tenho tentado imaginar o motivo de tanto interesse. Será que é porque as pessoas estão de saco cheio da cena atual? Parece haver esse interesse 'old school' em bandas como nós e outras como ATHEIST e CYNIC. Parece haver uma indisposição geral à música moderna. Nem tanto pela molecada mais nova, mas pela nossa geração. As pessoas falam dessa nova geração de garotos que nunca viram o CARCASS, mas eu penso 'Onde estão os velhos filhos da puta que nunca se deram ao trabalho de nos ver da primeira vez?' (risos). É aquela afirmação clássica... Você só sente falta de algo depois que não tem mais. Às vezes as pessoas têm uma visão distorcida do passado. Não foi tão bom, sabe? Ocasionalmente foi legal, eu suponho".

Como vocês estão soando hoje em dia?

Jeff Walker: "Vamos colocar desta maneira: eu sei que não vamos desapontar ninguém. Não queremos nos fazer de bobos ou destruir o mito".

Depois do fim do CARCASS, você gravou um álbum com o BLACKSTAR e depois desapareceu por mais de uma década. O que te manteve longe da música por todo esse tempo?

Jeff Walker: "O telefone nunca tocou. Não é o caso de eu ter uma enorme demanda para fazer algo. Eu não acho que tinha nenhum desejo, pra ser bem honesto. Meu entusiasmo para fazer as coisas tem que ser genuíno, tem que ser sobre dar umas risadas e ter um lugar pra dormir. É assim com o Brujeria. Eu viajo e toco em alguns shows mas não é a minha banda, então o foco é diferente. Talvez eu esteja passando por uma crise de meia idade! Mas é exatamente isso que é divertido. A razão pela qual eu parei com o CARCASS foi porque não era mais uma diversão, nós estávamos tocando a banda como se fosse uma carreira ou um tarbalho, e essa é a pior motivação pra fazer qualquer coisa. Agora, tocando com (o grupo inglês de metal/punk) THIS IS MENACE ou com o BRUJERIA, ou bandas como o MNEMIC me pedindo para fazer algumas partes de voz... Eu não faço isso motivado por um cheque que alguém esteja balançando pra mim, eu faço porque gosto. Naquela época, eu entrei em um período sabático e me mantive longe de tudo. Foi só há uns três anos que eu tive esse desejo renascido e entusiasmado de voltar à cena".

Como estão as coisas hoje em dia, comparadas à era original do CARCASS?

Jeff Walker: "Estamos numa fase de abertura para a música, a cena é bastante saudável hoje em dia. A parte ruim é que há muitas bandas e muitos CDs sendo lançados. Tem tanto barulho que não dá pra apreciar o que é realmente bom e ruim. As pessoas reclamam dos downloads mas os garotos não conseguem comprar todos os CDs que saem e eles querem ficar a par de tudo o que está rolando. Todos esses selos choramingando que ninguém compra CDs... Bem, é porque todo mundo está lançando produtos demais!"

Hora da pergunta de um milhão: qual vai ser o set list para os shows?

Jeff Walker: "Não vou estragar a surpresa, mas nós ensaiamos todo o material que costumávamos tocar. Metade é do 'Necroticism', metade é do 'Heartwork', algumas faixas do 'Symphonies', algo do 'Reek' e uma música do 'Swansong'. Estamos abrangendo tudo. Talvez a gente resolva irritar todo mundo e só tocar material do 'Swansong' ou do primeiro álbum (risos). Realisticamente falando, nós temos que tocar o material que vendeu mais. Nós queremos dar às pessoas o que elas querem, não é mesmo?"

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Sobre Marco Néo

Nascido na primeira metade dos anos 70, teve seu primeiro contato com sons pesados quando o Kiss veio para o Brasil, em 83, mas não compreendeu bem o que era aquilo. A contaminação efetiva ocorreu um ano depois, quando conheceu Motörhead, Judas Priest, AC/DC, Iron Maiden. Desde então, tornou-se um apaixonado colecionador de tudo o que se refere a Metal e Rock'n'Roll, independentemente de subestilos.

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