Ancesttral: "Odiamos emos! E dizemos isso!"

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Por Rafael Carnovale
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O Portal Mundo Rock conversou com Alexandre Grunheidt, vocalista e guitarrista do Ancesttral, para falar sobre sua carreira, o novo CD "The Famous Unknown", e ainda sobre o ódio aos pobres emos.

Matéria originalmente publicada no
Portal Mundo Rock

Mundo Rock – Cada membro da banda já esteve direta ou indiretamente envolvido com bandas cover do metal anos 80. Isso foi decisivo para que o Ancesttral tomasse essa direção thrash oitentista?

Alexandre - Na verdade apenas eu, e agora o Billy, participamos do Damage Inc. (Metallica Cover). A Influência vem de bandas em que eu e o Renato tocamos no passado, pois usamos algumas músicas dessas bandas no nosso CD e do que costumamos ouvir desde sempre. Bandas como Metallica, Exodus, Slayer, Fight e Testament estão entre as preferidas entre todos da banda.

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Mundo Rock – A banda disponibilizou um DEMO em seu website com 3 faixas. Como foi a resposta a esse primeiro trabalho?

Alexandre - Eu considero o EP "Helleluiah" o responsável pela banda existir. A resposta foi tão positiva que foi por causa dela que eu resolvi procurar por membros efetivos para a banda.

Mundo Rock – E nesse meio tempo vocês fizeram alguns shows. Como foi esse primeiro contato com um trabalho próprio?

Alexandre - Eu sempre disse que o sabor de tocar uma composição sua e ver que, pelo menos, uma pessoa na platéia está cantando é infinitamente melhor que 5 mil cantando uma música feita por outra pessoa. Tenho o privilégio de poder tocar com grandes amigos no Damage Inc. Não é qualquer banda que pode reunir Amilcar Cristófaro (Torture Squad), Rodrigo Oliveira (Korzus), Edu Boccomino (Chaosfear) e até mesmo o Paul "X" e o E.V. Sword (MonsteR) no mesmo palco tocando nossas músicas favoritas da nossa banda favorita. Mas isso é um prazer pessoal pra todos nós, pois adoramos tocar material de outros artistas e eu, principalmente, do Metallica. Mas, pra nossa alegria, isso ficará cada vez mais raro, pois as agendas do Torture Squad, do Chaosfear e do Ancesttral em breve estarão bem cheias e os shows mais raros.

Mundo Rock – Ouvindo faixas como "We Kill", a sensação que se tem é que a banda soa como o Metallica deveria soar, principalmente pelo vocal de Alexandre ser muito influenciado por James Hetfield. Essa comparação incomoda vocês?

Alexandre - De maneira nenhuma. Enquanto estiverem comparando com um cara que é uma lenda do Heavy Metal e não com um "Kurt Cobain" da vida, pra mim está ótimo. Seria querer demais de mim mesmo que soasse de outra forma, pois são 16 anos fazendo Metallica Cover. E se, pelo menos, metade dos fãs do Metallica gostarem do Ancesttral, pra mim está ótimo.

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Mundo Rock – "Helleluiah" é uma cutucada nas religiões pilantrópicas que vemos por aí, explorando a miséria alheia e a fé popular. Como surgiram tantas idéias diferentes para as letras do CD?

Alexandre - Acho que são coisas de momento. Embora este seja um assunto que nunca vai se esgotar. A estupidez humana me revolta de uma maneira geral e esse lado religioso é um dos que mais me dá nojo. Mas nem tanto dos "pastores" e sim de todos os idiotas que os seguem. Quer um exemplo pior do que da "Bisca" Sonia, fazendo pregações via Teleconferência lá de Miami porque está em cana e a igreja lotada. Será que ninguém parou pra pensar que ela não estava lá de corpo presente porque está em prisão domiciliar porque foi pega com dinheiro escondido na Bíblia? Esse é o tipo de coisa que nos revolta.

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Mundo Rock – E o conceito por trás de "The Famous Unknown"? Há planos para transformar a figura na capa em mascote, como o Iron Maiden faz com o Eddie?

Alexandre - Acho que de tantas vezes que nos fizeram esta pergunta, resolvemos que sim! (Risos) Brincadeiras a parte, já colocamos o "The Famous Unknown" no palco, em carne e osso, em duas oportunidades e ele será sim o nosso mascote daqui pra frente.

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Mundo Rock – Apesar da pegada heavy do CD, faixas como "Endless Trip" chegam a assustar pela melancolia. Existe algo de pessoal nesta em particular?

Alexandre - Na verdade ela é uma das músicas mais antigas do CD e era do Brainwash (banda em que eu toquei de 89 até 94). A letra dela foi feita justamente na época em que eu estava para sair da banda por causa do excesso de drogas de dois dos integrantes e fala justamente da sensação que uma pessoa no estado em que eles se encontravam deveria estar. A participação do Roger Lombardi (Goatlove) foi determinante para dar esse clima. Acho que ficou perfeita.

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Mundo Rock – "Visual Mask" possui um conceito amplo, que pode ir desde pessoas falsas até mesmo a todo o movimento emocore. Junto com "Feel My Hate" ambas despejam revolta. Onde surgiu tanta raiva para colocar num só CD?

Alexandre - São dois momentos distintos. Visual Mask é uma letra que o Renato trouxe e era da sua antiga banda, o Swingfire. Ela foi escrita por ele e pelo Ricardo Batalha e eu apenas a adaptei a música que eu já tinha. Feel My Hate tem sim muita raiva (como o próprio título diz) e é uma letra extremamente pessoal. Eu poderia ficar aqui tentando explicar que ela mostra o que eu gostaria de fazer com os pastores evangélicos, com alguém que me traiu, com alguém que odeio, com os EMOS ou até mesmo com aquele cara que aparece na TV depois de cometer um crime hediondo e você sabe que nada vai acontecer com ele, etc... Todas essas afirmativas podem ser verdadeiras.

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Mundo Rock – E vocês realmente odeiam os emos? A famosa camiseta "Die Emo Die!" ainda está a venda?

Alexandre - Sim! Odiamos! E diferente da maioria das bandas que também odeia, nos dissemos que odiamos e não escondemos isso de ninguém. A camiseta foi uma idéia que apareceu depois que um grande amigo nosso nos mostrou uma camiseta com esses dizeres e dali para fazer a nossa versão foi um pulo. Mas hoje ela não está mais a venda, embora muita gente procure e eu faça questão de tocar com ela em todos os shows.

Mundo Rock – Como têm sido os primeiros shows e quais os planos para este fim de ano?

Alexandre - A receptividade tem sido muito boa e agora a expectativa é levar o "The Famous Unknown" para outros estados. Graças a ótima distribuição da Voice Music, o CD está a venda no Brasil todo e muita gente tem entrado em contato conosco pedindo para que toquemos em suas cidades e agora é com os promotores locais.

Mundo Rock – A banda já pensa em preparar algo para o próximo CD? Como soaria?

Alexandre - Já temos 3 músicas novas prontas. Apesar de todos os rótulos de Metal Oitentista que temos recebido, acho que essa impressão ficou por conta de músicas como "Visual Mask"," Lost in Myself", "We Kill" e "Put me Through", que são músicas trazidas de bandas em que tocamos no final dos anos 80 e começo dos anos 90. Não vamos abrir mão do Thrash, mas iremos incorporar elementos mais modernos também, pois não queremos ficar parados no tempo. Ouvimos muito o Thrash tradicional, mas também gostamos muito de bandas como White Zombie, Disturbed, Godsmack e até mesmo do Metallica da fase "pós-Justice". Contanto que seja um som direto e que acerte o ouvinte como se fosse um murro na cara, estaremos fazendo.

Mundo Rock – Obrigado pela entrevista. O espaço final é de vocês.

Alexandre - Agradecemos muito o espaço e a força temos recebido, desde a época do EP Helleluiah, que inclusive foi onde saiu a primeira resenha e foi o que realmente me motivou a continuar com o projeto de ter uma banda de som próprio e, finalmente depois de tanto tempo de estrada, gravar um CD e ir para a estrada novamente.

Alexandre - Um abraço a todos!

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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