Warlord: referência obrigatória em Sergipe

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Por Lucas Passos
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Quando se fala em heavy metal no estado de Sergipe, a banda The Warlord é referência obrigatória. Com 16 anos de estrada e dois trabalhos lançados (as DTs “Warlord”, de 1993, e “God Kill The King”, de 1996), o grupo conquistou uma legião de fãs e o respeito de todos na cena. No entanto, nos últimos anos o grupo passou por problemas internos que quase decretaram a final de suas atividades. Agora, com time revigorado e uma pequena alteração em seu nome (hoje se chama The Warlord), a banda está prestes a finalmente lançar seu primeiro CD, que se chamará “Land of Agony”. A seguir, os membros fundadores George Oliveira (vocal) e Otávio Jr. (guitarra) falam sobre a história do grupo, problemas internos, mudanças na formação e sobre o tão esperado ‘debut-CD’.
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A banda está na ativa desde 1991, sendo uma das mais antigas da cena sergipana. Como vocês vêem o desenvolvimento da banda até agora?

George Oliveira – Acho que a The Warlord foi sempre sinônimo de evolução. Nós nunca paramos no tempo. Musicalmente, crescemos muito até chegar onde chegamos. As composições estão mais sofisticadas e técnicas, os arranjos muito melhores que há tempos atrás, quando nosso som era mais cru e direto. Às vezes tenho saudade dessa fase, quando “Free to Kill”, “Prisioner” e “Get Out of the Way” eram pedidas em todos os shows. Mas em nome dessa evolução que falei, estamos em outro nível agora. Quem sabe um dia não voltamos a tocar essas músicas?! Em número de fãs, idem. Espantam-me ainda hoje garotos de 13, 14, 15 anos me pararem na rua e perguntarem: “ei, você não é o vocalista da ‘Warlord’? Pô, curto vocês pra caralho!”. Isso é muito gratificante, e significa que há uma nova geração de fãs da banda mesmo ela ‘parada’ temporariamente. Vamos voltar para valer em nome desses e de todos os nossos fãs.

Recentemente, a banda alterou seu nome para "The Warlord". Houve algum problema com os direitos autorais do nome com o retorno da banda americana Warlord, que surgiu e encerrou suas atividades com começo dos anos 80 e agora está na ativa novamente desde 2001 com Joacim Cans (HammerFall) nos vocais?

George Oliveira – Não houve qualquer problema. Na verdade, estamos evitando problemas. Sabe como é essa coisa de direito autoral. Antes de mudar para The Warlord, quisemos ouvir os fãs e ver suas sugestões. A maioria, mais de 90%, não queria a mudança radical, para um nome completamente diferente. A maioria sugeria uma variação de Warlord, como War Lord, Warlord BR, até Uorlordi sugeriram (rsrsrsrs). Então, a saída menos drástica foi essa. Temos uma história, queira a Warlord americana ou não, e não dá para jogar isso no lixo de uma hora para outra. Se ainda assim, como The Warlord, houver problemas lá para frente, vamos mudar para The Warlordz ou coisa parecida, mas Warlord fica.

Nos últimos anos a banda fez pouquíssimas apresentações e muitos boatos diziam que estaria encerrando suas atividades. O que de fato tem acontecido para que vocês andem tão afastados dos palcos?

George Oliveira – Para ser sincero, particularmente, e aqui estou respondendo por mim, a banda esteve mesmo perto de acabar. Eu pensava assim. Nosso companheiro das baquetas, o Júlio, que ajudou a fundar a banda junto comigo e com Otávio, os últimos remanescentes da formação inicial, entrou num projeto paralelo fora da linha heavy metal e que acabou dando certo, e ele é músico, tem que procurar seus horizontes mesmo. Então, mergulhou de cabeça nesse projeto, e nós o respeitamos muito por isso, e a banda ficou um pouco à deriva. Resolvemos então, eu, o Otávio e os demais, focar na finalização do nosso CD oficial, que está praticamente pronto, faltando pouca coisa, aliás, faltando agora o mais importante, que é a prensagem. Para mim, o lance era só finalizar o CD, colocar na praça e tchau! Então, paramos de fazer shows. Achei que não tínhamos mais como voltar. Mas aí pintou o Arnaldo, com uma vontade louca de tocar com a gente e o velho desejo de voltar aos palcos ressurgiu, e estamos trabalhando para isso. Breve os fãs da Warlord, ôpa, The Warlord, poderão nos ver mais uma vez nos palcos. Estamos vivos!

Otávio Jr. – É verdade. Já faz mais de um ano desde o nosso último show com Júlio na banda. Não fazíamos show porque não tínhamos outro batera. Mas, apesar disso, tínhamos vontade de tocar de novo após o lançamento do CD. Aí, o Júlio nos indicou o Arnaldo, e após uma rápida conversa, ele topou.

Vocês têm passado ao longo dos anos por diversas formações. Como vocês, membros fundadores do grupo, lidam com esse trânsito constante de músicos?

George Oliveira – É sempre muito difícil. A gente vem naquele pique e, de repente, alguém, por algum motivo, tem que deixar a banda. Quebra todo o ritmo, todo um entrosamento. Mas às vezes é até benéfico. Quando algum membro da banda já não está focado em seguir à frente no time, tudo começa a dar errado, rolam as brigas, desentendimentos pessoais, cobranças e isso tudo leva o barco a pique. O sujeito sai, vem um outro com uma outra energia e interesse, e a coisa começa a fluir. Acaba sendo positivo. Mas, para mim, que estou desde a fundação da banda, o pior é na parte de composições. Quando você não tem um time estabilizado, nunca sabe se a coisa vai para frente ou não, então paramos de compor, sei lá, e isso prejudica pra caralho! Isso é muito ruim.

E qual é a atual formação da banda?

George Oliveira – George (vocals), Otávio e João Paulo (guitars), Zé Milton (bass), James (keyboards) e Arnaldo Júnior (drums).

Musicalmente, como está o grupo?

George Oliveira – Para ser sincero, parado. Não compomos juntos há um bom tempo, nessa de esperar para ver se o Júlio ficava ou largava o grupo. Nesse meio tempo, tudo ficou paralisado – ensaios, novas composições, shows. Acabamos só trabalhando mesmo a finalização do nosso CD e o Otávio e o Zé criando algumas coisas em paralelo. Mas com a chegada do Arnaldo Júnior, a idéia é recolocar a The Warlord nos trilhos e começar a tirar todo o atraso.

Otávio Jr. – Na banda, as composições são divididas assim: alguém chega com uma idéia da música ou riff, então nos juntamos e trabalhamos para ‘fecharmos’ a parte instrumental. Só então, entregamos para o George escrever a letra e compor a linha vocal. Na verdade, eu tenho algumas novas músicas já compostas. O Zé Milton também. Só falta agora, dar andamento a esse processo.

Quais as expectativas dessa nova formação?

George Oliveira – São as melhores possíveis. As referências que temos do Arnaldo nos leva a acreditar que a The Warlord vai voltar com toda a carga, e a nossa “cozinha’ pulsando forte e firme, levando sangue metal para as nossas veias com toda a voltagem necessária para recolocar a The Warlord do lugar de onde ela não sairá tão cedo: o da mais representativa banda sergipana de Heavy Metal e uma das mais importantes do Nordeste... que me perdoem os críticos!

Apesar de sempre ter contado com excelentes músicos, a banda lançou somente duas demo-tapes até hoje: "Warlord", em 1993, e "God Kill The King", em 1996. Por que só duas DTs em 16 anos de estrada?

George Oliveira – Sempre costumo dizer que a The Warlord teve o azar de se formar em um Estado sem tradição heavy metal e onde o cenário nos foi sempre extremamente desfavorável. Mesmo com toda a qualidade que a banda sempre apresentou e toda a vontade de ser um grande grupo de heavy metal, foi tudo sempre muito difícil pra gente. Pecamos (e nem sei se isso foi exatamente um pecado) também por não querer fazer as coisas de qualquer jeito, querer sempre tocar nos melhores palcos, com o melhor som (talvez essas tenham sido as grandes contribuições da The Warlord pro cenário local, porque as demais bandas sergipanas começaram a nos seguir nessas exigências e o cenário melhorou muito para todos), e quisemos gravar um CD com qualidade, como nunca se gravou por aqui. Como isso sempre foi muito difícil, e exigia muito dinheiro para tal, a coisa acabou meio que emperrando, e nunca conseguimos sair daqui para gravar em outro lugar. Se tivéssemos feito de qualquer jeito, teríamos aí pelo menos uns quatro CDs já gravados.

E quais foram os frutos que a banda colheu com a divulgação desses dois trabalhos?

George Oliveira – Reconhecimento aqui e fora do nosso Estado, principalmente. Com essas DTs, passou-se a enxergar que aqui em Sergipe se fazia sim bom heavy metal. Alcançamos também um respeito maior, já que o material dessas duas DTs contém músicas de extrema qualidade, porém, com pequenos problemas de gravação, o que é normal diante de toda a dificuldade que tivemos para finalizar esse material. Também tivemos boa receptividade de muitas revistas e zines especializados, até mesmo fora do Brasil.

E o "debut"? Como andam as gravações? Já faz alguns anos que a banda vem preparando este primeiro CD. Por que tanta demora?

George Oliveira – O material de áudio e a capa já estão quase que completamente prontos. Faltam uns pequenos ajustes e o principal, que é grana para prensar o CD. Mas já estamos perto de negociar a prensagem de 1 mil ou 2 mil cópias iniciais. Sobre a demora, acho que já respondi isso em outra pergunta sua.

Otávio Jr. – Tivemos alguns imprevistos durante a gravação, dentre eles o principal, a falta de grana para prosseguirmos. Sempre tínhamos que dar uma ‘paradinha’. Agora, mais uma vez, falta a grana para a prensagem, mas como disse George, a negociação está próxima.

Este CD já tem nome, capa ou track-list definidos?

George Oliveira – Sim, se chamará “Land of Agony”. Todo o material gráfico já está pronto e terá 8 músicas :“The Soldiers Of Flies; Evil’s Child; God, Kill The King; Land Of Agony; Walkin’ To The Abyss; Armageddon (Realm Of Shadows); Angry Young Man; e Warlord.

Existe previsão de lançamento? Há algum contato com selos para distribuí-lo?

Otávio Jr. – Posso dizer que o lançamento deverá ocorrer uns 60 dias depois de enviarmos o material para a prensagem. Tudo depende disso. Já fiz contatos com alguns selos, mas nada de concreto. Se o CD não sair por algum selo, sairá de forma independente. Mas ainda assim, pretendemos fechar com alguma distribuidora.

O que os fãs podem esperar deste trabalho?

George Oliveira – Tudo o que sempre nos pediram nesses 15 anos de muita luta: um grande CD de heavy metal clássico em toda a sua plenitude. E, sinceramente, “Land of Agony” é isso, um grande CD de heavy metal clássico.

Muito obrigado pela entrevista. Algum recado para os fãs do grupo?

George Oliveira – Valeu Lucas, valeu Whiplash pelo nobre espaço. Por fim, só temos a agradecer pelas várias mensagens de incentivos dos fãs da banda para que a gente não encerre as atividades. Acho que isso é o que ainda nos motiva a continuar a luta pelo nome da banda e pelo metal de Sergipe e do Brasil. Então, pedimos apenas mais um pouquinho de paciência para a gente ajustar a casa, lançar o nosso CD e cair na estrada para divulgá-los. E, parafraseando o grande Iron Maiden, Up The Warlordz!!!

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Sobre Lucas Passos

Soteropolitano que mora em Aracaju desde os cinco anos de idade. Estudante de licenciatura em História, amante da boa música e inimigo de rótulos e de “padrões normais”. Acompanha/participa da cena sergipana há quase dez anos, tendo já participado de programa de rádio e de produção de eventos, além de ter estado a frente por dois anos do extinto site deRock.com.br. Agora colabora com matérias para o Whiplash e outros sites.

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