A voz mais pura do rock de todos os tempos, segundo Bruce Springsteen
Por Gustavo Maiato
Postado em 19 de janeiro de 2026
Ao longo de décadas como um dos maiores nomes da história do rock, Bruce Springsteen nunca se colocou no papel de grande cantor técnico. Para o "Boss", rock'n'roll sempre foi menos sobre alcance vocal e mais sobre paixão, verdade e entrega. E é justamente a partir desse critério que ele cravou quem, para ele, teve a voz mais pura que o gênero já produziu.
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Em matéria publicada pela Far Out, o jornalista Tim Coffman contextualiza bem essa postura de Springsteen ao lembrar que o cantor "nunca esteve interessado em competir com vocalistas como Freddie Mercury" e que sua força sempre veio da intensidade emocional. Segundo Coffman, Springsteen entendeu cedo que "a paixão ao cantar pode levar o rock muito mais longe do que a perfeição técnica".
Essa visão ajuda a explicar por que Springsteen sempre admirou artistas como Bob Dylan, cuja voz nunca foi convencional, mas carregava urgência e significado. Coffman observa que, assim como Dylan "não mastigava nenhuma palavra", Springsteen queria que suas músicas "agarrassem o ouvinte pela gola e exigissem atenção".
Mas quando o assunto é a essência máxima do rock'n'roll, Springsteen não aponta para si mesmo nem para seus contemporâneos. Para ele, o nome é incontornável: Little Richard. Ao resgatar uma declaração histórica do Boss, Tim Coffman destaca a dimensão quase definitiva do elogio. Springsteen afirmou: "Essa é a voz mais pura do rock'n'roll de todos os tempos. Ela pertence ao Georgia Peach, o rei do rock'n'roll. Ele é um dos pais fundadores do gênero e um gênio vocal preeminente."
Coffman reforça que, para Springsteen, não se tratava apenas de potência vocal, mas de impacto cultural. Little Richard, vindo de Macon, na Geórgia, "não segurava nada", como descreve o jornalista, e gritava cada verso como se estivesse redefinindo os limites do aceitável. Em músicas como "Lucille" e "Long Tall Sally", havia suor, sexualidade, fúria e liberdade em estado bruto.
Ainda segundo a análise da Far Out, essa abordagem acabou se tornando um manual informal para gerações seguintes. Coffman lembra que vocalistas como Robert Plant, Steven Tyler e Chris Cornell "continuaram correndo atrás do que Richard havia feito décadas antes".
Springsteen reconhece que, em momentos específicos, conseguiu atingir níveis extremos de intensidade vocal em canções como "Adam Raised a Cain". Ainda assim, como observa Tim Coffman, o próprio Boss sabia que aquilo era outra coisa: Little Richard "não estava tentando ser intenso - ele simplesmente era".
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