A banda que dá "aula magna" de como se envelhece bem, segundo Regis Tadeu
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de janeiro de 2026
Envelhecer no rock quase nunca é simples. Para muitas bandas, o passar do tempo significa repetição automática de fórmulas gastas, discos chatos e uma tentativa pouco convincente de dialogar com um presente que já não lhes pertence. Ainda assim, vez ou outra surgem exceções que provam que maturidade, talento e identidade não só podem coexistir, como também produzir grandes obras.

Foi exatamente esse o ponto levantado por Regis Tadeu em uma publicação recente no Instagram. Ao comentar um de seus discos favoritos de 2025, o crítico não economizou palavras ao falar de The Doobie Brothers e do álbum Walk This Road, tratado por ele como um verdadeiro manual de sobrevivência artística para veteranos do rock.
"Uma aula magna de como se envelhece com uma dignidade que beira o insulto para quem não tem talento", escreveu Regis, ao explicar por que o disco figura em sua lista de Melhores de 2025. Segundo ele, trata-se de um trabalho que não tenta parecer jovem à força, nem se apoia apenas no peso do nome construído no passado.
Regis também destacou o aspecto quase artesanal do álbum, ressaltando que os Doobie Brothers seguem apostando nos mesmos pilares que sempre sustentaram sua grandeza: "Os veteranos mostraram que o suor nos instrumentos e a inteligência harmônica, melódica e rítmica ainda são os pilares de quem continua gigante." Para ele, ouvir o disco é constatar que a técnica e o bom gosto seguem vivos, mesmo após décadas de estrada.
A sonoridade, segundo o crítico, reforça essa sensação de permanência sem envelhecimento precoce. "Quando você ouve os vocais do disco inteiro, percebe aquela mistura clássica de soul/rock com um toque de country rock que só eles conseguem fazer sem soar datado", afirmou. Na avaliação de Regis, o resultado é um álbum vibrante, ensolarado e, acima de tudo, elegante.
Em um trecho mais ácido, o jornalista comparou a experiência de ouvir Walk This Road ao cenário atual da indústria musical: "Ouvir esse disco é como tomar um banho de civilidade musical em meio a um deserto de mediocridade." Para ele, trata-se de um trabalho que exala felicidade, boa produção e maturidade - qualidades cada vez mais raras em lançamentos contemporâneos.
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