Flotsam & Jetsam: baterista relata história da banda

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Por César Enéas Guerreiro, Fonte: Blabbermouth
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Em outubro de 2006, o baterista original Kelly Smith fez a gentileza de fornecer algumas informações sobre a história do FLOTSAM.

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O Início – Parte Um

“Em 1982, quando estava no colégio, eu montei uma banda, o PARADOX. Havia apenas dois guitarristas e eu – sem vocalista e sem baixista. Ou seja, éramos uma banda de garagem normal em início de carreira. Então decidimos colocar um anúncio em um jornal local, porque não conhecíamos nenhum baixista. Alguns nos procuraram, mas nenhum deu certo. Aí ouvimos alguém bater na porta. Lá estava um cara de cabelos encaracolados com seu baixo Explorer preto na mão. Então nos encontramos e fomos pra varanda na parte de trás da casa de meus pais. Praticamos durante alguns meses e aí o Jason [Newsted] perguntou ‘Você conhece guitarristas que gostem de bandas como IRON MAIDEN, JUDAS PRIEST?’”

Parte Dois – Nova Formação

“Eu procurei pela região e entramos em contato com a dupla de guitarristas que acabaria nos levando a formar o FLOTSAM. Kevin Horton [guitarra base] e Mark Vasquez [guitarra solo]. Então começamos a aprender todo tipo de música: UFO, IRON MAIDEN, MÖTLEY CRÜE, JUDAS PRIEST e TED NUGENT. Em nosso primeiro show profissional, como DREDLOX, Jason assumiu os vocais e fez amizade com Jeff Newstone, que naquela época estava cuidando do som do UFO nas turnês. Tocamos no infame clube Mason Jar, em Phoenix [Arizona, EUA]. Tenho certeza de que muitos de vocês que já passaram por Phoenix já estiveram nesse clube ou tocaram nele. Mas vamos voltar pra nossa história. Naquela noite, nós tocamos tão alto que quebramos oito copos do bar. Não fomos pagos e o dono do clube nos pôs pra fora imediatamente”.

Parte Três – A evolução de um vocalista

“Decidimos que a presença de um frontman seria melhor para nós, devido ao estilo de música que estávamos tocando. Eu estava fazendo um curso de férias e me lembrei de ter visto na minha sala aquele cara, que tinha cantado no show de talentos do início do ano. Seu jeito de cantar era muito parecido com o de [Rob] Halford; mesmo que ele não tivesse cantado metal naquele show, ele mostrou que era um cantor incrível. Então eu perguntei se ele queria fazer uma audição. Ele teve que aprender quatro músicas do JUDAS PRIEST em quatro dias".

"Não tenho certeza, mas esta é a lista da qual me lembro:

01. Desert Plains
02. Hot Rockin'
03. Victim of Changes
04. The Green Manalishi

"Nós tocamos em seu quintal para fazer a sua audição. Ele simplesmente detonou! Ele foi melhor do que qualquer outro que já tínhamos ouvido ou visto. Então o colocamos num período de experiência de duas semanas. Logo depois ele colocou uma jaqueta jeans, cortou as mangas e escreveu ‘2 WEEKER’ [algo como ‘um cara que vai ficar duas semanas’] nas costas. Nós brincamos com isso durante anos. Então [Eric] A.K. se juntou ao clã e logo quisemos um outro guitarrista solo para a banda".

"Tivemos forte influência das bandas daquela época que tinham dois guitarristas — como IRON MAIDEN, JUDAS PRIEST e outras. Aí encontramos Ed Carlson, que era de uma banda rival, de Phoenix, chamada EXODUS (não é a mesma que você está pensando; acho que naquele tempo toda cidade tinha uma banda chamada EXODUS). Também decidimos que devíamos mudar o nome para THE DOGZ, porque DREDLOX não ficava nada bem para nós. Ed se juntou à banda e tocou em seu primeiro show com o DOGZ após somente cinco dias na banda".

"Tocamos num clube com uma pista de patinação no gelo com os astros locais do SURGICAL STEEL. Conforme o tempo ia passando, nós desenvolvemos nosso próprio repertório e começamos a ficar conhecidos pela região. Tocamos com artistas como ARMORED SAINT, RIOT, EXCITER, MERCYFUL FATE, ALCATRAZZ com Yngwie Malmsteen e muitos outros."

Parte Quatro – Transformação

“Nesse ponto, a formação era:

Eric A.K. - Vocal
Jason Newsted - Baixo
Mark Vasquez - Guitarra Solo
Ed Carlson - Guitarra Solo
Kelly D Smith - Bateria

"Em 1984, ou no final de 83, decidimos que uma outra mudança de nome seria boa para nós. Nos tempos do DOGZ tínhamos composto uma música chamada ‘Flotsam and Jetsam’. Ela tinha sido escrita com base na trilogia de Tolkien [do ‘Senhor dos Anéis]. Estávamos ficando mais conhecidos na região e queríamos mais e mais. Durante esse tempo eu estava viciado em cocaína e então aconteceu o pior. Fui acusado de vender narcóticos e me mandaram pra prisão, mas por apenas 30 dias. Durante esse tempo, Mark decidiu que queria seguir outro caminho e deixou a banda. Então Jason e os membros restantes encontraram Mike Gilbert, que na época tinha 17 anos. Ele tocava numa banda local chamada THE KIDS. E quando saí da cadeia eles já tinham começado a compor músicas juntos”.

Parte Cinco – Novo Caminho

“Antes de Mike Gilbert, Mark era o principal compositor da banda. Jason era sempre o cara das letras, mas também ajudava na parte musical. Depois que Mike entrou na banda, as coisas começaram a mudar e o FLOTSAM começou a incorporar o som e o estilo que fez sua fama. Eu estava muito relutante em aceitar a nova onda de metal que estava começando a aparecer, porque ainda queria fazer música no estilo MAIDEN/PRIEST".

"Naquele momento, estavam surgindo bandas como METALLICA, ANTHRAX, S.O.D., MEGADETH e METAL CHURCH. Eu me lembro claramente que a banda estava tentando me convencer a ‘tocar mais rápido’ e eu ficava louco com isso. Eu cresci tendo Neil Peart e o RUSH como ídolos, mas agora não havia espaço para isso. De fato, foi a composição da música ‘Metal Shock’ que fez tudo acontecer. A primeira música que Mike escreveu para o FLOTSAM foi ‘I Live, You Die’ [Eu vivo, Você morre]. Incrível, não é mesmo? Estávamos compondo cada vez mais músicas de speed metal. Jason era quem estava cuidando da parte burocrática da banda".

"Costumávamos tocar em um clube local chamado ‘The Bootlegger’, que se tornou praticamente nossa casa. Gloria Cavalera (empresária e esposa de Max [Cavalera] do SOULFLY e do SEPULTURA) era a antiga dona do Bootlegger. Ela organizou uma etapa do concurso ‘Battle Of The Bands’ no seu clube e a banda vencedora se separou. Gloria nos deixou usar o estúdio. Ela foi a responsável pela gravação da demo ‘Metal Shock’, que fez com que o FLOTSAM assinasse com a Metal Blade Records e, é claro, fez com que o Jason saísse da banda e fosse pro METALLICA”.

Parte Seis – Evolução

“Depois que a demo foi gravada, Jason veio com a idéia de que algumas das pessoas que nos conheciam poderiam investir em nós para fazermos cópias da demo e mandá-la para revistas, fanzines, estações de rádio e gravadoras. Além disso, vendemos as demos através da Zia Records, uma pequena cadeia de lojas da região de Phoenix. Toda a renda foi usada para promover a banda. Aí gravamos nosso primeiro vídeo pra MTV, ‘Hammerhead’, na sala de estar do apartamento de Jason. Sério, não estou brincando!!! Costumávamos praticar lá e numa sala lateral do apartamento. Também gravamos um vídeo ao vivo no clube Bootlegger, que mandamos para Brian Slagel, da Metal Blade Records. Então finalmente conseguimos assinar um contrato com a Metal Blade Records. Isso foi algo incrível para nós”.

Parte Sete – Revelação

“No inverno de 1985 fomos para Los Angeles e começamos a gravar o álbum ‘Doomsday for the Deceiver’’. Tínhamos um orçamento apertado (12.000 dólares) para gravar tudo. E um prazo de duas semanas. Eu tive dois dias para gravar as minhas partes de bateria, apesar de ter levado quinze pontos no meu braço cinco dias antes. Nossa vida era um caos mas era legal. Estávamos gravando o primeiro disco de nossas vidas. É surreal pensar em como tudo evoluiu, desde os ensaios na varanda até agora. Então, em 26 de julho de 1986, o FLOTSAM foi revelado ao mundo com o apoio de uma gravadora. A Roadrunner, o melhor selo de metal na Europa, também nos apoiava. Alguns de vocês podem se lembrar que, em 1986, fomos a primeira banda na história da revista Kerrang! a ganhar a nota máxima, seis ‘K’".

"Até aquele momento, nunca tínhamos feito turnês fora da Califórnia, somente alguns shows com o MEGADETH no Country Club em Los Angeles. Foi surpreendente ver como estávamos fazendo sucesso. Tudo estava indo bem e o BARULHO era ENORME!”.

Parte Oito – Uma Oportunidade

“Em 27 de setembro de 1986, o mundo do metal sofreu um grande choque. Cliff Burton [primeiro baixista do Metallica] morreu num acidente durante a turnê do ‘Master of Puppets’ pela Europa. Ninguém conseguia acreditar. Foi estranho, porque tínhamos visto o METALLICA em Phoenix apenas alguns meses antes. Naquela noite eu fiquei bem na frente do palco balançando a cabeça e o Cliff estava lá, sobre o palco; mas ele se foi. Depois eles fizeram uma turnê pelos Estados Unidos com o W.A.S.P. Todos nós ficávamos imaginando o que iria acontecer".

"Então o METALLICA anunciou que haveria uma audição para escolherem o substituto de Cliff. Jason estava trabalhando com o pessoal da Elektra, para podermos manter contato, desde que o ‘Doomsday’ foi lançado. Mike Alago, que foi o responsável pela assinatura do contrato do METALLICA com a Elektra Records, além de METAL CHURCH, ROB ZOMBIE e muitos outros artistas do metal, foi uma das pessoas que ajudaram Jason a conseguir a audição, além de Brian Slagel e alguns outros".

"Mike Gilbert e Kevin Horton ajudaram Jason a aprender as músicas, para que ele pudesse estar afiado na hora do teste. Jason não é uma pessoa que falha quando tem um objetivo. Ele já tinha passado por muita coisa até aquele momento. Ele chegou a ficar em um pequeno armazém de aço que alugamos para ensaiar. Ele estava sem emprego, sem lugar pra morar e em Phoenix chega a fazer um calor de 46°C. Ele vicia só de sanduíches de manteiga de amendoim e qualquer coisa que ele pudesse arranjar. E naquele momento ele estava se preparando pro último show. Ele não iria sair sem fazer o show. E, como vocês sabem, ele fez”.

Parte Nove – Seguindo em Frente

“O último show que Jason tocou com o FLOTSAM foi exatamente 20 antes deste lançamento. Isso mesmo – 31 de outubro de 1986. Há uma foto tirada naquela noite dentro da caixa comemorativa. É irônico que tenha acontecido dessa forma. Mas garanto a vocês que não foi uma coisa planejada. Ele foi uma grande escolha para o METALLICA. É uma pena que eles tenham se separado”.

Parte 10 – E assim por diante...

“Depois da saída dele, gravamos mais uma obra-prima, que se tornou um dos favoritos dos fãs, o “No Place for Disgrace” (pela Elektra Records em 1988). Jason ajudou a compor três das músicas desse álbum. Elas tinham sido compostas antes dele sair para se juntar ao METALLICA:

01. No Place For Disgrace
02. N.E.Terror
03. I Live You Die

Outros álbuns incluem:

‘When the Storm Comes Down’ (MCA, 1990)
‘Cuatro’ (MCA, 1992)
‘Drift’ (MCA, 1995)
‘High’ (Metal Blade, 1997) (último álbum com Mike Gilbert e Kelly D Smith)
‘Unnatural Selection’ (1999) (Craig Nielsen e Mark Simpson entram na banda)
‘My God’ (2001)
‘Dreams of Death’ (2005)

"Quando eu vi o remix do ‘Doomsday’, eu quase chorei ao ver nossa performance e ao perceber como éramos grandes naquela época. Nós praticávamos quase todo dia durante pelo menos 2-3 horas e, mesmo depois que o Jason saiu, quisemos nos desenvolver ao máximo, como banda e como músicos. Vivíamos da banda, vivíamos para a banda e fizemos com que fosse parte de cada um de nós. Espero que com vocês seja a mesma coisa. Tenho muito orgulho da minha participação nesse projeto e da chance que tive de tocar com músicos tão talentosos e trabalhar com grandes talentos nos bastidores".

"Apreciem o aniversário do ‘Doomsday’. Vocês fizeram com que a nossa jornada fosse muito melhor do que esperávamos. E isso é algo que não dá pra explicar".

"Como fãs que acreditam no FLOTSAM, VOCÊS SÃO DO CA**LHO! A vocês nosso muito obrigado!!”

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Sobre César Enéas Guerreiro

Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".

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