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Stratovarius: "Estou feliz de estarmos de volta e com um ótimo CD!"

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Por Rafael Carnovale
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Não há como negar que é uma surpresa que o Stratovarius tenha conseguido se levantar de todos os tombos que a banda sofreu em 2003 e 2004. As crises de Timo Tolkki, a saída de Timo Kotipelto e Jorg Michael, o incidente de Tolkki na Espanha (quando foi esfaqueado por um fã mais afoito) e sua internação com problemas psicológicos anunciavam um fim trágico para a banda. Mas os membros conseguiram se reunir, Tolkki está aprendendo a controlar sua doença e eis que o Strato surge com um novo CD, auto-entitulado, respirando fundo e se preparando para uma nova turnê.

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Não fosse todos os problemas, o baixista Jarí Kalaiunen, que sempre foi um cara quieto (tanto no palco como fora dele) resolveu pedir as contas. Para esclarecer tal fato e dar detalhes sobre o novo CD e turnê, que se inicia em Agosto na América do Sul (passando pelo Brasil entre os dias 27 e 31), o batera Jorg Michael conversou com o Whiplash. E de cara já fomos falando sobre a saída de Jarí.

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Whiplash! - Jorg, vamos começar falando sobre a saída repentina do baixista Jari Kalaiunen. Eu gostaria que você falasse sobre esse assunto, já que Jarí teve uma de suas melhores "performances" neste novo CD.

Jorg Michael - Jari sempre foi um cara bem calmo e tranqüilo. Mesmo nos momentos mais complicados que envolveram a banda ele ficou sempre na dele, sem se manifestar ou dar opiniões. Mas desde que resolvemos voltar com a formação original ele não foi mais o mesmo. Seu entusiasmo praticamente se extinguiu. Estava conosco nas fotos, nas gravações, mas não parecia mais interessado. E para piorar as coisas ele nos disse que não estava muito a fim de excursionar, o que nos deixou muito chateados. Timo Tolkki decidiu que ele deveria sair da banda, e todos concordamos, pois não havia como manter esta situação. O próprio Jari concordou que, após 10 anos de Stratovarius, era hora de parar. E assim ele saiu.

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Whiplash! - E o que você pode nos adiantar sobre o novo baixista?

Jorg Michael - Escolhemos Lauri Porra, baixista da banda solo de Timo Kotipelto (e ex-Sinergy). Estamos muito satisfeitos com ele, mas ainda estamos na fase de nos conhecermos na estrada e nos shows, pois deixamos bem claro para ele que não queremos um funcionário ou um baixista contratado. Queremos um membro 100% dentro da banda, com os mesmos direitos e deveres. Mas sei que ele está muito satisfeito e estamos vivendo um grande momento.

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Whiplash! - Eu conversei com Jens Johansson (tecladista) durante o festival brasileiro "Rock the Planet", em outubro de 2004, quando o mesmo veio como integrante da banda solo de Kotipelto. Ele me confidenciou que tudo que deveria ser conversado entre Tolkki e Kotipelto já havia sido conversado e que as coisas iriam acontecer no decorrer dos meses. A que ponto a reunião já estava confirmada naquele momento?


Jorg Michael - Em outubro? Já havia um bom horizonte definido. Devemos antes lembrar que Timo assumiu a todos nós que estava doente, que realmente tinha problemas e que estes haviam influenciado em muito algumas atitudes que ele tomou nos últimos meses. Quando começamos a falar sobre o retorno da formação clássica, ele abriu seu coração para nós. E isso foi muito importante. Timo Kotipelto compreendeu e aceitou (pelo menos em parte) algumas das coisas que Tolkki disse em público, e esse foi o primeiro passo. Quando soubemos da internação de Tolkki, entendemos então que o problema era sério mesmo, e que poderíamos ajudá-lo e resgatar os melhores momentos que passamos juntos no Stratovarius. Foi um bom recomeço.

Whiplash! - E a vocalista que Tolkki anunciou como substituta de Kotipelto, chamada de Miss K (Kattarina Witalla)? Você chegou a conhecer ou sequer ensaiar com ela?

Jorg Michael - Não toquei com ela, mas tive a chance de conversar. Ela é uma pessoa bem legal, e talvez uma das grandes vítimas dessa história toda. Ela imaginava estar entrando numa superbanda, e as músicas com ela, pelo menos as "demos" que pude ouvir, soaram estranhas. Mesmo que ela entrasse definitivamente na banda não haveria continuidade para o Stratovarius.

Whiplash! - Durante este período confuso, Tolkki anunciou aos quatro cantos que escrevera um álbum sensacional chamado "Popkiller". Vocês usaram algo deste suposto CD para "Stratovarius"?

Jorg Michael - Usamos. Este seria um grande CD, a prova que Tolkki é um gênio na arte da composição. Algumas músicas eram matadoras, e ficaram ainda mais fantásticas quando pudemos ensaiar com a banda toda, e dar a elas a sua forma definitiva. Mas Tolkki já havia começado uma obra formidável.


Whiplash! - Vamos falar agora sobre "Stratovarius". Este CD é bem diferente do estilo usual que a banda vinha apresentando. Como isso ocorreu?

Jorg Michael - Era hora de mudar. Nas duas partes de "Elements" chegamos ao nosso limite com este estilo pomposo e orquestrado. Precisávamos nos recriar, e essa volta as raízes foi bem-vinda. Um bom exemplo de quanto estávamos pomposos era "Find Your Own Voice" (música de "Elements II"). Gosto da música, mas chegou num ponto que precisávamos de algo diferente. E o novo CD nos trouxe essa perspectiva. Voltamos para músicas mais retas e diretas, como fizemos em "Speed of Light" (do CD "Episode"). Não foi algo planejado, apenas surgiu. Posso fazer uma analogia desta situação para a que ocorreu com o Queensryche quando lançaram "Empire", sucedendo o maravilhoso "Operation Mindcrime". Havia a necessidade de mudar, e isso aconteceu.

Whiplash! - "Maniac Dance" apresenta alguns "riffs" bem pesados que me lembraram o Metallica (da era "Load"). O que você pode nos falar sobre esta música e porque a escolheram para ser o primeiro "single"?

Jorg Michael - Tolkki sugeriu e aprovamos de imediato. É uma música muito intensa e a letra é bem pessoal dele, relatando parte da situação que viveu. Quanto à comparação com Metallica eu concordo. É uma grande banda, e algumas passagens de fato remetem a ela. A atmosfera desta música é sensacional.

Whiplash! - E "Fight!!!" possui alguns elementos do chamado "British Hard Rock"`. Sei que Tolkki escreveu boa parte do material, mas qual foi a influência dos outros membros no resultado final?

Jorg Michael - "British Hard Rock"? Gostei (risos) . Tolkki escreveu quase tudo neste cd, mas a marca da banda e a contribuição de todos os membros vieram nos ensaios, em tudo. Mudamos e adequamos o que foi necessário para que soasse como uma obra do Stratovarius.

Whiplash! - Como foi gravar com Tolkki após todos os problemas? Como ele está nesse momento?

Jorg Michael - Bom... de fato tivemos que ter muito tato ao trabalhar com Tolkki, pois sabíamos que ele tinha um problema, mas também não era nosso desejo ficar tratando o cara como se ele fosse um doente. Procuramos observar suas reações e ele mesmo se mostrou bem cuidadoso. Agora estamos começando a excursionar, e será um período muito importante para todos, afinal Tolkki estará enfrentando a galera pela primeira vez. Mas ele mesmo mal pode esperar para subir no palco, estamos com um grande baixista na banda e o "feeling" está sensacional.

Whiplash! - Como têm sido as respostas dos fãs, as mensagens e e-mails?

Jorg Michael - Muito positivas... quero agradecer à todos que enviaram mensagens de estímulo e apoio a todos nós, do fundo do coração. Prometo que faremos shows energéticos e poderosos.

Whiplash! - Kotipelto está cantando em tons mais graves do que de costume. Você acha que seu trabalho solo foi determinante para sua "performance" no novo CD?

Jorg Michael - Definitivamente. Ele estava bem mais relaxado. Depois de tudo o que ocorreu ele pode entender as ações de Tolkki e tentar voltar a trabalhar com ele. O resultado foi bem espontâneo e os dois agora conseguem ter um bom relacionamento.

Whiplash! - Mesmo com todas as mudanças ocorridas musicalmente, "Gypsy in Me" ainda nos remete ao velho "power/speed metal" praticado nos CD’s anteriores. Como não perder sua identidade com tantas mudanças?

Jorg Michael - Mesmo que tenhamos feito algumas músicas diferentes de nosso estilo habitual, nossa marca registrada continua na emoção, na energia que passamos. É a mesma música, com uma roupagem nova, mas é Stratovarius de qualquer jeito. Tínhamos a mesma visão musical de outros tempos, e isso não muda.

Whiplash! - A Sanctuary Music, gravadora do Stratovarius, não se sentiu confortável com "Gotterdammrung (Zenith of Power)" e esta quase não entrou no CD. O que de fato aconteceu?

Jorg Michael - Tolkki inicialmente deu a esta música o nome de "Hitler". Eu e nosso "manager" vimos que isso poderia provocar muita controvérsia e confusão. Nosso selo não queria que a música entrasse no CD. Não por seu conteúdo, porque a mesma é totalmente contra nazismo, mas pelo título, que poderia ser mal-interpretado, principalmente na Alemanha. Conversamos com Tolkki que entendeu nossos argumentos, e mudou o nome. "Gotterdammrung" significa "Queda dos Deuses", e expressava com exatidão o que Tolkki queria passar. Conseguimos acabar com a "vibe" negativa que pairava sobre essa canção.

Whiplash! - Já que as letras são bem pessoais, você poderia descrever algumas delas, em poucas palavras?

Jorg Michael - Bem... não escrevi nenhuma letra, mas posso falar sobre isso.

Whiplash! - "Maniac Dance".

Jorg Michael - A doença de Tolkki.

Whiplash! - "Fight!!!".

Jorg Michael - Toda a história envolvendo Tolkki e o Stratovarius.

Whiplash! - "Back To Madness".

Jorg Michael - O período que Tolkki passou no hospital.

Whiplash! - "Land Of Ice And Snow.

Jorg Michael - Sobre a Finlândia e seu povo.

Whiplash! - "Gyspsy In Me.

Jorg Michael - Não leve isso tão a sério (risos).

Whiplash! - Mas esta música não cita o episódio em que Tolkki se descobriu um estudioso da Khaballah?

Jorg Michael - Sinceramente... Tolkki disse muita merda nesses meses em que esteve em crise. Não vamos levar isso a sério (risos).

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Whiplash! - Neste tempo em que a banda esteve inativa você entrou no Saxon, gravando o excelente "Lionheart" e excursionando com a banda. Você ainda tem planos de tocar com eles?

Jorg Michael - Devo dizer que foi uma honra e um sonho realizado pode tocar com eles. Fizemos shows fantásticos, um CD memorável e só não tocamos no Brasil devido ao incêndio na casa de Biff (Byford, vocalista). Fiquei muito feliz com isso. De fato estou tentado a continuar com eles, e ao mesmo tempo me sinto muito ligado ao Stratovarius, por tudo o que aconteceu. No momento procuro nem pensar no assunto, focando minhas energias para os shows que iremos fazer, mas certamente uma hora terei que escolher. Esse será meu dilema.

Whiplash! - A turnê terá seu início em solo sul-americano, justamente aonde a última turnê da banda terminou, em 2003. O que você espera destes primeiros shows?

Jorg Michael - Pela primeira vez vou responder não sei! (risos). Os brasileiros são fantásticos, mas não sabemos ainda como as novas músicas e a nova postura soarão perante a galera. Só posso prometer que sermos o mais honestos e sinceros, e não vou falar o quão estamos ansiosos.

Whiplash! - Jorg, obrigado pela entrevista. Este espaço é seu para deixar uma mensagem aos fãs do Stratovarius e aos visitantes do WHIPLASH! Rocksite.

Jorg Michael - Estou muito feliz de poder mandar essa mensagem para vocês. Estou feliz de estarmos de volta e com um ótimo cd para apresentar. Nos vemos em Agosto.


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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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