Taraxacum: Entrevista exclusiva com Tobias Exxel

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Por Thiago Pinto Corrêa Sarkis

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O Taraxacum começa a ganhar destaque na mídia após o lançamento de seu segundo álbum, "Rainmaker", apresentado aos fãs brasileiros pela Hellion Records. A banda formada por Tobias Exxel (guitarras, baixo), Rick Mythiasin (vocais), Frank Wolf (bateria), Ferdy Doernberg (teclados, violões e guitarras slide) vem realmente se garantindo pela qualidade de seu som, e não apenas pelo presente / passado grandioso de seus membros.

Muitos insistem que o Taraxacum é apenas um projeto, pois os membros tocam em outras bandas, e especialmente Exxel teria que dar atenção ao Edguy, o qual passa pelo melhor momento da carreira. Porém, o baixista do Edguy, líder do Taraxacum, afirma que as coisas não são bem assim e que há muito pela frente com o grupo que montou há cerca de seis anos.

Se mantiverem o nível dos trabalhos apresentados até agora, podemos realmente acreditar nisto. Músicos qualificados e de história em bandas como Steel Prophet, Axel Rudi Pell, Rough Silk, New Eden, e é claro o Edguy, trabalhando numa nova perspectiva, um hard rock progressivo e muito eficiente, contendo, óbvio, vários elementos daquilo que ainda fazem em suas outras bandas. Vale a pena conferir o Taraxacum e o que Tobias Exxel teve a nos falar sobre o conjunto, o contato com os fãs, e também o Edguy.

Whiplash! - Você é o líder do Taraxacum e quem deu início à banda. Quando você teve esta idéia e o que você pode nos dizer do começo do grupo?

Tobias Exxel / Bom, comecei a pensar numa nova banda há cinco ou seis anos atrás. Eu tinha algum material em mente e várias idéias. Senti então que era um bom momento para trabalhar neste material e compor as músicas por inteiro. Porém, ficou bem claro para mim que a banda teria uma perspectiva diferente daquela que temos no Edguy. Por essa razão, pensei em criar uma nova banda. No Edguy, mantive a mesma linha, pois gosto da música que fazemos e na época já tínhamos um nome no power metal, um estilo característico e bem definido.

Whiplash! - Quais bandas você diria que foram influentes na concepção da sonoridade do Taraxacum?

Tobias Exxel / É sempre difícil falar isso, pois sou influenciado por muitas bandas. Acho que você ficaria surpreso se eu te dissesse que minha banda favorita é o Slayer (risos)...

Whiplash! - (risos) Sério?

Tobias Exxel / Sim. Eu sabia que você ficaria surpreso. Não dá para imaginar isso quando estou tocando no Edguy e também no Taraxacum, pois quando componho, pego a guitarra, o baixo, e começo a escrever, as coisas que vêm à minha mente são bem diferentes do Slayer. Acho que posso citar Van Halen, Queensryche e Helloween e Iron Maiden é claro. Mixamos um pouco estes estilos e no final não dá muito para ouvir o Slayer, não é? (risos). Na verdade gosto muito da atitude do Slayer, a maneira raivosa como tocam, crua às vezes. Fico feliz de ver o resultado de todas estas influências quando as pessoas conversam comigo e falam de como o Taraxacum é uma banda com um estilo único e próprio. Não uma cópia do Edguy ou de qualquer outra banda das quais os membros do grupo fazem ou já fizeram parte.

Whiplash! - Como você vem administrando este trabalho com o Edguy e o Taraxacum ao mesmo tempo?

Tobias Exxel / Eu diria que tocar em duas bandas não é um problema para mim. Sou um músico e adoro o que faço. Passo grande parte do tempo tocando e praticando os instrumentos e trabalhando junto ao Edguy e ao Taraxacum. Então posso dizer que estou 110% nas duas bandas e os últimos cinco anos têm sido os melhores de minha vida.

Whiplash! - De qualquer maneira, ainda concebo o Taraxacum como um projeto apenas. Você conseguiria me convencer do contrário?

Tobias Exxel / (risos) Eu sempre quis que não fosse apenas um projeto e não é. Quando comecei a procurar por músicos para a banda, deixei bem claro que estaríamos trabalhando juntos e nos dedicando como membros de fato do Taraxacum. Detesto esta coisa de contratar um músico para um disco ou dois. É muito importante ter este sentimento de grupo e integração entre os membros. Isto funciona muito bem conosco, mesmo quando estamos distantes. Deu certo com "Spirit Of Freedom" e também com "Rainmaker". Os mesmos músicos, exceto claro por Felix Bohnke (N. do E.: baterista do Edguy), que participou apenas como convidado especial. Então tenha certeza que esta é uma banda de verdade e você vai ouvir mais álbuns do Taraxacum.

Whiplash! - A maior distância está entre vocês e o vocalista, Rick Mythiasin, que vive nos Estados Unidos. Como vocês se conheceram?

Tobias Exxel / Alguns anos atrás fizemos uma turnê do Edguy na Europa ao lado do Gamma Ray e do Steel Prophet (N. do E.: ex-banda de Rick Mythiasin). Nos conhecemos nestes shows, conversamos bastante, tomamos muita cerveja, e nos tornamos amigos rapidamente. Falávamos das mesmas coisas, tínhamos idéias semelhantes e mantivemos contato. Dois meses após a turnê liguei para Rick e perguntei se ele gostaria de montar uma banda. A reação dele foi fantástica, um momento marcante pra mim. Ele ficou feliz pelo convite, disse que sim, e pediu para que eu esperasse na linha. De repente, ouvi um som e ele trazendo algumas letras e melodias já no telefone. Foi um ensaio realizado nos Estados Unidos e na Europa ao mesmo tempo. Depois disso ele veio à Europa para trabalharmos e fui com o Edguy para os Estados Unidos. Foi quando tivemos a chance de trabalhar mais forte em "Rainmaker".

Whiplash! - E como foi o processo de composição para "Rainmaker"?

Tobias Exxel / Sou o responsável pelas idéias iniciais e em "Rainmaker" trabalhei bastante com Franky Wolf, nosso baterista, pois moramos bem perto um do outro e somos grandes amigos. Preparamos algumas demos com bateria, guitarra e baixo. Depois passamos estas idéias para Rick, e ele começou a colocar o seu toque próprio nas músicas, escrevendo letras, e criando as melodias. Eu também tinha algumas melodias para os vocais e nos reunimos no estúdio de Franky, na casa dele. A banda toda ensaiou lá por dois meses, e ficamos ainda mais próximos. Acho que esta é a causa de "Rainmaker" soar tão bem e ser um álbum especial para nós.

Whiplash! - Como você compararia os dois álbuns, "Spirit Of Freedom" e "Rainmaker"?

Tobias Exxel / "Spirit Of Freedom" não tem um estilo tão definido como "Rainmaker". Compus praticamente tudo sozinho para aquele álbum e simplesmente passei o material para que cada um aprendesse e para que Rick pudesse cantar as melodias. Em "Rainmaker" fomos um grupo de compositores, cada um trazendo suas próprias idéias. Então trabalhamos muito mais juntos e pudemos apurar os detalhes. Por essa razão "Rainmaker" é um disco mais direto e posso citar diversas músicas que mostram isso, como a faixa título, e também "Prayer In Unison", "Never To Return", "Make It Happen".

Whiplash! - "Rainmaker" foi um passo à frente na carreira da banda...

Tobias Exxel / Certamente. Acho que todo álbum é uma evolução e gosto deste trabalho variado, por isso talvez eu consiga administrar tão bem o trabalho nas duas bandas. Gosto de mudar de álbum para álbum, surpreender. Isso é essencial na vida de um músico. Não gosto dos novos discos do Metallica, por exemplo, mas vejo que eles tentaram mudar. O Slayer também não soa hoje como a mesma banda de "South Of Heaven" e "Reign In Blood". Ao mesmo tempo gosto de bandas como o Motörhead, mas não tenho mais de dois ou três álbuns destas bandas, porque, na minha opinião, isso já é suficiente para toda a discografia deles.

Whiplash! - Vocês chegaram até a gravar uma música em espanhol em "Rainmaker". De quem foi a idéia para "Lo Que Faltó"?

Tobias Exxel / Rick cresceu na fronteira entre os Estados Unidos e o México, e fala uma mistura do inglês americano e o espanhol (risos). Ele mesmo diz que não é muito bom no espanhol, mas eu tive a idéia de traduzir uma música para a língua espanhola, e acho que ficou muito interessante, além de ter sido um desafio para nós. Horácio Carmenara, um amigo, nos ajudou nesta tradução para "If I Had Known", e a versão em espanhol ficou bem melhor que a em inglês.


Whiplash! - O que os fãs acharam do resultado nesta faixa em especial?

Tobias Exxel / Todos gostaram muito. Alguns nos disseram que nosso espanhol não era exatamente o que deveria ser, mas que estava ótimo. É uma questão de gramática (risos). A verdade é que as pessoas gostaram de ter uma música do Taraxacum cantada em outra língua que não o inglês. Especialmente espanhóis e muitos fãs da América Latina mandaram mensagens nos parabenizando e parece que realmente adoraram ter uma música cantada em sua própria língua. Mas Rick só fala inglês e espanhol mesmo, e foi um experimento que fizemos. Não creio que vamos repeti-lo ou compor agora em português, francês, chinês (risos).

Whiplash! - Em relação ao Edguy, você teve alguma dificuldade quando disse à banda que estaria trabalhando com outros músicos num novo conjunto?

Tobias Exxel / Não, definitivamente não temos estes problemas no Edguy. Ninguém reclamou ou disse que eu não deveria tocar em outra banda. Tobi (N. do E.: Tobias Sammet) tem também o Avantasia e o relacionamento que temos no Edguy é muito bom para darmos espaço a estes problemas. Fiquei feliz em ver que eles aceitaram bem, e olha que quase todos são realmente muito ligados ao power metal. Apenas Felix tem este lado mais progressivo e hard rock e por isso participou de "Spirit Of Freedom" como convidado especial.

Whiplash! - E os fãs do Edguy... como respondem ao Taraxacum?

Tobias Exxel / Muitas pessoas ficaram surpresas pelo som do Taraxacum e a diferença que existe em relação ao Edguy. Aqui na Europa houve uma falha da nossa gravadora, pois em anúncios eles sempre colocavam que o Taraxacum era um projeto de um membro do Edguy. Fiquei chateado, pois isto criou certa expectativa nas pessoas, e o Edguy não é parecido ao Taraxacum, e o Taraxacum não é uma cópia do Edguy. De qualquer forma, a maioria dos fãs do Edguy gostam do Taraxacum, e muitas pessoas que não curtem o Edguy, gostam do Taraxacum. Vários fãs falam isso comigo, e algumas pessoas da imprensa já me disseram o mesmo. Tenho muito orgulho disso.

Whiplash! - Acerca do trabalho do Taraxacum no Brasil e o contato com os fãs brasileiros. Como vem sendo?

Tobias Exxel / Recebo muitas mensagens de fãs brasileiros e algumas bem interessantes falando para fazermos uma turnê do Taraxacum na América do Sul quando eu for ao Brasil com o Edguy. Seria muito bom com certeza.

Whiplash! - Vocês fizeram uma turnê na Europa. Como foram estes apresentações? Vocês tocam músicas do Edguy nos shows?

Tobias Exxel / Não. Seria interessante tocá-las, mas não incluímos no set list. Talvez no futuro toquemos algo do Edguy nos shows do Taraxacum, ou vice-versa. Apesar de que seria difícil para Rick e Tobias cantarem as músicas um do outro. Mas bem, os shows foram ótimos. É claro que não tivemos tanto público quanto o Edguy, mas isto evolui com o tempo, queremos seguir da nossa maneira, passo a passo. Foi importante também pela experiência de subirmos ao palco juntos e tocarmos ao vivo pela primeira vez. Eu estava tocando guitarra ao vivo, ao invés do baixo como usualmente no Edguy, e me concentrei muito para que tudo saísse perfeito. Tenho que confessar que fiquei muito nervoso nestes shows.

Whiplash! - Talvez porque você fosse o foco nestes shows, e no Edguy as atenções estejam mais concentradas em Tobias Sammet, não?

Tobias Exxel / Você me pegou de surpresa e está certo no que disse, definitivamente. Não pensei nisto quando subi ao palco ou depois, mas agora que você falou, é, você está completamente certo (risos). Não sou o tipo de cara que quer ficar no centro de uma banda. Prefiro a sensação de estar num grupo, fazer parte de uma banda. E na minha opinião, o vocalista deve ser sempre o foco principal, especialmente no palco. É ele que fala com o e leva as letras ao público. No futuro acho que Rick Mythiasin estará no foco principal. Mas de fato gosto quando todos os músicos têm uma mesma parcela de atenção dos fãs.

Whiplash! - Muito obrigado pela entrevista Tobias. Foi um prazer falar com você. Alguma mensagem final?

Tobias Exxel / Bem, estaremos com o Edguy aí no Brasil em alguns meses, por volta de Setembro, Outubro. Espero conhecer o maior número possível de pessoas, conversar com os fãs, e com certeza nos divertirmos bastante nos shows.




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