Lost Forever: Prog estilo Dream Theater com altas doses de heavy metal

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Por Rafael Carnovale

Em 1997 alguns cariocas sedentos por heavy metal decidiram se juntar e formar uma banda, que no início se dedicava apenas a tocar e a se divertir. Mas a diversão foi gradativamente tornando-se realidade, e eis que em 1999 a formação é estabilizada com Hugo Návia (ex-Heavenfalls) no vocal, Fábio Nunes e Nelson Magalhães nas guitarras, André de Lemos no baixo e Renê Shutle na bateria. Uma demo e um EP se seguiram até que a banda fechou contrato com a Hellion Records. "The End of Beginning" (2003) é o primeiro petardo desse contrato, mostrando uma banda que, se faz um prog-metal no estilo de Dream Theater, também insere altas doses de heavy metal, resultando num meio termo competente entre os dois estilos, com muito peso. Para falarmos sobre o debute e sobre várias histórias, batemos um papo com a banda, que se prepara para um ano cheio, com shows e possívelmente a composição de um novo cd. Obs: Alguém disse que o Rio de Janeiro não tem cenário metal?????

Whiplash - Apesar de vocês serem descritos como uma banda de prog-metal, eu os considero mais uma banda heavy tradicional com elementos prog, como o Queensryche e Dream Theater. Como vocês se definiriam e quais seriam as principais fontes de inspiração do Lost Forever?

Hugo Navia / Concordo, não tocamos um tipo de música que se possa classificar totalmente como Prog Metal, somos como você disse: Uma banda de Metal com elementos Prog; Não como o Queensryche, pois acho que nossa música é mais pesada. Gostamos do Queensryche mas eles não nos influenciam muito. Já o Dream Theater é o que considero 100% Prog Metal, é provavelmente o maior representante do gênero e é, de certa forma, uma influência... Mais para os outros caras da banda do que pra mim, eles gostam bastante mas eu não sou muito fã... é uma grande banda mas eu gosto mesmo só do Images and Words e do último disco, que achei fenomenal! De qualquer forma, nossas principais influências vêm dos anos 70 e 80, bandas como Rainbow, Kansas, Black Sabbath, Jethro Tull, Genesis, Megadeth, Metallica... Além de muitas bandas mais novas como Symphony X, Evergrey, Threshold e o próprio Dream Theater.

Renê Shulte / Ganhamos essa denominação "prog" das pessoas que ouviram nossas músicas e do pessoal da imprensa que avaliou nosso trabalho. Apesar de a maioria na banda gostar muito de Dream Theater, não vejo tanta influência deles no nosso som. Com relação às fontes de inspiração... é complicado (risos), temos gostos em comum na banda, como Iron Maiden, Judas Priest, Kansas e, principalmente, Symphony X, mas a partir daí temos muitas influências diferentes, que vão desde o Progressivo passando pela música clássica, Heavy tradicional, até o Thrash e Death Metal. Mas acho que no fim a mistura de todas essas influências, mesmo que de uma maneira suscinta, aparece em nosso trabalho.

Whiplash - "Perdido para sempre", é um conceito forte e até certo ponto um tanto depressivo. O que influenciou na escolha do nome da banda?

Hugo / Na verdade é o contrário (risos)! O nome tem um significado até bem positivo: Simboliza o nosso comprometimento e envolvimento profundo com o tipo de música que fazemos, só que ele passa isso de uma forma meio irônica. A idéia veio do primeiro baterista da banda, que estava esperando o ônibus para ir para o ensaio usando uma camiseta de banda quando uma velhinha evangélica veio encher o saco do cara mandando pérolas do tipo: "Sai dessa vida meu filho, essa coisa de Heavy Metal é pra maluco e drogado, você está perdido aos olhos do Senhor..." e outras besteiras quando o cara ficou puto e mandou algo como "Então dane-se! Se eu tô perdido, então tô perdido pra sempre!!!" (risos). Então ele veio com essa idéia de chamar a banda de Lost Forever, todo mundo achou que soava bem, aí adotamos o nome.

Whiplash - Em 1998 vocês lançaram sua primeira demo. Como foi a repercussão da mesma e como o público reagia aos shows? Conte-nos um pouco sobre essa época.

Hugo / Felizmente pouca gente ouviu essa demo na época (risos), a produção era horrível! As músicas eram legais, mas muito cruas ainda.... De qualquer forma fizemos muitos shows naquele ano, e a maioria das pessoas gostava do trabalho da banda naquela época. A banda estava começando, era outra formação e não tínhamos idéia de que direção tomar... Tanto é que nem tocamos mais aquelas músicas, pois elas não têm mais nada a ver com nossa proposta atual. Sempre foi desse jeito com a banda; nunca falamos: "Agora vamos soar assim ou assado" ou "vamos parecer com essa ou aquela banda" ou qualquer coisa desse tipo; tudo sempre aconteceu de forma espontânea desde a formação da banda.

Whiplash - Já em 2000 vocês lançaram um EP auto-intitulado. Como foi o processo de composição e gravação do mesmo e como vocês chegaram até a Hellion Records?

Hugo / Esse EP foi gravado já com a formação atual e mais o Kiko, que era tecladista da banda na época, as músicas eram basicamente as que escrevemos nos seis meses anteriores à gravação enquanto os novos integrantes iam chegando, e mais duas escritas no ano anterior, ainda com a antiga formação. Fechamos o novo line-up em julho de 99 e fomos gravar em novembro. Foi bem legal considerando que ainda não estávamos 100% entrosados devido ao pouco tempo desde que fechamos a formação até o momento das gravações, mas o cd ficou legal e tivemos uma divulgação melhor; a imprensa especializada falou bem e recebemos também uma proposta de contrato com uma gravadora na época, que acabou não rolando por várias razões. Já o lance com a Hellion rolou no final da produção do The End of Beginning. Começamos a gravar o cd de maneira independente e mandamos o primeiro pré-mix para eles, que gostaram e nos ofereceram um contrato.

Renê / A gravação daquele EP foi meio complicada. Existiram diferenças de opinião com relação às músicas que iríamos gravar, alguns dos membros não queriam nem gravar, porque estávamos apenas há três meses com aquela formação. O clima em determinados momentos foi meio estressante, mas no fim toda experiência foi válida, e aprendemos muita coisa que nos fez enxergar a gravação do The End of Beginning de uma maneira diferente.

Whiplash - Como eram os shows antes do lançamento do primeiro cd? Vocês tocavam algumas covers? Há algum show em especial que vocês gostariam de comentar?

Hugo / Na verdade fizemos poucos shows naquela época por causa da saída do Kiko (antigo tecladista) logo após o término das gravações, então só fomos voltar a tocar quase um ano depois contando com Daniel Melo (Dead Nature) como tecladista convidado em alguns shows e com Yahn Wagner (Mind The Gap) em outros. Depois diminuímos o ritmo de shows pelo fato de já estarmos envolvidos com o processo de produção do cd que tomou boa parte do ano passado, mas nos poucos eventos em que tocamos tivemos uma resposta muito boa do público, que gostou bastante das músicas que estão agora nesse cd, vale destacar o show que fizemos no início de 2002 na Casa de Cultura da Estácio, que teve um público muito bom, e o último show que fizemos no Metal Invaders, que já está virando um festival tradicional aqui no Rio; Foi em novembro passado, e no dia caiu uma chuva torrencial que nos fez achar que tudo seria cancelado! Ainda assim muita gente foi pra apoiar o evento e as bandas! Essa galera está de parabéns! Quanto a covers, sempre tocamos... Costumamos levar músicas do Symphony X, Rainbow e de outras bandas que curtimos, no início da carreira da banda tocávamos também Ozzy Osbourne e Savatage. De qualquer forma acho que sempre tocaremos covers nos shows, o público gosta bastante desse tipo de coisa e sempre é legal tocar uma ou duas músicas de alguma banda que a gente gosta.

Renê / Tocamos poucas vezes, tendo o Melo e o Yahn como convidados, pois depois da gravação do EP não tínhamos um tecladista e não conseguimos efetivar ninguém na banda, pois simplesmente nenhum dos que fizeram teste conosco se encaixou na nossa filosofia de trabalho. Quanto a covers: É claro que eles sempre rolam! Até porque quando uma banda não é muito conhecida, essa é uma maneira de chamar a atenção do público se eles estiverem de "saco cheio" de ouvir as nossas músicas (risos). Também acho que o show que fizemos no início de 2002 na Casa de Cultura Estácio de Sá, com o Allegro e o Sigma 5, foi o nosso melhor show, tanto em performance de palco, quanto em público. E a receptividade da galera naquele show foi muito boa.

André de Lemos / Acho que todos os shows sempre foram bem animados e cheios de expectativa, todos eles tiveram seus momentos especiais, para bom ou para ruim, então na minha opinião seria difícil destacar apenas um.

Whiplash - "The End of Beginning" começou a ser gravado em Novembro de 2002 e só foi finalizado em Junho de 2003. Esse tempo de gravação é digno de um Metallica (risos)! Qual fator influenciou em tanto tempo no estúdio?

Hugo / É verdade (risos)! Não foi nossa culpa, as coisas simplesmente aconteceram assim, as gravações em si foram de novembro até fevereiro, depois disso ficamos mixando até junho. As principais razões disso foram a agenda apertada do estúdio e o nosso desejo de deixar o resultado final soando o melhor possível. Isso tomou tempo mas estamos satisfeitos; temos consciência de que o cd não está perfeito, mas foi o melhor que conseguimos fazer na época considerando os limites financeiros, técnicos e até de performance individual de cada músico, portanto estamos tranqüilos quanto a isso pois demos nosso sangue e fizemos o melhor possível, claro que quando eu ouço o cd eu já começo a pensar que poderia ter feito isto ou aquilo de forma diferente, mas isso é normal, o truque é se concentrar no futuro e correr atrás; já estamos com várias músicas quase prontas para o próximo cd; planejamos entrar em estúdio até o início de 2005.

Whiplash - Vocês mesmos assumiram a produção do primeiro cd. Foi algo planejado ou a banda realmente precisou tomar tal iniciativa?

Hugo / Foi como eu disse antes: Tínhamos certas limitações financeiras que nos impediram de contratar um produtor; o projeto do cd começou como uma iniciativa totalmente independente e não queríamos largar na mão de qualquer produtor barato, como fizemos com a demo, então basicamente nós mesmos produzimos o cd; quero dizer: até certo ponto, porque não temos o conhecimento técnico necessário. Tivemos o Maurício Meloni, que é um ótimo profissional, trabalhando como engenheiro de som e dizíamos a ele: "queremos uma guitarra assim e um vocal desse jeito" e ele basicamente tentava tirar o som que queríamos até chegar o mais próximo do que havíamos imaginado. Isso funcionou em 90% do cd, então estamos satisfeitos, mas realmente planejamos ter um produtor trabalhando conosco no próximo cd.

Renê / Nós decidimos antes de começar as gravações que iríamos agir dessa maneira, até baseado nos erros que ocorreram na gravação da demo. Com isso nós tivemos liberdade para poder tentar fazer as coisas da maneira que gostaríamos inicialmente. Mas o Maurício também deu dicas muito legais, inclusive que acabaram ficando na mixagem final, durante o período de gravações e mixagem.

André / Claro que se tivéssemos cacife para bancar um produtor do nível de um Andy Sneap ou Sacha Paeth, não pensaríamos duas vezes! Mas como temos nossos pés no chão e sabíamos bem como cada um queria soar individualmente e como conjunto, optamos por nos produzir.

Whiplash - "Mater Et Magistra" é uma faixa bem pesada e densa, descrevendo uma pessoa perdida. De onde surge inspiração para letras tão carregadas e isso tem a ver com o nome da banda?

Hugo / A letra da Mater... fala sobre como a religião e a igreja católica podiam dominar política e psicologicamente as vidas das pessoas no passado, e ela também faz sentido num contexto atual... Algumas seitas religiosas ainda manipulam os mais desfavorecidos nos dias de hoje, e quando eu digo "desfavorecidos" não quero dizer "pobres", existem muitas pessoas desesperadas em busca de um sentido qualquer pra suas vidas. Escrevi essa letra me baseando em uma idéia do André, que me remeteu diretamente a algumas letras do Jethro Tull no álbum Aqualung, que é um disco muito crítico em relação a essa questão religiosa. Então na verdade não tem nada a ver com o nome da banda. O curioso é que todas as letras do cd têm temas introspectivos, bem "dark" mesmo, até as letras de Spirits From the Iced Garden e End of Century, que o André escreveu e são mais "viajantes", ainda assim seguem essa linha "soturna"; isso não foi intencional, eu pessoalmente sempre gostei de escrever sobre coisas reais e as minhas impressões sobre elas, nada contra "espadas e dragões"; até gosto de letras mais "mitológicas" quando elas têm conteúdo ou contam alguma história consistente com uma mensagem significativa; eu mesmo já andei escrevendo material assim recentemente... mas ficar falando só sobre fadas e pirilampos não me interessa muito. Prefiro letras mais profundas, que exponham assuntos de forma "não-mastigada", que obriguem o ouvinte a pensar... Mas é importante sempre apresentar esses assuntos de forma coerente.

André / A Mater... é mesmo uma crítica à Igreja Católica. Ela fala de uma pessoa que busca respostas para as questões de sua vida e se vê diante do dilema da escolha entre seguir fiel e cegamente os paradoxos da "Mãe e Mestra" Igreja ou abdicar disso e sofrer as "terríveis conseqüências". É uma música inspirada no período da Santa Inquisição, quando essas "conseqüências" eram fatais. Talvez o personagem se sinta perdido para sempre, mas não tínhamos isso em mente quando bolamos a letra (risos). O título da música é inspirado no nome da encíclica homônima do Papa João XXIII.

Whiplash - "Among the Crowd" já tem uma levada mais cadenciada, com uma pegada bem Queensryche, inclusive no vocal. Porém eu a considerei muito influenciada pelo Queensryche de "Promised Land". Gostaria que vocês comentassem a respeito disso:

Hugo / É interessante você achar isso, pois realmente não foi intencional e ninguém na banda tem muita influência de Queensryche. Quero dizer: Todo mundo conhece o trabalho da banda através dos discos mais famosos, como Operation: Mindcrime e Empire, mas esse conhecimento é muito superficial, portanto não acho que o Queensryche possa ser considerado uma "influência" para nós. Mesmo assim é muito legal saber que o trabalho da banda vem causando impressões variadas nas pessoas. Cada um dá uma definição diferente para o nosso som, isso é muito legal!

Whiplash - O trabalho de guitarras ficou excelente, pesado e sujo como uma banda de metal agressiva deve soar. Foi muito difícil alcançar tal sonoridade e ainda assim poder manter toques de metal progressivo na sonoridade do cd?

Hugo / Isso foi bem natural... Apenas tentamos fazer com que as guitarras no cd soassem o mais próximo possível de como elas soam ao vivo. O peso nas guitarras da banda está na pegada dos guitarristas, o Fabbio e o Nelson são barulhentos assim mesmo (risos).

Renê / Quando começamos a gravar as guitarras, o Maurício nos perguntou "como vocês querem as guitarras?" E todos nós respondemos em uma só voz: "COM MUUUUUUUITOOOO PESO!!!" (risos). Acho que isso vem de nossas influências de Thrash metal (principalmente eu o André e o Fabbio), e o peso dos instrumentos nas músicas sempre vem naturalmente quando as estamos compondo.

Whiplash - A música "Spirits from The Iced Garden" possui uma longa introdução, bem influenciada pelo trabalho do Dream Theater. Como os americanos lançaram recentemente um cd bem pesado, gostaria de a opinião de vocês sobre este novo cd da banda ("Train of Thought") que na minha opinião possui uma proposta bem similar a "The End of Beginning".

Renê / Eu amo Dream Theater, gosto demais do tipo de música que eles fazem, além de serem músicos absurdamente capazes. Gostei muito do disco novo deles, mas discordo quanto à comparação com o The End of Beginning... Talvez o clima das letras possa ser comparado, mas acho que o direcionamento deles foi diferente do nosso. Já se fosse para comparar quanto à música em si, o começo da Spirits... teria uma clima mais parecido com músicas do Symphony X, como The Accolade e Divine Wings of Tragedy. Mas no fim, acho que foi mais um lance da nossa influência de progressivo mesmo.

André / Eu sou fã de carteirinha do Dream Theater; achei o novo álbum deles muito bom, pois é um disco digno da banda, com todas as suas características, tipo: virtuosismo, feeling, peso, melodia, etc. E o melhor é que a banda continua seguindo fiel a sua proposta inicial de nunca se repetir! E isso é fenomenal, visto que eles fazem um disco melhor que o outro sempre.

Hugo / Também gostei muito do novo álbum dos caras. Como eu disse antes, não sou um grande fã do trabalho do Dream Theater como um todo, mas gostei muito desse cd assim como gosto do Images and Words, mas discordo no que diz respeito ao som do Lost Forever ser parecido com o deles, acho que se tivesse que comparar, nossa música estaria mais para uma mistura de Evergrey com Symphony X e Savatage (risos)!

Whiplash - Hugo, seu vocal é muito bem colocado. Principalmente nas partes mais suaves ena voz limpa. Você faz aulas de canto? O que você indicaria para vocalistas que estão começando, principalmente no estilo que você desenvolve?

Hugo / Obrigado pelo elogio (risos). A única coisa que eu posso dizer pra alguém que está começando a cantar Heavy Metal é: Descubra o que você sabe fazer melhor e explore isso! Não tente imitar ninguém... É natural termos ídolos e influências e isso é muito bom, mas é muito importante tentar sempre desenvolver um estilo próprio de cantar. Quanto a aulas, eu estudei na Escola de Música Villa-Lobos anos atrás... aliás, acho que hoje em dia pode-se dizer que praticamente todo mundo que toca em uma banda no Rio de Janeiro já freqüentou essa escola (risos)! Estudei canto e teoria, mas nada me deu tanta experiência e conhecimento sobre minha própria voz do que cantar numa banda. Atualmente não faço aulas, até andei pensando em voltar a estudar canto nos últimos anos e provavelmente eu vou fazer isso num futuro próximo... Tem muita coisa por aí pra se aprender.

Whiplash - Continuando no vocal, encontrei várias características que lembram o Geoff Tate (Quennsryche) nas partes mais agressivas e Damian Wilson (ex-Threshold) nas partes mais limpas. Quais são suas influências?

Hugo / É muito legal saber que você achou isso! Embora bastante inusitado (risos)! Esses vocalistas são fantásticos e ser comparado a eles é uma honra pra mim! Mas realmente não sei o que dizer sobre isso, pois como eu falei antes, conheço muito pouco o trabalho deles pra ter sido influenciado diretamente; O Geoff Tate eu sempre admirei, mas à distância... E só fui ouvir o Damian Wilson cantando há alguns meses atrás... no Ayreon, eu acho. Mesmo assim é muito legal saber que as pessoas estão tendo impressões variadas com nosso trabalho, já ouvi várias comparações diferentes (risos), e volto a dizer: É um grande elogio ser comparado a cantores desse nível! Gosto muito de vários vocalistas de bandas que ouço atualmente como Roy Khan, Zak Stevens, Russel Allen e Jørn Lande; mas bandas como Black Sabbath e Rainbow são a razão de eu ser músico, elas literalmente mudaram minha vida! Minhas influências mesmo são caras como Tony Martin (Black Sabbath, The Cage, Empire), David Coverdale (Deep Purple, Whitesnake) e Ronnie James Dio; e outros caras menos conhecidos do público como John Lawton (Uriah Heep), Doogie White (Rainbow, Cornerstone) e Ray Gillen (Black Sabbath, Badlands), que são cantores mais "interpretativos"; Não tive muita chance de mostrar esse meu lado no The End of Beginning, pois as músicas ali contidas pedem vocais mais dinâmicos e diretos, com exceção talvez da Spirits From The Iced Garden. De qualquer forma no próximo cd do Lost Forever poderei mostrar mais dessas influências... As músicas que estamos escrevendo pedem vocais com mais interpretação; teremos afinações diferentes e alguns vocais mais graves no cd. Está ficando muito bom.

Whiplash - Sabrina Carrión (vocal do Heavenfalls) participa como "backing" em algumas músicas e eu sei que o Hugo integrou o HeavenFalls por um tempo, dividindo vocais com Sabrina. Não seria uma proposta boa manter uma vocalista feminina no Lost Forever? E a propósito Hugo, porque você saiu do Heavenfalls?

Hugo / Essa participação da Sabrina foi bem espontânea, já que ela acompanha a banda de perto desde o início e até já participou de alguns shows fazendo "backing vocals"; então foi natural chamá-la pra fazer os "backings" na Lies Behind The Mirror, Damned Train e nas duas Above The Sins, pois queríamos uma voz diferente da minha nessas partes. Quanto a ter uma vocalista feminina na banda... não sei, nunca pensamos sobre isso. O fato é que alcançamos uma quimíca muito boa entre os integrantes e um equilíbrio muito grande na hora de compor, então acho que seria um artifício desnecessário ter uma cantora como membro fixo da banda, até porque ela não teria muito o que fazer (risos)! Mas nada impede que tenhamos a participação de uma vocalista em uma ou outra música que peça uma voz feminina. Já a minha saída do HeavenFalls foi devido às dificuldades que eu estava tendo na época em atuar nas duas bandas... foram vários fatores, mas o principal foi o tempo! Havia ocasiões onde eu tinha que ensaiar com o Lost Forever e o HeavenFalls no mesmo dia, durante várias horas, em horários muito próximos e em estúdios muito distantes um do outro! Isso era muito cansativo e em um determinado momento eu não estava conseguindo dar uma contribuição satisfatória a nenhuma das duas bandas... Então optei por uma. Escolhi o Lost Forever porque é uma banda da qual eu participo desde o início e que tem uma proposta musical com a qual eu me identifico mais. Isso foi há muito tempo e a minha saída do HeavenFalls foi amigável; na época a formação era diferente da atual e a proposta musical também, pois eles sempre tiveram dois vocais, um masculino e outro feminino, mas depois que eu saí eles resolveram ficar só com a Sabrina nos vocais, o que foi uma decisão acertada na minha opinião, já que por causa disso eles foram musicalmente em outra direção, e na minha opinião se deram muito bem.

Whiplash - Após o lançamento do primeiro cd vocês fizeram alguns shows, incluindo uma participação no festival "Metal Invaders". Como foram esses shows e a recepção ao novo material?

André / Foram muito bons, e a recepção do público tem sido boa. Mas esperamos que com o passar do tempo ela melhore, pois as músicas serão melhor conhecidas do público e a interação entre público e banda irá se acirrar, o que só pode acarretar em shows cada vez melhores e mais agitados.

Whiplash - A banda chegou a fazer shows fora do Rio de Janeiro? Há alguma proposta nesse sentido?

Hugo / Não, mas é o nosso principal objetivo neste ano! Estamos planejando fazer o maior número de shows no maior número de lugares que conseguirmos! Já recebemos algumas propostas, mas estamos correndo atrás e estamos agendando algumas datas por conta própria. Queremos divulgar ao máximo esse cd!

Renê / Se alguém estiver interessado, entre em contato conosco. Teremos o maior prazer de tocar pelo Brasil, e quem sabe pelo exterior.

André / Já estamos analisando a possibilidade de alguns shows no Nordeste e em São Paulo.

Whiplash - Apesar de ter sido lançado há pouco tempo, como tem sido a repercussão do novo cd. Algum contato já foi feito de fora do Brasil?

Hugo / O lançamento do álbum ainda é muito recente, então ainda é um pouco cedo pra falar sobre isso, mas podemos adiantar de o cd já está sendo comercializado em alguns sites europeus. A Hellion está encarregada dessa parte de comercialização na América Latina e talvez um possível licenciamento para lançamento na Europa. Estamos esperando pra ver o que acontece.

André / Também acabamos de enviar algumas cópias do cd para alguns contatos nossos na Europa, a princípio visando apenas a divulgação, mas quem sabe?

Whiplash - "Damned Train" é uma das melhores faixas do cd, com uma atmosfera bem, viajante (influenciada pelo Iron Maiden de "Seventh Son of a Seventh Son") com um trabalho de teclados fantástico. Daniel Melo é apenas um músico convidado ou vocês pretendem efetivá-lo na banda?

André / Muito obrigado pelo elogio, é muito bom saber que músicas tão antigas da banda ainda consigam refletir nossa proposta de som. Mas com relação ao Melo, ele é apenas convidado. Ele tem sua banda, o Dead Nature, que está em fase de produção de seu debut. São todos grandes amigos nossos e ele já nos quebrou muitos galhos, somos eternamente gratos a ele.

Hugo / O Melo é um grande tecladista e um cara muito legal! Só temos elogios para ele como músico e como pessoa.

Whiplash - Apesar do cd ser bem pesado, com um toque heavy muito agressivo, a banda despeja talento e brilha na balada "A Season in Between". Vocês têm planos de investir mais em baladas, já que esta ficou muito boa?

Hugo / Legal saber que você gostou, essa música tem sido uma surpresa, pois muita gente têm vindo elogiá-la e não esperávamos que as pessoas gostassem tanto dela; mas como eu disse antes: Não planejamos muito esse tipo de coisa, as músicas que escrevemos sempre vieram naturalmente de uma idéia que parte de um ou dois membros da banda, e depois é polida nos ensaios pelos cinco; mas temos de fato uma balada ainda inacabada que deve entrar no próximo cd, eu pessoalmente adoro cantar baladas, acho que todo vocalista gosta, então acho que sempre vou estar disposto a isso.

André / Não somos muito previsíveis nesse sentido, mas é bem provável que voltemos escrever outras baladas.

Whiplash - Já há alguma programação de shows para 2004? Como a Hellion vem trabalhando nesse sentido?

Hugo / Estamos correndo atrás pra fazer uma boa divulgação desse cd através de shows. A Hellion não se manifestou nesse sentido ainda, mas estamos abertos a isso.

Whiplash - Finalmente gostaria que vocês deixassem uma mensagem para os visitantes do site WHIPLASH!, que com certeza irão aprovar "The End of Beginning". E fica o desejo de muita sorte para a banda!

Hugo / Queria agradecer ao Whiplash e a você Rafael, pela oportunidade de divulgar o trabalho do Lost Forever e a todos que nos apoiaram até agora! Todos que quiserem conhecer melhor a banda podem acessar o nosso site: www.lostforever.com , onde poderão encontrar informações, agenda de shows, novidades e samples de músicas do The End of Beginning! Um abração pra todos!

Renê / Obrigado pela força. Quero agradecer ao Whiplash a oportunidade de realizarmos essa entrevista, e convocar todo mundo para conferir nosso trabalho e deixar sua mensagem e sugestões no guestbook do nosso site. Keep the metal alive!!!

André / Valeu, muito obrigado a todos que nos incentivaram, ao Whiplash, pelo espaço e pela dedicação ao metal nacional. Vamos fazer desse nosso Brasil a Meca do metal no mundo! Mostrar que nós temos também músicos competentes e muito metal na veia! Um grande abraço!


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