Angra - Entrevista exclusiva com Rafael Bittencourt

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O novo Angra, depois de menos de um ano após o lançamento do álbum “Rebirth”, está lançando um mini álbum entitulado "Hunters and Prey". Nessa entrevista exclusiva, Rafael Bittencourt fala sobre o mini álbum, sobre a tour do "Rebirth " e muito mais.

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Entrevista concedida à Rodrigo Vinhas

Whiplash! - Os novos integrantes corresponderam as expectativas de vocês?

Rafael / Sim, completamente. Não são pessoas inexperientes que estavam em uma posição de fãs do Angra, e sim, músicos profissionais competentes que estavam há muitos anos batalhando por uma boa oportunidade. Mas, como estavam no underground, nos ajudaram muito a compreender os pontos de vista do público e nos ajudaram a nos aproximar dos nossos fãs acabando com a era de estrelismo.

Whiplash! - Como está indo a tour do Rebirth?

Rafael / Muito bem, o fato de termos conquistado o disco de ouro no Brasil está nos ajudando muito. Fizemos programas de T.V. importantes, inclusive na Globo, o telefone toca o tempo inteiro para contratar o nosso show, viajamos o Brasil inteiro e ainda estamos viajando, passamos um mês na Europa com muitos shows cheios e, em junho, iremos fazer cinco shows no Japão e Taiwan.

Whiplash! - Hoje em dia você está atuando como músico fora do Angra?

Rafael / Sim, eu leciono Linguagem e Estruturação Musical (LEM) na Escola de Música e Tecnologia (EMT), cursos de guitarra particulares no EMT e no Conservatório Souza Lima e workshops por todo o Brasil. Acabo de fechar um patrocínio com a Peavey do Brasil que tem me ajudado muito em minha carreira pessoal.

Whiplash! - Quanto tempo levou para ser gravado “Hunters and Prey”?

Rafael / Um mês, mais ou menos, mas algumas bateras já haviam sido gravadas na Alemanha.

Whiplash! - O produtor Dennis Ward veio ao Brasil para acompanhar as gravações certo? Por que esse processo não foi usado em "Rebirth" ao invés de deslocar toda a banda a Alemanha?

Rafael / Porque antes o Dennis não conhecia o potencial dos estúdios nacionais e também, porque depois do sucesso de Rebirth foi mais fácil negociar bons preços com os estúdios, afinal vários estúdios queriam ter o Angra gravando lá.

Whiplash! - Você acha que gravando 2 músicas em uma versão acústica, o Angra pode atingir um público mais abrangente fora do meio heavy metal?

Rafael / Sim, mas não foi esta a razão principal pela qual nós fizemos isto. O nosso público é muito fiel e procuramos sempre agradá-lo, mas as rádios e tvs se negavam em executar nossa música o que estava dificultando um pouco a divulgação de Rebirth. Acredito que o Angra é um dos grandes responsáveis pela ampliação do mercado de Heavy-Metal no Brasil e não fizemos isto sem esforço. Para que o Heavy-Metal continue crescendo e existindo ele tem que ser rentável para as gravadoras e músicos, ou seja, ele precisa ser melhor divulgado e melhor aceito. Por isto fizemos as versões acústicas que foi como ter passado uma vaselina nos ouvidos dos programadores de rádio e tvs. Depois que entramos um pouquinho, foi mais fácil colocar o resto!!!

Whiplash! - Os teclados do Rebirth foram feitos por você e pelo Kiko certo? Os timbres das orquestras estão muito diferentes de músicas antigas do Angra como a Rainy Nights, Lisbon, Wings of Reality entre outras, você concorda? Vocês usaram os timbres de um teclado mesmo? Ou os timbres foram tirados de um sampler?

Rafael / Alguns timbres foram samplers, outros de teclados e alguns cellos foram gravados ao vivo por um cellista russo. Concordo que os timbres estão diferentes, principalmente porque o produtor é novo conosco. Nunca tivemos nenhuma pretensão de fazer este trabalho soar como os outros, é um novo disco, com uma nova formação em uma Nova Era!

Whiplash! - Qual é o processo de composição do Angra atualmente? Vocês não trabalham com colangens de idéias certo? Tudo que vai ser feito já é pré determinado? Fale sobre isso.

Rafael / Isto varia muito, a colagem de idéias é o método mais evitado! Cada um tem um estilo e jeito de encarar as idéias e desenvolvê-las. Na banda todos têm a liberdade de nos trazer material e a maneira que trabalhamos às vezes muda a cada trabalho ou a cada música. Mas as melhores idéias são aquelas que nascem de um improviso.

Whiplash! - Você sempre fez a maioria das músicas do Angra, agora o Kiko está compondo muito , isso causa algum desentendimento na banda, pois sempre foi estagnado, que o Kiko era o "guitar Hero" da banda e você o compositor. Fale sobre isso.

Rafael / Da mesma meneira que o Kiko está se desenvolvendo como compositor eu estou me desenvolvendo como guitarrista. Isto nunca gerou nenhum desentendimento porque sabemos a nossa evolução se deve ao convívio e ao aprendizado mútuo. Eu sou muito grato por tudo que ele já me ensinou na guitarra e sei que ele é grato também pelo o que ele aprendeu comigo sobre composição.

Whiplash! - Por que vocês resolveram regravar 2 músicas que sobraram de Holy Land, você não acha que seria melhor que você gravasse músicas feitas especialmente para voz do Edu? Ou vocês mudaram linhas melódicas das músicas?

Rafael / Por que eram músicas de parceria minha e do Kiko que nunca foram utilizadas oficialmente com a banda antiga. Com a voz do Edu as músicas melhoraram tanto que não conseguimos resistir a tentação de dividir com os fãs.

Whiplash! - Quem fez a arte da capa?

Rafael / Isabel De Amorim, a mesma que fez a do Fireworks, com a diferença de que o conceito estava mais amadurecido desta vez.

Whiplash! - Eu li em uma entrevista que no fim do ano vocês já pretendem entrar novamente em estúdio, você acredita que esse excesso de lançamentos, um tão perto do outro não acaba desgastando a banda? Além disso vocês terão que encurtar a tour do Rebirth, correto?

Rafael / Se o excesso se der por uma imposição de gravadoras e cláusulas contratuais, isto pode prejudicar a qualidade e desgastando a banda, mas, na verdade, estamos indo para o estúdio por uma necessidade criativa. Estamos todos muito contentes e aliviados que a parte mais difícil para a nova formação já passou, não temos mais que provar nada para ninguém e queremos, agora, desfrutar desta liberdade para podermos experimentar mais etc. Estamos nos sentindo muito inspirados por todas as conquistas positivas que estamos passando e queremos traduzir isto em músicas boas. A boa hora para se compor é quando estamos bem, não é bom deixar este momento para depois.

Whiplash! - O Angra hoje está num patamar muito alto, em questão de vendas e popularidade. Você acha que isso se deve a um modo de compor, fazendo músicas bem menos expermentais do que em antigos trabalhos da banda como Holy Land e Fireworks?

Rafael / Não, música é uma ciência inexata e os critérios vão muito além da quantidades de elementos musicais ou de notas na partitura. Acredito que este grande sucesso se deu porque as pessoas notaram a sinceridade com que foram feitas cada música deste trabalho, o excelente entrosamento dos novos membros com os antigos, a força dos diferentes talentos na banda e também, é claro, a qualidade das idéias.

Whiplash! - Como as aparições do Angra na televisão tem impulsionado a banda?

Rafael / Melhor impossível, temos vendido mais discos e shows por todo o Brasil e America Latina. A TV é um ponto crucial para que as pessoas percebam que o Heavy-Metal moderno é muito mais do que fazer cara de mau, e está relacionado muito mais com um jeito de se fazer música do que com a atitude dos músicos.

Whiplash! - Deixe uma mensagem para os fãs do Angra.

Rafael / Para todos os fãs do Angra que lerem estas linhas, eu desejo muita força e luz em suas vidas. Obrigado por continuarem conosco e espero poder estar sempre lhes satisfazendo. Valeu!

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