In Flames - Entrevista exclusiva com o baixista Peter Iwers.

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Aproveitando o lançamento do novo álbum, Clayman, a Whiplash! entrevistou Peter Iwers, baixista da banda sueca de death metal melódico In Flames.

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Perguntas por Fabrício Boppre

Whiplash! / Como está a repercussão do novo cd pelo mundo?

Peter Iwers / Está começando a vender muito bem, apesar de que ainda não foi lançado em todos os lugares, acho que até o final deste mês já terá sido lançado em todo o mundo. Mas as vendas estão bem, nós temos os "charts", official "charts" na Finlândia, Alemanha, Suécia, até agora. Eu acho que o do Japão e da América estão vindo, então parece que as coisas estão indo muito bem, até melhor do que em Colony.

Whiplash! / O que você acha das críticas dizendo que o Clayman é de certa maneira previsível e que é dirigido aos fãs do Colony (N.R. álbum anterior e de grande sucesso da banda)?

Peter Iwers / Eu não diria que é previsível, se eu fosse olhar de um ponto de vista de fora e somente ouvir a música eu diria que Colony não é tão diferente de Clayman, porém é mais inesperado do que Clayman, porque há muitos caminhos e todos parecem presos a suas opiniões, claro.

Whiplash! / Durante a carreira do In Flames, houve muitas mudanças e/ou evoluções na música de vocês? Por exemplo, no que Lunar Strain difere de Clayman?

Peter Iwers / Bem, há oito anos entre eles, eu creio. Eu diria que Lunar Strain é algo como melodic folk death metal e Clayman pulou para as raízes do In Flames, nós resolvemos alargá-las, faze-las mais "escutáveis", para pessoas que não são do cenário death metal, pessoas normais. Nós também nos concentramos muito em cada instrumento individualmente, para fazer o som e a linha melódica e tudo mais. E nós usamos eletrônicos, como teclados e coisas assim, tornando realmente diferente, um som "maior", eu diria. Lunar Strain é muito bom, mas é totalmente diferente, é menor, Clayman é maior.

Whiplash! / Nesse novo álbum Anders Fridén canta de uma maneira mais clara. Isso foi uma decisão da banda ou ele estava somente tentando algo novo como músico?

Peter Iwers / Ele estava experimentando seu instrumento, que é voz, assim como nós experimentamos com as guitarras, baixo e bateria, foi uma decisão dele, ele também queria fazer algo que levasse seus vocais um pouco mais longe, ele testou muito e é claro que a banda ouvia e opinava, mas basicamente foi uma decisão dele.

Whiplash! / Anders Fridén costumava escrever as letras da banda em sueco e pedir para que Niklas (N.R. músico do Dark Tranquility) as traduzisse, porém em Clayman eu soube que Anders escreveu-as em inglês. Como e porque aconteceu essa mudança?

Peter Iwers / Ele somente alcançou um ponto onde ele tinha segurança suficiente, ele ficou mais confiante em si mesmo e queria tentar se expressar sem ter alguém no meio.

Whiplash! / Eu li, numa entrevista recente, vocês dizendo que Colony poderia ser um preview do que estava por vir, porque vocês pegaram as coisas boas desse álbum e tiraram as ruins. Quais você considera serem as coisas ruins de Colony?

Peter Iwers / (risos) É verdade, mas eu não acho que haja coisas ruins em Colony mas as melhores coisas nós queríamos tirar, eu não vou entrar em detalhes, mas como você disse nós tiramos as coisas boas e colocamos em Clayman e as tornamos coisas melhores, maiores, tendo influências de todos os lugares, todos os tipos de música.

Whiplash! / Dentre os trabalhos do In Flames, você tem algum preferido? Particularmente eu considero Whoracle a obra-prima de vocês até o momento.

Peter Iwers / O novo, ele é dentre todos o álbum mais completo do In Flames.

Whiplash! / Antes de entrar no In Flames Anders Fridén era vocalista do Dark Tranquility, certo? E o primeiro vocalista do In Flames, Mikael Stanne, é hoje o frontman do Dark Tranquility. O que aconteceu? Houve uma troca entre as bandas?

Peter Iwers / É que Mikael, do Dark Tranquility, nunca realmente fez parte do In Flames, nós somente o emprestamos do Dark Tranquility para gravar um álbum e fazer alguns shows, então ele também era o vocalista do Dark Tranquility naquele momento. E Anders estava numa banda chamada Ceremonial Oath entre o Dark Tranquility e o In Flames, e a maior razão para tudo isso acontecer é que somos todos amigos, se está faltando aqui pedimos emprestado.

Whiplash! / O In Flames foi uma das primeiras bandas a unir agressividade com melodia e riffs memoráveis. Nos últimos anos muitas bandas como Dimmu Borgir surgiram continuando esse estilo e arrebatando fãs. Você acha que essa nova tendência revitalizou a cena heavy metal? Como você vê essa cena hoje em dia?

Peter Iwers / É, talvez, eu acho que sim, foi definitivamente uma parte de, porque quando nós começamos a tocar a cena heavy metal era basicamente underground, ninguém quer falar disso, foi na época que o Bruce Dickinson deixou o Iron Maiden e a cena realmente desapareceu e agora está começando a voltar com muitas bandas boas, aparecendo, ficando grandes e conseguindo pessoas que as escutassem. Hoje em dia eu gosto de muitas bandas como Dark Tranquility, Childrem od Bodom, Arch Enemy, Dimmu Borgir, são todos meus amigos e eu acho que todos irão continuar e crescer cada vez mais, porque são muito bons.

Whiplash! / Eu já vi pessoas rotulando essa tendência de death metal melódico em casos de bandas como In Flames e At The Gates, e chamando bandas como Dimmu Borgir e Cradle of Filfth de black metal melódico. O que você acha dessa mania de rotular cada banda que aparece ou pelo menos encaixa-la em um dos rótulos existentes?

Peter Iwers / Eu não acho que seja besteira porque tudo precisa de um rótulo, mas eu acho um pouco triste que tudo tenha um rótulo diferente porque no In Flames nós não somos mais somente death metal melódico, eu acho que estamos dentro de um som maior como rock, pop, tanto faz... e eu acho que o mesmo acontece com essas bandas, no começo elas foram consideradas black metal melódico, mas talvez elas tenham mudado um pouco, eu não vejo muita diferença, é basicamente a mesma coisa, mas em áreas diferentes.

Whiplash! / Mudando de assunto, vocês participaram de um tributo ao Iron Maiden, onde tocaram Murders in the Rue Morgue, não é? Como surgiu a oportunidade de participar? Valeu a pena?

Peter Iwers / Sim, claro que valeu a pena, é sempre legal fazer um tributo ao Iron Maiden.

Whiplash! / O Iron Maiden influencia o seu trabalho? Quais outras bandas você considera importante na história do heavy metal e como cada uma delas afeta o som da banda?

Peter Iwers / Sim e não, todos da banda ouvimos muito Iron Maiden mas não como se os ouvíssemos e fizéssemos música daquilo, é como parte de nossas vidas. Eu considero importantes bandas como Kiss, Judas Priest, Def Leppard, Dio, Accept eu poderia citar cem bandas, sou um grande fã de metal então eu escuto todos esse tipos de bandas.

Whiplash! / Ainda falando sobre tributos, como você se sentiria se daqui a algum tempo fizessem um tributo ao In Flames?

Peter Iwers / Isso seria maravilhoso, realmente muito muito maravilhoso, esse seria o dia que eu me ajoelharia e beijaria o chão.

Whiplash! / Eu gostaria de lhe perguntar sobre o site oficial da banda (http://www.inflames.com) . Ele é realmente muito bom, um dos melhores que eu conheço de uma determinada banda. Vocês estão diretamente envolvidos na construção e manutenção do site?

Peter Iwers / Sim, no entanto temos um webdesigner construindo tudo, nós temos as idéias e o dizemos o que fazer. Ele pergunta a nossa opinião, se não gostamos ele muda, porém ele é um cara muito talentoso.

Whiplash! / Isso nos leva a questão da mp3. O que você pensa sobre toda essa discussão em torno dela? Eu sei que há algumas músicas disponíveis nesse formato no site oficial, e você pode pegar álbuns inteiros do In Flames no Napster ou em homepages pessoais...

Peter Iwers / Eu acho que comercialmente é muito bom, para pessoas que nunca ouviram falar de In Flames ouvir a banda pela primeira vez, isso é uma coisa muito boa. Eu não gosto quando pessoas gravam nossos shows ao vivo e colocam como mp3 na internet sem a nossa autorização porque isso traz uma imagem injusta da banda, porque se uma noite temos uma má performance no palco e no dia seguinte uma pessoa que nunca nos ouviu ouve essa performance, talvez essa pessoa fique um pouco desapontada, tem seu lado bom e ruim, eu diria. Eu gosto se faz as pessoas tomarem conhecimento do In Flames, assim como eu conheço outras bandas assim..

Whiplash! / Vocês pensam em fazer um tour na América do Sul?

Peter Iwers / Sim, nós estamos planejando, talvez para o final do ano, porém ainda não temos nada marcado com certeza, mas queremos muito fazer um tour passando pelo Brasil, Argentina, Chile, México...

Whiplash! / Muito obrigada pela entrevista, espero que vocês continuem fazendo álbuns maravilhosos. Você poderia deixar um recado para seus fãs brasileiros?

Peter Iwers / Eu espero que os brasileiros tenham paciência quanto à tour, pois ainda não temos nada confirmado, mas prometemos que faremos um ótimo show e.. espero que vocês gostem do novo álbum.




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