Dreadline - Entrevista exclusiva com a banda independente francesa.

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Enviar Correções  

Vindo diretamente da França, o Dreadline é uma das bandas que praticam o heavy metal mais tradicional de que se tem conhecimento neste momento, infestado por bandas que fazem heavy melódico e power metal. Formado em 1995, o Dreadline vem chamando mais atenção no mundo do que em seu próprio país. Mas levemos em consideração que a França nunca teve tanta tradição no underground. Formado por Christian Garrel (vocals), Renaud Lefebvre (guitar), Ronan Duparcmeur (bass) e Franck Gasnier (drums), o Dreadline chega ao Brasil ganhando algum destaque merecido, não só no Whiplash!, mas em outros meios de comunicação do mundo rocker. Para apresentar a banda, entrevistamos dois de seus músicos, Christian Garrel e Ronan Duparcmeur; entre outros, falaram sobre o crescimento do heavy na Europa, o cenário brasileiro, Iron Maiden etc. Mas quando falamos da França, do que nos lembramos imediatamente? Acertou quem respondeu: Copa do Mundo. O que teriam dito os componentes do Dreadline a respeito? Acompanhe, em mais uma super matéria do site Whiplash!; feita para você, caro leitor.
Por André Toral
Tradução / Fábio Trovão
Whiplash! / O CD do Dreadline tem músicas que foram compostas durante toda a existência da banda. Contem-nos como foi todo este processo.
Christian Garrel / O CD-R que nós enviamos para o Whiplash! é uma compilação de nossa fita demo de 1997 e nosso novo MCD lançado esse ano. "Promo Tape 97" inclui as primeiras canções que nós escrevemos. Algumas delas, como "Fire N' Ice", são o que nós chamamos "músicas clássicas do Dreadline", e nós costumamos tocá-las em todas os nossos shows. A formação que gravou essa fita demo não é a mesma da atual. Naquela época haviam dois guitarristas, e Franck Gasnier (baterista) não fazia parte da banda. Nosso MCD soa e parece mais profissional - mesmo que não sejamos uma banda profissional - e as músicas são melhores, em minha opinião. Essas são as diferenças básicas das duas fases.
Whiplash! / Sendo assim, que diferenças existem entre o antigo e o atual Dreadline?
Ronan Duparcmeur / É difícil dizer. A música da banda tem evoluído bastante desde 1995, e o processo ainda não acabou. Eu não acho que já tenhamos uma identidade musical - ainda estamos experimentando novos materiais. As pessoas costumam achar que as músicas no MCD são muito mais orientadas para heavy metal, então eu acho que essa é a principal diferença entre o CD e a fita demo. Mas me parece que nosso novo material está indo em uma direção diferente de novo. As novas músicas soam, algumas vezes, como puro speed metal, outras vezes como prog. Eu considero o todo para ter uma idéia de nossa música.
Whiplash! / A banda pratica o classic metal. Como vocês estão encontrando o caminho na Europa, onde o heavy melódico vem se disseminando fortemente?
RONAN / Eu não sei. É verdade que o "metal verdadeiro" parece estar voltando agora, mas como qualquer moda, isso provavelmente não vai durar muito. No momento, nós estamos simplesmente querendo escrever mais músicas e definir nosso próprio estilo, então quando a gente estiver pronto para fazer um álbum completo, essa moda de metal melódico pode muito bem ter acabado. Além disso, essa cena heavy metal clássica está ficando realmente cheia, especialmente na França onde qualquer banda que soe como Helloween pode ser contratada, então, paradoxalmente, tentar ser conhecido agora, poderia provavelmente nos levar a desaparecer com a moda, se você entende o que eu quero dizer. Atualmente nós não nos preocupamos com a moda atual no que diz respeito ao Dreadline. Nós apenas escrevemos músicas e preparamos para um álbum, e quando isso acontecer nós veremos se a situação nos merece ou não.
CHRIS / Há muitas bandas que estão tocando metal melódico na Europa! Nós somos uma banda jovem- apenas 4 anos - e não estamos muito famosos aqui, sabe. Então tentamos seguir passo a passo, devagar e com cuidado, fazendo a melhor música que podemos.
Whiplash! / Ainda sobre isso, algumas bandas de heavy tradicional tem retornado à cena, outras têm surgido. Vocês acreditam que esta é a chance para a consagração do Dreadline?
Chris / Bem, eu não sei se você pode chamar isso consagração mas eu espero que esse tão falado "revival" do metal clássico nos ajude um pouco. Pode ser mais fácil para que nós encontremos alguns lugares legais para shows, conseguindo novos fãs e, porque não?, conseguir um contrato de gravação. Nós temos toques thrash e progressivo na nossa música também.
Whiplash! / No CD, existe um cover para "Wrathchild" (Iron Maiden). Quais as influências do Dreadline e qual a importância disso para a banda?
CHRIS / Iron Maiden foi uma grande influência para mim - desde minha juventude - mas eu também gosto da carreira solo de Bruce Dickinson, Annihilator, Angra e Nocturnal Rites.
RONAN / Pessoalmente eu adorava Iron Maiden, e quando eu comecei a aprender baixo eu estava tentando soar como o Steve Harris. Agora eu diria que minhas influências pessoais são muito mais diversas, e mesmo que eu ainda goste de ouvir um bom e velho "Seventh Son Of A Seventh Son", não estou mais muito ligado em Iron Maiden. Considerando a banda, eu diria que nós aprendemos muito ouvindo o Maiden, mas tentamos adicionar muitas outras coisas na nossa música, e não ser apenas outra banda de heavy metal - então podemos dizer que Iron é apenas uma parte de nossas influências, junto com muitas outras bandas e estilos.
Whiplash! / Como é e/ou está o clima de shows da banda?
RONAN / Melhorando, graças a Deus. Falando sério, nós não temos feito muitos shows no momento, e na maior parte das ocasiões a platéia não estava esperando uma banda de metal, então eles estavam mais surpresos do que satisfeitos. Mas as coisas estão melhorando, atualmente. Nós podemos pelo menos tocar para pessoas que querem ouvir metal. O negócio é que a maior parte da audiência não nos conhece. Mas nós geralmente deixamos um bom feeling, e as pessoas parecem gostar dos nossos shows, o que é mais importante para nós.
CHRIS / O clima dos nossos shows depende do lugar e da platéia. Se o lugar é legal e tem muitas pessoas, se o público realmente gosta da nossa música, esse é um ótimo show! Eu gostaria de dizer que nós damos tudo e fazemos a mesma performance em frente a 3 pessoas ou 3000 pessoas, mas não é verdade! A platéia é definitivamente parte do show!
Whiplash! / Como tem sido a aceitação dos fãs ao material do Dreadline?
CHRIS / Estar em uma banda underground é como ser um corredor de longa distância. Leva tempo para entrar em contato com pessoas que são capazes de gostar de sua música. É por isso que ainda não temos muitos fãs, mas os que temos são verdadeiros.
Whiplash! / Que contatos e realizações a banda tem conseguido ao redor do mundo?
CHRIS / Brasil, Itália e Grécia deram boas respostas ao MCD. A impressa nacional nos ajuda muito. No nosso país nós ainda somos uma banda underground, mas muito bem falada pelos fanzines. Estamos mantendo contatos com pequenas gravadoras na França e pelo mundo, mas nada está acertado no momento.
Whiplash! / O que o Dreadline pretende conseguir dentro do atual momento em que o heavy metal está?
RONAN / Muito dinheiro, garotas fáceis, quentes e drogas de alta qualidade. Falando sério, nós não pensamos muito sobre o futuro nem fazemos quaisquer planos. Nós apenas aproveitamos as oportunidades que aparecem, e eu acho que seria um erro esperar qualquer coisa, especialmente quando você nota o quanto é mutável o cenário do metal. Mas quem sabe, talvez nós mudemos de idéia em um ano ou dois, se nossa música ainda for suportável.
CHRIS / Nossa meta é escrever as melhores músicas que pudermos. Quando nós tivermos feito o suficiente, talvez seja o momento de pensar em um lançamento completo. Pessoalmente, eu não estou pretendendo fazer muito dinheiro ou procurando a glória. Eu apenas quero ser sempre orgulhoso do que eu fiz e pelo que o Dreadline é.
Whiplash! / [Para Christian] De acordo com o que consta, você acompanha o heavy metal desde o início dos anos oitenta. Conte sobre sua trajetória, conquistas e como a França tem suportado o metal em todos estes anos.
Chris / Pelo que eu consigo lembrar, a França nunca foi o melhor lugar para se fazer ou ouvir metal. Esse tipo de música nunca foi moda em nosso país. Mas através dos anos, um bocado de viciados em metal sempre acreditou nele. Os anos 80 foram os anos dourados da falta de pensamento; a música e as pessoas não eram tão sérias como são hoje, no final dos anos 90. Esse final de século parece tão sombrio em nossas mentes quanto a música que nós tocamos e ouvimos.
Whiplash! / Deixem um recado para o Whiplash! e aos leitores que já conhecem ou conhecerão, após esta entrevista, o Dreadline.
Chris / Ei, seus metalheads brasileiros! Se vocês curtem coisas pesadas, esse MCD é para vocês, peça-o agora e você não irá se desapontar.
RONAN / Bem, eu pessoalmente tenho ficado bem surpreso com a cena metálica brasileira, que é muito ativa, no mínimo - seja as bandas ou o público. Por isso eu fico muito orgulhoso de que nossa música seja apreciada por aí - se os brasileiros gostam de você, então você é bom!
Whiplash! / Considerando que o Brasil perdeu a copa do mundo para a França, qual seria o consolo da banda aos brasileiros?
Chris / Primeiro, você deve ficar sabendo que a mensagem ao inverso no final do MCD é sobre esse evento famoso. Eu não acho que o Brasil perdeu a Copa do Mundo, e sim que a França a ganhou, essa é a diferença. Mas, pelo nosso Fairplay (jogo-limpo), cada leitor do Whiplash! que encomendar nosso MCD vai receber uma foto autografada da banda.

publicidade




Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

LA Weekly: as 20 piores bandas de todos os temposLA Weekly
As 20 piores bandas de todos os tempos

Pink Floyd: The Wall é uma obra de arte conceitualPink Floyd
The Wall é uma obra de arte conceitual


WhiFin