Pantera: o fã que teve que raspar a cabeça no mesmo lugar da tatuagem de Anselmo
Por Ivan Júnior Urnau
Fonte: Tudo Sobre Pantera
Postado em 23 de março de 2015
O fotógrafo John Kaplan conta a incrível história por trás da foto que ganhou o prêmio Pulitzer [prêmio norte-americano oferecido a pessoas que realizem trabalhos de excelência na área do jornalismo, literatura e composição musical].
O que te fez querer trabalhar com o Pantera? Você era fã?
Eu tinha um amigo na faculdade, Joe Giron, que mais tarde se tornou um fotógrafo de rock bastante famoso. Nos anos 80, eu estava na cidade para fotografar um jogo de futebol americano da liga profissional, e o Joe me levou para ver o Pantera em um bar local. Eles eram bem conhecidos no Texas na época, mas eram, como alguns dizem, só mais uma banda glam. Phil Anselmo ainda estava para entrar no grupo e cumprir seu papel de transformar totalmente o som deles.
No que consistia exatamente o projeto "21"?
Recebi um incentivo da Nikon para ajudar em um projeto sobre os diversos estilos de vida da juventude americana. A ideia era documentar o estilo de vida de jovens de 21 anos, alguns dos rejeitados pela sociedade, e também alguns ícones culturais como uma modelo de Nova York, um jogador de futebol americano da liga profissional e, é claro, um rock star. Isso aconteceu em 1990, então, o 'Cowboys From Hell' estava quase para ser lançado. Joe sugeriu o Phil como um candidato ideal. Phil ainda não era uma estrela na época, mas era fácil de perceber pelo seu carisma e pelo magnetismo de sua presença que ele estava trilhando seu caminho.
E como foi trabalhar com o jovem Philip Anselmo?
Ele era magnético e cheio de auto-confiança. Uma força poderosa desde então, mas de um jeito positivo. Ele era teimoso como todas pessoas bem sucedidas precisavam ser, mas quase sempre feliz. Era o mais intenso dos seus colegas de banda e era determinado [driven]. Muito mais que determinado [Far Beyond Driven]. Na época, ele ainda era um dos muitos vocalistas/compositores aspirantes, cheio de sonhos, mas também poderosamente focado em como realizá-los. Voei para Dallas para encontrá-lo e passei o fim de semana todo quebrado no sofá do apartamento suburbano horrível em que ele morava. Phil era legal e bem receptivo, assim como todos os caras do Pantera. Lavava suas roupas como qualquer outra pessoa...
Você consegue descrever como foi o clima na sala que você tirou aquelas fotos?
Estávamos só eu e ele em seu não tão glamouroso apartamento. Phil tinha pôsteres de bandas na parede assim como muitos garotos de 21 anos têm. Mas seus gostos na época eram diversos também, não eram só metal. Tinha um pôster grande do The Cure em cima do sofá e também um do Red Hot Chili Peppers!
Você deve ter ficado bem orgulhoso com o prêmio Pulitzer!
Foi a única fotografia relacionada ao rock and roll que ganhou esse prêmio na história. Foi incrível. Mas isso não mudou quem eu sou de verdade. No final das contas, você não chega em casa à noite e abraça um troféu. Eu ainda tenho que trocar a areia do meu gato assim como qualquer outra pessoa. E é assim que eu quero que seja. Como um professor de Faculdade por 15 anos na Universidade da Flórida, eu sempre digo aos meus alunos que se eles quiserem me chantagear de alguma forma, eles podem me encontrar no primeiro clipe do Pantera, 'Cowboys From Hell'.
Pode nos falar sobre o Ryan Koehn e a inspiração que ele encontrou na sua foto?
Essa é uma história incrível, de celebração da vida. Há 5 anos, eu fui surpreendido com não apenas um, mas dois diagnósticos de câncer. No meio do meu tratamento, eu recebi, do nada, um email de Todd Koehn, um professor de Detroit que me escreveu dizendo que uma das minhas fotos do Phil Anselmo tinha se tornado a inspiração para o seu irmão Ryan viver. Todd disse que Ryan, um bombeiro, estava enfrentando um câncer cerebral e tinha encontrado esse ensaio na internet que mostrava o perfil do Phil com sua tatuagem 'Strength' [Força]. A cicatriz da cirurgia cerebral do Ryan ficava exatamente no mesmo lugar da tatuagem. O Phil era o ídolo do Ryan.
E o que aconteceu depois disso?
Bom, o Todd escreveu dizendo que ele queria comprar uma réplica da foto para o seu irmão. Eu respondi dizendo que, obviamente, daria a foto pra ele e que, eu mesmo, ironicamente, também estava enfrentando um câncer. Eu esperava e rezava para meu câncer entrar em remissão. No fim, o que aconteceu acabou se tornando parte da minha recuperação também. Então pensei...ao invés de eu entregar uma grande réplica da foto, por que não o rock star fazer isso em pessoa? Alguns meses depois, o Down estava em turnê por Detroit. Eu tinha entrado em completa remissão e perguntei ao meu médico se poderia viajar. O resto foi pura mágica. Phil ficou mais de uma hora com os irmãos Koehn, acabaram virando amigos. Nós quatro somos unidos até o fim por aquele dia incrível, obra do destino.
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