Helter Skelter: a canção que Manson roubou dos Beatles
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 02 de novembro de 2012
Em nove de agosto de 1969, a casa do cineasta ROMAN POLANSKI foi invadida por um grupo pseudo-religioso de fanáticos conhecidos como Família Manson, resultando no espancamento e assassinato de seus ocupantes, entre eles a esposa do diretor, a atriz SHARON TATE. O grupo, liderado por CHARLES MANSON, atacou novamente na noite seguinte, matando o casal LENO e ROSEMARY LA BIANCA, escrevendo nas paredes, com o sangue das vítimas, as frases "morte aos porcos" e "Helter Skelter", título de uma canção dos BEATLES lançada em novembro do ano anterior.
O caso acabou tomando proporções tão gigantescas que a frase "a canção que Charles Manson roubou dos Beatles" se tornou uma identificação posterior quando o U2 gravou a faixa, e o simbolismo da ocorrência, juntamente com os acontecimentos do show de Altamont dos STONES, são utilizados por vários historiógrafos como o fim da era flower-power e, o duro início dos anos setenta, marcados por recessões econômicas, consumo voraz de drogas pesadas e a mudança nos rumos sonoros do rock n´roll.
"Helter Skelter", lançada no chamado "Àlbum Branco "- que a exemplo do "Álbum Preto" do METALLICA não tem nome e ficaram assim conhecidos – foi acusada de conter mensagens subliminares - e toda espécie de cretinice esperada pela bancada de oposição ao rock n´roll. MANSON, no alto de sua insanidade, declarou que havia entendido o recado da banda de Liverpool – segundo ele, a letra continha a conclamação de uma guerra racial necessária e iminente.
Pirações a parte, a canção foi desenvolvida a partir de uma crítica feita por CHRIS WELCH na revista Melody Maker a respeito de "I Can See for Miles", em que, entre várias menções elogiosas, disse que a faixa do THE WHO era o "rock n´roll mais alto e rouco, a coisa mais sórdida que já tinham feito".
Esse comentário foi o suficiente para cutucar com vara curta o ego colossal de PAUL McCARTNEY. Sempre procurando a superação – louvável, por sinal – de seus pares, o baixista escreveu o grosso da canção, gravado em julho de 68 em um take "bruto" de uma hora, transformado na versão definitiva em setembro daquele ano. "Helter" é reconhecida como uma das primeiras faixas de proto-metal da história, construída sobre um riff cru e furioso, alicerçado pelo vocal semi-psicótico de PAUL. A bateria desesperada de RINGO fez com que ele jogasse suas baquetas longe, e o grito de "estou com bolha nos meus dedos!", entrou para o take final da gravação.
Quarenta e quatro anos depois, a canção ainda é motivo de controvérsia e debate, com muita gente insistindo em achar significados ocultos no registro. Mas a melhor das interpretações sobre a faixa, ainda veio de JOHN LENNON: "Para mim era só barulho".
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