Led Zeppelin: conheça a história do clássico "In My Time Of Dying"
Por João Pedro Micheletti
Fonte: that old guitar
Postado em 18 de julho de 2011
"In My Time of Dying", ou "Jesus Goin' A-Make Up My Dying Bed", ou "Jesus is a Dying-Bed-Maker" é uma canção folclórica norte-americana. De origem provavelmente sulista e negra, a música é conhecida principalmente pela versão do LED ZEPPELIN - que, como de costume, se apropriou dos créditos da composição. Mas a peça é bastante tradicional e merece um dissecamento apropriado.
As raízes da canção são provavelmente ligadas a cultos de igrejas afroamericanas a partir da segunda metade do século XIX. Como todo mundo sabe, essas igrejas tem uma história muito ligada às do blues, do soul e do R&B. "In My Time of Dying" é um blues, e uma das bandeiras do gênero.
A lírica é bastante clara, e, apesar da letra ter passado por alterações através da história, a ideia se mantém: o personagem de frente à morte, mas sabendo que essa não será tão terrível porque Jesus o confortará e "fará sua cama".
Uma das primeiras versões gravadas - e uma das mais influentes - de "In My Time of Dying" é a da lenda BLIND WILLIE JOHNSON. Com a letra consideravelmente diferente da que conhecemos hoje, mas sem muitos desvios na temática, a interpretação, de nome "Jesus Make Up My Dying Bed", foi gravada em 1927. Nela, já fica claro que a canção e o slide guitar são inseparáveis.
Em 1933, JOSH WHITE gravou a versão que ditaria o ritmo de todas as outras que vieram depois. Como a que BOB DYLAN trouxe, em seu debut, uma interpretação emblemática, já com o nome que conhecemos hoje. Segue a letra da versão de DYLAN (afinal, se alguma letra deve ser analisada, é a do mestre):
Bem, na minha hora de morrer não quero ninguém de luto
Tudo que eu quero que você faça é levar meu corpo para casa
Bem, bem, bem, para que eu possa morrer fácil
Bem, bem, bem
Bem, bem, bem, para que eu possa morrer fácil
Jesus fará, Jesus fará
Jesus fará o meu leito de morte
Bem, Jesus, me encontre, me encontre no meio do ar
Se essas asas falharem, Senhor, você vai me encontrar com outro par?
Bem, bem, bem, para que eu possa morrer fácil
Bem, bem, bem
Bem, bem, bem, para que eu possa morrer fácil
Jesus fará, Jesus fará
Jesus fará o meu leito de morte
Senhor, na minha hora de morrer não quero que ninguém chore
Tudo que eu quero que você faça é me levar quando eu morrer
Bem, bem, bem, para que eu possa morrer fácil
Bem, bem, bem
Bem, bem, bem, para que eu possa morrer fácil
Jesus fará, Jesus fará
Jesus fará o meu leito de morte
Em 1971, JOHN SEBASTIAN gravou "Well, Well, Well", sua leitura da música. Impregnada do clima dos anos 70, a interpretação foi a primeira a ter como base o rock 'n' roll.
Em 1975, veio a grande versão de "In My Time of Dying": a do LED ZEPPELIN no famoso disco duplo "Physical Graffiti". A interpretação, que combina blues e instantes de groove funk, figura como um dos melhores trabalhos do LED, em mais uma mostra da química incomparável que o grupo ostentava. Nos mais de 11 minutos, Jimmy Page dá um show, levando o slide ao limite, em um dos momentos memoráveis da técnica. Quando Sir Page empunhava nos espetáculos sua Danelectro preta e branca, o público já sabia que a coisa estava prestes a ficar feia...
"In My Time of Dying" é mais um clássico blues norte-americano, além de uma bandeira importante do rock 'n' roll. Seguem mais algumas interpretações interessantes.
Interpretação de CHARLEY PATTON, mais uma lenda do blues a fazer uma leitura do clássico
POPS STAPLES, em álbum vencedor do Grammy e versão digna dos anos de origem da canção:
A balada alternativa de LYDIA LUNCH:
A versão eletrônica/alternativa de MARTIN GORE:
JIMMY PAGE revivendo a canção em turnê com o BLACK CROWES:
A interpretação violenta de ZAKK WYLDE com o PRIDE & GLORY:
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