Nirvana: "Teoria é um desperdício de tempo", dizia Kurt

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Por Nacho Belgrande
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Estranhamente alheio à maioria dos fãs de rock, esse prefácio foi cunhado por Kurt Cobain para o lançamento da primeira coletânea de partituras do NIRVANA, ainda no começo dos anos 90. O conteúdo, polêmico e controverso por si próprio, reflete bem as visões e aspirações musicais do instrumentista, morto em 1994.

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Segue a tradução do texto na íntegra:

“Oi, eu toquei tarol da quinta até a nona série. Durante esse tempo eu não me importava em aprender como ler uma partitura, eu simplesmente esperava pelo CDF na primeira fila aprender cada música, e então eu simplesmente o copiava. Eu dei um jeito de me sair bem sem jamais ter que ler música.

Demorou 5 anos até que eu me apercebesse o quão ritmicamente retardado eu era como baterista, então eu vendi algumas das armas do meu pai, e usei o dinheiro pra comprar minha primeira guitarra elétrica de seis cordas.

Eu aprendi tudo que eu precisava saber com uma semana de aulas, as quais resultaram no notório conhecimento musical de E A B (MI, LÁ, SI), os acordes de ‘Louie Louie’. Eu notei que eu poderia usar as posições dos dedos da nota RE em qualquer lugar da guitarra, isso é conhecido como power chord.

Então, depois de aprender canções como ‘Louie Louie’, do Kingsmen, ‘Wild Thing’ do Troggs e ‘My Best Friend’s Girl’ do The Cars, eu decidi que para me tornar um famoso astro do rock, eu precisaria escrever minhas próprias canções ao invés de desperdiçar meu tempo aprendendo a tocar as de outras pessoas, porque se você estuda a música e outras pessoas demais, isso pode agir como uma distração ao desenvolvimento de seu próprio estilo pessoal.

Alguém me disse que há institutos de tecnologia de guitarra ao redor do mundo onde eles te ensinam a ser uma merda dum herói de bandas cover sem originalidade com estrelas em seus olhos. Uh, poxa, eu acho que o que eu estou tentando dizer é:

Teoria é um desperdício de tempo. Modo dório (ou ‘escalas blue’, como são conhecidas no Brasil) são para garotos tecnicamente frescos com valores deturpados. Faça sua própria música. Eric Clapton toca licks de blues velhos de segunda categoria. Muita prática é como muito açúcar. Weird Al Yankovic [comediante americano conhecido por fazer paródias de músicas famosas] é o gênio do pop-rock moderno dos EUA. Faça o seu lance. Se você copiar muito, você vai acabar no limbo das bandas cover de salões de festa.

P.S.: a parte de guitarra de ‘Come as You Are’ é a mesma de uma canção chamada “Eighties” do Killing Joke e [Smeels Like] ‘Teen Spirit’ lembra muito ‘Godzilla’, do Blue Oyster Cult e o Cult é AC/DC.

A guitarra tem doze notas. A guitarra é baseada em matemática. Rock and roll baseado em guitarra tem sido feito por mais de 30 anos. Há limitações quando se trabalha dentro das estruturas de um ritmo característico de tempo padrão 4/4 de rock.

Então considere esse livro musical apenas como algo para se ter como uma coleção de tampas de garrafa ou cartões de baseball ou um álbum de fotos de família ou um exemplo de exatamente como não desenvolver suas habilidades musicais.

Boa diversão,

Com amor, Kurt.”

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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