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A Magia Ancestral do Green Lung: O Impacto Monumental de "Woodland Rites"

Resenha - Woodland Rites - Green Lung

Por
Postado em 12 de agosto de 2026

A Ascensão de um Novo Titã do Heavy Metal

Poucos momentos no Rock Pesado moderno são tão impressionantes quanto testemunhar o nascimento de um clássico instantâneo. Lançado originalmente em 2019, "Woodland Rites", o álbum de estreia dos britânicos do Green Lung, não apenas colocou o quinteto de Londres no mapa do Doom/Stoner Metal global, mas também estabeleceu um padrão de excelência raramente visto em um primeiro disco.

Foto: Reprodução
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Para a alegria dos colecionadores e fãs brasileiros, essa obra-prima ganha uma merecidíssima edição física nacional no Brasil através da Shinigami Records, permitindo que o público local celebre o ponto de partida de uma das trajetórias mais sólidas da atualidade. Hoje, com uma história já consolidada, três álbuns aclamados nas costas e a forte expectativa para o lançamento de seu quarto registro de estúdio em 2026, olhar para trás e reouvir Woodland Rites é entender onde toda essa energia mística foi forjada.

Antes deste debut arrebatador, a banda havia soltado apenas uma demo tímida e o cultuado EP Free the Witch (2018). Contudo, a transição para o primeiro Full-Length revelou um salto criativo descomunal. A maturidade que o Green Lung demonstrou logo de cara é algo absurdo - soando como um grupo que já ostentava décadas de estrada e domínio absoluto da sua identidade sonora.

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Sonoridade e Estética: A Herança Sabáthica sem Sombras de Cópia

O grande segredo de Woodland Rites reside no equilíbrio perfeito de suas influências. A ambientação sonora bebe diretamente no poço sagrado do Black Sabbath dos anos 70 - evocando o peso cru de Tony Iommi e a estética psicodélica da NWOBHM -, mas passa longe de qualquer tentativa de cópia ou nostalgia barata. O som é incrivelmente orgânico, encorpado e vivo, sustentado pelo casamento perfeito entre os riffs afiados de guitarra, a cozinha pulsante e as camadas hipnóticas de órgão Hammond, que dão um tom de ritual pagão às canções.

Foto: Nuclear Blast
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Diferente de muitas bandas de Occult Rock que se distanciam do ouvinte em uma aura de soberba ou hermetismo, o Green Lung adota uma postura inclusiva. A temática mística e o folclore britânico são entregues como um convite irrecusável: as letras e os vocais do frontman Tom Templar - que navega com maestria entre o tom agudo de Ozzy Osbourne e a imponência soturna de Scott Reagers (Saint Vitus) - chamam quem está ouvindo para fazer parte do próprio sabá, caminhando lado a lado pela floresta obscura.

Uma Jornada sem Desperdícios: Destaques do Tracklist

Trata-se de um disco impecavelmente coeso do início ao fim, onde cada faixa cumpre um papel fundamental na narrativa.

"Initiation" & "Woodland Rites": A abertura é uma aula de construção de atmosfera. Sons de pássaros e folhas ao vento se fundem a dedilhados acústicos tranquilos, apenas para serem subitamente estilhaçados por um riff devastador de fuzz. A faixa-título entra com o pé no peito, servindo como o cartão de visitas perfeito do "Natural Metal" praticado pelo grupo.

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"Let The Devil In": Com uma linha de baixo grave que bate no peito como um coice, a música traz um groove irresistível, mesclando guitarras pesadíssimas e harmonias vocais cativantes em um convite quase divertido para "deixar o diabo entrar".

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"Ritual Tree" (Destaque Absoluto): Uma verdadeira viagem psicodélica e arrastada. O órgão de abertura evoca o clima lúgubre de um convento abandonado antes da banda desabar em uma sequência de riffs monumentais. A seção intermediária desacelera, criando uma atmosfera viajante que culmina em um dos solos de guitarra mais épicos e inspirados do álbum.

"May Queen" (Imperdível): A faceta melancólica da banda atinge o seu ápice nesta composição soberba. Uma balada bluesy, mórbida e profundamente emocionante sobre o sacrifício ritualístico na pira de vime. O trabalho vocal expressivo de Templar combinado a um solo de guitarra carregado de sentimento constrói o momento mais tocante de todo o registro.

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"Into The Wild": O encerramento resgata a força bruta de clássicos como "Into The Void", trazendo uma mensagem de isolamento, reflexão e rejeição à sociedade moderna, finalizando o ritual com chave de ouro e deixando o ouvinte sedento por mais.

Veredito

Woodland Rites é um triunfo do Heavy Metal autêntico. Um álbum coeso, visceral, incrivelmente bem composto e recheado de personalidade. Para qualquer fã de metal pesado, Stoner ou Doom que busque música feita com alma, peso de verdade e paixão pela tradição oculta, este disco não é apenas recomendado: é simplesmente imperdível.

Tracklist:
Initiation  
Woodland Rites    
Let The Devil In  
The Ritual Tree   
Templar Dawn      
Call Of The Coven 
May Queen   
Into The Wild

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Banda:
Tom Templar - Vocals
Scott Black - Guitar
Andrew Cave - Bass
Matt Wiseman - Drums
John Wright - Organ

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Sobre André Luiz Paiz

André Luiz Paiz é formado em computação, funcionário público do estado de São Paulo e fanático por música. Criou o site colaborativo 80 Minutos para que os usuários se cadastrem e avaliem seus álbuns favoritos.
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