A Magia Ancestral do Green Lung: O Impacto Monumental de "Woodland Rites"
Resenha - Woodland Rites - Green Lung
Por André Luiz Paiz
Postado em 12 de agosto de 2026
A Ascensão de um Novo Titã do Heavy Metal
Poucos momentos no Rock Pesado moderno são tão impressionantes quanto testemunhar o nascimento de um clássico instantâneo. Lançado originalmente em 2019, "Woodland Rites", o álbum de estreia dos britânicos do Green Lung, não apenas colocou o quinteto de Londres no mapa do Doom/Stoner Metal global, mas também estabeleceu um padrão de excelência raramente visto em um primeiro disco.

Para a alegria dos colecionadores e fãs brasileiros, essa obra-prima ganha uma merecidíssima edição física nacional no Brasil através da Shinigami Records, permitindo que o público local celebre o ponto de partida de uma das trajetórias mais sólidas da atualidade. Hoje, com uma história já consolidada, três álbuns aclamados nas costas e a forte expectativa para o lançamento de seu quarto registro de estúdio em 2026, olhar para trás e reouvir Woodland Rites é entender onde toda essa energia mística foi forjada.
Antes deste debut arrebatador, a banda havia soltado apenas uma demo tímida e o cultuado EP Free the Witch (2018). Contudo, a transição para o primeiro Full-Length revelou um salto criativo descomunal. A maturidade que o Green Lung demonstrou logo de cara é algo absurdo - soando como um grupo que já ostentava décadas de estrada e domínio absoluto da sua identidade sonora.
Sonoridade e Estética: A Herança Sabáthica sem Sombras de Cópia
O grande segredo de Woodland Rites reside no equilíbrio perfeito de suas influências. A ambientação sonora bebe diretamente no poço sagrado do Black Sabbath dos anos 70 - evocando o peso cru de Tony Iommi e a estética psicodélica da NWOBHM -, mas passa longe de qualquer tentativa de cópia ou nostalgia barata. O som é incrivelmente orgânico, encorpado e vivo, sustentado pelo casamento perfeito entre os riffs afiados de guitarra, a cozinha pulsante e as camadas hipnóticas de órgão Hammond, que dão um tom de ritual pagão às canções.

Diferente de muitas bandas de Occult Rock que se distanciam do ouvinte em uma aura de soberba ou hermetismo, o Green Lung adota uma postura inclusiva. A temática mística e o folclore britânico são entregues como um convite irrecusável: as letras e os vocais do frontman Tom Templar - que navega com maestria entre o tom agudo de Ozzy Osbourne e a imponência soturna de Scott Reagers (Saint Vitus) - chamam quem está ouvindo para fazer parte do próprio sabá, caminhando lado a lado pela floresta obscura.
Uma Jornada sem Desperdícios: Destaques do Tracklist
Trata-se de um disco impecavelmente coeso do início ao fim, onde cada faixa cumpre um papel fundamental na narrativa.
"Initiation" & "Woodland Rites": A abertura é uma aula de construção de atmosfera. Sons de pássaros e folhas ao vento se fundem a dedilhados acústicos tranquilos, apenas para serem subitamente estilhaçados por um riff devastador de fuzz. A faixa-título entra com o pé no peito, servindo como o cartão de visitas perfeito do "Natural Metal" praticado pelo grupo.
"Let The Devil In": Com uma linha de baixo grave que bate no peito como um coice, a música traz um groove irresistível, mesclando guitarras pesadíssimas e harmonias vocais cativantes em um convite quase divertido para "deixar o diabo entrar".
"Ritual Tree" (Destaque Absoluto): Uma verdadeira viagem psicodélica e arrastada. O órgão de abertura evoca o clima lúgubre de um convento abandonado antes da banda desabar em uma sequência de riffs monumentais. A seção intermediária desacelera, criando uma atmosfera viajante que culmina em um dos solos de guitarra mais épicos e inspirados do álbum.
"May Queen" (Imperdível): A faceta melancólica da banda atinge o seu ápice nesta composição soberba. Uma balada bluesy, mórbida e profundamente emocionante sobre o sacrifício ritualístico na pira de vime. O trabalho vocal expressivo de Templar combinado a um solo de guitarra carregado de sentimento constrói o momento mais tocante de todo o registro.
"Into The Wild": O encerramento resgata a força bruta de clássicos como "Into The Void", trazendo uma mensagem de isolamento, reflexão e rejeição à sociedade moderna, finalizando o ritual com chave de ouro e deixando o ouvinte sedento por mais.
Veredito
Woodland Rites é um triunfo do Heavy Metal autêntico. Um álbum coeso, visceral, incrivelmente bem composto e recheado de personalidade. Para qualquer fã de metal pesado, Stoner ou Doom que busque música feita com alma, peso de verdade e paixão pela tradição oculta, este disco não é apenas recomendado: é simplesmente imperdível.
Tracklist:
Initiation
Woodland Rites
Let The Devil In
The Ritual Tree
Templar Dawn
Call Of The Coven
May Queen
Into The Wild
Banda:
Tom Templar - Vocals
Scott Black - Guitar
Andrew Cave - Bass
Matt Wiseman - Drums
John Wright - Organ
Outras resenhas de Woodland Rites - Green Lung
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