A coincidência macabra associada com o Talking Heads, mas a "culpa" era do Alice Cooper
Por Bruce William
Postado em 30 de setembro de 2026
Quando o Talking Heads lançou "Psycho Killer" em 1977, o título parecia quase assustadoramente oportuno. Nova York havia acabado de atravessar meses de medo provocados por David Berkowitz, o assassino conhecido como Son of Sam, e muita gente naturalmente ligou uma coisa à outra, conta a Far Out.
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Berkowitz havia assassinado seis pessoas e ferido outras sete numa série de ataques entre 1976 e 1977. Foi preso em agosto daquele ano, enquanto "Psycho Killer" apareceria poucos meses depois como um dos destaques de "Talking Heads: 77". Algumas linhas da música, sobre tensão, insônia e descontrole, pareciam encaixar bem demais no clima das manchetes da época.
Só havia um problema nessa teoria: a música já existia antes de Son of Sam começar a matar. O Talking Heads a apresentava ao vivo ainda em 1975, e suas primeiras versões remontavam aos tempos em que David Byrne, Chris Frantz e Tina Weymouth ainda estavam desenvolvendo o repertório que daria origem à banda.
"Não há dúvida de que Son of Sam era um psycho killer", brincou Frantz anos depois. "Mas a razão de a música ser sobre um assassino psicótico é que David disse ter tirado a inspiração de uma música de Alice Cooper." O baterista lembrou que "Billion Dollar Babies", lançado em 1973, e toda a estética de horror de Alice tiveram peso importante na ideia. Smashing Interviews Magazine
Byrne contou uma história parecida. Ele queria descobrir se conseguia escrever uma música e imaginou algo que misturasse o assunto dramático de Alice Cooper com a maneira de Randy Newman construir personagens. "Pensei em tentar escrever algo que fosse talvez um cruzamento entre Alice Cooper e Randy Newman", explicou.
A intenção não era narrar assassinatos nem construir uma história policial detalhada. Byrne queria entrar na cabeça de alguém desequilibrado e trabalhar aquele fluxo mental sem transformar a canção numa espécie de filme de terror cantado. O acaso, porém, fez o resto. Quando "Psycho Killer" finalmente chegou ao público em escala maior, Nova York ainda tinha Son of Sam muito fresco na memória.
Uma música escrita anos antes acabou parecendo comentário imediato sobre um dos crimes mais comentados da década, e a confusão sobre sua origem sobreviveu muito mais do que o próprio mistério.
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