Giant Void: Um dos melhores discos do ano vem do interior paulista
Resenha - Abyssal - Giant Void
Por Bruno Steffen
Postado em 31 de outubro de 2023
A banda Sorocabana The Giant Void já havia causado bastante impacto e recebeu muitas críticas positivas com o lançamento de seu primeiro álbum, o "Thought Insertion" (2021). Agora, está prestes a lançar seu sucessor, o "Abyssal", que estará disponível em mídia física no dia 25 de outubro de 2023 e nas plataformas digitais a partir de 31 de outubro - em pleno Halloween. Eu tive a oportunidade e o prazer de ouvir o álbum em primeira mão antes de seu lançamento, para trazer minha resenha.

A The Giant Void conta com Hugo Rafael nos vocais, que muitos podem se lembrar pelo seu trabalho no Sambô, além de ser finalista do The Voice Brasil, e Felipe Colenci, o idealizador do projeto, guitarrista, produtor musical de renome, e grande nome da cena do Heavy Metal Sorocabano (Tendo tocado entre os anos de 2001 e 2004 na banda Fire Diamond e gravado dois álbuns com a banda Blackdome), gravando tanto as guitarras, além das linhas de baixo, violões, teclados, vocais de apoio e alguns guturais ao longo do disco.
O Felipe também foi responsável pela produção e mixagem do álbum, que ainda conta com a participação mais que especial do baterista alemão Michael Ehré, muito conhecido pelo seu trabalho no Gamma Ray e Primal Fear, e que é músico convidado da The Giant Void desde o debut "Thought Insertion".
O "Abyssal" foi masterizado na Espanha pelo brasileiro Fernando Delgado e conta com uma capa linda, que foi realizada em colaboração entre João Vicentim, Joao Schendel e João Henrique Miranda, os quais também foram responsáveis pelas - também incríveis - capas dos três singles lançados, e que desde já merecem destaque.

"Dirty Sinner", que abre o álbum com os dois pés no peito do ouvinte, com um riff agressivo e que em contrapartida tem melodias contagiantes e grudentas, enquanto sua letra fala sobre os obstáculos criados por você mesmo em sua mente. é um som que mostra muito do disco.
"Chosen one" a nona faixa do álbum e que tanto a capa do seu single quanto em sua letra, têm uma crítica ferrenha àqueles "líderes religiosos" que vendem mentiras em nome da fé alheia. Uma das mais pesadas do disco, beirando o Thrash Metal, e que tem um refrão sensacional – destes que funcionam muito bem ao vivo.

E "War Heroes", último single lançado, uma música épica de mais de 8 minutos, com um dos melhores solos do disco (que conta também com uma bela interpretação da "Canção do Expedicionário" do Exército Brasileiro). É uma música que narra a história sensacional de Danilo Moura Marques, um piloto brasileiro, que foi atingido durante uma operação na Itália, e caiu atrás de linhas inimigas durante a segunda guerra mundial, e que se eu fosse você, depois de ler esta resenha, iria assistir o clipe que mostra com detalhes essa saga numa animação impressionante –
O "Abyssal" conta com pouco mais de 1 hora de duração, em 12 músicas muito bem trabalhadas, que entregam um mix moderno do heavy e power metal, flertando também com o hard rock, tudo da melhor qualidade e com muitas camadas, nuances e detalhes colocados a dedo, que fazem de cada audição um processo interessante de descoberta e que vai te surpreender mesmo depois de múltiplas ouvidas.
Sem dúvidas é um disco bastante agressivo, e ainda mais pesado que o antecessor, e muito por conta do grande trabalho do Felipe Colenci tanto no baixo, que entrega muito peso e muita presença durante o álbum todo (Martelando desde o início do álbum, acompanhando o riff de "Dirty Sinner" e com uma atuação marcante em "Ashen Empires PT1 – Rising Empire" e "Inner Truth"), quanto na guitarra, que sem sombra de dúvidas merece mais do que um parágrafo nesta resenha.
A guitarra é a grande protagonista do disco, dando um peso absurdo, e guiando e direcionando as músicas por meio de riffs poderosos e muito bem lapidados (em "The Black Pit", o riff remete aos tempos áureos das bandas alemãs Running Wild e Grave Digger), por vezes inquietos (como em "The Key" e "Chosen One"), além de esbanjar arranjos e levadas que estão sempre em constante evolução e com variações incríveis dentro das próprias músicas.
O Felipe ainda entrega solos muito inspirados, e que caem como uma luva nas músicas, sem desperdiçar uma nota ou segundo sequer. Destaque pra mim são os solos de "War Heroes", "Dirty Sinner" e "Dimensions Collide".
O Felipe ainda se arriscou nos vocais, mandando guturais de qualidade em "Human Downfall", som em que faz dueto com a voz limpa do Hugo num dos grandes momentos do disco.
A agressividade também se manifesta na voz do Hugo, que elevou seu nível em relação ao "Thought Insertion". Ele está muito mais solto e com uma potência incrível, seja quando canta de forma limpa, seja quando arrasa com "drives" sensacionais.
A versatilidade e o alcance do Hugo são impressionantes, e ele se adapta com maestria ao que cada música exige, carregando também muita emoção em sua voz, como em "The Black Pit", em que narra, sob o ponto de vista de tripulantes de um submarino, uma batalha no Atlântico durante a segunda guerra mundial, e, na climática outro de "Human Downfall", que funciona quase como um segundo refrão e fecha o disco com chave de ouro, transparecendo otimismo e calma, ao mesmo tempo que carrega uma certa melancolia no ar, tal qual sua letra incrível, que narra um futuro distópico em que nossa pandemia nunca acabou.
O Hugo também brilha na quarta música do disco, "Monster Within", em que ele mostra uma faceta muito diferente do restante do disco, em uma música que mistura o Power Metal, com os riffs e levadas impressionantes do Felipe, misturados à malícia do Shock Rock, e que além do trabalho principal de voz, conta com backing vocals sensacionais no refrão.
Poucos vocalistas conseguem reproduzir o que o Hugo faz em "Abyssal".
Fato é, que todo esse peso e agressividade são muito bem aproveitados e se aliam a melodias vocais muito marcantes e cantáveis, desde versos empolgantes até os refrãos. O "Abyssal", aliás, dá uma aula de ótimos refrãos: alguns deles mais épicos, como em "War Heroes" e "The Black Pit" - esta última que remete ao melhor do Iron Maiden-, enquanto outros refrãos vão para um lado mais divertido e descontraído, como em "Mars" que mistura o heavy metal com o hard rock enquanto fala e levanta questionamentos sobre o planeta vermelho, e "Inner Truth", uma música que fala sobre confiança em si mesmo – impossível de não se contagiar- já totalmente voltada para o Hard Rock.
O álbum ainda conta com alguns refrãos que tanto funcionam no disco, quanto são feitos para serem tocados ao vivo para o público: "Ashen Empires PT2 – New World Order", "Monster Within", e principalmente "Chosen One", são exemplos que logo na primeira ouvida, já se imagina a plateia em peso, e com a energia lá em cima, cantando junto da banda.
Outro elemento que é essencial pro disco são os teclados gravados pelo Felipe, por vezes mais tímido, ajudando na ambientação, enquanto em outras faixas é parte essencial – criando uma pegada épica e explosiva em "Ashen Empires PT2 – New World Order", criando uma camada de tensão em "Human Downfall", e, até mesmo sendo utilizado de forma mais divertida ditando o tom de "Mars" e "Inner Truth".
Mas o maior destaque das teclas é na terceira do disco, "The Key" em que o instrumento é um dos protagonistas, e é usado de uma maneira que adiciona ainda mais peso a uma das músicas mais pesadas do disco. "The Key", aliás, é uma música que cresce a cada ouvida, e que, assim como sua letra, vai tomando um caminho cada vez mais de tensão e agressividade em contrapartida aos primeiros versos musicalmente mais empolgantes e mais questionadores.
Falando agora das linhas de bateria do "Abyssal", estão todas muito bem construídas pelo Michael Ehré que gravou as trilhas na Alemanha. O Disco é cheio de levadas criativas grooves pesados, e ótimas viradas. O Michael usou e abusou dos pratos de ataque, inclusive em algumas marcações, ajudando a criar as atmosferas densas e agressivas do disco, sendo novamente um destaque claro neste sentido, a terceira faixa "The Key".
Fato é que o "Abyssal" vai dar trabalho para o ouvinte escolher uma música só como preferida. Em algumas músicas a identificação é imediata, e já vai dar ao ouvinte vontade de sair cantando junto, enquanto outras músicas vão se desenvolvendo a cada audição, ficando cada vez melhores.
Sem dúvidas o "Abyssal" é um dos melhores discos lançados em 2023, se não o melhor, trazendo uma sonoridade agressiva, épica, envolvente, e que se alia a letras densas, reflexivas e questionadoras, que abordam desde a mente humana, histórias de guerra, críticas afiadas e futuros distópicos (não tão distantes assim).é um disco que você vai querer ouvir, e depois vai querer ouvir de novo, e de novo.
TRACKLIST:
1-) Dirty Sinner, (Colenci/Hugo/Rangel)
2-) Ashen Empires PT2 - New World Order (Colenci/Rangel)
3-) The Key – (Colenci)
4-) Monster Within (Colenci/Hugo)
5-) The Black Pit (Colenci)
6-) Mars (Colenci)
7-) Inner Truth (Colenci)
8-) War Heroes (Colenci)
9-) Chosen One (Colenci)
10-) Dimensions Collide (Colenci)
11-) Ashen Empires PT1 - Rising Empire (Colenci/Rangel)
12-) Human Downfall (Colenci)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As bandas que mais inspiraram o lado pesado do Queen, segundo Brian May
Metallica anuncia mais 12 datas da tour M72 para 2027
Como a opinião de James Hetfield sobre Lars Ulrich mudou ao longo dos anos
Regis Tadeu explica por que show final do Sepultura foi para um lugar menor
Baixo de James LoMenzo apresenta falha durante intro de "Peace Sells" em show do Megadeth
Falling in Reverse lança "Joseph", com Corey Taylor (Slipknot) e Serj Tankian (SOAD)
Dave Grohl não acreditava no potencial de "Smells Like Teen Spirit"
John Lennon sobre o real motivo da separação dos Beatles: "Era inevitável desde o Sgt. Pepper's"
O cantor de power metal que aprendeu a cantar metal com Mariah Carey
O grande problema do show de Roger Waters, segundo Ed Motta
O motivo que ainda impede Paulo Ricardo e Fernando Deluqui de reunir o RPM
"Back to the Beginning", adeus de Ozzy e do Black Sabbath, nos cinemas em outubro
O erro que Marcelo Barbosa vê na atual polêmica entre amplificadores e simuladores
Ian Gillan responde se Ritchie Blackmore se apresentará de novo com o Deep Purple
O clássico do Queen que melhor representa a banda, segundo Brian May

Relevante como nunca, Totalitär retorna após vinte anos com EP furioso
Herman Frank - O motor barulhento, rápido e construído para rodar
Entre nostalgia, legado e recomeços, Beseech apresenta seu 7º álbum de estúdio
Veterano Sacrifice mostra que continua afiado como nunca no ótimo "Volume Six"
O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Black Sabbath: Born Again é um álbum injustiçado?


