Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo: Indie-rock paulistano dos bons
Resenha - Música do Esquecimento - Sophia Chablau
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 15 de outubro de 2023
MÚSICA DO ESQUECIMENTO é o disco de uma banda em formação, narrando aventuras familiares, amorosas, sexuais, intelectuais e estéticas; abordando a loucura apaixonante que é ser jovem e ter uma banda; buscando incansavelmente uma sonoridade interessante para tocar canções contemporâneas em português.
É resultado de um longo processo de produção, iniciado na pandemia - com seus planos suspensos por tempo indeterminado, Sophia, Téo, Theo e Vicente decidiram dar uns passos à frente: começaram a criar arranjos novos para músicas novas, em algumas imersões criativas ao longo de 2020 e 2021. Mas só no fim de 2022 a banda pode entrar novamente em estúdio - onde esses arranjos pandêmicos foram tomando novas caras.
A contribuição do compositor e pianista pernambucano VITOR ARAÚJO levou a caminhos surpreendentes. Um clima mais denso - arranjos de cordas, camadas texturais e uma pesquisa timbrística esmiuçada. A artista e produtore carioca ANA FRANGO ELÉTRICO, trabalhando junto a Vitor na pós-produção, alçou as viagens sonoras do grupo a outro nível - garantindo, com seu ouvido atento, que toda essa maluquice soasse dinâmica e inteligível. E, por fim, a participação certeira do compositor maranhense NEGROLÉO, cantando na faixa Quem vai apagar a luz, foi decisiva.
Veio ao mundo então um disco muito diferente do anterior. Mais longo e mais denso. Quatorze faixas que se entrelaçam em um todo caótico e surpreendentemente coerente. Se, no primeiro disco, cada música era um caminho à parte, agora a banda parece ter finalmente encontrado uma sonoridade própria. Isso não significa menos diversidade estética: o que era pop ficou mais pop; o que era experimental, mais experimental; o que era lírico, mais lírico; e o que era rock and roll, mais rock and roll.
Ficou mais intensa a química simbiótica entre o baixo de TÉO SERSON e a bateria de THEO CECATO, batendo juntos como um coração. Mais intensa a experimentação da guitarra barulhenta de VICENTE TASSARA, e seus jeitos esquisitos de se encaixar nos arranjos. Mais intensas as aventuras composicionais de SOPHIA CHABLAU - entre os hits acachapantes e as mais metalinguísticas investigações poéticas - bem como suas contribuições como instrumentista, entre a guitarra, o violão, o teclado e a bateria. E, nisso tudo, acabam se misturando, entre as quatorze faixas, composições de todos os quatro, num horizonte muito distante do power trio com uma cantora/compositora que norteou o primeiro disco.
MÚSICA DO ESQUECIMENTO é mais um passo inesperado na trajetória do grupo, na insistência de escrever músicas não-óbvias, e encontrar maneiras não-óbvias de cantá-las e tocá-las. Na faixa Qualquer Canção, Sophia diz: "Eu não vou fazer qualquer canção só pra dizer o que eu sinto agora". No paradoxo de fazer uma canção sobre não fazer qualquer canção, articula a encrenca no qual a banda se meteu: buscar, em suas tentativas investigações sonoras e poéticas, abrir caminhos, para que, algum dia, possa "alguém em algum lugar descobrir outra palavra."
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Regis Tadeu explica por que o Slipknot deve agradecer de joelhos a Eloy Casagrande
A canção que Axl Rose gravou sob efeito de cogumelos e que deixou o Guns N' Roses furioso
O melhor baterista de todos os tempos, segundo Lito Sousa, do Aviões e Músicas
Os 3 artistas considerados "rock de tiozão" pelo baixista do Nirvana Krist Novoselic em 1992
A canção que Renato Russo escreveu e a Legião Urbana preferiu esconder do público
De 40 mil para 9 mil lugares: Sepultura poderia ter evitado choque de realidade?
Os dois guitarristas britânicos que dominaram o blues, segundo Slash
"Não chego aos pés dele"; o guitarrista contemporâneo admirado por Jimmy Page
Angra celebra a força dos palcos em novo videoclipe de "Lisbon"
Os clássicos da literatura que Nando Reis não suporta: "Esse cara é antipático"
Elton John mantém tradição de tocar hit que "só é conhecido no Brasil" com show no Rock In Rio
Baterista do Joy Division e New Order não entende o Rock and Roll Hall of Fame
As dez melhores músicas de thrash lançadas entre 1983 e 1985, segundo a Metal Hammer
O melhor álbum de hard rock de cada ano dos anos 2000, segundo a Loudwire
A música que marcou o fim do auge do Oasis, segundo o Noel Gallagher

Relevante como nunca, Totalitär retorna após vinte anos com EP furioso
Herman Frank - O motor barulhento, rápido e construído para rodar
Entre nostalgia, legado e recomeços, Beseech apresenta seu 7º álbum de estúdio
Veterano Sacrifice mostra que continua afiado como nunca no ótimo "Volume Six"
O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Metallica: And Justice For All é um álbum injustiçado?


