Celeste: quebrando os padrões do Metal extremo
Resenha - Assassine(s) - Celeste
Por Alexandre Veronesi
Postado em 05 de fevereiro de 2022
Ainda anônima no Brasil, a banda CELESTE teve sua fundação em 2005, na cidade de Lyon, França, à partir da junção dos instrumentistas Guillaume Rieth (guitarra), Antoine Royer (bateria) e Antoine Kerbrat (ex-baixista), que se conheceram ainda no ensino médio, e logo recrutaram Johan Girardeau para o posto de vocalista, completando assim o line-up original. Com a saída de Kerbrat em 2013, Johan assumiu o comando das 4 cordas, um segundo guitarrista - Sébastien Ducotté - foi adicionado, e tal formação se mantém até os dias atuais.

Bastante ativo ao longo de sua trajetória, com 5 álbuns de estúdio e 2 EP's no catálogo, o grupo assinou um contrato com a gigante Nuclear Blast em 2021, e sem perder tempo, disponibilizou o novo trabalho de inéditas no dia 28 de Janeiro de 2022, batizado de "Assassine(s)". O título faz perdurar uma sequência lógica seguida quase que ritualisticamente desde o primeiro registro: "Pessimiste(s)", "Nihiliste(s)", "Misanthrope(s)", "Morte(s) Nee(s)", "Animale(s)" e "Infidèle(s)", tendo como única exceção o EP ao vivo de 2018, que se chama "Celeste On Audiotree Live".
As 9 faixas do disco, distribuídas em pouco mais de 40 minutos de duração total, destilam uma sonoridade peculiar, cadenciada e bastante densa, fundindo o chamado Post-Hardcore com o Sludge e o Black Metal, e ainda encaixa alguns elementos pontuais de Death/Doom e outras sub vertentes da música extrema. O conteúdo lírico que permeia não apenas a bolacha em questão, mas toda a carreira da banda, se faz tão carregado quanto o próprio som, abordando temáticas pessimistas intrínsecas à natureza humana, como o niilismo, desespero e negatividade de uma forma geral, e um fato interessante é que todas as letras são compostas na língua materna dos caras, o francês, sendo mais um diferencial que o quarteto propõe. Quanto ao repertório, este mostra-se absolutamente homogêneo, todavia sem soar maçante ou enfadonho em momento algum, devido ao bom nível de composição e execução aqui apresentado. Os destaques individuais ficam por conta das canções "Des torrents de coups", "Nonchalantes de beauté", "Draguée tout au fond", a instrumental atmosférica "(A)", e o - relativamente - longo tema de encerramento "Le cœur noir charbon", com seus mais de 7 minutos.
Temos em "Assassine(s)" uma excelente opção para aqueles que se interessam em conhecer bandas atuais mais obscuras e diferenciadas, que fogem do tradicional eixo Estados Unidos/Inglaterra, tanto literalmente quanto em termos de padrões. Torço para que, sob a forte marca da Nuclear Blast, a música do CELESTE possa chegar a mais e mais ouvidos ao redor do mundo, pois o potencial necessário para isso o quarteto já possui.
Tracklist:
01 - Des torrents de coups
02 - De tes yeux bleus perlés
03 - Nonchalantes de beauté
04 - Draguée tout au fond
05 - (A)
06 - Il a tant rêvé d'elles
07 - Elle se répète froidement
08 - Le cœur noir charbon
Formação:
Johan Girardeau - voz e baixo
Guillaume Rieth - guitarra
Sébastien Ducotté - guitarra
Antoine Royer - bateria
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