Yes: O cinquentão "Fragile", um dos melhores álbuns da banda
Resenha - Fragile - Yes
Por José Luis Moreira
Postado em 20 de novembro de 2021
Após o término da turnê de lançamento do The Yes Album, no final de julho de 1971, o Yes se reúne em Londres para gravar seu próximo trabalho.
Entre os ensaios e as gravações iniciados em meados de agosto que duraram quatro semanas, aproximadamente, e que contou com colaboração do engenheiro de som e produtor musical Eddy Offord, o grupo lança Fragile, seu quarto álbum de estúdio, com duas novidades. A primeira: por divergências puramente musicais, a banda dispensa seu cofundador, o tecladista Tony Kaye, e chama para seu lugar o experiente e erudito Rick Wakeman, que já havia tocado com os Strawbs e, numa sábia decisão, escolheu entrar para a banda em vez de sair em excursão com David Bowie. A segunda: a contratação do artista plástico Roger Dean, grande ilustrador, que, com muita criatividade, desenhou uma capa revolucionária para este projeto, o frágil planeta em que vivemos. Dean, que também criou a logomarca do grupo, viria a ser o responsável pelos projetos de várias capas e ilustrações dos próximos álbuns do grupo ao longo dos anos.
Com a entrada de Wakeman, o som da banda, que já havia sofrido uma mudança substancial com Howe no álbum anterior, fica mais criativo, ousado e pesado, trazendo uma combinação perfeita e homogênea. O entrosamento e a interação entre o grupo resultaram em melodias ricamente elaboradas com arranjos sofisticados, complexos, em que todos esbanjam talento e sutileza em seus instrumentos. Anderson, como sempre, aborda temas poéticos e enigmáticos.
O álbum começa com o hit "Roundabout" (Anderson/Howe). Com sua introdução icônica, torna-se um clássico da banda que ainda faz muito sucesso nas plataformas de streaming nos quatro cantos do mundo. Utilizando de seus diversos teclados (sintetizadores, piano de cauda, piano elétrico, cravo e órgão, entre outros), Wakeman executa com brilhantismo uma adaptação intitulada "Cans And Brahms", extraída do terceiro movimento da Sinfonia nº 4 do compositor alemão Johannes Brahms. Na dobradinha "We Have Heaven" (Anderson) e "South Side O The Sky" (Anderson/Squire), as belas e intensas melodias são enaltecidas por uma harmonização vocal entoadas pelo trio Anderson/Howe/Squire poucas vezes ouvidas no grupo em meio a climas ora tensos, com explosões e ventos cósmicos, ora de calmarias, com belos interlúdios protagonizados por Wakeman. "Five Per Cent For Nothing", (Bruford), são 35 segundos em que o genial baterista parece mais um matemático endoidecido com sua quebradeira de tempo. "Long Distance Runaround" (Anderson) é uma bela canção, utilizada no lado B do single de Roundabout que acabou ficando bastante acessível ao público devido à sua curta duração."The Fish", (Squire), que vem coladinha com "Long Distance..." serviu de palco para que o melhor baixista do prog rock projetasse seus trabalhos futuros com o seu poderoso Rickenbaker. Na deliciosa "Mood For a Day", além de compor, Howe mostra mais uma vez toda sua competência e habilidade com a guitarra flamenca. Pra finalizar, "Heart Of The Sunrise" (Anderson, Squire & Bruford), uma das cinco melhores músicas da banda de todos os tempos, que começa com um riff frenético de baixo, guitarra e bateria e segue com várias alternâncias de tempo e arranjos de alta complexidade ao desenrolar da melodia. Embora não tenha recebido quaisquer créditos, Wakeman também contribui com elementos eruditos em intervenções precisas. Certa vez, em uma de suas entrevistas sobre a música, Anderson chegou a dizer que sua mensagem "Está no quanto a energia do nascer do sol pode influenciar no amor".
Com esta formação – a melhor de sua carreira – e a terceira em apenas três anos, com três de seus membros de sua formação original (Anderson, Squire e Bruford), o Yes lançaria no ano seguinte Close To The Edge, álbum emblemático e o último com Bruford na bateria, que saiu para se juntar ao King Crimson.
Fragile foi um fenômeno internacional que em poucas semanas de seu lançamento já era um clássico, e após meio século ainda se faz presente na memória de qualquer fã de prog rock e ainda seguirá por muitas décadas como um dos melhores álbuns do gênero.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Bangers Open Air 2027 define data para anúncio do lineup completo
O clássico absoluto do Metallica cuja introdução foi inspirada em uma música do Venom
10 discos de heavy metal lançados de 1970 a 1993 que são essenciais, segundo o CRH
Aos 79 anos, Brian May (Queen) anuncia aposentadoria das turnês
Metallica volta a tocar música que estava fora dos seus shows desde 2008
A música de 1968 dos Beatles que é a pior de todos os tempos, segundo Regis Tadeu
A música do Guns N' Roses que nasceu diferente das outras, segundo Duff McKagan
Sepultura anuncia "The Last Ceremony", que será realizado no dia 5 de novembro
"Não consigo mais fazer isso"; a cruel frase que Freddie Mercury disse a Brian May
A banda de rock nacional dos anos 1980 que Lobão comparou com o Palhaço Carequinha
Os 5 melhores discos do Metallica, segundo o Classic Rock History
O álbum do Bon Jovi que quase se chamou "Guns N' Roses"
O erro que James Hetfield admite ter cometido com Jason Newsted no Metallica
Phil Rudd, ex-AC/DC, causa acidente, é multado e falta à audiência na Nova Zelândia
Os 10 melhores discos do thrash metal, de acordo com a Kerrang!
O Julgamento do Metal Clássico: Rock Justice impressiona na estreia com "You've Been Served"
Carach Angren - O horror dentro da caixa em "Dance and Laugh Amongst the Rotten"
Animals (1977) - quando o Pink FLoyd resolveu chamar todo mundo de bicho
Moonspell - A grandiosidade do Heavy Metal e da música erudita em "Opus Diabolicum"
Resenha: "Hard-Fi" - Rosa Tattooada (2026)
Depois da ressurreição, Marilyn Manson declara vingança em novo álbum
O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Iron Maiden: Grata surpresa e despedida perfeita do gigante
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível


