Resenha - Out of the Abyss - Manilla Road
Por Diogo Muniz
Postado em 24 de outubro de 2020
Receber influências de fora é algo inerente a todo artista, e mesmo bandas que já tenham algum tempo de estrada estão sujeitos a serem influenciadas pelo som de outras bandas. O Manilla Road já vinha flertando com o thrash metal no seu disco 1987, "Mystification", mas foi no ano seguinte que essa influência seria notada com mais evidencia. "Out of the Abyss" é um disco cujo direcionamento foi mais voltado para o thrash metal, embora o Manilla Road ainda mantivesse a sua essência mesmo agregando novos elementos ao seu som.
O disco abre com "Whitechapel", curiosamente a mais longa do play. Com uma letra que fala sobre Jack, o Estripador, de cara temos uma música que abre com o thrash metal a la Manilla Road. No geral não empolga muito, pois faltaram riffs que fossem marcantes. O interlúdio no meio da música dá uma diferenciada no clima e trazendo alguma variação a mais.
"Rites of Blood" é uma musica mais cadenciada, mas já empolga um pouco mais que a anterior. Assim como "Whitechapel", "Rites of Blood" traz um interlúdio que também acrescenta algo à música.
A seguir temos a faixa título. "Out of the Abyss" é mais uma das músicas thrash do Manilla Road, que assim como a faixa de abertura também passa a sensação de que algo a mais está faltando. Riffs pouco criativos e Mark Shelton forçando uma voz uma pouco mais rasgada marcam a canção. Porém da metade para o fim já começa a dar uma empolgada, dando uma injeção de animo ao ouvinte.
Em "Return of the Old Ones" o Manilla volta a fazer o que sabe de melhor, um heavy mais viajado, épico e introspectivo, com uma letra que fala sobre a volta de Ctulhu e os outros seres antigos e mitológicos. Essa música é bem a cara da banda, com passagens pesadas que permitem Mark Shelton explorar a versatilidade da sua voz com sua interpretação sempre dedicada e apaixonada.
"Black Cauldron" retoma mais uma vez as influencias de thrash, numa musica curta e novamente com riffs pouco marcantes.
Ainda na pegada thrash, temos "Midnight Meat Train", onde temos Mark Shelton fazendo algumas acrobacias vocais. Uma faixa rápida e pesada, mas que ainda mantém a mesma pegada das demais músicas thrash do grupo.
"War in Heaven" começa em um fade in que vai crescendo até a música tomar forma. Uma das músicas com mais cara de Manilla Road. Começa introspectiva, ambientalizando o ouvinte e o preparando para a guerra que está por vir. O instrumental acompanha a narrativa contada na letra, e quando a guerra finalmente começa a música vai para a parte rápida e pesada. A interpretação de Mark Shelton é digna de elogios, e novamente o uso de diferentes estilos vocais ao longo da música foi feito com muito bom gosto.
Com um riff inicial mais cadenciado, "Slaughterhouse" é outra música que preenche a cota das musicas influenciadas pelo thrash metal. Diferente das anteriores, essa aqui apresenta riffs mais interessantes e consegue sim empolgar bastante.
Para encerrar o disco temos "Helicon", que parece ser a música em que a banda depositou todo o suprimento de criatividade. É a música mais com cara de Manilla Road. Uma música épica e recheada com temáticas mitológicas e lendárias. A fórmula de músicas que começam lentas e cheias de clima, que ganham peso ao longo da música funciona muito bem. Os riffs são excelentes, e a música faz valer totalmente a pena escutar o disco.
É verdade que as influências de thrash começaram em "Mystification"; mas foi aqui, em "Out of the Abyss", que se fizeram mais presentes. Por fugir um bocado do estilo que a banda vinha fazendo até então, e com um grande número de músicas voltadas para o thrash, "Out of the Abyss" acaba perdendo um pouco de seu brilho. As músicas com essa pegada mais thrash infelizmente são menos inspiradas e bem menos marcantes, o que acabou prejudicando o disco. Entretanto a parte lírica está impecável, abordando a boa e velha temática épica e mitológica, e principalmente os temas de terror. Cabe destacar também a produção do disco que também está digna de elogios, pois os timbres dos instrumentos, a mixagem e todos os demais elementos estão no seu devido lugar. Quanto à performance dos músicos, Scott Park e Randy Foxe mantém o alto nível de execução de seus instrumentos (baixo e bateria respectivamente). Mark Shelton também continua mandando bem na guitarra. Seus vocais mais rasgados combinam bem com a levada thrash das músicas, apesar de que em alguns momentos ele resolveu incrementar um pouco mais e acabou exagerando na dose. Por outro lado, nos momentos que a música pede uma voz mais leve e introspectiva, ele consegue nos teletransportar para mundos mágicos.
Creio que deu para perceber que apesar da falta de criatividade, "Out of the Abyss" não é um disco de todo ruim. Algumas escolhas não foram as mais acertadas, mas não mancham em nada a discografia da banda.
Tracklist:
Whitechapel
Rites of Blood
Out of the Abyss
Return of the Old Ones
Black Cauldron
Midnight Meat Train
War in Heaven
Slaughterhouse
Helicon
FONTE: The Official Manilla Road Website
https://www.manillaroad.net/
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