Demons & Wizards: entre acertos e falhas, um bom disco
Resenha - III - Demons & Wizards
Por Ricardo Seelig
Postado em 28 de fevereiro de 2020
O Demons & Wizards chacoalhou as estruturas do metal quando lançou o seu primeiro disco, em 2000. Afinal, a banda era a união do vocalista alemão Hansi Kürsch com o guitarrista norte-americano Jon Schaffer, ambos as cabeças criativas de dois dos principais ícones do metal dos anos 1990: o Blind Guardian e o Iced Earth.
Demons And Wizards - Mais Novidades
O debut da dupla é excepcional e um dos melhores discos da década de 2000. Seu sucessor, "Touched by the Crimson King" (2005), não alcançou o mesmo impacto, apesar de ser um bom disco. E agora, quinze anos depois, Hansi e Jon unem forças novamente em "III", álbum lançado dia 21 de fevereiro. Vale informar que, assim como relançou os dois primeiros discos em edições especiais em 2019, a Hellion Records já confirmou que irá disponibilizar o novo trabalho também no Brasil.
Avaliar "III" passa por avaliar também o que tanto o Blind Guardian quanto o Iced Earth produziram nos últimos quinze anos. Enquanto a banda alemã mergulhou ainda mais na abordagem barroca de sua música, que ficou ainda mais grandiosa e cheia de detalhes e acabou culminando no álbum orquestrado lançado em 2019, o impressionante "Legacy of the Dark Lands", o grupo norte-americano viveu tempos conturbados com a rápida passagem de Tim "Ripper" Owens, o retorno e a nova despedida do vocalista Matt Barlow e a efetivação de Stu Block como frontman, tudo isso acompanhado por uma intensa troca de integrantes, o que acentuou ainda mais a sensação de que o Iced Earth é muito mais um projeto solo de Schaffer do que efetivamente uma banda. E no meio disso deu aos fãs discos que variaram entre decepcionantes (o retorno à saga Something Wicked em "Framing Armageddon" e "The Crucible of Man", de 2007 e 2008) e revigorantes ("Dystopia", de 2011).
"III" é vítima disso. Enquanto traz Hansi Kürsch mais uma vez cantando de maneira surreal, do outro lado mostra um Jon Schaffer sem a mesma inspiração de outrora. Essa dicotomia, logicamente, acaba refletida no resultado final do álbum. Some-se isso a uma produção que imprimiu um timbre discutível nas guitarras, que soam um tanto sem força, e percebe-se claramente um dos principais pontos a serem discutidos no disco. Schaffer vem repetindo ideias e dando voltas ao redor da sua abordagem do instrumento já há alguns anos, e isso se repete aqui. Os riffs em alguns momentos soam familiares aos ouvidos, para não usar outros adjetivos. E há uma grande diferença entre soar repetitivo e ter um estilo próprio, que isso fique bem claro.
No outro lado da moeda, Hansi puxa tudo para cima. A abertura, com a sombria e climática "Diabolic", é um dos destaques do disco, assim como a linda e arrepiante acústica "Timeless Spirit". "Children of Cain" fecha o trio de grandes canções de III. Temos outros bons momentos em "Split" e "Dark Side of Her Majesty", e até mesmo uma inusitada influência do AC/DC nos riffs de "Midas Disease". No entanto, canções fracas como "Invincible" e "New Dawn" mostram o lado não tão positivo do disco.
No geral, "III" está no mesmo nível de "Touched by the Crimson King". É um disco que não chega aos pés da estreia, mas mesmo assim gera momentos de alegria e bateção de cabeça durante a audição. A produção poderia ser melhor e corrigiria alguns problemas, mas se você é fã do projeto e das bandas de seus integrantes certamente irá, como eu, achar o resultado final mais positivo do que negativo.
Fonte:
http://www.collectorsroom.com.br/2020/02/review-demons-wizards-iii-2020.html
Outras resenhas de III - Demons & Wizards
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A maior banda do Brasil de todos os tempos, segundo Andreas Kisser do Sepultura
Guns N' Roses anuncia valores e início da venda de ingressos para turnê brasileira 2026
Regis Tadeu esclarece por que Elton John aceitou tocar no Rock in Rio 2026
O disco do Dream Theater que Felipe Andreoli levava para ouvir até na escola
A banda que Ritchie Blackmore se envergonha de ter feito parte; "Você aprende com os erros"
As 3 bandas de rock que deveriam ter feito mais sucesso, segundo Sérgio Martins
Hall da Fama do Metal anuncia homenageados de 2026
As cinco melhores bandas brasileiras da história, segundo Regis Tadeu
O álbum de Lennon & McCartney que Neil Young se recusou a ouvir; "Isso não são os Beatles"
Os melhores covers gravados por bandas de thrash metal, segundo a Loudwire
Queen considera retornar aos palcos com show de hologramas no estilo "ABBA Voyage"
Mantas convidou Cronos para reunião da formação clássica do Venom
A maior canção já escrita de todos os tempos, segundo o lendário Bob Dylan
Os quatro clássicos pesados que já encheram o saco (mas merecem segunda chance)
James Hetfield deu o "sinal verde" para vocalista do Paradise Lost cortar o cabelo nos anos 90

"Ascension" mantém Paradise Lost como a maior e mais relevante banda de gothic/doom metal
Trio punk feminino Agravo estreia muito bem em seu EP "Persona Non Grata"
Svnth - Uma viagem diametral por extremos musicais e seus intermédios
Scorpions - A humanidade em contagem regressiva


