Rammstein: saudando o terceiro milênio com Mutter
Resenha - Mutter - Rammstein
Por Vitor Sobreira
Postado em 04 de fevereiro de 2020
Para uma banda que surgiu em 1994, estreou em 95 e dois anos depois lançou seu segundo álbum, não estavam nada mal entre meados e fim de anos 90. Com a boa aceitação de ‘Sehnsucht’ (1997), decididamente um novo trabalho deveria sair logo. Bom, não foi necessariamente tão logo assim, pois foi em 02 de abril de 2001 que o mundo conheceria ‘Mutter’, que logo na capa, estampou um feto morto – cortesia da acidez negra do imaginário dos integrantes, traduzida pelo fotografo Daniel Fuchs.
Em um complexo processo de gravação e produção, que durou mais de um ano e meio, o resultado tinha a obrigação de superar com êxito todas as expectativas. E assim foi feito, pois além das ótimas composições, os certificados de Ouro (Austrália, Bélgica, México, Finlândia, Reino Unido e Suécia) e Platina, Platina Dupla e Tripla (Alemanha, Suíça e Espanha) não deixam mentir.
Se o leitor é do tipo que gosta de vídeos, então ‘Mutter’ lhe proporcionou alguns, como "Sonne" (já imaginou uma Branca de Neve do mal?), "Mutter", "Feuer Frei" e "Links 2-3-4" (gosta de formigas?), fortalecendo a tradição da banda com as produções áudio-visuais e na sua autopromoção.
Ao invés de batidas aceleradas e eletrônicas, a abertura com "Mein Herz Brennt" é cadenciada e pesada, com um direito até a arranjos sinfônicos, além do refrão que caracteriza a composição. Mas, o que não foi apresentado na primeira faixa, é visto em "Links 2-3-4", que alterna entre levadas diretas e outras mais concentradas.
"Sonne" se deixa levar pela cadência, começando com riffs mais agressivos, que aos poucos vão se diluindo em meio a interessantes melodias. Facilmente é um dos pontos altos do disco! Como observação, é inegável que a interpretação de Till Lindemann sempre deu um toque extra às composições do Rammstein, o que é importante em qualquer trabalho, e em "Ich Will", mesmo em um tom contido, a agressividade está lá, no fundo de sua garganta, domada e sendo guiada por um andamento rítmico lento e diabolicamente calculado.
Não se deixe enganar pelas primeiras notas de teclado, bem delicadas, e sinta a adrenalina de "Feuer Frei!", trazendo aquela dose de energia que já estava fazendo falta. Apesar de toda a diversidade e criatividade da banda alemã, isso aqui ainda é um álbum de Metal Industrial (alguém disse Neue Deutsche Härte?). Aliás, a faixa, bem como a banda em si, aparecem no filme de ação ‘Triplo X’, de 2002, estrelado por Vin Diesel e Samuel L. Jackson. Nada mal, hein?
Novamente a montanha russa de sentimentos nos conduz a carregada faixa título "Mutter" e logo em seguida para a agradável e envolvente "Spielhur" – repare nas linhas de voz com efeito eletrônico, agindo ao lado de Till. Mais um pouco de uma pegada mais forte é sentida em "Zwitter", proporcionando ao ouvinte algumas partes bem pesadas. Falando em momentos onde o peso não foi economizado, não se esqueça também de "Rein Raus", que hipnotiza com a levada forte do refrão. Os diversificados teclados são cortesia de Christian "Flake" Lorenz – que ao vivo tem uma performance bem curiosa, quase engraçada.
Quando um álbum é bom, você se assusta no momento que percebe já estar chegando nos instantes finais… Mas a saideira não decepciona com "Adios" – interessante como a bateria recebeu uma surpreendente atenção extra, com Christoph Schneider tendo maior liberdade em seu instrumento – e "Nebel", climática e intensa, como um encerramento deve ser.
O Rammstein entrou com o pé direito no novo milênio e apresentou um álbum variado e de muita qualidade, que ainda soa bastante atual e mostra o porque de a banda ser um dos principais nomes da Música Pesada mundial. Depois disso, voltariam apenas em 2003 com o igualmente estrondoso ‘Reise Reise’…
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Um babaca que nem sabe tocar direito": Roger Waters fala sobre James Hetfield
As 5 melhores músicas que começam com bateria, segundo Gastão
A melhor banda de metal progressivo dos EUA e Inglaterra, segundo a Loudwire
Qual banda de rock e metal melhor representa cada técnico dos 20 times do Brasileirão?
Led Zeppelin licencia "Stairway to Heaven" pela primeira vez na história
A curiosa alfinetada de Anette Olzon no Nightwish após saída de Floor Jansen
K.K. Downing se manifesta sobre aposentadoria de Ian Hill (Judas Priest)
O hino não oficial da libertação do rock and roll para Tom Morello
O clássico dos anos 2000 que é extremamente triste, mas seu autor considerava feliz
O maior guitarrista de todos os tempos, de acordo com a Guitar World
Fãs esculacham o Metallica após discurso feito por James Hetfield em show
A banda que Brian May gostaria de ter integrado se o Queen nunca tivesse existido
Smashing Pumpkins lança "Black Stars", primeira parceria com Butch Vig em 33 anos
O desrespeito que fez Bruce Dickinson cantar show recente do Iron Maiden do backstage
Os clássicos que nem os próprios autores do Iron Maiden e do Metallica poupam
O guitarrista que foi chamado para tocar com Bob Marley e Stevie Wonder no mesmo dia
O dia que Renato Russo recebeu craque do tetra no camarim e o comparou a Ayrton Senna
O megahit de Ney Matogrosso inspirado no personagem de novela Odorico Paraguaçu


Rammstein anuncia filme "Live In Mexico City" para novembro
A banda de abertura que engoliu o Kiss e fez Regis Tadeu se apaixonar na hora
11 bandas de metal que são carregadas nas costas por um único integrante
11 músicas sobre os EUA feitas por artistas de fora do país, segundo a Loudwire
Alice In Chains: Sete músicas, que podem mudar a vida de uma pessoa



