British Lion: Steve Harris acerta a mão em segundo álbum solo
Resenha - Burning - British Lion
Por Ricardo Seelig
Postado em 19 de janeiro de 2020
Quase oito anos após o lançamento de seu disco de estreia, o British Lion retorna com o seu segundo trabalho. Para os desinformados, trata-se da outra banda de Steve Harris, que o mundo conhece como baixista, líder e principal compositor do Iron Maiden.
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Os atributos usados para apresentar Harris aos leitores também servem de parâmetro para o que será ouvido nos dois álbuns do British Lion. Steve está no comando do Maiden há mais quarenta anos, sendo autor de aproximadamente 75% ou mais de todas as canções gravadas pela lendária banda britânica. Assim, é lógico que, ao montar um novo projeto, ele explore aspectos da sua musicalidade que não são adequados ao Iron Maiden. Esse é o ponto central para se entender como o British Lion soa.
Ou seja, não há nada do Iron Maiden aqui, a não ser Steve. Esse é o primeiro ponto. O segundo é que o baixista explora caminhos mais leves e sem o apelo grandioso e épico comuns à sua "outra banda". Em suma: a razão de existir do British Lion é dar vazão para Steve Harris fazer um som diferente do que ele fez há quatro década no Iron Maiden. E é exatamente isso que o baixista entrega em "The Burning", cuja arte da capa foi criada pelo designer brasileiro Gustavo Sazes.
Há uma evolução em relação ao auto intitulado primeiro álbum, principalmente em relação ao vocal de Richard Taylor. Massacrado na estreia do projeto, Taylor soa não apenas mais maduro mas também mais ciente de suas limitações. Seu registro não tem nada a ver com o de Bruce Dickinson, e esse foi um dos tons principais das críticas que o disco de 2012 recebeu, mas a ideia aqui é, lembrem-se, não soar como o Maiden. Além da performance menos afetada de Taylor percebe-se uma evolução também no trabalho de guitarras, executado pela dupla David Hawkins e Grahame Leslie, que entrega belas harmonias e solos competentes. O baterista Simon Dawson completa a formação.
O som do British Lion pode ser definido como um rock que bebe no lado clássico dos anos 1970, porém quase que exclusivamente nas sonoridades mais suaves daquela década – as influências pesadas e progressivas são a praia do Maiden. Assim, o resultado acaba soando como uma espécie de união entre o rock clássico e o pop, com alguns flertes com o rock alternativo no meio da jogada.
A conclusão é que o som do British Lion não é para a maioria dos fãs do Iron Maiden. Quem espera ouvir qualquer semelhança com a Donzela de Ferro nas onze faixas de The Burning quebrará feio a cara. Mas nem por isso a música deixa de ser boa. Esse segundo disco do British Lion soa mais redondo que o primeiro, e um dos fatores passa pela mudança na abordagem vocal de Taylor. As músicas também estão melhor resolvidas, com influências que vão de Fleetwood Mac a sutis flertes com a AOR. Refrãos fortes são abundantes e tornam canções como "Land of the Perfect People", "City of Fallen Angels", "Legend" e "Spit Fire" momentos de óbvio destaque.
É bom ouvir Steve Harris respirando outros ares fora da galáxia do Iron Maiden. Se os fãs vão curtir esse arejamento ou não, é problema deles. Só posso falar por mim: eu gostei.
Fonte:
http://www.collectorsroom.com.br/2020/01/review-british-lion-burning-2019.html
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