Jordan Rudess: belo disco repleto de convidados especiais
Resenha - Wired for Madness - Jordan Rudess
Por Ricardo Seelig
Postado em 28 de novembro de 2019
Jordan Rudess entrou para o Dream Theater em 1999 e estreou no excelente e já clássico "Metropolis Pt. 2: Scenes From a Memory", lançado naquele mesmo ano. E ainda que uma parcela de fãs da banda norte-americana nutra uma antipatia inexplicável pelo tecladista, pessoalmente o considero um músico excepcional que ele já escreveu o seu nome entre os grandes.
"Wired for Madness" é o novo álbum de Rudess e mais uma adição para uma discografia que conta com mais de dez discos solos, isso sem contar os trabalhos gravados ao lado do Dream Theater, Liquid Tension Experiment, projetos paralelos e participações especiais. Falando nelas, Jordan conta com convidados de peso em "Wired for Madness": Rod Morgenstein (Winger, Dixie Dregs) toca bateria em "Wired for Madness Part 1", "Off the Ground", "Just for Today" e "Why I Dream"; Marco Minemann (Steve Wilson, The Aristocrats) assume as baquetas em "Wired for Madness Part 2"; Elijah Wood (Shania Twain, Gwen Stefani) é a dona da bateria em "Drop Twist" e "Perpetual Shine"; James LaBrie, colega do Dream Theater, canta em "Wired for Madness Part 2"; John Petrucci, outro chapa do Dream Theater, faz o solo de "Wired for Madness Part 2"; Guthrie Govan (Steve Wilson, The Aristocrats) sola em "Off the Ground"; Vinnie Moore (UFO) é o dono do solo de "Why I Dream"; Joe Bonamassa coloca a sua classe no solo de "Just Can’t Win"; e mais uma turma menos famosa mas tão talentosa quanto bate ponto no álbum.
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Musicalmente, Jordan Rudess entrega em "Wired for Madness" um álbum com pouco mais de uma hora de duração e que passeia entre o prog, o fusion, o metal e o jazz, sempre com longas e intrincadas passagens instrumentais e vocais em uma ou outra faixa. Além do teclado, Jordan assume também o vocal e a guitarra, e é o autor de todas as composições. O disco abre com duas grandes suítes que trazem o nome do trabalho – a primeira com mais de dez minutos e a segunda superando os vinte -, e traz mais seis faixas. Ou seja, é um disco para fãs de progressivo, para quem curte uma abordagem mais intrincada e que foge totalmente do apelo instantâneo tão comum na música atual. Resumindo: é um disco cabeçudo, e não há problema nenhum nisso.
Rudess bebe prioritariamente em influências de progressivo clássico como Yes, Genesis e Gentle Giant, flerta com os caminhos seguidos por Frank Zappa em referências do fusion como "Hot Rats" (1969) e "The Grand Wazoo" (1972) e traz, claro, aspectos da sonoridade do Dream Theater, principalmente no trabalho de teclado – o que é óbvio, já que ele é o tecladista da banda. Há menos peso que no Dream Theater, e isso abre espaço para Rudess mostrar outras características da sua musicalidade, o que é bastante saudável.
A exuberância percussiva e os andamentos nada convencionais de Marco Minemann são um destaque imediato em "Wired for Madness Part 2". E, ao ouvir a criatividade técnica e cheia de feeling do baterista alemão, é de se perguntar o porque de ele não ter sido o substituto de Mike Portnoy no Dream Theater, já que fez o teste para o posto mas acabou sendo preterido por Mike Mangini, que logicamente também é um ótimo baterista, mas, pelo menos aos meus ouvidos de fã, soa sem alma nos discos que gravou com a banda – a exceção é o mais recente álbum da lenda do prog metal, "Distance Over Time", onde Mangini está claramente mais solto que nos três discos anteriores com o Dream Theater.
Ainda que em alguns momentos o álbum passe a sensação de trazer ideias que não foram totalmente desenvolvidas, é um trabalho que ganha força devido à execução impecável e à qualidade indiscutível dos músicos.
Lançamento nacional via Hellion Records.
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