Leprous: Uma overdose de boa música e um alto nível de composição
Resenha - Pitfalls - Leprous
Por Marcio Machado
Postado em 02 de novembro de 2019
Nota: 8 ![]()
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Já com dez anos de estrada, e conquistando seu espaço cada vez mais, o Leprous assumiu seu lugar, surgindo como a banda de apoio de Ihsahn, do Emperor, para trazer seu nome e identidade para o cenário. Dentre esse tempo, já se vão um belo disco ao vivo, e agora, o sexto lançamento de estúdio. Quem segue a banda sabe que ela não se repete em nenhum de seus discos, sempre trazendo elementos novos e mudando seu som, mas ainda mantendo sua identidade, principalmente pela forte presença de voz de Einar Solberg. "Pitfalls" é o trabalho da vez, e assim como em "Malina", de 2017, o experimentalismo tomou conta e o resultado pode não agradar à todos, mas ainda o alto nível que a banda já mostrou ser dona continua ali impresso.

"Below", que já virou conhecida do público por ser a primeira à dar luz ao novo trabalho é quem abre a parada. Ali já vemos que o andamento vai mais uma vez seguir para outro lugar, e é muito bem feito. A música é rica em seus detalhes, há elementos do alternativo, do industrial e um pequeno ar do gótico dos anos 80. O refrão é um dos melhores momentos. "Einar" cada vez mais vem amadurecendo sua voz e o domínio que tem sobre ela. Grande começo.
A seguinte tem uma levada muito boa, um flerte direto com o funk e o R&B. "I Lose Hope" é cheia de elementos além da batida principal, e as alternâncias no vocal são excelentes. Os toques climáticos do teclado são um charme grandioso e o passeio de notas que Einar faz por todo o tempo, entre falsetes e vozes mais graves, lembram algo inspirado por Thom Yorke do Radiohead.
"Observe the Train" é soturna, um arranjo vocal denso que nos embala como num sonho distante. O refrão principalmente, nos tira de rumo e para quem compra a ideia da canção, é transportado pela leveza de Einar.
A seguinte é "By My Throne", que já traz outra pegada. Aqui há um pouco mais de ânimo é uma batida que lembra muito o eletrônico viajado que o Depeche Mode trabalhava, e o conjunto vocal é destaque numa determinada passagem. A música vai ganhando um crescendo à cada ponto, e um belo trabalho da bateria se forma com o andamento. Uma das melhores e mais cativantes.
"Alleviate", um dos singles lançados é outra que se destaca. Que baita refrão lindo temos nessa aqui. Fora os versos que são construídos de forma magistral, belo acompanhamento da bateria e o toques charmosos do teclado são a cereja do bolo. Toda a mudança construída nos minutos mostram que a banda é certeira no que sabe fazer. Maravilhosa.
"At the Bottom" é a peça definitiva do disco. Que música meus caros! O começo tem um leve flerte com a música pop, mas o refrão é intricado e com a maior identidade do Leprous. O baixo soa na cara do espectador, e que linhas de bateria. Falar do que Einar faz com sua voz aqui é chover no molhado, pois vai cantar assim lá na…! Perfeita, uma construção sem defeitos, uma viagem total e de alto nível. Ouça quantas vezes quiser, sem restrições!
"Distant Bells" é mais calma, traz um ar mais harmônico, com Einar embalado por piano e um harpa que surge vez ou outra do nada. O final é forte, em grande estilo e grande em todos os sentidos. Belos arranjos são entoados pela banda que é mais do que afiada seja qual andamento for.
Lembrando bastante o Leprous de outros momentos, "Foreigner" é agitada e com o instrumental intrincado, principalmente por conta de Baard Kolstad e suas linhas da bateria que aqui são fantásticas. E encerrando a obra, "The Sky Is Red" abraça de vez o experimentalismo e todas as possibilidades que a banda tem em sua sonoridade e criam um final literalmente louco, abusando do Progressivo, parecendo uma mistura de sonhos e LSD.
Mais uma vez o Leprous mostrou do que é capaz e que não pouco. O disco não irá agradar à todos, talvez até mesmo aos que já são acostumados ao som da banda, mas para aqueles que quiserem ouvir uma overdose de boa música e um alto nível de composição, se joguem nessa viagem e recebam mais um belo presente desses noruegueses.
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