Leprous: rompendo de vez com o metal progressivo, mas álbum não é ruim
Resenha - Pitfalls - Leprous
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 31 de outubro de 2019
Nota: 8 ![]()
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A banda mais "diferentona" (e depressiva) do metal progressivo escolheu 2019 para dar aquele passo que todos os sinais apontavam que eles dariam. Por sinais, refiro-me ao direcionamento musical de seus lançamentos mais recentes, The Congregation e Malina.
Estes álbuns eram de lenta digestão e dificilmente conquistavam de imediato. Com Pitfalls, seu sexto disco de estúdio, eles conseguem a improvável proeza de se afastarem ainda mais do metal progressivo que os consagrou (é "ruptura" que fala, né?) ao mesmo tempo em que criam canções com as quais o público em geral identificar-se-á com mais facilidade.
A obra foi escrita majoritariamente pelo vocalista e tecladista Einar Solberg num período em que ele enfrentava depressão e ansiedade. E isso fica muito evidente nas letras das músicas (se é que os títulos das mesmas já não entregam o ouro).
Se metal progressivo é algo pelo qual você (ainda) está sedento, ficará satisfeito com a abertura "Below", que preserva alguns aspectos do gênero, mas sem perder as fortíssimas doses de melosidade e emoção que marcam o som deles. Outras canções que poderiam fazer companhia para ela são "At the Bottom", "Foreigner" e a épica "The Sky is Red".
Esta última permite à banda explorar em mais de dez minutos suas diversas facetas. Com isso, quero dizer que temos momentos serenos e crus intercalados com passagens mais técnicas e densas. Não posso deixar de notar, contudo, que seus minutos finais consistem apenas na repetição crescente de uma mesma frase, ainda que abrilhantados com a participação de um coral de Belgrado. É a famosa faixa que foi esticada para parecer maior do que realmente é. Mas não deixa de ser um dos pontos altos.
Agora, se você quer conhecer a essência da atual fase do Leprous, foque em trabalhos como "I Lose Hope", em que guitarras, baixo, cordas e sintetizadores dividem pacificamente o fundo musical com os vocais de Einar.
"Observe the Train" e "By My Throne" levam isso a um patamar acima (ou abaixo?). Palmas para quem consegue ouvi-las sem bocejar. "Alleviate" teoricamente entraria nesse bojo, mas ela tem uma construção emocional tão forte e admirável que acaba se mostrando um dos destaques absolutos. "Distant Bells" reproduz lógica parecida.
Como faixas bônus temos a simpática "Golden Prayers", revelada em junho de 2018, e o sonolento cover de "Angel", do grupo inglês de hip hop Massive Attack. Outra peça requentada, datando do início deste ano.
Para enriquecer o som geral do disco, o Leprous contou uma vez mais com o violoncelista Raphael Weinroth-Browne e também com a novidade Chris Baum, violinista do Bent Knee - seus instrumentos são essenciais na construção da "depressividade" que ouvimos aqui.
Dos integrantes oficiais, destaco, uma vez mais, o baterista Baard Kolstad, por mostrar que distanciar-se do metal progressivo não é desculpa para se entregar aos confortos das linhas simples e previsíveis. Einar, por sua vez, é tão fundamental para o funcionamento da proposta musical da banda que falar de sua voz extremamente melódica em separado chega a ser encheção de linguiça.
Reitero que Pitfalls é o rompimento final do quinteto norueguês com as palavras "metal" e, até certo ponto, "progressivo". Eles estão solidificados como algo que desafia a categorização. "Alternativo", "experimental" e "avant-guarde" são rótulos bastante apropriados e que ao mesmo tempo não ajudam em nada, pois são todos vagos e comumente utilizados na ausência de termos melhores.
Se o direcionamento é bom ou ruim? No caso analisado aqui, difícil responder com convicção. Estão adotando roupagens que alienarão os fãs mais conservadores - e eu não os julgo por torcerem o nariz para o disco - mas fazem isso de forma tão destemida e profissional que não é necessário muito esforço para gostar do lançamento pelo menos enquanto trabalho artístico.
Fãs reconheceram em comentários nas redes sociais do Leprous que eles, normalmente associados ao universo do heavy metal, vêm se mostrando mais competentes que nomes pop na tarefa de criar... música pop. Eu tendo a concordar totalmente. E você?
Abaixo, o clipe de "Below":
Track-list:
1. "Below"
2. "I Lose Hope"
3. "Observe the Train"
4. "By My Throne"
5. "Alleviate"
6. "At the Bottom"
7. "Distant Bells"
8. "Foreigner"
9. "The Sky Is Red"
10. "Golden Prayers" (faixa bônus)
11. "Angel" (faixa bônus)
Fonte:
Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/leprousp
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