Alter Bridge: sonoridade exótica em novo álbum?
Resenha - Walk The Sky - Alter Bridge
Por Fábio Cavalcanti
Postado em 18 de outubro de 2019
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Quem não lembra do final dos anos 90 e início da década passada, em que o rock ainda fazia sucesso comercial? Nessa época, houve a explosão do Creed, uma banda norte-americana de pós-grunge que gerou um misto de admiração e irritação entre o público. Após o seu término, os seus três instrumentistas se uniram ao vocalista Myles Kennedy, e montaram um combo sônico mais forte e virtuoso chamado Alter Bridge, o qual trouxe agora em seu sexto álbum "Walk the Sky" (2019) um estilo ainda mais distante daquela outra banda...
Aqui, Kennedy não apenas atinge uma maior versatilidade em seu típico vocal agudo, como também entrelaça suas emoções com as guitarras furiosas e catárticas de Mark Tremonti. E a cozinha de Brian Marshall (baixo) e Scott Phillips (bateria) traz coesão e grooves na medida certa, sem exibicionismos. Enquanto o som é mais sombrio e exótico do que de costume, as letras conferem maior dose de força e esperança para vencermos as batalhas contra nossos demônios internos, algo bem explicitado por exemplo nas belas baladas "The Bitter End" e "Dying Light".
O ótimo e pesado single "Wouldn't You Rather" possui harmonias bem sacadas, uma letra levemente otimista, e um sutil background sinfônico que também é uma das marcas do álbum. As coisas ficam ainda mais interessantes na cadenciada "In the Deep", que chega a lembrar alguns dos sons mais melódicos e amadurecidos do guitarrista Slash (carreira solo onde Myles Kennedy também é vocalista). As arrepiantes "Native Son" e "Pay No Mind" também estão entre as melhores músicas, graças a uma essência duplamente densa e fantasmagórica.
Entre os momentos diferenciados, temos a boa "Godspeed", que une sintetizadores a uma temática mais alegre, e soa como uma espécie de The Killers em versão hard rock. A excelente "Forever Falling" é mais melancólica e intrincada, e nos faz pensar em como o Chris Cornell se sairia num suposto álbum solo de metal alternativo. Já entre os pontos negativos, cito a irregular "Take the Crown", que une um verso inspirado a um refrão mediano e deslocado. E "Tear Us Apart" é um pop/rock genérico que parece um Goo Goo Dolls asfixiado em hélio.
No fim, "Walk the Sky" é um álbum que esbanja inspiração do Alter Bridge. Além das letras voltadas à resiliência, a atmosfera sonora pode remeter a uma espécie de filme de terror das antigas. E independente das pequenas mudanças, a banda continua pesada e vigorosa no seu misto de pós-grunge e metal alternativo. Este não é um trabalho superior ao marcante "Blackbird" (2007), mas possui a ousadia do "Fortress" (2013) e é forte concorrente ao posto de segundo colocado na discografia de Tremonti, Kennedy e companhia. O céu é o limite!
Músicas:
1. One Life [vinheta]
2. Wouldn't You Rather
3. In the Deep
4. Godspeed
5. Native Son
6. Take the Crown
7. Indoctrination
8. The Bitter End
9. Pay No Mind
10. Forever Falling
11. Clear Horizon
12. Walking on the Sky
13. Tear Us Apart
14. Dying Light
Outras resenhas de Walk The Sky - Alter Bridge
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Capital Inicial cancela shows nos Estados Unidos após vistos negados
Rush é parado na fronteira dos Estados Unidos com o México e precisa adiar show
20 bandas que nunca lançaram um disco ruim, de acordo com a Metal Hammer
Por que Iron Maiden nunca será grande como Metallica, segundo Bruce Dickinson
Ripper Owens: "Há uma razão pro Iron Maiden tocar pra 20 mil e o Judas pra 5 mil"
Rhapsody se despedirá com formação clássica ao lado do Epica na América do Sul
O que torna o Slayer diferente, na opinião de Dave Mustaine
Os dois clássicos do Judas Priest que Ripper Owens não queria cantar no Masters of Voices
Dave Lombardo conta que "névoa mental" o fez usar anotações nos shows
O show em que o Iron Maiden tocou Van Halen, de acordo com Adrian Smith
A grande omissão do Rock and Roll Hall of Fame segundo Steve Stevens
Steve Harris conta o que Brian May disse sobre o show do Iron Maiden no Rock in Rio I
Para Rob Halford, cantar com o Black Sabbath foi como realizar um sonho
Steve Harris foi único membro do Iron Maiden a receber Paul Di'Anno em show, revela documentarista
A crítica que o Moonspell recebeu por algo que Lacuna Coil e In Flames também fizeram


Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
"Break The Silence" prova que o mainstream precisa do Beyond The Black
"MI'RAJ" - quando Edu Falaschi troca a velocidade pela emoção e encerra trilogia com maturidade
A Lapidação da alma: O triunfo conceitual do Big Big Train em "Woodcut"
HellLight - Reafirmando seu espaço entre os melhores da safra do gênero.
"Betrayed By Obedience", do Infected Cells, é death metal bruto, técnico e direto
Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
RHCP: O monstro saiu da jaula com um de seus melhores trabalhos


